Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueologia Industrial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueologia Industrial. Mostrar todas as mensagens

Sociedade Nacional de Fósforos. (Lordelo do Ouro, Porto)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Criada em 1926, a Sociedade Nacional de Fósforos (SNF) herdou os alvarás da extinta Companhia Portugueza de Phósphoros, abrindo duas fábricas, uma em Lordelo do Ouro no Porto e outra no Beato em Lisboa, contando com a participação de 25% do Estado. A sua actividade consistia em dar uma resposta constante à concorrência das outras duas unidades existentes: a Fosforeira Portuguesa de Espinho e a Companhia Lusitana de Fósforos do Porto.
Companhia Portuguesa de Fósforos. No canto superior esquerdo, vemos o casarão da Quinta do Campo Alegre que pertenceu à família Andersen, avós de Sofia de M. Breyner. Actualmente é o Jardim Botânico. Cliché in CPF
Em 1930, a SNF formou uma parceria com a Swedish Match que introduziu nova tecnologia na produção da fábrica portuguesa.
A indústria fosforeira foi muito importante devido aos capitais que envolvia e fazia circular, à mão de obra que empregava e, ainda, às divisas que a exportação dos seus produtos fazia entrar no país. No final dos anos 60, o capital desta indústria era de 26 mil contos, distribuídos da seguinte forma: 12 mil pela Sociedade Nacional de Fósforos, outros 12 mil pela Fosforeira Portuguesa e os restantes 2 mil pela Companhia Lusitana de Fósforos, em acções que, na sua maioria, estavam no poder de accionistas portugueses. Embora não fosse monopolizada, esta indústria era fiscalizada pelo Estado Novo que cobrava anualmente alguns milhares de contos em impostos. Com excepção do fósforo, todas as matérias eram nacionais (madeira para as caixas e palitos fosfóricos, cartolina para as carteiras e cartão para os palitos fosfóricos, papel para as etiquetas, gavetas, etc), bem como a mão de obra, podendo considerar-se que esta era uma indústria de cariz nacional.
Segundo o Boletim Estatístico de 1963, a produção das quatro fábricas foi de mais de 16 biliões de fósforos, num valor superior a 100 mil contos, dos quais foram exportados mais de 400 toneladas de valor superior a 12 mil contos. Nessa altura, estavam empregadas nas referidas fábricas mais de 800 pessoas.
Em 1967, a C.ª Lusitana de Fósforos, com sede no Porto, foi integrada na Sociedade Nacional de Fósforos, para a qual o arquivo e parte do pessoal foi transferido. Esta última deixou de laborar em 1991, encerrando definitivamente em 1993. 
A então sócia maioritária, a Swedish Match, desmembrou a fábrica e aproveitou o escritório de Lisboa para a sua sede, passando a comercializar fósforos suecos no país. 

Bibliografia:
- Museu dos Fósforos, Aquiles da Mota Lima
Imagem:
- Centro Português de Fotografia

Entreposto Frigorífico do Peixe. (Porto)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O edifício designado por Entreposto Frigorífico do Peixe, foi vulgarmente conhecido por Bolsa do Pescado, denominação contida aliás nos desenhos de projecto. Com um projecto de autoria do Arquitecto Januário Godinho, este edifício foi construído entre 1933 e 1935.
Esta inovadora construção eminentemente industrial, funcionava como frigorífico, possuindo um salão que abrigava a bolsa/lota do pescado e inferiormente os frigoríficos onde o mesmo era transformado.
Entreposto Frigorífico do Peixe em construção (1933-1935)
  Entreposto Frigorífico do Peixe 
Situa-se na Alameda Basílio Teles, na esquina com a Rua D. Pedro V, em Massarelos, no Porto.
Em 1961 seria adquirido pela Empresa de Cimentos de Leiria transformando-se em armazém. Depois do 25 de Abril de 1974, mais exactamente em 1977, foi classificado como Imóvel de Interesse Público. Já teve diversas ocupações, incluindo parque de jogos, para futebol de salão.
Após muitos anos de um abandono crescente, este edifício seria transformado em (mais um) moderno Hotel, preservando no entanto as suas características arquitectónicas.

Imagens:
- AMP
- BMP

Fábrica de Gás de Belém. (Lisboa)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A introdução do gás em Portugal como fonte de energia deve-se, sobretudo, aos avanços conseguidos no campo da iluminação citadina levados a cabo pelas Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. O problema da iluminação em Portugal constitui uma preocupação desde a 1ª Dinastia, altura em que D. Fernando manifesta o seu cuidado relativamente ao perigo que a escuridão da noite lisboeta representava. Em 1689, durante o reinado de D. Pedro II, é emitido um decreto para o Senado analisar a questão da iluminação pública de Lisboa.
Em 1780, no decorrer do reinado de D. Maria I, Lisboa começa a ser iluminada com os primeiros candeeiros a azeite. Quase meio século depois, em 1824, é emitido um decreto de iluminação pública a azeite para a cidade do Porto. Em 1834 contam-se em Lisboa 2303 candeeiros, que nem sempre acendem devido à escassez de recursos.
Em Portugal, as negociações para a iluminação a gás iniciam-se em 1835. Contudo, só em 1848 é atribuída a concessão da iluminação pública de Lisboa à Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz. A partir de então, esta empresa inicia a produção de gás de cidade, a partir do carvão, na fábrica da Boavista. Porém, é de salientar que no início da década de 40, ainda antes da iluminação da cidade de Lisboa, Joaquim Pedro de Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, instala no seu Palácio das Laranjeiras os primeiros candeeiros a gás, como sinal de exuberância.
Torre de Belém em 1868, antes da construção da fábrica do gás  
Francisco Rochini in Biblioteca Nacional de Portugal
É, sobretudo, a partir de meados do século XIX que o gás de cidade passa a ser consumido inclusive ao nível doméstico, tendo a fábrica da Boavista que aumentar a sua capacidade de fornecimento. Face à inevitabilidade do surgimento de uma companhia concorrente, em 1887 é criada a Companhia Gaz de Lisboa. Um ano depois, esta empresa constrói a sua fábrica em Belém, com uma dimensão ligeiramente maior que a fábrica da Boavista.
Fábrica de gás de Belém, caminho de Pedrouços até à Torre
Fotografia de Joshua Benoliel em 1912
Perante os efeitos da concorrência, a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz e a Companhia Gaz de Lisboa fundem-se, em 1891, passando a designar-se Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. Inicia-se, assim, um ciclo de produção de gás de cidade, igualmente conhecido como gás iluminante, que vem beneficiar a população, melhorando as suas condições de vida em vários níveis.
Fotografia aérea sobre a zona de Belém 
Vista da  fábrica de gás de Belém
No início do séc. XX, a fábrica de gás em Belém suscita a indignação pública pelo facto de estar situada junto à Torre de Belém. Como resposta às manifestações públicas, dá-se a deslocação dos dois gasómetros das para um local mais afastado – Vila Correia, onde permanecem activos até 1954.
Fábrica de gás, situada desde 1887 junto à Torre de Belém
Fotografia de 1912
Torre de Belém e a fábrica de gás
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Durante o processo de construção da Fábrica da Matinha, toda a produção das "Companhias Reunidas de Gás e Electricidade"é garantida pela fábrica de Belém, que só termina a sua laboração em 1949.
Demolição das chaminés da fábrica de gás de Belém, 07 de Junho de 1950, a.d. in AML

Bibliografia:
-  in galpenergia.com
Imagens:
- Joshua Benoliel
- AML

Fábrica de Cerâmica do Senhor d'Além. (Vila Nova de Gaia)

segunda-feira, 24 de março de 2014

As ruínas deste edifício localizam-se na margem do rio Douro, na base da escarpa da Serra do Pilar, junto a um antigo cais e ao antigo caminho de Quebrantões. Actualmente, o melhor acesso pedonal, faz-se pela Rua Cabo Simão.
O edifício possui uma longa história de ocupação, primeiro com uma ermida do século XVI, depois como hospício no século XVIII (Carmelitas Calçados), não sendo de excluir que a sua ocupação remonte a época anterior. 
De meados do século XIX até aos anos 20 do século XX serviu de instalações da Fábrica da cerâmica do Senhor do Além. Após o fecho da fábrica nos anos 20 do século passado, o edifício entrou em lenta degradação, até aos dias de hoje, não tendo sofrido nenhuma ocupação posterior. Por esse motivo, os vestígios da fábrica chegaram até aos nossos dias, sob o ponto de vista arqueológico, perfeitamente preservados.
 Interiores do edifício


Imagens:
- Alexandre Silva
Bibliografia:
- IGESPAR

Fábrica de Produtos Estrela. (Porto)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Fábrica de Produtos Estrela
A Fábrica de Produtos Estrela foi fundada na década de 40 por Adérito Gomes Parente. A fábrica começou por fazer artefactos metálicos simples (clipes, botões, ferragens, peças, brinquedos de madeira, etc). 
Seria só nos anos 50, que iniciaria a produção de pequenos electrodomésticos, tendo as suas instalações sido sediadas na então, nova zona industrial do Porto, mais exactamente na Rotunda AEP, local que passou a ser conhecido justamente por “Rotunda dos Produtos Estrela”. 
Nessa altura desenvolveu o projecto de carrossagem de autocarros a partir de chassis e motores importados de Itália, em colaboração com a Sirius/Fiat. Seria o primeiro construtor nacional de carroçarias metálicas para autocarros.
Fábrica de Produtos Estrela encerraria no início dos anos 90 e após servir de armazém temporário para diversos fins, seria recuperada e reabriria em 2001, com a empresa de mobiliário "Moviflor".

Imagem:
- Autor desconhecido

Companhia de Fiação Portuense. (Montebelo/Porto)

sábado, 22 de junho de 2013

Clique na imagem para a ampliar
Vista geral do extinto edifício da Companhia de Fiação Portuense (fábrica de fiação, tecelagem e tinturaria), com fachada virada para a antiga Rua de Montebelo (Monte Belo), lugar actualmente ocupado pela Avenida Fernão de Magalhães, na cidade do Porto.

Imagem:
- Phot.ª Guedes
- AMP

TITAN ou TITÂ. (Porto de Leixões)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Clique nas imagens para as ampliar
Titan - Albumina atribuída a Emílio Biel
Porquê falar dos TITAN ou TITÂS se eles (ainda) não desapareceram? 
- Bem, tudo tem a sua razão de ser e estes dois itens são bem merecedores de uma, se bem que humilde, referencia. 
Como é publicamente conhecido a queda de uma peça do guindaste Titan (considerado uma peça de arqueologia industrial) terá originado, a 12 de Abril de 2012, a ruptura de uma conduta de gás no porto de Leixões, provocando várias explosões e um incêndio industrial.
As obras de construção do Porto de Leixões iniciaram-se em 13 de Julho de 1884 e os trabalhos foram dirigidos pelo engenheiro francês Wiriot, sob a fiscalização do governo português que, para tal, nomeou o Engº Nogueira Soares, autor do projecto. Projecto que, fundamentalmente consistia na construção de dois extensos paredões ou molhes (o do lado Norte com 1.579 metros e o do lado Sul com 1.147), que enraizados nas praias adjacentes à foz do Rio Leça, formavam uma enseada com cerca de 95 hectares, com fundos entre 7 e 16 metros de profundidade. Além dos paredões foi construído, igualmente, um quebra-mar que, elevando-se apenas um metro acima do zero hidrográfico, prolongava em mais algumas centenas de metros o molhe norte. Terminava este esporão numa plataforma onde emergia um farolim.
O assentamento dos molhes fez-se, preferencialmente, sobre os diversos rochedos que, ao largo, já constituíam o porto de abrigo natural: os leixões, donde resultou a designação do porto. E, para a construção dos molhes, foi utilizado o granito de pedreiras próximas, a mais importante das quais foi a de S.Gens (Custóias) que se viu ligada a Leixões por uma linha de caminho de ferro, com cerca de sete quilómetros de extensão, construída expressamente para esse fim. Chegadas as pedras aos estaleiros e oficinas, montados em Matosinhos e Leça da Palmeira, estas eram então trabalhadas e conglomeradas de forma a darem origem a enormes blocos graníticos que chegavam a atingir as 50 toneladas.
Um dos principais problemas que se colocava à construção dos molhes era exactamente a forma como se procederia para erguer e posteriormente depositar no local desejado os pesadíssimos blocos graníticos.
Para resolver esta questão a «Dauderni & Duparchy» encomendou às famosas oficinas francesas «Fives», em Lille, dois gigantescos e poderosos guindastes movidos a vapor que se deslocavam, igualmente, sobre carris. Guindastes que, pelo seu aspecto colossal, de imediato foram baptizados por titãs.
Hoje estes gigantescos guindastes permanecem e resistem sobre os molhes que construíram, quais duas titânicas estátuas erigidas à memória dos tempos pioneiros da construção do porto. A importância crucial que possuíram no contexto da edificação desta estrutura portuária, a sua imponência e força, e o valor simbólico que, ao longo do século, criaram em torno de si, merecem-nos uma atenção mais demorada.
Montados em Leixões, os titãs, dirigidos durante os primeiros anos exclusivamente por um técnico francês, de seu nome Lecrit, revelaram-se de facto como peças fundamentais na construção do porto. Paulatinamente, bloco após bloco, graças à sua acção, os dois molhes foram avançando mar adentro. Movidos a vapor (ainda hoje é possível descortinar no seu topo a «Casa das Máquinas», com as respectivas caldeiras), os titãs foram, efectivamente, utilizados para a construção do próprio porto não se tratando, ao contrário do que muita gente pensa, de guindastes para carga e descarga, pese embora tenham posteriormente desempenhado também essas funções (o do molhe sul pelo menos até aos anos sessenta do século XX).
Posteriormente à edificação dos molhes os titãs continuaram a ser utilizados para reparações nos paredões, em resultado de danos provocados pela acção tempestuosa do mar. De resto, um dos titãs foi, também ele, protagonista de um fortíssimo temporal ocorrido na noite de 22 para 23 de Dezembro de 1892. Para a memória do porto fica então a queda ao mar do colosso do molhe norte. Só mais de três anos depois, em Abril de 1896, após muitos estudos e esforços, se conseguiria recuperar aquele titã do fundo marinho, com o auxílio de potentes macacos mecânicos assentes sobre barcaças. Rapidamente recuperado, o gigantesco guindaste retomou a sua actividade.
A bacia de Leixões, vendo-se o Titan
Independentemente da sua importância e significado para Leixões e para toda a região, os titãs têm hoje uma importância acrescida pelo seu valor como testemunhas privilegiadas da era industrial e da arquitectura/maquinaria do ferro. E são tanto mais importantes quanto o facto de, aparentemente, se tratarem de exemplares únicos no mundo. Porque, se é verdade que os dois titãs tiveram outros irmãos, não é menos verdade que, nos outros casos, concluídas as construções portuárias, estes gigantes de ferro foram desmantelados. E, quando isso não aconteceu, nomeadamente na Europa, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais encarregaram-se de o fazer tendo em conta que, desde muito cedo, os portos marítimos foram alvos prioritários de bombardeamento.
O Titan e o Castelo de Leça. Cliché de autor desconhecido
Conhecemos e sabemos da existência de mais titãs, como o caso dos de Glasgow (Escócia), ou de outros na Argélia, na Nova Zelândia e em alguns portos sul-americanos. São, no entanto, de dimensões e potência inferiores, incapazes de erguer à força do vapor e da resistência do ferro, as 50 toneladas que os titãs de Leixões levantavam. Assim, a importância patrimonial destes guindastes ultrapassa já as nossas fronteiras, justificando-se o facto de nos últimos anos por várias vezes se ter aventado a hipótese da sua classificação mundial, à semelhança da Ponte D. Maria, como International Mechanical Engineering Historic Landmark.
Porto de Leixões em obras de ampliação. Vista aérea em 1934
Fontes parciais:
 APDL
-  marinaportoatlantico.net
-  Joel Cleto

A Fábrica do Gás. (Cidade do Porto)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Porto - Fábrica do Gaz. BPI, Editor - Alberto Ferreira
A antiga Fábrica do Gás junto ao cais do Ouro, cidade do Porto. Para quem o não sabe, convém informar ou relembrar, que a cidade do Porto outrora era iluminada a gás.
Fábrica de gás do Porto
Segundo um texto de Marta Almeida Carvalho que passamos a transcrever:

“A primeira referência à iluminação pública no Porto data de 1771. A Rua Nova, mais tarde Rua dos Ingleses, foi palco da instalação dos primeiros “lampiões” da cidade. Um requerimento, assinado pelos moradores, deu origem a um documento oficial da autarquia que mandava que “se coloquem lampiões na dita rua, sendo a conservação e costeio por conta dos moradores”. No início de 1772 procedeu-se à sua instalação. 
Um artigo do «Jornal de Notícias» do início do século XX transcreveu assim o teor do documento feito pelos moradores da época: “A grande utilidade que têm os moradores das cidades onde de noute estão as ruas iluminadas, como se pratica nas melhores da Europa, é mais considerável do que se imagina; pois não somente dá gosto e livra de quedas e maos encontros a quem por elas anda, mas evita os roubos tanto às pessoas omo nas casas”. 
Foi particularmente na segunda metade do século XX (será do século XIX) que se começou a aproveitar as inovações técnicas e científicas impulsionadas pela Revolução Industrial europeia. 
Em 1851 «quando veio ao Porto a Rainha D. Maria II» viu-se, pela primeira vez, «o gás hydrogénio 
em arco triunphal armado ao cimo da rua de São João» (in O Tripeiro, 1908), sendo a primeira experiência de iluminação a gás na cidade. 
Em 1855 o gás chegava já à Rua das Hortas (actual Rua da Fábrica) à qual se seguiram as ruas de Santo António e Clérigos. Em 1892 a cidade contava já com 2607 candeeiros espalhados por várias zonas, incluindo a Batalha. A entidade encarregue do fornecimento de iluminação à cidade era a Companhia do Gás da qual os moradores se queixavam que deixava as ruas em estado lastimável após a colocação dos candeeiros. Esta argumentava com o facto de não reparar os pavimentos porque teria de os abrir novamente para instalação do gás para utilização dos particulares (em 1893 havia já cerca de mil e oitocentas candidaturas de moradores). 
Os cerca de três mil candeeiros espalhados pelo centro da cidade do Porto, em 1893, por serem novidade foram protagonistas de algumas histórias curiosas. Num artigo de «O Comércio» desse mesmo ano, podia-se ler o seguinte aviso: «Previne-se um sujeito que todas as noutes apaga um dos lampeões de gaz que se abstenha de continuar com esta gracinha, se não quizer passar pelo desgosto de que seja entregue ao domínio publico o seu nome”.

in Porto pioneiro

Antigo edifício da CUFP. (Cidade do Porto)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Clique na imagem para a ampliar
Instalações da fábrica da CUFP - Companhia União Fabril Portuense de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada, conhecida como «CUFP», situadas na esquina da Rua de Júlio Dinis (onde se encontram actualmente os edifícios «Mota-Galiza» e a Rua da Piedade.
O edifício ficou concluído em Janeiro de 1904, situando-se na Rua da Piedade nº140 a sede da empresa e unidade fabril.
A empresa foi o resultado da fusão de sete fábricas de cerveja, 6 do Porto e uma de Ponte da Barca ( Fábrica da Piedade, Fábrica do Mello, M. Achvek & Cia., J.J. Chentrino &Cia, J.J. Persival & Cia e M. Schereck e a Fábrica de Ponte da Barca), tendo sido criada no dia 7 de Março de 1890 com um capital de 125 contos de reis, distribuídos por 1250 acções de cem mil reis cada. A sua sede e unidade fabril situava-se inicialmente na Rua do Mello.
Em 1964 foram inauguradas as instalações fabris em Leça da Palmeira. Em 1971 foi terminada a demolição das instalações de Júlio Dinis.
A empresa foi nacionalizada durante o processo revolucionário a seguir ao 25 de Abril de 1974 e em 1977, foi criada a empresa UNICER, por fusão da CUFP com outras duas cervejeiras: a Imperial e a Copeja.
A Unicer foi privatizada em 1990.

Fonte da imagem: 
- Jornal de Notícias