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Escadaria exterior da Igreja dos Congregados. (Porto)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Igreja dos Congregados, num cliché obtido a partir do demolido Mosteiro de São Bento de Avé-Maria
O convento dos frades de S. Filipe de Nery, com janelas voltadas para a antiga Praça de D. Pedro (actual Praça da Liberdade), desapareceu quase por completo. Dele apenas sobrou o templo da invocação de Santo António e ainda hoje conhecido por Igreja dos Congregados, com a fachada voltada para a Praça de Almeida Garrett onde em tempos passados se localizou a velha Porta de Carros (entrada no Burgo) da conhecida Muralha Fernandina.
Praça de D. Pedro, vista da entrada da rua dos Clérigos
Atrás da estátua equestre do Rei, vemos o palacete que albergou os Paços do Concelho
Na direita da imagem, a igreja dos Congregados
Sobre a escadaria exterior da igreja, "misteriosamente desaparecida" e já muitas vezes questionada pelos nossos leitores, falaremos então agora um pouco. 
Começando pelo fim, tenhamos desde já a consciência que esta escadaria não desapareceu... pelo menos por completo. Tiraram-na da parte de fora da fachada da igreja e reconstruíram-na, embora em escala menor, na parte de dentro da porta principal. A razão principal é simples: - Uma questão de topografia.
O pavimento da praça variou de nível ao longo dos anos, o que forçou o desaparecimento das primitivas escadas que davam acesso à porta principal da igreja.
Cliché da actual praça Almeida Garrett, obtido do término da extinta praça de D. Pedro
Na esquerda vemos a igreja dos Congregados, com a sua antiga escadaria exterior. Ao centro da imagem, vemos a rua de Santo António (31 de Janeiro) à direita da qual visualizamos, a actual rua da Madeira
Segundo uma planta, desenhada por D. José Champalimaud de Nussane em 1790, verifica-se com facilidade que as primitivas escadas eram constituídas por degraus paralelos à fachada como também o demonstra o artista J. C. Vila Nova num dos seus belos desenhos da colecção que publicou em 1834. Olhando atentamente o desenho de Vila Nova verifica-se que eram 7 ou 8 os degraus em frente à porta principal do templo. Chega-se à mesma conclusão olhando para um belo desenho de autor anónimo que existe (pelo menos estava lá há anos) no Museu Nacional de Soares dos Reis e que nos mostra um aspecto do "Largo da Feira de S. Bento e Porta de Carros nos finais do século XVIII".
Praça Almeida Garrett vista da Rua de Santo António
Na direita da imagem vemos o início da Rua do Bonjardim e a Igreja dos Congregados
 Palácio das Cardosas, vendo-se a rua dos Clérigos
Carruagem dos bombeiros, descendo da Praça de Almeida Garrett, durante as cheias de 1909
Na Planta de 1839 aparecem umas escadas diferentes daquelas a que nos temos referido. Ocupam um espaço mais reduzido do que as primitivas mas ficavam sobre o passeio estorvando, dessa maneira, o trânsito que por essa época era já considerável. A diferença mais acentuada em relação ás anteriores era a de que, enquanto as escadas primitivas apareciam na situação de paralelas a fachada, na Planta de 1839 eram perpendiculares. Mantiveram-se perpendiculares até 1913, ano em que foram definitivamente retiradas e substituídas por outras, as actuais, metidas dentro do corpo da própria igreja, conforme projecto aprovado em sessão da Câmara de 8 de maio daquele ano.
Igreja dos Congregados, sem a escadaria exterior. Cliché de Domingos Alvão

Fontes parciais:
- CMP
- Jornal de Notícias
- AMP
- Alvão

Passo do Passeio Alegre. (Passos da freguesia de São João da Foz do Douro)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Passo do Passeio Alegre. Frederick William Flower (1849-1859)
Segundo o Arquivo Paroquial de S. João da Foz do Douro, em meados do séc. XVIII, tornou-se imperativo a fixação dos passos, que eram armados para a procissão que os percorria no quarto Domingo da Quaresma. Isso tornava necessário a construção da algumas capelas, que simbolizassem alguns dos passos de Cristo. Contudo, devido à falta de fundos, só em 15 de Outubro de 1764, foi celebrado o contrato, com o mestre pedreiro Manuel dos Santos Porto, dando-se logo início as obras de construção. Em 1767 as capelas estariam já abertas aos fieis.
Na imagem de cima vemos o Passo do Passeio Alegre, que ainda existe actualmente, tendo no entanto sofrido algumas pequenas modificações. Originalmente possuía um coberto ou telheiro e uma sólida porta em madeira, que entretanto seriam retirados.
Foram cinco as estações da Via Sacra que foram construídas a instâncias da Confraria do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade. O Passo do Passeio Alegre fica na Rua do Passeio Alegre, ao fundo da rampa de acesso à Igreja de São João da Foz. O Passo de Santa Anastácia situa-se na Rua Padre Luís Cabral. Existe outro Passo na Rua Bela e na Rua do Alto da Vila.

Imagem:
- Frederick William Flower

Capela de São Francisco de Paula / Capela de S. Francisco Xavier. (Porto)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Capela de São Francisco de Paula, na Quinta do Gouveia
Localizada na rua de Serralves, em Lordelo do Ouro, é também conhecida por "Capela da Quinta dos Frades" e por "Capela da Quinta do Gouveia" (devido ao nome de família do proprietário). 
A capela fazia parte do antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos".
Tendo estado referenciada pelo IGESPAR foi o seu processo encerrado não tendo actualmente qualquer protecção legal. Construída em finais do séc. XVIII, encontra-se actualmente em total estado de ruína.
Fachada principal
Imagens:
- Alexandre Silva

Capela do Senhor D´Além. (Vila Nova de Gaia)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Capela do Senhor D´Além
Completamente abandonada, desprezada e pilhada, a Capela do Senhor D´Além, construída em 1877, está situada na rua de Cabo Simão junto ao sopé da Escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia. 
Esta capela é a sucessora do Hospício Carmelita do século XVI. Mereceram em tempos destaque a talha dourada de grande ornamentação no altar e a "Milagrosa Imagem". 
Num local fortemente turístico, é actualmente um exemplo vergonhoso da forma como que se trata o património em Portugal.
Capela do Senhor D´Além
Tivemos a oportunidade de voltar a visitar, a Capela do Senhor D´Além, após várias décadas. O cenário é Dantesco!!! A ruína externa e interna é total. O telhado colapsou parcialmente. Dois dos sinos foram roubados e os outros dois mandados retirar pela Junta de Freguesia, para evitar terem o mesmo destino. 
O local está em tal avançado estado de degradação, que ronda o iminente colapso. Com a ajuda de um simples telemóvel, tentamos registar em imagem esta triste realidade que transmitimos aos nossos leitores.
 O que resta do altar
O que resta do interior da capela, que ameaça ruir, é louvavelmente mantido, protegido e utilizado por dois senhores sem-abrigo, que, para vergonha dos responsáveis por este património, se prestam a mostrar o local a todos aqueles que ainda o desejam visitar. A capela é propriedade do Episcopado do Porto.
Vale do Douro, vendo-se a capela do Senhor D´Além, numa época áurea
Capela do Senhor D´Além, numa época áurea, vista de outro ângulo
"Quando o bispo do porto, D. Pedro Rabaldio, mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que, presentemente, vemos o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas de invocação a São Nicolau foi achada uma imagem do Senhor Crucificado.
O mesmo bispo, então, mandou construir uma ermida, para a recolha da mesma imagem, no sítio em que, actualmente, está a capela do Senhor de Alem.
E, mais tarde, quando os monges de Grijó conseguiram mandar construir o actual convento da serra do Pilar, o bispo D. Baltazar Limpo ordenou que as imagens de São Nicolau, de São Bartolomeu e do Senhor Crucificado, que estavam na igreja do extinto convento das Donas Pregaretas de S. Nicolau, fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, processionalmente, em barcos pelo rio Douro.
A primitiva imagem do Senhor Crucificado existente na capela foi, certa vez, levada à cidade do Porto, por motivo de fazer-se preces ad preltendam pluviam – rezar a queda de chuvas – sendo conduzida em fervorosa procissão pelas ruas da mesma cidade.
E como sucedesse chover, os cónegos da Sé do Porto recolheram a imagem e não mais a deixaram vir para a sua capela, facto que redundou em grande arrelia para os Gaienses.
Por fim, em virtude do prelado mandar erigir um altar para a imagem do Senhor de Além, no claustro da Sé, os devotos de Gaia mandaram fazer outra nova imagem e a colocaram, com todo o luzimento, no mesmo lugar em que era venerada a primitiva.
A nova imagem, em outras ocasiões, chegou a ser conduzida, em barcos, até à foz do Douro, por motivo de preces; mas os Gaienses nunca mais permitiram que ela fosse à vizinha cidade.
Anos depois, junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas, calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.
Tem benfeitores muito fervorosos.
A festa em honra do Senhor de Além realiza-se, sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto."

In Resenha histórica de CALE Vila de Portugal e Castelo de Gaia.
Pormenores da talha
 Vista do que ainda resta do altar
Nave interior
Turistas, que se juntaram a nós na visita ao local, graças à hospitalidade dos dois sem abrigo, que zelam pelo mesmo
Observação: Poucos meses após esta nossa publicação, tentamos regressar à capela, munidos com uma máquina fotográfica, capaz de registar com mais qualidade o interior deste antigo local de culto. Foi uma tentativa vã. 
Como quase uma resposta, a esta nossa publicação, verificamos que as entradas haviam sido emparedadas, vedando qualquer tentativa de acesso. Ao abandono total, passou a juntar-se os horríveis grafites que aumentam a decrepitude deste local. 

Uma vista do interior, obtida em Julho de 2019, por um interstício da porta (actualmente emparedada com blocos de cimento) da Capela do Senhor D'Além.



Imagens:
- Alexandre Silva
- AMP
Bibliografia:
- Junta de Freguesia de Santa Marinha
- BMP

Igreja da Encarnação. (Lisboa)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Clique na imagem para a ampliar
Igreja da Encarnação em 1939
A Igreja da Encarnação, assim chamada por ser dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, datava do início do séc. XVIII e situava-se na entrada de Lisboa, mais precisamente na convergência entre a Estrada de Sacavém e a Estrada da Circunvalação. Em 1939 esta formidável igreja, que chegou a ser descrita nas Memórias Paroquiais de Lisboa, em 1758, estava já em ruínas. Foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, em Janeiro de 1940, que a mandaria demolir no início dessa mesma década.

Fonte:
Inácio, Carlos; Barreiro, Fernando "O bairro da Encarnação e as antigas quintas dos Olivais". Lisboa: Edição de autor, 2012.
Imagem:
- AML

Capela de Santa Ana.(Lordelo, Vila Real)

sábado, 28 de setembro de 2013

Capela de Santa Ana (1892-2013)
O caso que aqui vamos expor, devemo-lo graças as informações cedidas por um estimado leitor, cujo nome , por ética omitimos e refere uma situação que a ser uma realidade, é deveras lamentável!!!
Em Vila Real, mais exactamente na Freguesia de Lordelo, foi este ano (2013) demolida uma capela (visível na imagem em cima) datada de 1812, isto para permitir o alargamento de 1 metro da via pública.
O mais estranho é que a dita capela cujo valor histórico é inquestionável e que poderia ter sido com facilidade desmontada e reconstruida noutro local próximo, foi substituída por outra de construção contemporânea. (ler notícia abaixo)
Notícia sobre a destruição da capela de Santa Ana
A nova capela (imagem de baixo). Embora não a conheçamos, notamos logo na esquerda da imagem, o cruzeiro datado de 1812 e que pertencia à sua antecessora.
Segundo relatam os moradores locais, as pedras centenárias da antiga capela, estão amontoadas num terreno que pertence ao Presidente da Junta.
De momento não podemos acrescentar mais que a informação recebida e do que é relatado no jornal, mas face à situação geral, podemos alegar apenas que "existe aqui alguma coisa que não está lá muito correcta".

Imagens:
- Jornal "Voz de Trás os Montes"
- A. Pimentel 

Igreja de Santa Maria de Abade de Neiva. (Barcelos)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Ainda existe, sendo um dos bons exemplos de recuperação, razão essa que nos leva a referi-la nesta publicação.
Teria originalmente sido mandada construir em 1152 por iniciativa da rainha D. Mafalda de Saboia, esposa de D. Afonso Henriques, que entretanto não chegou a ver concluída devido ao seu falecimento. 
Em 1220 a igreja já pertencia ao padroado real.
Em 1301 foi doada por Dinis de Portugal a Mestre Martinho, físico do rei e cónego da Sé de Braga. Em 1310 o Arcebispo D. Martinho de Oliveira, a pedido de Mestre Martinho, institui nesta igreja uma Colegiada, composta de Reitor e três Capelães.
A igreja antes das obras de recuperação
Provavelmente datarão do século XIV os começos da edificação da actual igreja, o que poderia relacionar-se com a doação do padroado e a instituição da Colegiada. Foi doada em 1410 a D. Afonso, futuro duque de Bragança, em cuja casa se manteve até 1833A torre possivelmente foi erguida no século XV.
Em 1732 foi mandada consertar a galilé então existente sobre a fachada principal, e dois anos depois foram mandados abrir dois campanários na torre e erguer um coro, bem como pintar o tecto e rebocar as paredes da capela-mor e da nave. Em 1758 as paredes do adro foram reformadas.
Por volta de 1831 todo o edifício estava em ruínas. Em 1904 ocorreram obras de reconstrução na parede da frente, que ameaçava cair, e de remoção do soalho do corpo da igreja, tendo sido classificado como Monumento Nacional em 1927.

Fontes: 
- IGESPAR
- Site de Abade de Neiva
Imagens:
- Marques Abreu
- Panoramio

Capela de Santo António do Penedo. (Porto)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Capela de Santo António do Penedo, demolida em 1886, devido à abertura da Rua Saraiva de Carvalho, permitindo assim, a ligação ao tabuleiro superior da Ponte Luís I . Calótipo de Frederick William Flower - 1845
 Imagem da capela tendo por base um calótipo com autoria atribuída a Frederick William Flower
Vista geral da extinta Capela de Santo António do Penedo*. A Capela de Santo António do Penedo erguia-se no Campo de Sta Clara, tendo sido demolida em 1886/87. Ignora-se a data exacta da sua construção, levantando-se a hipótese do 1º. quartel do século XVII. Em 1671/72, recebeu um coro e uma galilé executados pelo mestre pedreiro Manuel do Couto, segundo a traça do Pe Pantaleão da Rocha de Magalhães, mestre-capela da Sé do Porto e arquitecto amador que investigações recentes ligam a algumas das obras mais importantes realizadas no Porto na segunda metade do século XVII.
Clique na imagem para a ampliar
* Nota: As imagens mostram uma capela que existiu junto do edifício onde funcionou o dispensário Rainha D. Amélia, encostada ao Torreão da muralha Fernandina e embora esteja identificada em vários órgãos oficiais, como sendo a Capela de Santo António do Penedo, temos fortes dúvidas disso, devido ao facto da sua localização exacta, não ser a indicada pelos antigos documentos e por possuir um arquitectura diferente. 
A nosso ver, esta capela, que integrava o próprio dispensário, terá sido construída a par do mesmo, já após a demolição da verdadeira Capela de Santo António do Penedo. Lamentavelmente, esta capela também foi demolida, o que pode ajudar a criar alguma confusão.
"Despensário da Rainha D. Amélia" Cerca de 1910. BPI
Do lado esquerdo, a capela do edifício, confundida por
 muitos com a genuína capela de Santo António do Penedo

História de uma Capela, segundo Germano Silva;
No ano de 1680, a Câmara Municipal do Porto, aceitando um pedido do rei D. Pedro II, disponibilizou-se para facilitar à Congregação do Oratório de S. Filipe de Nery tudo o que estivesse ao seu alcance para que os padres congregados pudessem instalar-se na cidade e aqui "estabelecer a sua Casa".
No rol das facilidades incluiu-se a cedência, à referida congregação, da velhinha capela da Porta de Carros, da invocação de Santo António, que fora construída em 1660 com esmolas dos portuenses, mas cuja administração estava a cargo da Municipalidade que, por essa razão, era quem organizava e pagava, claro, a grande festa que todos os anos se realizava no dia do patrono.
No documento que foi lavrado, aquando da cedência do templo, constam duas alíneas curiosas: primeira, que a ermida era doada à referida congregação na condição de que esta manteria Santo António como padroeiro do templo e que a sua imagem continuaria a figurar em lugar de relevo na fachada ou no altar-mor ; segundo que, além da capela, a Câmara também doava aos padres de S. Filipe de Nery "o sitio e campos ao redor della..."
 Que sítio e campos eram esses, o documento não o esclarece. Mas também não é difícil imaginar de que campos se tratava. Como vamos ver.
 A capela em questão começou a ser construída no ano acima referido, por iniciativa dos desembargadores do Tribunal da Relação que tinham Santo António como padroeiro. A sua confraria, no século XVII, estava instalada num pequeno templo que existia nos antigos Carvalhos do Monte, actual Largo do 1.º de Dezembro, chamada Capela de Santo António do Penedo por ter sido construída sobre uma rocha.
Tornou-se, entretanto, exígua e os desembargadores, querendo ter templo próprio onde instalar a irmandade, escolheram um terreno perto do medieval Campo das Hortas, mesmo em frente à Porta de Carros que se abria no pano da muralha fernandina, compraram-no e aí começaram a erguer a ermida com a ajuda de esmolas dos fiéis e devotos de Santo António.Poucos meses depois do início das obras, no entanto, e sem que se saiba bem porquê, os magistrados abandonaram o projecto e ofereceram terreno e o que já havia da ermida à Câmara do Porto "para sempre enquanto o Mundo durar?"
A Câmara deu continuidade às obras, acabou a capela e administrou-a até 1680, ano em que, como acima se refere, entregou tudo aos padres da Congregação do Oratório.
 Ora o tal sítio e campos que havia ao redor do templo faziam parte do atrás citado Campo das Hortas que o bispo D. Tomás de Almeida, já no século XVIII, transformou na Praça Nova das Hortas antecessora da actual Praça da Liberdade. Aliás, este bispo, que também exerceu as funções de governador da Relação e de governador das Armas da cidade, foi quem mandou abrir na muralha fernandina o Postigo de Santo Elói, junto ao largo do mesmo nome, hoje Largo dos Lóios, e em frente à velhíssima Rua das Hortas, actual Rua do Almada.
 Além daquelas obras, D. Tomás de Almeida protegeu muito os padres da Congregação de S. Filipe de Nery contribuindo para o embelezamento do interior da sua igreja, a actual igreja dos Congregados, diante da qual mandou fazer um belíssimo átrio que comportava "três arcarias", varandas de ferro e uma larga escadaria "por baixo da qual havia lojas abobadadas que os padres alugavam".
Aquele "ao redor" do templo atrás citado não se refere somente a terrenos que estivessem mesmo à volta da capela.
A Câmara ofereceu outros terrenos onde os padres Congregados começaram a construir " dormitórios, oficinas e claustros?"
Para se poder fazer uma ideia, ainda que aproximada, da extensão desses terrenos, bastará dizer que a cerca do convento se estendia até à antiga Cancela Velha e corria ao longo de uma estreita e tortuosa viela ainda hoje conhecida por Travessa dos Congregados.
Em 1715, o rei D. João V cedeu aos padres da Congregação de S. Filipe de Nery uma espaçosa quinta, junto à actual Praça do Marquês de Pombal, antigo Largo da Aguardente, para servir de brévia, ou seja de espaço de repouso e de lazer. Ficou conhecida por Quinta dos Congregados e ainda hoje está recordada na toponímia através da Rua e Travessa do Monte dos Congregados. Foi em terrenos dessa quinta que se rasgou, nos finais do século XIX, a Rua da Alegria.
Clique nas imagens para as ampliar
O Dispensário Rainha D. Amélia e a (suposta) Capela
Capela do Dispensário da Rainha D. Amélia em 1900

Dispensário da Rainha D. Amélia em 1910

Fontes:
- Germano Silva in, JN
- CMP
Imagens:
- Frederick William Flower
- Phot.ª Guedes
- Edições Arnaldo Soares
- Arquivo Municipal do Porto

Largo e Capela de Fradelos. (Porto)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Capela de Nossa Senhora da Boa Hora de Fradelos, na freguesia de Santo Ildefonso, como todos os Portuenses saberão, não desapareceu. No entanto o mesmo não se poderá dizer da sua zona envolvente, que sofreu gigantescas alterações no decorrer dos anos. Nos nossos dias o terreno é delimitado pelas ruas de Sá da Bandeira, Carvalheiras e Guedes de Azevedo. Para quem não souber, informamos que nesta zona passava o rio Fradelos que desaguava no Rio de Vila. Neste terreno, existia também uma fonte pública denominada Fonte de Fradelos, cujo frontispício ostentava uma imagem de Nossa Senhora da Boa Hora. 
Capela de Fradelos em finais de 1800, vendo-se o Monte das Musas 
Na imagem de baixo, um BPI das edições Alberto Ferreira, vemos a capela inserida numa zona ainda praticamente rural, que contrasta com a actualidade (visível na última imagem) e que todos conhecemos. Notemos as alterações efectuadas na capela, com o deslocamento da torre sineira para o corpo principal.
Clique nas imagens para as ampliar
Capela de Fradelos, estando já aberta a rua Guedes de Azevedo 
A ausência de azulejos, tornam este este cliché anterior a 1929 

Sobre esta capela passamos a citar: 
No largo de Fradelos, em frente da fonte e lavadouros públicos de Fradelos, próximo da Rua de Santa Catarina. É um bonito templo e faz-se à sua padroeira uma boa festividade no dia próprio.
Tem uma irmandade, cujo rendimento anda por 280 reis anuais. Foi construída (ou reedificada) no princípio do Século XVIII.
Segundo a tradição, foi em tempos antigos, hospício de monges bentos, que para aqui mandavam os seus doentes, por ser Sítio saudável, então nos arrabaldes da cidade. Diz-se que desta circunstância lhe vem o nome de Fradellos (o que é o mesmo que Fradinhos).

(Do livro "Portugal Antigo e Moderno" de Pinho Leal)


Capela de Fradelos c.1905
Capela de Fradelos, actualmente in blogue Portojo
Imagens:
- AMP
- Autor desconhecido

Capela ou "antiga Igreja" do Senhor do Bonfim. (Porto)

sábado, 29 de dezembro de 2012

A capela ou antiga igreja do Senhor do Bonfim, com o aspecto que possuía por volta de 1862.
Clique nas imagens para as ampliar
No local actualmente ocupado pela igreja paroquial do Bonfimdedicada ao Senhor do Bonfim e da Boa - Morte, existia já uma capela desde 1786
A igreja que actualmente conhecemos foi construída por causa da inaptidão da sua antecessora, numa freguesia onde a população aumentava, tornando-se necessário construir uma igreja de maiores dimensões que respondesse ao número crescente de crentes.
 Capela do Senhor do Bonfim, vista do cemitério - Frederick William Flower
O mesmo cliché, obtido a partir do cemitério
Capela do Senhor do Bonfim c.1870 - Demolida

Pelo que apuramos a  capela que vemos nestas imagens seria já uma segunda capela, maior que a primitiva. A escadaria actual em granito teria sido construída entre 1805 e 1813, quando já existia esta mesma segunda capela. 
Gravura publicada no "Archivo Pittoresco" no ano de 1862
A capela ou "antiga igreja" visível nas imagens de cima, foi demolida e substituída pelo templo actual, começado a construir em 1874 e concluído em 1902.
A igreja «nova» do Bonfim (em baixo) numa imagem de 1910. 
As aparentes semelhanças com a sua antecessora, são ilusórias
Igreja do Bonfim, BPI


Imagens: 
- Casa Alvão
- Frederick William Flower
- Archivo Pittoresco
- Edições Alberto Ferreira
- AMP

Igreja de S. Tiago em Alenquer.

sábado, 25 de agosto de 2012

Na imagem de cima: A Torre nos inícios dos anos 80

Segundo Guilherme J. C. Henriques, em "A Vila de Alenquer" (fac-simile da edição de 1902), na pág. 108, pode-se: " nas costas, por assim dizer da Vila de Alenquer, a meia altura do monte, ergue-se presentemente uma torre esguia e solitária, único vestígio que resta de uma igreja (a de S. Tiago) que foi fundada pelo primeiro rei de Portugal, em comemoração de um milagre que teve lugar ao pé do postigo nas muralhas, em frente do sítio dela". Mas, mais adiante, o mesmo autor escreve: "a Igreja, da qual a torre ainda existe, foi edificada por D. Afonso VI, no sítio da primitiva, à custa da fazenda real; a sagração teve lugar a 11 de Setembro de 1663". Portanto, depreende-se que a fundação da Igreja foi obra de D. Afonso Henriques, talvez a seguir ao ano de 1148, ano em que tomou Alenquer aos Mouros, e passados 500 anos foi reedificada por D. Afonso VI. Porém, começou o seu destino de ruína sem vigilância desde a época em que foram extintas as Ordens Religiosas, isto por volta de 1834. A torre sineira, o seu último vestígio existente ainda nos anos 80 do século XX caiu... encontra-se no local transformada num monte de pedras...

"Situada na encosta norte da colina de Alenquer, esta velha torre solitária, quase destruída e encoberta pelo arvoredo envolvente, é o que hoje resta de uma antiga Igreja, sede de freguesia.
O prior de Santiago, em 1758, diz que "foi quase reedificada toda à custa da Fazenda Real por mercê do Rei D. Afonso VI de 11 de Setembro de 1663”
O Dicionário Geográfico (1747) acrescenta que a Igreja tem “um só altar; no retábulo que é obra moderna está colocada a imagem de Santiago, padroeiro da Igreja, de uma parte, e outra, S. Bento e S. Bernardo. Esta Igreja não tem sacrário por estar em lugar solitário, nem irmandade”
O mesmo documento de 1758 refere que Alenquer foi conquistada por D. Afonso Henriques e que “segundo uma memória antiga a entrou (…) pela porta que hoje se chama postigo de Santiago; e por entender a piedade do Rei conquistador que o Santo Apóstolo o socorrera naquela acção lhe mandava edificar junto da mesma porta, e da parte de fora da muralha uma Igreja que é a Paroquial e Matriz”
A este respeito escreveu Guilherme Henriques (1873): “Há poucos annos acabou-se de a desmoronar para aproveitar o material numa ponte que liga à estrada da Merceana”
Em Novembro de 1895, no Almanach Provinciano, publicado em Alenquer por Jayme Ferreira, escrevia Luiz Carlos Pereira d’Azambuja: “A torre de S. Thiago é um venerável Padrão Histórico, que presentemente está votado ao mais completo desprezo, e cujos restos, que alguma coisa representam, teem direito a serem resguardados do furioso vandalismo d’um povo, que vive mais das tradições...


Fontes Bibliográficas e de imagem:  
O Concelho de Alenquer, Subsídios para um roteiro de arte e Etnografia, 3ª edição; António de Oliveira Melo, António Rodrigues Guapo, Padre José Eduardo Martins, 3ª edição.
-  AL AIN KEIR, José Henrique Tomé Leitão Lourenço.
-  A Vila de Alenquer  - fac-simile da edição de 1902, de Guilherme João Carlos Henriques.
-   Lendas e Narrativas, de Alexandre Herculano.

Antiga Igreja de Cabril. (Pampilhosa da Serra)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Clique nas imagens para as ampliar
Em cima: A torre da antiga Igreja
Cabril é uma freguesia portuguesa do concelho de Pampilhosa da Serra, com 34,47 km² de área e 309 habitantes (2001). 
A primitiva igreja de Cabril, era um templo de arquitectura simples, mas bem localizado e de dimensões adequadas ao número de habitantes da freguesia. Os altares, primitivamente 3 e depois 5, eram quase todos de talha dourada. A porta principal do templo dava para noroeste e no exterior da frontaria existiam 3 nichos com imagens de S. Domingos no alto, Nossa Senhora do Rosário do lado esquerdo e uma Nossa Senhora com o menino Jesus do lado direito. Essas imagens ainda hoje existem na cave da actual igreja, mereciam condigna exposição no museu da freguesia contíguo ao Centro Social. As horas eram dadas ao povo através da sineta do relógio de pesos colocado no telhado, no centro sul junto à frontaria, espalhando o som aos quatro ventos, cuja direcção o galo da torre ali ao lado, diligentemente indicava. A forte e vetusta torre sineira manteve-se intacta após a derrocada da igreja nos anos 50 e foi sensatamente integrada no edifício do Centro Social, constituindo, deste modo, uma valiosa referência histórica e significativo símbolo de religiosidade local.
O interior da antiga igreja que colapsou na década de 50

Fonte: ligamfcabril.dyndns.org