O Teatro Camões. (Porto)

domingo, 14 de outubro de 2018

O «Theatro Camões» situava-se no que hoje designamos por centro da cidade, no local ocupado actualmente por uma boa parte da Estação de Metro da Trindade.
Foi erguido no correr da antiga Rua das Liceiras, próximo da Feira dos Carneiros (já aqui falada noutra publicação) em esquina com a Rua de Alferes Malheiro.
O «Theatro Camões» seria, a meio do séc. XIX, frequentado por figuras públicas de destaque, como o escritor Camilo Castelo Branco, ou o grande negociante Manuel Pinheiro Alves, marido de Ana Plácido (mulher que se tornaria amante do escritor).
Posteriormente, a 05 de Junho de 1858, o «Theatro Camões» passaria a denominar-se «Teatro das Variedades». Curiosamente, o escritor Camilo Castelo Branco, chamava ao já então Teatro das Variedades  "A barraca de Liceiras".
A Feira do Carvão na Praça de Camões
O Theatro Camões, é perceptível atrás das árvores - Emílio Biel
Em 1887, surgiu no local o «Theatro Chalet» que estreou com o drama “A escravatura na América”. O seu último espectáculo aconteceria em 02-04-1899, tendo sido em seguida demolido, para  permitir a ampliação do Horto Municipal. 

Fontes parciais:
-Arquivo Histórico Municipal do Porto
- Jornal "O Comércio do Porto"

Casa de Pasto "O Arranjadinho Barcelense". (Porto)

quarta-feira, 25 de abril de 2018

 Casa de Pasto «O Arranjadinho Barcelense», n.º 96
Clichés in AHMP
Vista da desaparecida Casa de Pasto, denominada por "Arranjadinho Barcelense" no nº 96 da Rua da Picaria, durante as obras de beneficiação da mesma, em 1939.
Posteriormente seria um stand de motocicletas, como pode ser visto clicando aqui
Perpectiva das obras de beneficiação da Rua da Picaria em 1939

Dois edifícios centenários demolidos. (Porto)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Quem conheça, frequente ou resida na cidade do Porto e por hábito ou necessidade, costume passar pela Praça da República, por certo se recordará destes dois edifícios antigos, situados entre a Rua dos Mártires e a Rua do Almada. Um era mais alto e possuía uma fachada frontal mais simples, sendo o outro mais rico (e a nosso ver) mais bonito.
 Edifícios demolidos na Praça da República in Google Maps
 Edifícios demolidos na Praça da República in Google Maps
  Edifícios demolidos na Praça da República 
Pormenor da fachada in Google Maps
Devolutos por muitos anos, esperávamos que a "azáfama turística" que envolve a cidade actualmente e que promove obras, restauros, construções e até destruições, fosse reabilitar estes dois prédios, mais que não fosse, mantendo as suas paredes exteriores de granito. Foi uma esperança vã!
Demolidos meses atrás, o lugar é, neste momento exacto em que escrevemos esta publicação, um estaleiro de obras, local de onde provavelmente de erguerá mais uma torre de betão... é uma pena.

Palacete Samora Correia. (Lisboa)

Edificado entre a Avenida da Liberdade e a Rua Júlio César Machado e com acessos (frontaria) para ambas as artérias, este sumptuoso edifício era propriedade e foi residência de Carlos Ferreira Prego, 3.º Barão de Samora Correia.
Seria posteriormente adquirido pela Sociedade Anglo-Portuguesa de Cinemas, SARL, com o objectivo de ali erguerem o Cinema São Jorge. Isto levou a que o palacete fosse demolido entre 1946 e 1948. O Cinema São Jorge seria inaugurado em 24 de Fevereiro de 1950.
Palacete Samora Correia. Fachada para a avenida da Liberdade
Cliché de Eduardo Portugal in AML
Palacete Samora Correia. Fachada para a rua Júlio César Machado
 Cliché de Eduardo Portugal in AML

Casino do Palácio de Cristal. (Porto)

terça-feira, 17 de abril de 2018

O formidável e demolido em 1951, Palácio de Cristal do Porto, que em 2009 mereceu da nossa parte uma dedicada e extensa publicação, a qual pode ser consultada clicando aquifoi um local dedicado tanto à cultura, como ao divertimento e lazer.
 Palácio de Cristal - BPI
Portuenses nos seus passeios de Domingo à tarde, aproveitando o sol Outonal que irradiava sobre a Avenida das Tílias, no palácio de Cristal
Conforme já referimos na nossa publicação datada de 2009, tendo o lançamento da primeira pedra ocorrido em 03/09/1861 e sido posteriormente inaugurado, em 1865, as instalações do majestoso edifício não dispensavam um Casino (algo muito na moda de então), que integrava também um Dancing, bem como um Restaurante.
 Casino do Palácio de Cristal - Dancing
 Casino do Palácio de Cristal - Sala D. Pedro V
 Casino do Palácio de Cristal - Sala Holandeza
Imagens:
- Casa Alvão
- AHCMP
- BPI (Digitalização)

Caixas de Toques de Incêndio. (Porto)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Na cidade do Porto, durante o século XIX, foram criadas e espalhadas pelas várias freguesias da localidade, cerca de vinte e uma caixas de ferro fundido, sendo as mesmas sempre cravadas nas paredes da igreja principal das mesmas freguesias.
Na tampa, das caixas estava uma lista elaborada em alto-relevo de “Toques de Incêndio”, como por exemplo: Sé - 4 ou Carmo -15 (como podemos observar na fotografia).
 Caixa de Toques de Incêndio c.Alexandre Silva
Dentro destas caixas existia um manípulo ligado a um cabo ou corda, que se encontrava protegida por um cano de ferro e fazia ligação ao sino da igreja.
Em caso de incêndio, os populares simplesmente recorriam à caixa mais próxima, e puxavam o manípulo no número de vezes referentes à sua freguesia de forma a identificar o local.
Toques de Incêndio in AHMP

Obeliscos da Quinta da Prelada. (Porto)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Os dois obeliscos com 12,6 metros de altura que actualmente se encontram no Jardim do Passeio Alegre (Foz) são os mesmo que originalmente se encontravam à entrada da Quinta da Prelada, tendo sido idealizados por Nicolau Nasoni, quando no século XVIII projectou aquela quinta, com a respectiva residência, jardins e os outros elementos decorativo, para a família dos Noronhas e Meneses. 
Obelisco trabalhado integrado no muro de vedação da Quinta da Prelada em 1936
 Guilherme Bomfim Barreiros in AHMP
Robert C. Smith, o maior especialista da obra do célebre arquitecto toscano, na obra "Nicolau Nasoni - Arquitecto do Porto", descreve do seguinte modo estes monumentos, classificados como imóveis de interesse público em 22 de Março de 1938: 
"Estes esbeltos obeliscos assentes em bolas, segundo um motivo maneirista dos séculos XVI e XVII, terminando em torres de dois 'corpos' ou andares, tirados do brasão dos Noronhas. Na base dos obeliscos figura o anel de aliança dos Meneses, no meio de um pesado bloco, cujo perfil sugere o da imafronte da Capela de Fafiães. Por cima da cornija aparecem volutas típicas de Nasoni, formando uma peanha de corte prismático, como transição às esbeltas superfícies diagonais dos obeliscos, sensivelmente ajustadas para capturar expressivos efeitos de luz e sombra". 
Obeliscos da Quinta da Prelada, integrados no muro de vedação da 
mesma e voltados para a Rua dos Castelos em 1936
Obeliscos de Nasoni na Foz. BPI
Os dois obeliscos projectados por Nicolau Nasoni, que marcam uma das entradas do jardim, foram trazidos para este local já no séc. XX.

Fonte da Firmeza. (Porto)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Fonte da Firmeza na esquina da Rua da Firmeza com a Rua D. João IV 
 Ed. J. Bahia Júnior, 1909, pág. 39
A Fonte da Firmeza, foi cons­truída em meados do século XIX, com mate­riais provenientes da antiga Fonte da Trindade, demolida em 1853, era abastecida pela água proveniente do manancial da Póvoa de Cima, cuja nascente ficava na tal Póvoa de Cima, sensivelmente ao cimo da Rua de Santos Pousada. 
A Fonte da Firmeza foi erguida na esquina das ruas da Firmeza e de D. João IV, sensivelmente no local onde agora está o edifício da actual Escola de Turismo. Quando se construiu este imóvel, a fonte foi mudada para a Praça das Flores onde ainda hoje se encontra. Grande parte dos portuenses desconhece no entanto a sua origem.
Fonte da Firmeza, já na Praça das Flores - Teófilo Rego em 1961

Capela do Senhor Jesus da Boavista. (Porto)

Esta capela não desapareceu, felizmente. O que desapareceu, ou melhor, se modificou e muito, foi o espaço que a envolvia, que foi absorvido pelo urbanismo crescente da cidade.
Segundo Germano Silva, a nosso ver, um dos mais conceituados eruditos sobre a cidade do Porto, há pouco mais de duzentos anos, antes de toda aquela zona se envolver em urbanismo, aquele local tinha mesmo o aspecto medonho de um barranco inóspito, de um perigoso precipício.
«Aquele morro altíssimo que fica entre a Rua das Antas e a igreja paroquial do Bonfim chamou-se, antigamente, o Fojo - palavra que significa "cova funda com uma abertu­ra disfarçada para apanhar animais".» 
No cimo do penhasco foram construídas, há muitos anos, por viandantes piedosos, umas "alminhas" que no século XVIII, mais concretamente em 1767, a generosi­dade do cónego da Sé do Porto José Maria de Sousa e as esmolas do povo devoto transformaram numa capela sob a invoca­ção do Senhor Jesus do Fojo que, anos mais tarde, passaria a chamar-se Senhor Jesus da Boavista.
O nome de Senhor Jesus da Boavista, assim como o topónimo Montebelo (actual Avenida de Fernão de Magalhães) têm a ver com o ambiente rural que naqueles recua­dos tempos envolvia o Fojo. 
Descrições da zona feitas ainda nos mea­dos do século XIX fazem referências a "am­plas zonas cobertas de férteis campos" e de um "panorama verdadeiramente paradisíaco" que, por esses tempos, era possível des­frutar do pequeno adro que havia em fren­te da capela, "todo circundado de arvoredo, o que o toma (ao adro) muito agradável para quem ali quiser pousar". 
Capela do Senhor da Boa-Vista - BPI - Alberto Ferreira N.º 159
Este panorama já não é possível contemplar, devido ao denso urbanismo envolvente. 
Durante o Cerco, motivado pela invasões Francesas (1832/1833) foi construí­da uma linha de defesa do Porto que, nesta zona da cidade, passava junto da capela do Se­nhor Jesus da Boavista. Por causa disso, o pe­queno templo foi muito danificado pelos obuses que a atingiram durante os renhidos combates que se travaram no alto do penhas­co do Fojo. O sítio era privilegiado porque dele era possível atingir a sempre muito mo­vimentada estrada de Valongo. A ampliação da capela feita em 1864 teve, também, entre outros, o objectivo de reparar as mazelas cau­sadas pela guerra civil que opôs as tropas de D. Miguel ao exército de D. Pedro IV. 
Assim, a capela, depois de ter sido reconstruída e obviamente ampliada em 1864, ainda lá se encontra e nela se celebra a festividade da Senhora do Porto cuja imagem se venera em altar próprio no inte­rior do pequeno templo. 

Bibliografia:
- Germano Silva in JORNAL DE NOTÍCIAS de 21-09-2014
- Biblioteca Municipal do Porto

Tabacaria Africana. (Porto)

sábado, 31 de março de 2018

A Tabacaria Africana não desapareceu, continua localizada na esquina da Rua de Santo António / 31 de Janeiro e Praça da Batalha. É um conhecido estabelecimento comercial que pertenceu a António de Almeida Campos até 1902 e foi posteriormente trespassado a Alberto Vieira da Cruz. 
Em tempos, além de tabaco e todos os itens que eram comuns estarem à venda numa tabacaria, a Tabacaria Africana também editava postais ilustrados, com clichés dos mais ilustres fotógrafos portuenses.
Chegou a possuir uma belíssima frontaria metálica, que formava um bucólico conjunto com a antiga Ourivesaria Reis Filhos, (mesmo em frente) e cuja fachada ainda se mantém e o cunhal da Livraria Latina, na esquina do lado da igreja de Santo Ildefonso. 
O edifício seria alvo de uma colossal obra de ampliação por volta de 1952, que removeu do mesmo a imponente frontaria.
Tabacaria Africana BPI - A magnífica frontaria metálica
Tabacaria Africana - A frontaria "recente" - Cliché de autor desconhecido