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Igreja de Monserrate. (Viana do Castelo)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O Arcebispo D. Afonso Furtado de Mendonça fundou a paróquia de Nossa Senhora de Monserrate, filial da Colegiada de Santa Maria Maior, em 23 de Janeiro de 1621. 
A igreja paroquial situava-se no lugar, onde hoje é o Largo 9 de Abril, e fora construída de raíz, fora das muralhas, no ano de 1601. 
Nos finais de 1835, o Governador Civil de Viana promoveu a transferência da paróquia para o Convento de São Dominingos, alegando qua a igreja se encontrava já muito deteriorada. Obteve também autorização da Câmara Municipal e do Conselho do Distrito para demolir o templo, ganhando, assim, "um excelente campo fronteiro aos Quartéis Militares, para o exercício da tropa". 
Por portaria de 1836, a 20 de Abril, a sede desta paróquia foi transferida para a igreja do Convento de São Domingos, extinto em 1834. 
No dia 5 de Julho desse ano, mudou-se a pia baptismal para a Igreja de São Domingos e, no dia 10 desse mês, foi levado o resto do recheio, em procissão solene. 
A demolição da igreja de Monserrate, porém, teve lugar 80 anos depois, em 1916, não obstante a forte corrente de opinião pública, que ao tempo se manifestara
.
Demolição da Igreja de Monserrate em 1916

Fontes bibliográficas:
- Arquivo Distrital de Viana do Castelo
Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo

Capela do Senhor Jesus da Boavista. (Porto)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Esta capela não desapareceu, felizmente. O que desapareceu, ou melhor, se modificou e muito, foi o espaço que a envolvia, que foi absorvido pelo urbanismo crescente da cidade.
Segundo Germano Silva, a nosso ver, um dos mais conceituados eruditos sobre a cidade do Porto, há pouco mais de duzentos anos, antes de toda aquela zona se envolver em urbanismo, aquele local tinha mesmo o aspecto medonho de um barranco inóspito, de um perigoso precipício.
«Aquele morro altíssimo que fica entre a Rua das Antas e a igreja paroquial do Bonfim chamou-se, antigamente, o Fojo - palavra que significa "cova funda com uma abertu­ra disfarçada para apanhar animais".» 
No cimo do penhasco foram construídas, há muitos anos, por viandantes piedosos, umas "alminhas" que no século XVIII, mais concretamente em 1767, a generosi­dade do cónego da Sé do Porto José Maria de Sousa e as esmolas do povo devoto transformaram numa capela sob a invoca­ção do Senhor Jesus do Fojo que, anos mais tarde, passaria a chamar-se Senhor Jesus da Boavista.
O nome de Senhor Jesus da Boavista, assim como o topónimo Montebelo (actual Avenida de Fernão de Magalhães) têm a ver com o ambiente rural que naqueles recua­dos tempos envolvia o Fojo. 
Descrições da zona feitas ainda nos mea­dos do século XIX fazem referências a "am­plas zonas cobertas de férteis campos" e de um "panorama verdadeiramente paradisíaco" que, por esses tempos, era possível des­frutar do pequeno adro que havia em fren­te da capela, "todo circundado de arvoredo, o que o toma (ao adro) muito agradável para quem ali quiser pousar". 
Capela do Senhor da Boa-Vista - BPI - Alberto Ferreira N.º 159
Este panorama já não é possível contemplar, devido ao denso urbanismo envolvente. 
Durante o Cerco, motivado pela invasões Francesas (1832/1833) foi construí­da uma linha de defesa do Porto que, nesta zona da cidade, passava junto da capela do Se­nhor Jesus da Boavista. Por causa disso, o pe­queno templo foi muito danificado pelos obuses que a atingiram durante os renhidos combates que se travaram no alto do penhas­co do Fojo. O sítio era privilegiado porque dele era possível atingir a sempre muito mo­vimentada estrada de Valongo. A ampliação da capela feita em 1864 teve, também, entre outros, o objectivo de reparar as mazelas cau­sadas pela guerra civil que opôs as tropas de D. Miguel ao exército de D. Pedro IV. 
Assim, a capela, depois de ter sido reconstruída e obviamente ampliada em 1864, ainda lá se encontra e nela se celebra a festividade da Senhora do Porto cuja imagem se venera em altar próprio no inte­rior do pequeno templo. 

Bibliografia:
- Germano Silva in JORNAL DE NOTÍCIAS de 21-09-2014
- Biblioteca Municipal do Porto

Igreja da Exaltação de Santa Cruz, matriz da Batalha.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Igreja Matriz da Batalha, antes das obras de restauro de 1938 in AHMP
Igreja Matriz da Batalha, antes das obras de restauro de 1938 - BPI
 Igreja Matriz da Batalha antes de 1938
A Igreja da Exaltação de Santa Cruz, matriz da Batalha, foi mandada erguer pelo próprio Rei D. Manuel I em 1514, com o intuito de servir como matriz à paróquia batalhense criada pelo Prior Mor de Santa Cruz de Coimbra em 14 de Setembro de 1512.
Presume-se que o seu arquitecto original teria sido Mateus Fernandes, mestre das obras do Mosteiro e que é também o único mestre, por nós conhecido, que foi sepultado no Mosteiro, numa campa rasa à entrada da Igreja conventual.
Matriz da Batalha in www.jf-batalha.pt
O autor do pórtico manuelino do templo é o Mestre Boitaca (Boytac), genro e continuador de Mateus Fernandes, que assinalou as duas ombreiras do pórtico com a sua sigla pessoal, um "b" gótico. 
Esta obra só terminaria em 1532. Serviu de matriz ou paroquial da Batalha até 1834, ano em que a matriz passa para o Mosteiro, conforme pedido do povo à Rainha D. Maria II, por o templo já estar muito arruinado
Em 1858, um sismo de grande intensidade derrubou-lhe a cobertura da nave.
Na sua construção original, a igreja tinha uma empena com um campanário de três ventanas  e um torreão. 
Apenas nos anos 30 (1938) do século XX, esse conjunto daria lugar à actual torre sineira, devido ao seu lamentável estado de ruína. O grande responsável por esta obra, foi o pároco batalhense Dr. Joaquim Coelho Pereira. 
Igreja da Exaltação de Santa Cruz. Cliché de Célia Ascenso in Wikimedia

Bibliografia:
- www.mosteirobatalha.gov.pt
- www.patrimoniocultural.gov.pt
- www.jf-batalha.pt

Capela de Santana. (Porto)

domingo, 5 de junho de 2016

Nem todas podem ser más notícias, neste espaço e o caso que vamos identificar a seguir, trata-se, a nosso ver, de um bom exemplo de recuperação.
A Capela de Santana, localizada em Lordelo do Ouro, no Porto, é uma capela construída provavelmente em finais do séc XVIII, de planta rectangular de massa simples, com cobertura em telhado de duas águas. 
A fachada principal, está revestida a azulejo rectangular azul, com pilastras nos extremos, forte entablamento moldurado, rematada por frontão triangular encimado por cruz ladeada por pináculos em granito.
O portal principal de verga recta é encimado por óculo oval engradado. As fachadas laterais apresentam uma janela rectangular. A capela possui uma entrada lateral. Nesta, a soleira apresenta inscrita uma data praticamente ilegível. 
A fachada posterior cega e nos extremos ressaltam as pilastras. INTERIOR, com tecto abobadado e estucado. Possui supedâneo em madeira onde sobressai o retábulo. No lado da Epístola, mísula com imaginária. 
Esta capela seria recuperada e reconstruída, durante a construção dos blocos habitacionais do Bairro Nuno Pinheiro Torres, em finais da década de 60 do séc XX.
Reconstrução da Capela de Santana, durante a construção dos 
blocos habitacionais do Bairro Nuno Pinheiro Torres
 Capela de Santana - Reconstrução - Fachada traseira
Informação parcial:
- SIPA
Imagens:
- AMP

Sé de Lisboa - Obras de Restauro no Séc. XX.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Sé de Lisboa, ou Igreja de Santa Maria Maior, localiza-se na capital de Portugal. 
Actualmente é a sede do Patriarcado de Lisboa e da Paróquia da Sé. A construção da Sé teve início na segunda metade do século XII, após a tomada da cidade aos Mouros por D. Afonso Henriques, e apresenta-se hoje como uma mistura de estilos arquitectónicos. 
Esta construção está classificada como Monumento Nacional desde 1910.
Possuindo este edifício, muito conteúdo para se falar e debater, vamos no entanto, nesta publicação, apenas nos focar nas grandes obras de restauro, realizadas já no século XX.
Tendo sofrido ao longo dos anos, muitas alterações e acrescentos, grande parte das adições da era barroca foram retiradas a partir de uma grande campanha de restauro que ocorreu na primeira metade do século XX, cujo objectivo foi devolver à Sé algo de sua aparência medieval. 
Sé de Lisboa. Fachada principal no século XIX, antes das 
intervenções de Augusto Fuschini e António do Couto Abreu
Sé de Lisboa. A Catedral em início do séc. XX
O primeiro encarregado dos trabalhos, em 1902, foi Augusto Fuschini, que planeou um edifício revivalista em estilo neogótico. Augusto Fuschini demoliu algumas construções que flanqueavam a igreja, reconstruiu abóbadas, restaurou e abriu janelas e coroou de ameias o edifício. 
Sé de Lisboa - Projecto de Augusto Fuschini
Restauro da Sé, no olhar de Augusto Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini já mais adiantadas
Após a sua morte, em 1911, o projecto de restauro foi retomado e modificado por António do Couto Abreu, que passou a privilegiar as estruturas medievais ainda existentes. Foi reconstruída a abóbada da nave central, a fachada foi restaurada e refeita a rosácea, além de muitas outras alterações que deram ao edifício a aparência neo-românica que tem hoje. 
Nos planos estava incluída a construção de uma capela-mor neogótica, mas a oposição de figuras como os arquitectos Raul Lino e Baltasar de Castro salvaram tanto a decoração pós-terramoto da capela-mor como da Capela do Santíssimo.
Sé de Lisboa após as obras. Calótipo de Fionnbahrr Ó Súlleabháin
Após as reformas, a Sé foi reinaugurada em 1940, numa grande solenidade promovida pelo Estado Novo. Um Te Deum foi celebrado na Catedral no dia 05 de Maio de 1940, abrindo as cerimónias de celebração do 8.º Centenário da Fundação de Portugal e o 3.º Centenário da Independência. 
A Sé também foi importante na celebração do 8.º Centenário da Conquista de Lisboa aos Mouros, em 1947.

Fontes parciais:
- Arquivo Municipal de Lisboa (AML)
- BN

Igreja de Cedofeita, pelo Arquitecto Marques da Silva. (Porto)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Já aqui falamos pormenorizadamente do demolido Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, localizado onde actualmente se ergue a estação ferroviária de S. Bento. 
Como referimos, a demolição dos claustros começou em 1894 e a igreja seria demolida entre Outubro de 1900 e  Outubro de 1901.
Mosteiro de São Bento de Avé-Maria. Vista geral
Entrada da igreja. Emílio Biel
 Fachada e entrada da igreja. Albumina de Emílio Biel
No ano de 1894, o formidável arquitecto Marques da Silva regista na sua agenda o recebimento de 150 reis pelo levantamento de planta da Igreja de S. Bento da Avé-Maria, por conta da Confraria do Santíssimo Sacramento de Cedofeita. 
A nota reveste-se de grande importância por indiciar o cruzamento do processo de construção da nova Igreja paroquial de Cedofeita com o processo de construção da Estação Central de Caminhos de Ferro no Porto. O arquitecto designado para os projectar será o mesmo, o então jovem e promissor estudante de arquitectura, José Marques da Silva. 
O destino dos projectos será diametralmente oposto: se a icónica Estação de S. Bento se afirma ainda hoje orgulhosamente no território da cidade, o que ainda resta do monumental templo ambicionado pela Colegiada de Cedofeita, para sempre inacabado, a Capela-mor e os seus anexos, sobrevive conciliado com a actual Igreja de betão, projectada por Eugénio Alves de Sousa em 1963, numa coexistência dissimulada, que o torna praticamente invisível ao olhar público.
Marques da Silva, Estudo para a fachada da Igreja de Cedofeita, s.d.
Imagem in: Fundação Marques da Silva
O grande impulsionador da ideia de construir uma nova igreja paroquial para Cedofeita será António José Gomes Samagaio, juiz da Confraria, desde 1884, mais tarde Presidente da Associação Industrial do Porto e Vereador do Município. Para a concretizar, a Confraria, para além da doação de terrenos pertencentes à Quinta do Priorado e verbas próprias, ver-lhe-á ser atribuída, por Portaria de 1896, a gestão da demolição da parte restante do Convento e da igreja de S. Bento da Avé-Maria, razão pela qual herdará parte dos seus materiais, alfaias, mobiliário e objectos de talha.
Mosteiro de São Bento de Avé-Maria 
Retábulo da igreja. Albumina de Emílio Biel
Os Livros de Atas documentam a existência de contactos com Marques da Silva, nomeadamente em 1895, ano em que este apresenta, em Paris, cidade onde está a ultimar a sua formação, o projecto Naves de uma igreja abobadada, para a disciplina de Teoria da Arquitectura, cujos desenhos e enunciado se encontram preservados na Fundação e permitem estabelecer uma ligação com o esboço da primeira planta da nova igreja. A configuração arquitectónica da igreja passou por várias fases ao longo do tempo, como os vários desenhos existentes o confirmam. O primeiro projecto transporta claras influências do neorromantismo, com ecos da Basílica do Sacré-Coeur, antecipando fórmulas que, por exemplo, Ventura Terra virá a aplicar em Santa Luzia. Mas o volume da construção será gradualmente reformulado, em resposta às alterações pedidas pela Mesa da Confraria. 
Projecto do Arquitecto Marques da Silva para a igreja de Cedofeita, em 1896
As transformações são particularmente evidentes nos desenhos das fachadas do templo onde, sem perda do peso visual, se abdica da abóbada para reforçar um crescendo ascensional colmatado por uma torre composta de duas plataformas (a dos sinos e dos lanternins). Este projecto, que António Cardoso denomina de “joanino”, apresenta no alçado principal, dois corpos, até ao nível da cornija geral. No corpo saliente, ao qual se acede através de um escadório, sobressaem, no piso térreo, o tramo central, com um portal ladeado por colunas dóricas, e, no segundo andar, a modenatura e elementos decorativos do balcão, onde dois pedestais suportam as figuras de Maria e de S. Martinho, patrono de Cedofeita. Uma platibanda com ressaltos e esculturas sedentes estabelece a ligação para a torre, encimada por uma cruz. Em traços gerais, um projecto fortemente marcado pela presença do granito e pelo ecletismo das opções decorativas, ancorado nos elementos que permitem configurar o átrio e estruturar o transepto e a Capela-mor, com a monumentalidade característica do imaginário beauxartiano.
Depois de promovida a venda em hasta pública de alguns materiais provenientes das demolições, a 1 de Outubro de 1899, com a bênção do Bispo do Porto, D. António Barroso, é promovido o assentamento da primeira pedra da nova igreja de Cedofeita. Mas serão vários os entraves colocados ao processo de construção, desde a lentidão e onerosidade das demolições e remoções até às crises económicas que se vão sucedendo, com reflexos imediatos nas receitas da Confraria (subscrições, benefícios e donativos). Nem a atribuição de subsídios governamentais, nem os legados, nem os empréstimos contraídos serão suficientes para validar a construção. Em 1911, apesar de cinco anos antes, D. António Barroso ter celebrado a primeira missa na capela provisória da igreja, a falta de consenso sobre a necessidade de concretizar uma igreja tão sumptuosa impõe-se e as obras ficam suspensas. Novas peças assinadas por Marques da Silva, datadas de 1924, assinalam o retomar do processo de construção da igreja e dos equipamentos anexos. Também as compensações da Junta de Construções Escolares, pela cedência e troca de terrenos, tendo em vista a implantação do Liceu Rodrigues de Freitas, projecto atribuído a Marques da Silva, serão canalizados para as obras em curso, que, em 1936/7, ainda registam um projecto do arquitecto para construção de creche e de nova moradia para o pároco. A onerosidade e morosidade da construção, a adopção de outros valores estéticos vão condenar irremediavelmente o projecto. Em 1941, Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas ainda chega a propor que o corpo principal poderia receber a obra de talha da Igreja de S. Francisco, mas não deixa de defender a demolição do que estava feito e a passagem a uma nova construção. Ainda assim é pedida uma simplificação do projecto a Marques da Silva, mas já ninguém acredita na realização de uma obra, então considerada, de arquitectura pesada e de dimensões exageradas.
Apesar de ter permanecido inconclusivo e renegado pela entrada em vigor de novos cânones e modelos, em particular no que se refere à arquitectura religiosa, este projecto de Marques da Silva reveste-se de particular importância e significado pela forma como se cruza com os desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que marcaram o Porto entre finais do século XIX e a primeira metade do século XX: o processo de construção da Estação Central de Caminhos de Ferro, o programa e o papel desempenhado pelas Irmandades na cidade ou mesmo a implantação dos liceus.

Fonte parcial:
- Fundação Marques da Silva
Bibliografia:
CARDOSO, António - O arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX. Porto: Faup-publicações, 1997, pp. 105-108; 431-439; 467.
MOTA e COSTA, Orlando – Igreja Paroquial de S. Martinho de Cedofeita. Porto: Igreja Paroquial de S. Martinho de Cedofeita, 2007, pp. 22-26.

Sé de Lamego - Obras de restauro no séc. XX.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Foi sob a tutela da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que nos anos 30 do séc. XX se iniciou a intervenção de restauro da Sé de Lamego, a qual se centraria primeiramente, na recuperação das coberturas e na reconstrução de grande parte do Claustro. De facto, em Fevereiro de 1936 estariam disponíveis as primeiras verbas para estas obras de restauro.
As obras de restauro e manutenção foram de grandes dimensões, abrangendo toda a catedral, tanto externamente como internamente (pintura mural, talha, etc.) e arrastaram-se por muitos anos, devido não só à sua grandiosidade, mas principalmente devido à constante falta de verbas.
Sé de Lamego. Prova actual em papel salgado, a partir de um 
calótipo de Frederick William Flower. 1849 -1859
Sé de Lamego. Vemos o belíssimo gradeamento externo, com colunas em alvenaria de granito, mandado colocar por D. Tomás de Almeida e posteriormente retirado
Sé de Lamego. Gradeamento mandado colocar por D. Tomás de Almeida
Já nos anos 60, a Torre que esteve habitada até 1964, foi finalmente desocupada por intervenção do Cabido, beneficiando de obras só em 1968. 
Sé de Lamego - Obras de restauro. Imagens: IHRU / SIPA
A fachada norte da torre apresentava a abertura de dois vãos, sendo um ao nível térreo e outro ao nível do primeiro piso, realizados em época posterior à medieval. 
Os vãos seriam entaipados, sendo aberto no nível do primeiro piso, um novo vão para iluminação solar, com semelhança ao existente na fachada ocidental da torre.
Houve preocupação em mimetizar o estilo românico. De facto a torre seria a única parcela de todo o complexo a sofrer um restauro assente em critérios de reposição estilística.
Torre sineira da Sé de Lamego - Obras de abertura da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968
Torre sineira da Sé de Lamego - Pormenor da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968

Igreja Matriz de São Mamede de Infesta.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A actual igreja de São Mamede de Infesta foi iniciada em 27 de Agosto de 1864, tendo sido concluída em 7 de Setembro de 1866.  Trata-se de uma Igreja neoclássica de planta longitudinal e nave única com torre quadrada ao centro da fachada principal. A fachada actual é revestida a azulejos brancos, com decorações e registos azuis também em azulejo. A igreja actual, existe graças a um grande benemérito, natural desta freguesia, Rodrigo Pereira Felício, Conde de S. Mamede, que doou 12 contos de reis (uma fortuna naquela época) para a sua construção.
A actual Igreja Matriz foi projectada pelo arquitecto portuense Pedro de Oliveira, inspirado na Igreja da Trindade, totalmente contra a vontade daquele a subsidiou, que desejava uma igreja com duas torres à imagem da igreja do Senhor de Matosinhos.
Actual igreja de São Mamede de Infesta, ainda rodeada por campos 
Cliché de autor desconhecido
HISTORIAL DA IGREJA MATRIZ DE SÃO MAMEDE DE INFESTA
(extraído do trabalho monográfico sobre de S. Mamede de Infesta e publicado pela Junta de Freguesia)

Segundo se sabe, a mais antiga, seria uma capela em Moalde, conforme texto de doação de D. Unisco Mendes ao Mosteiro da Vacariça – ” da mesma sorte vos damos em Manualde, duas partes da igreja de S. Mamede “- Livro Preto da Sé de Coimbra.
A continuidade desta igreja é-nos dada por várias citações ao longo dos anos: – Venda, em 1 1 3 1, por D. Chamoa Pais e seu marido, ao Bispo do Porto, parte da igreja de S. Mamede.
– Ordenações Afonsinas ( 1258 ) – Igreja de S. Mamede.
– Em 1320, esta igreja figura com o nome de S. Mamede de Thresoires
– Em 1556, a descrição da sua localização no lugar da Igreja.
– Em 1662, na visitação efectuada em 23 de Abril, consta o seguinte: ” que faça de novo a porta principal que cae e reboque a Igreja e fação o Caminho e passadouro da Laranjeira com sua escada de pedra bem comprido
– Na visitação de 1686, foi dito: “os fregueses farão o acrescentamento em termo de dois anos pois me constou que por razão de serem muitos, não cabem na Igreja “.
Em virtude da pequena dimensão desta igreja, foi mandado construir uma nova no Monte de Nª. Sª. da Conceição, pelos Balios de Leça, sendo consagrada em 22 de Janeiro de 1735 e o adro em 15 de Fevereiro de 1737, passando a chamar-se Igreja Nova.
A antiga igreja foi ficando em ruínas, e pensa-se que a Capela de S. Cristovão, na Quinta do Dourado poderá estar associada (pelo menos no mesmo local ) à velha igreja. À Igreja Nova sucedeu a actual igreja Paroquial de S. Mamede de Infesta, construída no mesmo local da anterior.
A igreja de São Mamede de Infesta, vista do Cruzeiro, que se localizava no actual cruzamento da rua Godinho de Faria com a Av. do Conde. BPI
Conforme referimos no início da publicação, existe um episódio peculiar relacionado com a doação e a inauguração desta igreja. Rodrigo Pereira Felício (Conde de São Mamede) aquando da doação dos 12 contos de reis teria dito que queria uma igreja com duas torres, como a do Senhor de Matosinhos. 
No entanto, o arquitecto Pedro de Oliveira construiu a igreja à imagem da Igreja da Trindade, portanto, com uma torre só. Aquando da inauguração, estando tudo preparado, Bispo, povo, autoridades, esperando apenas pelo Conde de S. Mamede, Rodrigo Pereira Felício, que chegava do Brasil. Quando a carruagem do Conde chegou ao cruzeiro (actual cruzamento da rua Godinho de Faria com a Av. do Conde) e viu a sua igreja só com uma torre, deu meia volta e retornou ao Brasil, sem mais palavras.
Vista geral do Largo da Cruz e da Igreja Matriz de São Mamede de Infesta. Cliché in AMP
A 19 de Fevereiro de 1910, o carro eléctrico chegou a S. Mamede, aproximando ainda mais o lugar do Porto, já então uma grande cidade. Cliché in AMP

Sé do Porto - Obras da década de 30, do século XX.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Já aqui falamos várias vezes, em publicações anteriores (cuja consulta recomendamos aos nossos estimados leitores) de grandes obras realizadas na zona envolvente à Sé do Porto, bem como alterações exteriores no próprio edifício, sendo disso exemplo, a demolição do relógio existente entre as torres.
Vamos então abordar mais um pouco, as obras que moldaram este edifício durante o século XX, no intuito de lhe devolver o seu aspecto original.
Em 1927, tal como o relógio, foi demolida a casa do sineiro que se localizava entre as duas torres e é visível nas fotografias de baixo.
Casa do sineiro, demolida em 1927. Sé do Porto - Cliché anterior a 1935
Casa do sineiro, demolida em 1927. Sé do Porto - BPI
A Sé com o seu relógio. Foi igualmente demolido em 1927
Sé do Porto em 1910. A nave central antes do restauro 
Retábulos destruídos na década de 30. Phot.ª Guedes
Cerimónias fúnebres do Bispo D. António em 1918, na Sé do Porto
Os altares e decorações em madeira, só seriam retirados nas obras dos anos 30
Sé do Porto. O interior durante o restauro na década de 30 do séc. XX
Um dos objectivos foi retirar-lhe o estilo Barroco, visível nas imagens de cima
Opinião de Bernardo Xavier Coutinho sobre as obras de restauro (extracto)
Aspecto exterior antigo da Rosácea
Sé do Porto
Imagens:
- AMP
- BPI - Editor - Estrela Vermelha
- Phot.ª Guedes

Capela de S. José e Santa Teresa e os "Armazéns da Capella". (Porto)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Já aqui falamos em publicações anteriores (clique nos links para conferir) do desaparecido Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças e do, posteriormente edificado, Bairro das Carmelitas.
Falemos agora, um pouco mais em pormenor, do templo que integrava o convento, a capela da invocação de S. José e Santa Teresa. 
Quando o Convento foi construído, em 1704, o local chamava-se Campo da Via Sacra ou do Calvário Velho, por ser ali que terminava uma extensa Via Sacra que começava nas imediações da Sé.
O Convento ocupava o local, que serviu para edificar o bairro, o que levou à sua demolição, quando da urbanização desta zona, por volta de 1904.
Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças  - Foto de Antero Seabra, 1857-1864
Rua das Carmelitas, antes da construção do bairro, estando a igreja dos Clérigos na esquerda
Os "Armazéns da Capella", na sua origem começaram por ocupar o espaço do próprio templo (capela) que tinha a fachada voltada para o Campo do Calvário Velho (Praça de Santa Teresa) onde, nos finais do século XIX, começo do século XX, se fazia a antiga Feira do Pão. Na primeira imagem de baixo, vemos a Praça de Santa Teresa com vista parcial do local onde existiu a cerca e a capela do Convento das Carmelitas Descalças, c.1908. Na direita, vemos já os Armazéns da Capella antes de passarem para a esquina de Cândido dos Reis e Carmelitas.
Vista parcial do local, onde existiu o Convento das Carmelitas Descalças, a nascente da Praça de Santa Teresa, actual Guilherme Gomes Fernandes
Armazéns da Capella. Aurélio Paz dos Reis - Visita de João Franco ao Porto
 Fotografia estereoscópica 1907 - APR 6805, AFPCPFMC
Em 1904, quando se tratou de urbanizar todo o quarteirão, a capela foi demolida e os armazéns que a ocupavam transferiram-se, para a esquina das ruas das Carmelitas e de Cândido dos Reis, onde ainda permaneceram até recentemente.
Armazéns da Capella c.1910
Armazéns da Capella em 1916. Ilustração Portuguesa, 31 de Julho de 1916

Capela de Santo André. (Porto)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Na cidade do Porto, existiu um largo, uma travessa e uma rua denominadas por Santo André. 
A actual rua de Santo André é pequena e situa-se entre St.º Ildefonso com término na praça dos Poveiros. 
No antigo largo de Santo André, encontrávamos o Campo de São Lázaro e traseiras de prédios da rua 23 de Julho, que fora rua Direita ou rua Direita do Padrão das Almas, que veio a ser posteriormente rua de St.º Ildefonso. Neste local exacto encontrávamos a capela de Santo André e Santo Estêvão, que era uma capela de pequena dimensão e possuía um alpendre ou galilé. 
Capela de Santo André - Desenho de Francisco José de Sousa em 1856
Mapa (pormenor) autoria de Joaquim da Costa Lima Júnior (1806-1864) - "Planta Topographica da Cidade do Porto", 1839
A letra "A" assinala a demolida capela de Santo André e Santo Estêvão, localizada na actual praça dos Poveiros
Antes da existência da capela, havia um nicho que tinha dono. Pertencia a um tal Estêvão, pedreiro que vivia ali perto. 
Um dia esse indivíduo transformou o nicho em capela colocando nela uma imagem do seu santo protector, Santo Estêvão. A capela passou a chamar-se de Santo André e Santo Estêvão. 
Capela de Santo André
Celebrizou-a um retábulo que havia no interior evocativo das Almas do Purgatório. Diz uma velha tradição que em determinadas noites se abria a porta da capela para as almas saírem em procissão. 
Mas que as almas voltavam sempre antes do raiar da aurora. Esta capela seria demolida em 1863.