Mostrar mensagens com a etiqueta Edifícios e Fortalezas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edifícios e Fortalezas. Mostrar todas as mensagens

Hotel Lisbonense. (Porto)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O magnífico Hotel Lisbonense começou por funcionar no Largo do Carmo, tendo sido mais tarde, transferido para o nº 1 da Rua de Sá da Bandeira, e nas suas antigas instalações, estabeleceu-se então o Hotel Novo Lisbonense que antecedeu no local, o Hotel Âncora de Ouro.
Seria por volta de 1842, que começaria a ser aberta a ligação entre a Praça Nova e a Travessa dos Congregados, a que foi atribuído o topónimo de Rua de Sá da Bandeira. Esta rua, por sua vez "amputou" e substituiu parte da Rua do Bonjardim, ou seja o pequeno troço que ligava à Praça de Almeida Garrett.
Hotel Lisbonense, c.1922
Seria derrubado nos anos 60
O segundo troço, ou fase, desta rua, (entre a travessa dos Congregados e a Rua Formosa) surgiria um pouco mais tarde, apenas entre os anos de 1875 e 1880.
Deste modo, tendo o Hotel Lisbonense sido transferido do Carmo, em 1863, para a Rua de Sá da Bandeira, nº 1, obviamente só poderia ir ocupar o primeiro troço da mesma, a que actualmente denominamos por Rua de Sampaio Bruno.
Deste modo, estando o hotel localizado na esquina com a Rua do Bonjardim, acabou por ocupar o local onde existia, a fonte da Rua de Sá da Bandeira, esquina com a Rua do Bonjardim e já aqui por nós abordada em tempos.
Rua de Sampaio Bruno c.1930
 Vista parcial do Hotel Lisbonense
“O proprietário deste estabelecimento, no largo do Carmo, da cidade do Porto, mudou para a Rua de Sá da Bandeira, nº 1, próximo à praça D. Pedro, aonde oferece aos seus amigos e fregueses muitas boas salas e quartos.”
In “Diário do Povo, 12 de Janeiro de 1863 – 2ª Feira

“Recomendamos ao público o Hotel Lisbonense, situado na rua de Sá da Bandeira, fazendo esquina para a rua do Bonjardim.
Esta casa é uma das melhores do Porto pela limpeza dos quartos e das iguarias.”
In jornal “A Verdade”, 24 Dezembro de 1884 – 4ª Feira

Imagens:
-AHMP

Bibliografia:
-BMP
-AHMP - Casa do Infante

Ginásio Lauret. (Porto)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Em 11 de Fevereiro de 1882, Paulo Lauret fundou no Porto, no Largo da Picaria, o Gymnasio Lauret e Sala D’Armas. Com o sucesso que teve nos primeiros anos, Paulo Lauret transferiu-se, em 24 de Julho de 1884, para o Largo do Laranjal 4, e depois para a Rua do Laranjal 193.
Gravura representando uma vista da antiga Rua do Laranjal e do edifício do Ginásio Lauret, vendo-se na sacada a respectiva placa publicitária. Trata-se da reprodução de uma gravura, a partir de fotografia, publicada na revista O Occidente, em 1887. Responsabilidade: João Ribeiro Cristino da Silva (des.); Domingos Caselas Branco (grav.) Local de edição: [Porto] Editor: [Arquivo Histórico] Preto e branco
A imprensa caracteriza-o como possuindo todas as diversões próprias de um club, embora se tratasse de uma escola de ginástica e sala d’armas onde “se ensina methodicamente estas duas artes, com notavel aproveitamento dos discipulos, tanto creanças como adultos” e considerando que “nesta nova casa acha-se o Gymnasio Lauret perfeitamente instalado, tendo salas de gymnastica, de armas, bilhares, dança, tiro defferentes jogos, electricidade, banhos etc., o que tudo faz um conjuncto de estabelecimento de primeira ordem” (Ginásio Lauret no Porto, 1887, p. 19). Bem equipado, constituía um espaço agradável, arejado e bem iluminado, habilitado para o desenvolvimento de todo o tipo de aulas de ginástica (médica ou profilática, ortopédica, higiénica e artístico recreativa), contando com a colaboração de um médico e de vários professores de competência reconhecida (Ferreira, 1998, pp. 304-305). O ginásio, em 1887, oferecia diferentes cursos adequados à idade e ao sexo, como se sublinhava n’ O Ocidente: O ensino no Gymnasio Lauret está devidido em differentes cursos, conforme as idades dos discipulos, e regulado de modo a dar rezultados mais praticos e proveitosos. A sua frequencia é de 100 alumnos devididos do seguinte modo: meninas 7, meninos 33, adultos 60, tem um medico effectivo, o sr. Dr. Aureliano Cirne, e 250 socios protectores (Ginásio Lauret no Porto, 1887). 

Bibliografia:
-lauret.pt
-Luís Mota, Paulo Lauret e o ensino da Educação Física em Portugal no último quartel do século XIX



Solar da Quinta das Devesas (Devezas).

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Segundo informação da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, a família Conde das Devesas (1875-1945) teve uma acção importantíssima na vida da própria Misericórdia de Gaia, que beneficiou com o trabalho e a generosidade de muitos dos seus membros.
O primeiro Conde, Francisco Pereira Pinto Lemos (1849/1916) e a sua esposa D. Maria da Conceição Bandeira de Castro Lemos, Condessa das Devesas (1853/1928), tiveram três filhos, Alfredo, Ernani e Jorge.
Sucedeu a seu pai no título, o segundo Conde, Alfredo Pereira Pinto de Castro Lemos (1875/1945), que se casou com D. Camila Machado dos Santos Castro Lemos (1879/1967), não tendo havido filhos deste casamento.
Por isso, à morte do segundo, seria terceiro Conde das Devesas, o irmão Ernani Carlos Pereira Pinto de Castro Lemos (1876/1965), casado com D. Carlota Alberta Pimentel Maldonado Correia da Silva Araújo Lemos (1884/1971), sem descendentes.
Houve ainda o irmão Jorge Pereira Pinto de Castro Lemos (1884/1962), de quem era esposa D. Maria Amélia Feio de Oliveira Leite de Castro Lemos (1882/1979), que também não tiveram herdeiros legitimários.
O Conde Alfredo, homem profundamente religioso e sempre pronto a auxiliar os mais desfavorecidos, envolveu-se no movimento iniciado no dia 27 de Novembro de 1928 pelo Notário Miguel da Silva Leal Júnior e por outros bons gaienses, para a criação da Misericórdia de Gaia. E quando a 26 de junho de 1929 a Misericórdia foi, oficialmente, constituída, os seus pares quiseram que fosse o Conde Alfredo a ocupar o lugar de Provedor.
Tinha então 54 anos e, durante mais sete, até 1936, ocupou esse cargo, tendo desenvolvido uma tarefa extremamente valiosa, para que fosse devidamente consolidada a vida da jovem e, então, ainda frágil instituição.
Por falecimento dos progenitores Conde Francisco e Condessa D. Maria da Conceição, herdaram os três filhos – Alfredo, Ernani e Jorge – em partes iguais, o património da família, de que era a parcela mais valiosa a chamada Quinta das Devezas, também então conhecida por Quinta do Estado, situada em Vila Nova de Gaia, onde a família tinha o seu solar.
A nível arquitectónico, a Quinta das Devesas é composta por uma casa de planta irregular, capela separada, a O., de planta longitudinal, com sineira adossada, e jardim. Casa com fachada principal composta por vários panos enquadrados por pilastras coroadas por urnas neoclássicas, com pano central mais elevado com pedra de armas, a acesso ao centro, através de escadaria, ao piso nobre. Capela com fachada principal rasgada por portal ladeado por pequenas janelas e encimado por janelão de recorte neogótico.
Ruínas do Solar da Quinta das Devesas (Devezas) - Escadaria principal
Solar da Quinta das Devesas - Vista parcial da fachada frontal
 Solar da Quinta das Devesas - Outra vista parcial da fachada frontal
Solar da Quinta das Devesas - Fachada frontal e lateral
Solar da Quinta das Devesas - Capela em ruínas
Esta propriedade tem a sua entrada principal na Rua D. Leonor de Freitas, junto às instalações da firma Barros, Almeida & C.a. – Vinhos S.A. e era constituída por uma casa apalaçada, de dois andares, capela, anexos, jardim, estufas, pomares, hortas, adegas, casa para gado e terras de lavradio e de vinha, com uma área de 101.500 metros quadrados.
Graças à benemerência desta magnífica família, a referida Quinta é propriedade da Misericórdia de Gaia. Esta passagem realizou-se de forma faseada:
Por legado em testamento do Conde Ernani Carlos Pereira Pinto de Castro Lemos, falecido a 2 de Agosto de 1965, da terça parte desta propriedade.
Por doação feita no dia 8 de Março de 1966, pelas Senhoras D. Camila Machado dos Santos Castro Lemos, viúva do Conde Alfredo, falecida a 20 de maio de 1967, e de D. Maria Amélia Feio de Oliveira Leite Castro Lemos, viúva de Jorge Pereira Pinto de Castro Lemos, falecida a 14 de Fevereiro de 1971, das outras duas terças partes de que eram pertença das mesmas, deduzidas de uma parcela de 21.206 metros quadrados, que as doadoras reservaram para si. Estas doações, segundo os termos da escritura, foram feitas pelo facto de ambas desejarem contribuir para “os altos fins de assistência a que se dedica a Misericórdia de Gaia”.
Na altura da morte da última das senhoras, em 1971, a Misericórdia tornou-se proprietária da Quinta das Devezas.
Entretanto, para homenagear os dadores, a Misericórdia construiu um magnífico lar para idosos, que foi inaugurado no dia 4 de Julho de 1992, a que deu o nome de Lar Residencial Conde das Devezas, actualmente designado de Residências Seniores Conde das Devezas.

Bibliografia:
- In http://scmg.pt
- SIPA 

Imagens:
- Alexandre Silva

Casa Oriental. (Porto)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A Casa Oriental, no Porto, não desapareceu... modernizou-se.
A Casa Oriental foi fundada em 1910 no Campo dos Mártires da Pátria, n.º 111/112, próximo à Torre dos Clérigos tendo começado por comercializar produtos das colónias orientais e africanas. O café, o chocolate e os chás vendidos desde o início do século XIX, ainda hoje são evidenciados na fachada desta famosa mercearia, com a representação de uma cena da África Colonial, um atractivo para todos os turistas que visitam o Porto.
Após a 2ª Guerra Mundial, a gama de produtos aumenta e a Casa Oriental passou a vender produtos regionais portugueses: doçaria, enchidos e carnes fumadas, frutas, legumes, queijos, azeitonas, vinhos e licores. Passado o 25 de Abril de 1974 a loja é adquirida pelo actual proprietário, José Maria Gama, que decide fazer do bacalhau a imagem de marca da casa.
Casa Oriental antigamente
Reconhecendo a importância histórica do daquele espaço e compreendendo o impulso que o mesmo deu no passado a outros produtos icónicos da gastronomia portuguesa, a COMUR – Fábrica das Conservas da Murtosa confiou recentemente à Casa Oriental o exclusivo para toda a cidade do Porto da colecção “Valor do Tempo®”. 
Duas marcas de elevadíssima reputação que se unem por um só objectivo: retribuir à Sardinha Portuguesa o muito que esta já fez por Portugal.
A Casa Oriental é actualmente uma Mercearia Fina, com um interior remodelado, onde a beleza do estilo antigo se enquadra harmoniosamente com o novo, despertando a curiosidade da massa turística que actualmente visita o Porto.
Casa Oriental actualmente
Interior da Casa Oriental
 Enlatados da firma COMUR - Fábrica de Conservas da Murtosa
Fontes parciais: 
- casaoriental.pt
- www.conservasportuguesas.com/

Padaria Flor do Paraíso. (Porto)

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Padaria Flor do Paraíso
A rua do Paraíso foi aberta em 1784, inicialmente baptizada como Rua da Senhora da Lapa e informalmente chamada Rua dos Ferreiros, até que  em meados do século XIX a rua passou a ter o nome que conhecemos hoje (Paraíso). Nesta rua existia a Padaria Flor do Paraiso possuindo um painel de azulejos histórico e protegido que foi preservado, pelo seu valor, pois foi criado pela mais famosa fábrica de azulejos publicitários portugueses, a Fábrica do Carvalhinho. O antigo edifício foi reabilitado, no ano de 2018, para habitação.

Cliché: Alexandre Silva

Dois edifícios centenários demolidos. (Porto)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Quem conheça, frequente ou resida na cidade do Porto e por hábito ou necessidade, costume passar pela Praça da República, por certo se recordará destes dois edifícios antigos, situados entre a Rua dos Mártires e a Rua do Almada. Um era mais alto e possuía uma fachada frontal mais simples, sendo o outro mais rico (e a nosso ver) mais bonito.
 Edifícios demolidos na Praça da República in Google Maps
 Edifícios demolidos na Praça da República in Google Maps
  Edifícios demolidos na Praça da República 
Pormenor da fachada in Google Maps
Devolutos por muitos anos, esperávamos que a "azáfama turística" que envolve a cidade actualmente e que promove obras, restauros, construções e até destruições, fosse reabilitar estes dois prédios, mais que não fosse, mantendo as suas paredes exteriores de granito. Foi uma esperança vã!
Demolidos meses atrás, o lugar é, neste momento exacto em que escrevemos esta publicação, um estaleiro de obras, local de onde provavelmente de erguerá mais uma torre de betão... é uma pena.

Palacete Samora Correia. (Lisboa)

Edificado entre a Avenida da Liberdade e a Rua Júlio César Machado e com acessos (frontaria) para ambas as artérias, este sumptuoso edifício era propriedade e foi residência de Carlos Ferreira Prego, 3.º Barão de Samora Correia.
Seria posteriormente adquirido pela Sociedade Anglo-Portuguesa de Cinemas, SARL, com o objectivo de ali erguerem o Cinema São Jorge. Isto levou a que o palacete fosse demolido entre 1946 e 1948. O Cinema São Jorge seria inaugurado em 24 de Fevereiro de 1950.
Palacete Samora Correia. Fachada para a avenida da Liberdade
Cliché de Eduardo Portugal in AML
Palacete Samora Correia. Fachada para a rua Júlio César Machado
 Cliché de Eduardo Portugal in AML

Tabacaria Africana. (Porto)

sábado, 31 de março de 2018

A Tabacaria Africana não desapareceu, continua localizada na esquina da Rua de Santo António / 31 de Janeiro e Praça da Batalha. É um conhecido estabelecimento comercial que pertenceu a António de Almeida Campos até 1902 e foi posteriormente trespassado a Alberto Vieira da Cruz. 
Em tempos, além de tabaco e todos os itens que eram comuns estarem à venda numa tabacaria, a Tabacaria Africana também editava postais ilustrados, com clichés dos mais ilustres fotógrafos portuenses.
Chegou a possuir uma belíssima frontaria metálica, que formava um bucólico conjunto com a antiga Ourivesaria Reis Filhos, (mesmo em frente) e cuja fachada ainda se mantém e o cunhal da Livraria Latina, na esquina do lado da igreja de Santo Ildefonso. 
O edifício seria alvo de uma colossal obra de ampliação por volta de 1952, que removeu do mesmo a imponente frontaria.
Tabacaria Africana BPI - A magnífica frontaria metálica
Tabacaria Africana - A frontaria "recente" - Cliché de autor desconhecido

A Casa Grande de Romarigães. (Romarigães, Paredes de Coura)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Quando falamos sobre "A Casa Grande de Romarigães" é impossível não nos saltar à ideia o escritor Aquilino Ribeiro (1885-1965) e a obra que o mesmo escreveu, com esse título.
Aquilino Ribeiro, esse escritor beirão, está de facto intimamente ligado à vida cultural da freguesia de Romarigães, concelho de Paredes de Coura, graças ao seu romance datado de 1957. 
Na verdade, a casa retratada no livro foi morada do ex-Presidente Bernardino Machado e do próprio Aquilino, que se casou com uma filha daquele presidente.
A "Casa Grande de Romarigães" não é um mito nem foi pura ficção do escritor. 
A casa ainda existe actualmente, em Romarigães, no sudoeste de Paredes de Coura, embora ao longo das décadas tenha sido muito alvo de descuido.
A Casa Grande de Romarigães in Arquivo Histórico
Aquilino Ribeiro Machado e Aquilino Ribeiro - Casa Grande de Romarigães in CCB
A Casa Grande de Romarigães - Livro - Circulo de Leitores
A construção desta casa deverá ter-se iniciado na segunda década do século XVII, época em que se instituiu o vínculo de Nossa Senhora do Amparo. Depois de algumas vicissitudes, a quinta foi adquirida em processo judicial pelo Par do Reino, Conselheiro Miguel de Antas, à família Meneses de Montenegro. A propriedade só viria a conhecer uma intervenção de restauro no século XX, quando, depois de ter passado pela posse do genro de Bernardino Machado (Presidente da primeira Republica), foi herdada pela mulher de Aquilino Ribeiro (CUNHA, 1909). É o próprio Aquilino que nos relata, no prefácio que escreve ao seu romance, como a casa estava em mau estado e como, no decorrer das obras, encontrou uma série de documentação que o levariam a escrever a "Casa Grande de Romarigães: "Quando se procedeu ao restauro da Casa Grande, que foi solar dos Meneses e Montenegros, houve que demolir paredes de côvado e meio de bitola em que há um século lavrava a ruína, ocasionando-lhes fendas por onde entravam os andorinhões de asas abertas e desníveis com tal bojo que a derrocada parecia por horas. Num armário, não maior que o nicho dum santo, embutido na ombreira da janela, que a portada, em geral aberta, dissimulava atrás de si, encontrou-se uma volumosa rima de papéis velhos"
O conjunto formado pela casa, anexos de função rural e capela do Amparo. Casa nobre, oitocentista, antecedida por um grande portal armoreado. A capela do Amparo apresenta a fachada decorada com nichos, imagens, carrancas, volutas, frontões e um óculo, tudo lavrado em pedra da região. A fachada é rematada por um campanário.
"A Casa Grande de Romarigães", está classificada como Imóvel de Interesse Público, desde o ano de 1986.
A Casa Grande de Romarigães - Fachada voltada à rua. Cliché in patrimoniocultural.gov.pt

Bibliografia:
"Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado" - IPPAR, 1993
patrimoniocultural.gov.pt

Antiga Estação Ferroviária de Contumil. (Porto)

terça-feira, 6 de março de 2018

Fachada da antiga Estação Ferroviária de Contumil, em Campanhã, anos 80 in AHMP
A Estação Ferroviária de Contumil, originalmente denominada por Estação de "Contomil", é uma interface ferroviária da Linha do Minho, que funciona como ponto de entroncamento com a Linha de Leixões, e que serve a zona de Contumil, no Concelho do Porto, em Portugal. Foi planeada nos finais do Século XIX para servir como ponto de bifurcação entre as duas linhas e como ponto de gestão e manutenção de material circulante, tendo entrado ao serviço na Década de 1910 apenas com funções técnicas, devido ao atraso na construção da linha para Leixões, que só abriu à exploração em 18 de Setembro de 1938.
Construção da nova Estação de Contumil, vendo-se o edifício da Estação antiga
Imagens de arquivo, extraídas da LUISFER TV, a quem agradecemos
Tendo este local sofrido enormes obras de ampliação, sabe-se que no Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005, publicado em 13 de Outubro de 2004 pela Rede Ferroviária Nacional, a estação de Contumil contava já com 11 vias de circulação. No Directório da Rede de 2011, de 25 de Março de 2010, ainda existia o mesmo número de vias de circulação, cuja extensão variava entre os 63 e os 481 m; as plataformas tinham 210 e 180 m de comprimento, e uma altura de 90 cm.


Bibliografia:
- SOUSA, José Fernando de (1 de Outubro de 1938). «Linha de Circunvalação do Porto» (PDF)Gazeta dos Caminhos de Ferro50(1219). p. 439-442.
-  «Linhas de Circulação em Estações». Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005. Rede Ferroviária Nacional. 13 de Outubro de 2004. p. 59-64
 - «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2011. Rede Ferroviária Nacional. 25 de Março de 2010. p. 67-89

O Palacete Nº 75 da Praça da República. (Porto)

Aspecto geral da casa brasonada, onde funcionou o Instituto Francês, situada na praça da República, 75 
Construção do século XIX. Cliché de Teófilo Rego
Este formidável edifício, cujas actuais ruínas ainda se erguem no cruzamento da rua de Alvares Cabral, esquina com a Praça da República, teve a sua origem com o fim da formidável Quinta de Santo Ovídio, já por nós aqui abordada em publicação específica, propriedade dos Condes de Resende e pelos mesmos alienada para urbanização em finais de 1800.
Nos últimos anos da sua imponente existência, este edifício albergou o Instituto Francês.
Um incêndio de grandes proporções destruiu em Abril de 2008 as antigas instalações do Instituto Francês do Porto, na Praça da República. O edifício de quatro andares, desocupado desde 2004, estava a ser remodelado para albergar uma clínica privada.
Aquela que é tida como uma das casas mais emblemáticas da Praça da República acolheu durante 30 anos o Instituto Francês. 
Para Bernard Despomadères, responsável cultural de Consulado Francês no Porto, a destruição da casa representa "a segunda morte do instituto, talvez a definitiva". A casa, com os interiores todos em madeira de riga, "era um testemunho do que melhor se fazia no Porto a nível arquitectónico no início do século XX".

Requiem pela casa com os n.º 53-55, na rua de São Sebastião. (Porto)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

  
Aspecto geral da casa com os n.º 53-55 e do nicho, da rua de São Sebastião, junto à Sé do Porto. 
Uma sólida construção do século XVII, aqui visível em dois clichés obtidos por Teófilo Rego por volta de 1958.
Cliché de Teófilo Rego
Casa na rua de S. Sebastião. Cliché de Bomfim Barreiros
Costureirinha da Sé - 1959 - "Barbearia Bocage"
O edifício com o nicho. Um dos vários locais, que serviram de "palco" para a realização do filme português "A Costureirinha da Sé" em 1959. Fotogramas do filme citado.
As duas fotografias que se seguem, foram obtidas em Setembro de 2017. Do secular edifício, resta a fachada, suportada por vigas metálicas, já tão enferrujadas e deformadas, que a estrutura aparenta um eminente colapso. É mais que urgente uma intervenção!!! Se nada for feito, muito em breve, tudo se perderá.
 Cliché de Alexandre Silva
 No nicho (agora vazio) podemos ler uma data: 1699

Destruição de um Palacete... para Hotel, claro! (Porto)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Nas palavras do grande conhecedor da história da Invicta Germano Silva, a história deste edifício é “nebulosa”, mas sabe-se que na segunda metade do século XVII, em 1862, pertenceu a Armando Artur Ferreira de Seabra da Mota Silva, da burguesia portuense da época.
Em meados do século XIX, o palacete secular esteve para ser expropriado pela Câmara do Porto, por alturas em que a autarquia andava a abrir a rua hoje baptizada de José Falcão.
Só não foi expropriado, porque o traçado da rua foi alterado”, conta Germano Silva, recordando que o edifício se distinguia pelos painéis de azulejos.
Em finais do século XIX, o palacete, que chegou a ser uma padaria e armazém de fazendas, pertencia a Artur Augusto de Albuquerque Seabra, professor de matemática e antigo jornalista que pertenceu à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
Palacete do século XVIII. Corpo total do edifício in Google Maps
 Palacete do século XVIII. Edifício completo
 O palacete, devoluto, mas ainda com todas as suas paredes e telhado in portojofotos
Recentemente foi (ou está ainda a ser) esventrado, aliás destruído na sua essência, visto do mesmo já só restar a sua fachada frontal. Todas as outras paredes de granito foram derrubadas e o seu interior desapareceu, dando, no momento exacto em que escrevemos este artigo, lugar ao um gigantesco e profundo abismo.
Destruição de um palacete
Fachada frontal. A única coisa que sobrou do palacete
  Traseira da única fachada que permaneceu de pé

 Destruição de um palacete. Uma cratera imensa no local do histórico edifício
Do palacete, restou apenas a fachada frontal voltada para o Largo Moinho de Vento
O objectivo desta, a nosso ver, abominável destruição, é criar mais um hotel de cinco estrelas, com 60 quartos, em 2019, segundo informou à comunicação social, o administrador da Vidamar, Pedro Costa.  
O novo hotel, que se vai chamar Hotel Oporto Wine & Books, vai ter seis pisos acima do solo e dois pisos abaixo da cota da soleira, e uma volumetria de 11 mil metros quadrados, lê-se no “Aviso” afixado junto à obra e cujo titular do alvará é a Worldlounge, Lda.
A constructora espanhola Sanjose foi a empresa que recebeu a adjudicação da Worldlounge Lda – Hoteis com restaurante para executar “primeira fase das obras do Hotel Oporto Wine & Books, lê-se na página da Internet daquela empresa.

Imagens:
- Google Maps
- Blogue portojofotos
- Alexandre Silva

Forte de São João da Junqueira. (Lisboa)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Forte da Junqueira. Cliché - Filmarte in A.M.L.
 Forte da Junqueira. Cliché de José Artur Leitão Bárcia in a.f. C.M.L.
O Forte de São João da Junqueira, ou apenas Forte da Junqueira, localizava-se no areal da Junqueira, com a fachada frontal voltada para o rio Tejo, onde actualmente existe a Avenida da Índia, a leste do edifício da Cordoaria Nacional, em terreno onde hoje se situam a Rua Mécia Mouzinho de Albuquerque e a Feira Internacional de Lisboa.
Presume-se que terá sido edificado por altura da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) terá sido erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), possivelmente após 1649, com a função de reforço da defesa marítima da capital.
 Forte da Junqueira em 1939. Cliché de Eduardo Portugal in a.f. C.M.L
Sendo inicialmente uma fortificação de reduzidas dimensões, a sua construção estava praticamente concluída em 1666, quando contava com uma bateria voltada ao Tejo e a edificação de serviço pelo lado de terra.
Seria posteriormente ampliado e terá sido no reinado de José I de Portugal (1750-1777) que atingiu as suas maiores dimensões. D. José, talvez o rei mais inútil da História de Portugal (excluímos D. Afonso VI, pois era deficiente mental) delegava no primeiro-ministro, o célebre marquês de Pombal, todas as decisões. Assim, por decisão do marquês, as dependências do Forte, foram convertidas em prisão do Estado, adquirindo uma sinistra reputação. 
Neste local estiveram detidos numerosos elementos do povo e nobres, nomeadamente quando do processo dos marqueses de Távora, com destaque para D. João de Almeida Portugal, 4.º conde de Assumar e 2.º marquês de Alorna (1726-1802) e D. Martinho Mascarenhas, 6.º e último marquês de Gouveia. O primeiro aqui esteve detido por 18 anos, tendo nos legado uma breve relação intitulada “As prisões da Junqueira, durante o ministério do marquês de Pombal”, publicada conforme o original por José de Sousa Amado, presbítero secular (Lisboa, 1857). Inédita durante 70 anos, dela surgiram várias cópias com títulos como “Relação dos presos do forte da Junqueira” e outros. 
Na época Pombalina o forte-prisão contava com três pavimentos abaixo do solo, afirmando-se que o mais profundo era utilizado como cemitério, ali sendo sepultados os que não resistiam ao cativeiro. Os pavimentos superiores funcionavam como cárceres.
Os presos de Estado detidos na Junqueira apenas foram libertados com a morte de D. José I (24 de Fevereiro de 1777) e a ascensão ao trono de Maria I de Portugal (1777-1816).
 Interiores - "O pateo das prisões e a capella" in Ilustração Portuguesa
  Interiores - "O carecer (cárcere) dos Tavoras" in Ilustração Portuguesa
 Interiores - "O pateo e o poço" in Ilustração Portuguesa
Com muitas modificações efectuadas ao longo dos anos, o forte chegou ao século XX, tendo sido demolido em 20 de Março de 1940, quando da abertura da "Avenida da Índia", nos trabalhos preparatórios dos acessos à "Exposição do Mundo Português".
A sua demolição chegou a ser anunciada pelo jornal lisboeta "Diário de Notícias" de 23 de Novembro de 1939, em matéria de Nogueira de Brito, sob o título “A Junqueira de outros tempos e o Forte de São João que vai a demolir”.

Fontes parciais:
- SIPA / DGPC
- Fortalezas.org
- CML
- ANTT

Casa n.º 152 da Rua de Miragaia. (Porto)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Esta publicação, quase pode ser considerada uma "brincadeirinha" tendo em conta a sua simplicidade. No entanto mostra-nos uma realidade presente: 
A degradação do património, caso não haja intervenção humana no intuito de o preservar.
Como exemplo. vejamos a imagem de baixo, que não tem mais que algumas décadas. 
Trata-se de um pormenor da fachada da casa n.º 152 da Rua de Miragaia, com autoria de Guilherme Bomfim Barreiros.
 Casa n.º 152 da Rua de Miragaia. Bomfim Barreiros
Quer ver este exacto local na actualidade?
Clique aqui: 
Rua de Miragaia n.º 152

Casa dos 24. (Porto)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Casa dos 24, antes de 1934
A "Casa dos 24" ou antiga Casa da Câmara, tem origem no séc. XV.
Foi construída encostada à muralha primitiva da cidade. Considerada como primeira sede do poder autárquico ou municipal, a designação popular de "Casa dos 24" deve-se ao facto de aí se reunirem os 24 representantes dos vários ofícios da cidade do Porto. Este edifício foi vítima de um violento incêndio em 1875 que o destruiu completamente. Esteve muitos anos abandonado em estado de ruína.
 Aspecto da «Casa dos 24» e dos edifícios que foram demolidos para a reconstrução
do terreiro da Sé, tirada da rua de São Sebastião, 1940 in AMP
Rua de São Sebastião e Escadas da Sé, destacando-se a Fonte de São Sebastião.
Bomfim Barreiros, 1940 in AMP
No ano 2000 todo o edifício foi reconstruído segundo a reinterpretação contemporânea do projecto do arquitecto Fernando Távora (o que causou reacções divergentes pela população e muitas críticas). Funcionando actualmente como Posto de Turismo da Cidade.
Imagens:
- Bomfim Barreiros
- Arquivo Municipal do Porto (AMP)