Joseph James Forrester (Barão de Forrester)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Joseph James Forrester. (1809-1861)

Joseph James Forrester nasceu em Kingston upon Hull, Inglaterra, em 27 de Maio de 1809.
Foi um empresário inglês radicado em Portugal. James Forrester foi o primeiro Barão de Forrester, título que lhe foi concedido por D. Fernando II, em 1855, na condição de regente durante a menoridade de D. Pedro V.
Em 1831 Joseph juntou-se à empresa vinícola de um tio seu no Porto, e iniciou uma reforma no comércio de vinhos. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Também estudou o oídio da vinha causado pelo Oidium tuckeri, desenhou notáveis mapas do vale do Douro (Mapa do Rio Douro). Por este trabalho, foi-lhe concedido o título de Barão, por D. Fernando II, em 1855, regente durante a menoridade de D. Pedro V.1
Pintou várias aguarelas, e foi autor de O Douro Português e País Adjacente (1848) e de Prize Essay on Portugal and its Capabilities (1859), pela qual recebeu uma medalha de ouro.
«Peasants of the Alto Douro» 1856 , Joseph James Forrester 
Joseph James Forrester foi um precursor no desenvolvimento de estudos científicos sobre viticultura, cartografia e fotografia, sendo assim um dos pioneiros em Portugal na arte fotográfica.
 O Porto na objectiva de Joseph James Forrester
Joseph James Forrester viria a falecer por afogamento nas águas do Douro, no Cachão da Valeira, em São João da Pesqueira, a 12 de Maio de 1861. Provavelmente foi arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo. Nunca encontraram o seu corpo.

Imagens: 
Joseph James Forrester
Fontes:
- Museu do Douro
- BNP

Avenida de Carreiros. (Porto)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Avenida de Carreiros, era uma via de ligação entre a Foz do Douro e Bouças (Matosinhos). 
Foi a partir de 1775 que surgiu com as designações de Carreiro d`Ipia, Carreiro Mau, Molhe de Carreiros, (o Molhe, foi projectado em 1838 e construído em 1884) ou mais tarde Avenida de Carreiros, devido à sua crescente importância, dado que foi justamente a abertura da estrada (avenida), em 1864,  que permitiu a construção dos primeiros «chalets» e casas mais importantes. Após a implantação da República, mudaram-lhe o nome para Avenida Brasil. Na década de 1920, construiu-se a Pérgola e a balaustrada e entre 1929 e 1930, seria electrificada a zona do Molhe.
Avenida de Carreiros, actual Avenida Brasil
 Antigo acesso ao Molhe de Carreiros
 O eléctrico na Avenida de Carreiros, na Foz. (1900-1910)
Forte S. Francisco Xavier, vulgo, Castelo do Queijo, na actual Praça de Gonçalves Zarco
Prova actual em papel salgado, obtida a partir de um calótipo, com autoria atribuída a 
Frederick William Flower, 1849-1859
Foz do Douro - A rua Senhora da Luz. Destacando-se as casas comerciais, Sapataria Tito Barbosa (Depósito de Calçado) e a Nova Casa Central
Eléctrico na Rua Senhora da Luz, c. 1910

Imagens:
- Phot.ª Guedes
- Repositório Temático da U. P.
- Frederick William Flower
- CMP

Casa de Banhos. (Rua de Santo António / Rua 31 de Janeiro, Porto)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

"Casa de Banhos" da Rua de St.º António/31 de Janeiro
Esta rua foi construída sobre estacaria e arcos em pedra, para vencer o grande declive entre as extremidades da rua e também para permitir passagem à "mina do Bolhão" que lá passava para abastecer com água o extinto Mosteiro de São Bento de Avé-Maria. A Rua de Santo António/Rua 31 de Janeiro foi uma rua meticulosamente planeada, com os alçados dos seus prédios projectados pelo arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado, entre 1787 e 1793.
A rua foi finalmente aberta em 1805 com o nome Rua Nova de Santo António. Santo António, devido a Santo António dos Congregados; Nova, porque já existia outra Rua de Santo António, na Picaria.
A par da Rua dos Clérigos e a Praça de D. Pedro, depois, da Liberdade, a Rua de Santo António/31 de Janeiro apesar da forte inclinação, ganhou foros de excelência. Era a artéria onde imperavam os luveiros, as alfaiatarias e os cabeleireiros da moda. Local onde existia a Casa de Banhos (aberta em 1866 e que recebia água do manancial de Camões, através de uma mina. Seria encerrada em 27 de Setembro de 1909), o Teatro Circo e o Teatro Baquet, este mandado construir pelo alfaiate António Pereira Baquet em 1859 e que, 29 anos depois, foi consumido por um violento incêndio. Sobre as suas ruínas ergueram-se os magníficos Armazéns Hermínios, já por nós abordados neste blogue.
Segundo "O Tripeiro" Série V, Ano VI, podemos ler sobre esta Casa de Banhos:
“Está aberto este estabelecimento todos os dias, de verão, desde as 5 horas da manhã até às nove da noite, e no Inverno, desde as oito da manhã até às seis da tarde. Aos Domingos fecha-se ao meio dia. 
Por um banho de tina, da água doce 160 reis 
Por assinatura( 12 banhos) 1$680 reis 
Um banho sulfúrio (cada) 300 reis 
Um banho de vapor 600 reis 
Um banho de chuva 120 reis 
Assinatura (12 banhos) 960 reis 
Um banho de água do mar 300 reis 
Em todo o tempo se pode ir tomar banhos de água doce, de chuva, de águas termais e de vapor. Os de água de mar só principiam no primeiro de Agosto e acabam em 31 de Outubro.” 
O mesmo local actualmente, na Rua 31 de Janeiro

Imagem: 
- Phot.ª Guedes
- Alexandre Silva
Fontes:
- CMP
- BMP
- O Tripeiro

Lordelo do Ouro. (Porto)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Lordelo do Ouro, em imagens impossíveis de contemplar actualmente, a não ser em arquivos fotográficos...
Estação do Ouro, num BPI com data de 1904 manuscrita 
Largo do Ouro
Cascata em Lordelo do Ouro , num BPI com data de 1907 manuscrita
Queda d'agua em Lordelo do Ouro, por volta de 1910
Várias perspectivas do Bairro Operário de Lordelo do Ouro, (localmente designado por "Bairro  Velho") entre 1947-1949, voltado para a Rua Granja de Lordelo, ao lado do Bairro das Condominhas e das piscinas do Fluvial. Destaque para um lavadouro público (desaparecido) e para as torres da Escola Primária das Condominhas. Vendo-se ao fundo a Capela de Santa Catarina.
Bairro Velho. Vemos a Capela de Santa Catarina
 Bairro Velho. Vemos a Escola Primária ao fundo
Bairro Velho. Escadas que acedem à Rua das  Condominhas
 Bairro Velho. Escadas que acedem à Rua das  Condominhas
 Lavadouros Públicos em Lordelo. A Escola Primária em segundo plano da imagem
Lordelo - Vista aérea em 1939
Repare-se no cemitério (canto superior direito) rodeado por campos de cultura. Um pouco mais abaixo, após o cruzamento com a actual rua do Campo Alegre, vemos a igreja de Lordelo, à frente da qual, passa a rua das Condominhas, tudo inserido num contexto fortemente rural
Fotografia aérea da zona ribeirinha, residencial e rural de Lordelo do Ouro (1939-40). Desde o bairro de Casas Económicas das Condominhas (Nordeste), ao Rio Douro (Sul). Identificando-se, o Bairro Operário de Lordelo do Ouro, na Rua da Granja de Lordelo; a central de Sobreiras, na Rua das Sobreiras; a capela de Nossa Senhora da Ajuda, na Rua com o mesmo nome; a Capela de Santa Catarina, rodeada de artérias com pequenos aglomerados habitacionais, no Largo de Santa Catarina; a Manutenção Militar e o Estaleiro, na Rua do Ouro.
Esta imagem de baixo, é mais recente (provavelmente dos anos 50) e tendo sido obtida, possivelmente próximo da Capela de St.ª Catarina, dá-nos uma ampla visão do Largo de António Cálem e da Rua do Ouro antes da implantação do monumento à "Grei". Os telhados em primeiro plano pertencem à manutenção militar, entre estes e o "casarão" que surge na direita da imagem (actualmente recuperado) existe a Rua das Condominhas.
Largo de António Cálem nos anos 50
Esta imagem abaixo, é ainda mais recente e tendo-nos sido enviada, desconhecemos no entanto o seu autor. A única informação que a acompanhou, é que a mesma seria de inícios dos anos 60 do séc. XX. Após análise curta à mesma (e conhecendo bem o local) podemos afirmar que a fotografia foi obtida provavelmente do local onde existe o já abordado, "Bairro Velho" das Condominhas, muito possivelmente perto da Escola. 
O edifício de maior porte, na esquerda da imagem, foi uma casa de habitação, (mencionada na imagem de cima, onde está vista de outro ângulo) parcialmente demolida, nos anos 80, estado em que permaneceu muitos anos, depois seria reconstruída e se não caímos em erro actualmente é uma empresa. Do outro lado desse edifício (não visível na imagem) situa-se a Rua das Condominhas. Os campos, em primeiro plano, actualmente obstruídos por prédios, representam o término da Rua Diogo Botelho, sendo as árvores ao fundo o actual Jardim do Cálem.
Neste local, viriam a funcionar as primeiras piscinas do Fluvial
Vistas panorâmicas da construção dos arruamentos da zona da Pasteleira; Ruas de Aleixo Mota e de Dom Pedro de Menses. Identificando-se o edifício da Manutenção Militar, o Bairro Operário de Lordelo do Ouro, a Capela do Sr. e da Sra. da Ajuda, o Largo de António Calem e o Rio Douro.




Vistas aéreas das obras de arruamentos na zona da Pasteleira (a nascente do Bairro Rainha D. Leonor), para construção de um bairro destinado a iniciativa particular, 1961-62,






Vista aérea do Jardim do Ouro (construído em 1960) também chamado de Jardim António Calem. No canto superior direito da fotografia vêem-se os acessos à zona da Pasteleira.
Jardim do Cálem, no início da década de 60, estando a Ponte da Arrábida em construção
 Jardim de António Cálem, na década de 60 do Séc. XX

Imagens:
- Editor Alberto Ferreira
- Autores desconhecidos
- Arquivo Municipal do Poto (AMP)
Fonte:
- CMP

Quinta de Vila Meã / Quinta do Mitra. (Porto)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A quinta de Vila Meã, pertenceu em tempos à família Vieira, também conhecidos por Vieiras.
No primeiro foral passado a esta quinta, em 1473, encontramos referências a um tal João Vaz Lordelo Vieira Annes.
A família Vieira que possuía várias outras propriedades na freguesia e nos lugares de Bouça-Ribas, Cerco, entre outros, ligou-se posteriormente por via matrimonial à família Araújo também desta freguesia, dando origem ao amo dos Cunha Araújo que viveu nesta quinta até 1860.
Quinta de Vila Meã, ou Mitra. Imagem: Blogue Porto Sombrio
Anteriormente, em 1758, este lugar de Vila Meã tinha sete vizinhos ou fogos.
Em 1864, e já depois de várias mutilações, esta quinta compunha-se de «casal de Baixo e do Casal de Cima (este já desaparecido), que eram a Casa nobre, Capela (dedicada a Nossa Senhora dos Anjos), jardins, pomar, lago, casas para caseiros, e de mais 25 propriedades, que iam de Godim ao Fojo (hoje Praça das Flores), Lameira, Corujeira, do Monte Escoural até à Bonjóia»
Escadas da Casa da Quinta de Vila Meã: in AMP
Possuía igualmente um parque murado de recreio localizado perto da Estação de Campanhã e terrenos onde actualmente se situa a linha de caminho de ferro até à ponte de Contumil.
O Casal de Cima que englobaria estes terrenos foi assim destruído aquando das obras de construção da linha.
 Quinta de Vila Meã, pormenor da capela: in AMP
Num passado bastante recente existia na rua do Monte da Estação, um portão de uma antiga entrada nobre para este Casal, portão esse em pedra lavrada em belo estilo barroco, que desapareceu.
Em 1866, a quinta deixa definitivamente de estar na posse da família dos Vieiras, sendo então vendida ao Comendador José Joaquim Pereira de Lima pela importância de 1250$000 réis.
Quinta de Vila Meã. Ano de 1890
Até à década de 20 do séc. passado continuou a pertencer aos herdeiros do Comendador, altura em que foi vendida a uma família de apelido Mitra. É justamente com a designação de Quinta do Mitra porque hoje é mais conhecida. 
Chafariz da Quinta de Vila Meã em 1943 
Encontra-se actualmente nos jardins do Palácio de Cristal 
Cliché de Guilherme Bonfim Barreiros
Fonte com data de 1710: in AMP
Capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos. Imagem actual
Actualmente a quinta pertence à Câmara Municipal do Porto que aí procedeu à instalação de um bairro de casas pré-fabricadas. O estado da capela e casa senhorial, são de praticamente total ruína.

Fontes:
Miguel Ferreira Meireles, Agostinho B. Vieira Rodrigues «Campanhã Monografia».
- SILVA, Fernando J. Moreira da - Quinta de 'Vila Meã, «0 Tripeiro», Série Nova, Ano VIII (2) Fev. 1989, p. 45-46.
- MARTINS, A. Tavares - Antigas quintas da paróquia de Campanhã, «Boletim Cultural da C. M. Porto», Porto, XXXII (3-4), 1969, p. 661-710.

Imagens:
- Porto Sombrio
- AMP
- Guilherme Bonfim Barreiros
- Alexandre Silva

Igreja da Encarnação. (Lisboa)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Clique na imagem para a ampliar
Igreja da Encarnação em 1939
A Igreja da Encarnação, assim chamada por ser dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, datava do início do séc. XVIII e situava-se na entrada de Lisboa, mais precisamente na convergência entre a Estrada de Sacavém e a Estrada da Circunvalação. Em 1939 esta formidável igreja, que chegou a ser descrita nas Memórias Paroquiais de Lisboa, em 1758, estava já em ruínas. Foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, em Janeiro de 1940, que a mandaria demolir no início dessa mesma década.

Fonte:
Inácio, Carlos; Barreiro, Fernando "O bairro da Encarnação e as antigas quintas dos Olivais". Lisboa: Edição de autor, 2012.
Imagem:
- AML