Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne. (Porto)

sábado, 20 de maio de 2017

Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne in AMP
Outrora periférica, a freguesia do Bonfim cresceu ao longo dos antigos caminhos de Gondomar (Caminho do Padrão de Campanhã, actual Rua do Heroísmo) e Valongo e Penafiel (actual Rua do Bonfim); e cresceu em torno do Monte das Feiticeiras, onde fora erguido o cruzeiro da duo-décima estação da Via Sacra, também designado do Senhor do Bom Fim e da Boa Morte. A Quinta do Poço das Patas pertenceria à família Cirne (Cyrne) desde 1513, ano em que foi comprada por Manuel Cyrne. Naquele local absolutamente rural, existia então um ribeiro, com uma pequena ponte em pedra, que permitia a sua travessia...
O enorme edifício que hoje alberga a Junta de Freguesia do Bonfim (e que se encontra muito ampliado, face ao inicial) foi originalmente construído entre 1812-15 por Francisco de Sousa Cirne de Madureira, um dos revolucionários de 1820, para ser a residência habitacional da Quinta do Reimão, a propriedade da sua família.
Os Cirne (Cyrne) eram uma influente família portuense que gerou um dos nossos Feitores da Flandres.
O edifício foi sua pertença até ser comprado por Joaquim Domingos Ferreira Cardoso, em sociedade com Eduardo Ferreira Pinheiro, no ano de 1882, por 95 contos de reis. Eram então donos da quinta D. Maria Ana Isabel de Sousa Cirne Teixeira Blanco e o seu irmão António de Azevedo Cabral Teixeira Cirne. O Brasão dos Cirnes, que ornamentava o cimo da fachada principal, foi picado em 1890 e substituído pelo ornato de granito que encima o edifício actual.
A quinta foi então loteada e urbanizada. Nos antigos terrenos de cultivo e jardins construíram-se casas e rasgaram-se as ruas dos Duques de Palmela, de Saldanha e da Terceira, do Conde de Ferreira, do Barão de S. Cosme, de Joaquim António de Aguiar e a de Ferreira Cardoso.
Em 1890 a Casa é comprada por 20 contos de reis pela Junta Paroquial do Bonfim.
Posteriormente veio a albergar o Liceu do Porto, já desaparecido, e incorporado no Liceu Rodrigues de Freitas, até sofrer obras em 1930, onde lhe foi aumentado um piso que lhe permitiu acolher a sede da Junta de Freguesia, que ocupa presentemente o edifício.
Junta de Freguesia do Bonfim in http://www.jfbonfim.pt

Fontes:
- Junta de Freguesia do Bonfim
- CMP
Wikipédia
- AMP

Forte de São João da Junqueira. (Lisboa)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Forte da Junqueira. Cliché - Filmarte in A.M.L.
 Forte da Junqueira. Cliché de José Artur Leitão Bárcia in a.f. C.M.L.
O Forte de São João da Junqueira, ou apenas Forte da Junqueira, localizava-se no areal da Junqueira, com a fachada frontal voltada para o rio Tejo, onde actualmente existe a Avenida da Índia, a leste do edifício da Cordoaria Nacional, em terreno onde hoje se situam a Rua Mécia Mouzinho de Albuquerque e a Feira Internacional de Lisboa.
Presume-se que terá sido edificado por altura da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) terá sido erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), possivelmente após 1649, com a função de reforço da defesa marítima da capital.
 Forte da Junqueira em 1939. Cliché de Eduardo Portugal in a.f. C.M.L
Sendo inicialmente uma fortificação de reduzidas dimensões, a sua construção estava praticamente concluída em 1666, quando contava com uma bateria voltada ao Tejo e a edificação de serviço pelo lado de terra.
Seria posteriormente ampliado e terá sido no reinado de José I de Portugal (1750-1777) que atingiu as suas maiores dimensões. D. José, talvez o rei mais inútil da História de Portugal (excluímos D. Afonso VI, pois era deficiente mental) delegava no primeiro-ministro, o célebre marquês de Pombal, todas as decisões. Assim, por decisão do marquês, as dependências do Forte, foram convertidas em prisão do Estado, adquirindo uma sinistra reputação. 
Neste local estiveram detidos numerosos elementos do povo e nobres, nomeadamente quando do processo dos marqueses de Távora, com destaque para D. João de Almeida Portugal, 4.º conde de Assumar e 2.º marquês de Alorna (1726-1802) e D. Martinho Mascarenhas, 6.º e último marquês de Gouveia. O primeiro aqui esteve detido por 18 anos, tendo nos legado uma breve relação intitulada “As prisões da Junqueira, durante o ministério do marquês de Pombal”, publicada conforme o original por José de Sousa Amado, presbítero secular (Lisboa, 1857). Inédita durante 70 anos, dela surgiram várias cópias com títulos como “Relação dos presos do forte da Junqueira” e outros. 
Na época Pombalina o forte-prisão contava com três pavimentos abaixo do solo, afirmando-se que o mais profundo era utilizado como cemitério, ali sendo sepultados os que não resistiam ao cativeiro. Os pavimentos superiores funcionavam como cárceres.
Os presos de Estado detidos na Junqueira apenas foram libertados com a morte de D. José I (24 de Fevereiro de 1777) e a ascensão ao trono de Maria I de Portugal (1777-1816).
 Interiores - "O pateo das prisões e a capella" in Ilustração Portuguesa
  Interiores - "O carecer (cárcere) dos Tavoras" in Ilustração Portuguesa
 Interiores - "O pateo e o poço" in Ilustração Portuguesa
Com muitas modificações efectuadas ao longo dos anos, o forte chegou ao século XX, tendo sido demolido em 20 de Março de 1940, quando da abertura da "Avenida da Índia", nos trabalhos preparatórios dos acessos à "Exposição do Mundo Português".
A sua demolição chegou a ser anunciada pelo jornal lisboeta "Diário de Notícias" de 23 de Novembro de 1939, em matéria de Nogueira de Brito, sob o título “A Junqueira de outros tempos e o Forte de São João que vai a demolir”.

Fontes parciais:
- SIPA / DGPC
- Fortalezas.org
- CML
- ANTT

Palacete de Manoel Pinto da Fonseca. (Porto)

sábado, 6 de maio de 2017

 Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca . BPI (digitalização)
Esta formidável habitação foi a moradia de Manoel Pinto da Fonseca, fundador, em conjunto com o seu irmão, da Casa Fonseca, que posteriormente haveria de dar origem ao já desaparecido Banco Fonsecas e Burnay. Localizava-se na Avenida da Boavista, esquina com a Rua de Belos Ares, onde actualmente se encontra o prédio que alberga o Bingo da Boavista. Foi devastada por um incêndio em 14 de Outubro de 1926.
Bombeiros a apagar o incêndio do Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca, 
localizado na esquina da Rua de Belos Ares com a Avenida da Boavista, no Porto. 
Cliché Alvão. 1926-10-14 in Centro Português de Fotografia