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Obeliscos da Quinta da Prelada. (Porto)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Os dois obeliscos com 12,6 metros de altura que actualmente se encontram no Jardim do Passeio Alegre (Foz) são os mesmo que originalmente se encontravam à entrada da Quinta da Prelada, tendo sido idealizados por Nicolau Nasoni, quando no século XVIII projectou aquela quinta, com a respectiva residência, jardins e os outros elementos decorativo, para a família dos Noronhas e Meneses. 
Obelisco trabalhado integrado no muro de vedação da Quinta da Prelada em 1936
 Guilherme Bomfim Barreiros in AHMP
Robert C. Smith, o maior especialista da obra do célebre arquitecto toscano, na obra "Nicolau Nasoni - Arquitecto do Porto", descreve do seguinte modo estes monumentos, classificados como imóveis de interesse público em 22 de Março de 1938: 
"Estes esbeltos obeliscos assentes em bolas, segundo um motivo maneirista dos séculos XVI e XVII, terminando em torres de dois 'corpos' ou andares, tirados do brasão dos Noronhas. Na base dos obeliscos figura o anel de aliança dos Meneses, no meio de um pesado bloco, cujo perfil sugere o da imafronte da Capela de Fafiães. Por cima da cornija aparecem volutas típicas de Nasoni, formando uma peanha de corte prismático, como transição às esbeltas superfícies diagonais dos obeliscos, sensivelmente ajustadas para capturar expressivos efeitos de luz e sombra". 
Obeliscos da Quinta da Prelada, integrados no muro de vedação da 
mesma e voltados para a Rua dos Castelos em 1936
Obeliscos de Nasoni na Foz. BPI
Os dois obeliscos projectados por Nicolau Nasoni, que marcam uma das entradas do jardim, foram trazidos para este local já no séc. XX.

Obelisco da igreja de St.º Ildefonso. (Porto)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O obelisco alinhado com a Torre dos Clérigos (horizonte da imagem)
Já o abordamos diversas vezes e de forma sumária, na página que este blogue possui no facebook.  
Não sendo um item desaparecido, mas mais (se assim o podemos classificar) um item "escondido" dado não se encontrar no seu local de origem, decidimos fazer-lhe aqui neste espaço uma menção.
Comecemos com uma citação de autoria de Carlos de Passos, publicada na "Guia Histórica e Artística do Porto" sobre a Igreja de St.º Ildefonso:

"De fundação ignorada e remota é a ermida de Santo Alifon, que, no juízo do Padre Novais (autor do Episcopológico, escripto próximo de 1690), ascendia ao tempo dos godos, cuja opinião formulou por na sua juventude ter visto no cemitério contíguo sepulturas com emblemas dos mesmos. Exagerou, de boa fé, talvez. Porém, existia já no séc. XII, visto que pelo bispo D. Pedro Pitões (1146-52 foi consagrada. Em princípios do séc. XVI estava na posse da confraria do Senhor Jesus; rodeava-a, então, um vasto souto de carvalhos, no qual, debaixo de um dos maiores, se expunha o SS. Sacramento à adoração dos fiéis na procissão de Corpus Christi.
Constituía esse lugar o burgo de Santo Alifon, como o registam as vereações da época. No séc. XVIII a ermida estava arruinada. Afim de ser reconstruida, em 1724 o S.S. mudou-se para a capela de Nossa Senhora da Batalha, já pertencente à Câmara. A obra só em 1730 ficou pronta, segundo a inscrição da porta principal. Todavia, houve necessidade, em 1857, de ampliar a capela-mor, à custa da confraria do SS. Sacramento, instituída em 1634 e logo fundida com a do Senhor Jesus. Então se renovou todo o interior: as paredes foram pintadas com várias figurações pelo cenógrafo Paulo Pizzi, douraram-se os altares, fizeram-se os altares laterais, os estuques ornamentais e as estátuas, de gesso, dos evangelistas e S. Pedro e S. Paulo da capela-mor. Consta que a abóbada fora pintada por Joaquim Rafael (fins do séc. XVIII a princípios do XIX).
Precede a igreja, uma larga escadaria, em cujo patamar fronteiro à rua de Santo António, se ergueu um obelisco em 24-XII-1794, de significado ignoto. Simples elemento decorativo? Memória da abertura daquella rua? Imponente cascata nella se ornou no dia 24 de Junho de 1810..."
Igreja de Sto. Ildefonso
 BPI: Editor - A. D. Canedo Successor
Vista geral do largo de St.º Ildefonso, de algumas casas comerciais (alfaiataria de Afonso Brandão) e da igreja com o mesmo nome, em inícios de 1900, numa fotografia tirada da praça da Batalha
 Igreja de St.º Ildefonso estando o obelisco na esquerda da imagem
Notamos a ausência dos azulejos de autoria de J. Colaço
Igreja de St.º Ildefonso ainda sem os azulejos de autoria de J. Colaço
Igreja de Sto. Ildefonso. Cliché de Emílio Biel
Praça de Táxis, frente à escadaria da igreja de Santo Ildefonso, c.1920
O obelisco (que se encontrava no adro da igreja de Santo Ildefonso) foi lá colocado em 1794, supostamente para servir de remate à rua de Santo António e/ou "desafiar" a altura da Torre dos Clérigos. Seria retirado na década de 20 do Séc. XX
Em resultado de obras realizadas pela confraria, o obelisco seria removido nos anos 20 do Séc. passado, para o interior do adro da igreja, local do antigo cemitério paroquial, onde ainda se encontra actualmente, podendo ser visto através do portão de ferro que impede o acesso livre ao local.
Rua St.ª Catarina, junto à escadaria da igreja de St.º Ildefonso. É perceptível a sombra do obelisco

Imagens:
- Casa Alvão
- Phot.ª Guedes
- Emílio Biel
- AHMP

Avenida Marechal Carmona. (Vila Nova de Gaia)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Clique nas imagens para as ampliar
 Avenida Marechal Carmona, actual Avenida da República em 1934
Duas variantes de um mesmo cliché
A Avenida Marechal Carmona, actual Avenida da República numa foto do ano de 1934, em Vila Nova de Gaia. O pelourinho, em primeiro plano na imagem, desapareceu deste local faz já muito tempo.
Antes circulava aqui o eléctrico, actualmente existe o metro de superfície e uma moderna estação bem perto.
A Câmara Municipal continua neste local, do lado esquerdo, mas foi posteriormente pintada de branco. Estamos aproximadamente no lugar onde foi edificado o "El Corte Inglés". O espaço onde hoje existe a dita estação do metro e a Avenida (artéria principal da cidade), é o mesmo onde antes existia apenas um pequeno carreiro.
Igreja de Mafamude
Nestas duas imagens, vemos a igreja de Mafamude (ao fundo) uma resistente que ainda continua no mesmo lugar, mas escondida pelo grande centro comercial e quase sufocada pela proximidade da Via de Cintura Interna de Gaia.
Igreja de Mafamude
Vista da igreja de Mafamude e das quintas que a rodeavam nas primeiras décadas do séc. XX, num cliché obtido do cruzamento da actual Avenida da Republica com a Rua João de Deus. Neste terreno estendem-se actualmente a rua de Joaquim Nicolau de Almeida, a rua de S. Gonçalo, a rua 14 de Outubro e parte da VCI.

Fonte parcial:
B.P.M.V.N.G.
Imagens:
- Autores desconhecidos

O Pelourinho de Portimão. (Portimão)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Pelourinho de Portimão, estava em frente à Câmara Municipal e por incrível que pareça foi destruido para dar lugar a uma fonte, fonte essa que entretanto foi também destruida para ser construido o largo que actualmente existe nesse local.

A Árvore da Forca. (Cidade do Porto)

sábado, 24 de outubro de 2009

A cidade do Porto já teve o seu Rossio. O antigo "Rocio da Cidade". Foi, depois, e sucessivamente, o Campo do Olival, a Cordoaria e é, agora, o Campo dos Mártires da Pátria. Mas, antes de tudo isso, foi o eirado de todos os júbilos, motins, folganças, glórias e desesperos. Foi lugar de feira popular que se realizava pelo S. Miguel nos finais do século XIX, muro de derrete das moças do Mercado do Anjo e da Feira do Pão. Ali, aclamou-se D. João I. Por lá passou o cortejo de D. Filipa de Lencastre, quando veio ao Porto para casar com o mestre de Avis. Nesse sítio, esteve o animatógrafo, quando deixou a rotunda da Boavista; desfilaram paradas militares, cortejos e bailaricos, festas da nobreza e festas do povo.
Na lendária "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado
Árvore da Forca. Cordoaria, Porto
Com o seu jardim descaracterizado, maltratado, vilipendiado, a Cordoaria, vamos continua a dizer assim, é, ainda, e sobretudo, uma página da história portuense. Porque a memória não se apaga.
O verdadeiro padrão dessa praça foi um "ulmus" famoso, uma curiosidade bairrista sem a expressão e o pitoresco de um monumento de verdade, mas ainda assim popular e venerando.
Essa árvore antiquíssima, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de trezentos anos depois; que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio; que deu sombra e pousio a várias gerações; sofreu uma calúnia grave acusaram-na de ter cedido um dos seus mais possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. É falso. Na chamada "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado.
O antigo "ulmus" numa imagem mais antiga, (que nos foi gentilmente enviada) ostentando ainda o seu majestoso ramo, que lhe deu a fama de ser a "árvore da forca".
Clique na imagem para a ampliar
A primeira acusação diz que foi nessa árvore que o juiz José de Mascarenhas mandou enforcar os revoltosos que ousaram protestar contra uma medida do Marquês de Pombal que proibiu os taberneiros do Porto de venderem vinho a retalho. É falso. Os revoltosos morreram na Cordoaria, sim senhor, mas em seis forcas de madeira que, para esse efeito, foram propositadamente levantadas no Campo do Olival como então era conhecido aquele espaço que fica ao cimo da Rua dos Caldeireiros e entre as entradas das ruas de Trás e de S. Bento da Vitória.
Em 1829, houve novos enforcamentos , desta vez políticos. Foi a morte de doze liberais que viriam a ser considerados como Mártires da Pátria - denominação que acabou por ser dada à antiga Cordoaria. Também estes foram enforcados, mas nos patíbulos que os seus carrascos levantaram na antiga Praça Nova, hoje Praça de Liberdade.
O velho "ulmus" foi testemunha muda de alguns enforcamentos que se fizeram no antiga campo do Olival mas nunca participou em nenhum.
A "árvore da forca" nos seus tempos áureos
Nem naqueles que ocorreram no dia 2 de Março de 1810, para castigar os cabeças dos tumultos que tiveram lugar no dia da entrada dos franceses na cidade. Dizem as crónicas da época que os acusados mataram várias pessoas, sob o falso pretexto de que eram jacobinas, isto é, amigos dos franceses. Os corpos dessas pessoas, entre as quais figurava o do fidalgo da Casa da Bandeirinha, João da Cunha Araújo Portocarrero, coronel do Exército Português, foram arrastados pelas ruas da cidade e, mais tarde, lançados às águas do Douro. Em 1831, houve novos enforcamentos.
Jardim da Cordoaria - Emílio Biel
Os protagonistas de triste cena foram meia dúzia de facínoras sobre cujas cabeças pendia a acusação de terem assassinado uma família em Coimbra. Morreram todos por enforcamento, na Cordoaria, mas em forcas que foram erguidas onde anos mais tarde se construiu o lago.
A árvore da forca, já sem o seu possante ramo lateral

Morreu de pé e de velhice a árvore que foi injustamente chamada de forca

O antigo campo do Olival
Era muito mais vasto do que se pode imaginar o antigo Campo do Olival. Pode-se ficar com uma ideia da sua vastidão se dissermos que se estendia desde a Porta que havia na muralha fernandina, com aquela designação, junto à entrada da Rua de S. Bento da Vitória, pelos sítios que hoje conhecemos como a Praça de Parada Leitão, Rua do Carmo, Praça de Carlos Alberto, Largo do Moinho de Vento, Praça de Guilherme Gomes Fernandes, Rua de José Falcão, Rua da Conceição e Rua das Oliveiras, a única onde o topónimo se mantém. Em 1611, as oliveiras estavam velhas, raquíticas e sem préstimo. Por isso foram cortadas e substituídas por "ulmus campestris" ou olmos, transformando-se o vasto campo em Alameda.
 Trecho da Cordoaria em início do séc. XX.
A "árvore da forca"
A "árvore da forca". Cliché da Casa Alvão
Árvore da Forca, c.1950
Cliché colorido pelo blogue MONUMENTOS DESAPARECIDOS
Esta plantação foi realizada à custa de um imposto denominado de "imposição do vinho". No ano seguinte, a Câmara colocou guardas a velar pela integridade das novas árvores. Pagava 15$000 reis por ano a cada um dos quatro homens que tinham a incumbência de guardar a recém-criada Alameda.
Cadeia da Relação. Frente a ela houve enforcamentos... mas nunca na árvore mencionada

Bibliografia:
- Árvores Monumentais de Portugal, Ernesto Goes
- Biblioteca Municipal do Porto
- C.M.P.
- Germano Silva
Imagem:
- Fotografia Alvão
- Phot.ª Guedes
- Emílio Biel