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Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões (S. Pedro do Sul)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

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O Convento de São Cristóvão de Lafões ou Real Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, fica situado num morro sobre a ribeira da Landeira, perto da Gralheira, no concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, Portugal.
A fundação deste convento (calcula-se que em 1123) pelos frades da regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que aderiram logo em seguida à Ordem de São Bernardo ou Beneditinos. A fundação do mosteiro é anterior à fundação de Portugal, embora tenha sido totalmente reconstruído no século XVIII.

Foi o abade João Cirita que, juntando os eremitas que pelas encostas do Vouga viviam isolados, e com o apoio de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, obteve licença para a sua construção.

Alguns historiadores, são da opinião de que, o verdadeiro fundador do mosteiro foi João Peculiar e não João Cirita, mas que, em virtude de João Peculiar ter sido chamado a desempenhar outras funções importantes, ficou o mosteiro, logo no início, sob as ordens de João Cirita, e daí o seu nome estar associado à sua fundação.

Em 1163 o convento adere à ordem dos monjes cistercienses, como aconteceu a quase todos os mosteiros beneditinos.

A sua igreja, depois de ter sofrido dois incêndios, foi reconstruída pela terceira vez em 1704, apresentando um plano octogonal. A igreja foi sagrada em 1761.

Os arquivos deste mosteiro perderam-se no incêndio do seminário de Viseu.

O convento foi lamentavelmente extinto por um decreto publicado pelo regime liberal, em 30 de Maio de 1834, juntamente com todas as ordens religiosas existentes em Portugal.

Vendido em hasta pública, passou por várias mãos e degradou-se progressivamente, até à sua compra em 1982 pelos actuais proprietários.

Actualmente este convento foi transformado em turismo de habitação, tendo para o efeito sido completamente recuperado, mas perdendo um pouco do seu aspecto secular. Encontra-se em vias de classificação pelo IPPAR.

Convento de Nossa Senhora do Paraíso. (Évora)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

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O Mosteiro de Nossa Senhora do Paraíso de Évora era feminino, e pertencia à Ordem dos Pregadores (Dominicanos).
Em 1496, este mosteiro da regular observância, já existia como casa dominicana. As suas origens remontam ao início do século XV, época em que se formou em Évora um recolhimento sob a regência de D. Beatriz Galvoa. Após a sua morte, em 1471, a ligação da comunidade à Ordem dos Pregadores veio a concretizar-se quando, por influência das beatas de Santa Marta, as religiosas obtiveram do papa Alexandre VI autorização para professarem na Ordem Terceira dos Dominicanos.

Em 1516, a 20 de Agosto, pela bula "Inter curas multiplices" e a pedido do rei D. Manuel, Leão X autorizou a conversão da comunidade de terceiras de Santa Maria do Paraíso de Évora em convento de dominicanas sujeitas à regra de Santo Agostinho. D. Álvaro da Costa, membro do conselho do rei, devoto da Ordem de São Domingos e grande impulsionador da passagem das terceiras do Paraíso de Évora à Regra de Santo Agostinho, foi nomeado padroeiro do convento, em 1519, por decisão capitular.

De entre as professas de Nossa Senhora do Paraíso saíram as três primeiras religiosas do Mosteiro de Santa Catarina de Sena que, entretanto, demorara mais tempo a aderir à primeira Ordem de São Domingos.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
Em 1897, a 18 de Novembro, o mosteiro foi extinto por morte da última religiosa.

Convento do Bom Jesus e Fortaleza. (Peniche)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Convento do Bom Jesus, segundo dados enviados pelo nosso leitor, o sr. José Carlos Almeida Romão. Celebrou-se a primeira missa a 28 de Outubro de 1573 e foi extinto em 1834, tendo desde essa altura servido de leprosaria, paiol, cemitério, fábrica de guano e armazém. Passaram 98 anos entre as duas fotografias onde sobressai a antiga igreja do mosteiro. É importante que os penichenses tenham noção de que de portão verde a portão verde existe na marginal norte um edifício que vale a pena preservar.


***

Há oitenta anos era assim que se apresentava a Fortaleza, pouco diferindo desde a sua conclusão em 1645, podendo-se observar na primeira fotografia uma parada militar em frente da Capela de Santa Bárbara, atentamente seguida por uns poucos patos. Em 1930 começou nos antigos quartéis a funcionar uma prisão política com condições de segurança tais que vários detidos conseguiram escavar túneis até à muralha de pedra que rodeia a Fortaleza. Tais condições precárias de aprisionamento foram solucionadas em 1956, através de uma enorme remodelação que fez o recinto adquirir a forma que ainda hoje toma.

A Torre Sineira do Mosteiro de Santa Cruz. (Cidade de Coimbra)

sábado, 17 de abril de 2010

Nos clichés que se seguem, podemos visualizar o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, com o Claustro do Jardim da Manga e a majestosa Torre de Santa Cruz, no seu local de origem.
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Pormenor da demolida Torre Sineira
Derrube deliberado da Torre Sineira, em 3 de Janeiro de 1935
Imagens Históricas e lamentáveis... O derrube da Torre Sineira
Esta torre entrou em ruínas, tendo sido derrubada, em 3 de Janeiro de 1935 (ruiu exactamente às 15:24), com a colaboração dos bombeiros que, para isso, injectaram água nos seus alicerces. 
A Gazeta de Coimbra fazia a seguinte descrição do acontecimento: "Queda imponente, majestosa, gradiosisíma dum belo-horrível deslumbrante".
Segundo se sabe, a torre foi demolida pois ameaçava ruir sobre a rua que era já nessa altura, uma das mais movimentadas da cidade de Coimbra.
Fachada de Santa Cruz em Coimbra. J. Laurent, 1869
Fachada de Santa Cruz em Coimbra. BPI, autor desconhecido
Paços Municipais (Praça 8 de Maio) por volta de 1905. BPI - Papelaria Borges

O Convento dos Remédios. (Cidade de Braga)

sexta-feira, 19 de março de 2010

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O Convento dos Remédios, ocupava todo quarteirão oriental do Largo Carlos Amarante, onde se localiza hoje o cinema São Geraldo e o horrível Shopping Santa Cruz. 
Fundado no ano de 1544 por D. Frei André de Torquemada, religioso franciscano coadjutor do Arcebispo D. Manuel de Sousa, foi o primeiro convento a surgir em Braga. Convento feminino da ordem de S. Francisco, ocupava toda a zona Nascente do Largo Carlos Amarante (que durante longo tempo foi logicamente chamado de Campo dos Remédios), desde a Rua de S. Marcos até ao fundo da Rua de S. Lázaro. Do edifício primitivo nada chegou à data da demolição. Do complexo conventual demolido em 1911 é de destacar o monumental edifício setecentista que fazia gaveto com a Rua de S. Marcos.
A igreja, que se observava no início do século passado, foi a terceira que o convento teve. A primeira não durou mais de 70 anos, tendo surgido um novo projecto em 1609, que em 1724 deu lugar àquele que foi demolido. Este último templo foi uma obra do arquitecto vimaranense António Pinto de Sousa, mandado edificar pela Abadessa D.ª Francisca de Serafins, onde se podiam admirar belos exemplares de azulejos setecentistas alusivos à vida de S. Francisco, para além de um fabuloso retábulo barroco que hoje pode ser visto na capela de Santa Marta da Falperra. A igreja tinha uma curiosa fachada com seis estátuas organizadas em três níveis, entre colunas torsas.
Todos os elementos da fachada estão hoje espalhados pelo recinto do Parque da Ponte. As imagens estão colocadas junto ao cruzeiro de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, sendo que a imagem de S. João Baptista se encontra na parede traseira da capela de S. João da Ponte assente num dos conjuntos da fachada; as colunas estão no paredão que adorna o adro da capela; alguns dos azulejos do interior da igreja forram hoje as paredes da referida capela; as armas da ordem de S. Francisco que encimavam a fachada estão num recanto, uns metros à frente do portão Sul do parque; e junto a elas, uma pedra que outrora encimava a porta do templo onde se podem ler as seguintes inscrições: ANNO DOMINI MDCCXXV (ano de 1725), que se referem ao ano da edificação deste templo. Além destes elementos ainda podemos admirar, espalhados pelo recinto do parque, alguns capitéis e outras pedras de cantaria provenientes do extinto convento.
A cerca do convento ocupava uma vasta área, e como se encontrava bastante degradado e, havia já alguns anos abandonado, em 1907 o município solicitou ao governo a cedência de parte da cerca para alargamento da futura Avenida João Franco (actual Avenida da Liberdade). As confrarias sediadas no templo solicitaram também, no mesmo ano, a cedência da igreja e sacristia, mas misteriosamente este requerimento desapareceu dos gabinetes estatais. A 13 de Setembro de 1907 foi concedido ao município mais do que havia pedido, sendo agora detentor não só da cerca mas de todo o convento, incluindo o templo. As confrarias voltam a tentar a cedência do templo e, a 31 de Outubro do mesmo ano, o Governo acedeu ao pedido. Contudo a Câmara de Braga opôs-se a esta deliberação por ter resolvido, entretanto, abrir uma rua transversal pela cerca do convento, desde a Avenida João Franco até ao Largo Carlos Amarante, havendo a necessidade de cortar a igreja ao meio para alinhar a artéria com a fachada da igreja de S. Marcos. Porém o templo e dependências são cedidos às confrarias. A Câmara entra, então, em negociações com as confrarias, mas tal não foi necessário pois o decreto que cedia a igreja às confrarias não foi incluído no despacho ministerial, logo ficaram na posse do município. Muitos movimentos cívicos se levantaram, protestando contra a decisão da Câmara de demolir o templo e convento, mas de nada valeu pois no dia 3 de Abril de 1911 foi rezada a última missa na igreja e poucos dias depois foi demolida.
Para além dos elementos transferidos para o Parque da Ponte, algumas telas a óleo foram transferidas para o Arquivo distrital, sendo as imagens do templo espalhadas por várias igrejas da cidade. Do convento saíram ainda algumas fontes incluindo a fonte de Santa Bárbara que actualmente se encontra no jardim do mesmo nome, e outros objectos que hoje se encontram em local desconhecido na posse de particulares.
Com a demolição desta igreja, Braga ganhou uma nova rua (Rua Gonçalo Sampaio) e um fabuloso teatro (Theatro Circo – 1915), todavia perdeu um monumento que marca, indelevelmente, a sua história.

Mosteiro de Santa Clara. (Cidade do Porto)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Esta importantíssima construção não desapareceu, felizmente, apenas "se adaptou". Construída ao lado do mais visível lanço das Muralhas Fernandinas, a Igreja de Santa Clara ficou concluída em 1457 e é actualmente uma obra de grande valor. No seu interior podemos encontrar um dos melhores exemplares da arte da talha dourada do Barroco Joanino.
Com a supressão de vários mosteiros mais pequenos nas diversas localidades entre o século XV e o século XVI, as freiras foram-se agregando em Santa Clara levando para lá as suas rendas, sendo uma delas uma portagem por todas as mercadorias que passavam pelo Rio Douro.
Imagens de grande dimensão, clique para ampliar
Ruínas do Mosteiro

Mosteiro de Santa Clara. Vista obtida da muralha Fernandina junto aos Guindais
Nos finais do século XIX, com a morte da última freira, o mosteiro foi extinto o que causou alguma degradação do edifício. Posteriormente, património do estado, e feitas as obras necessárias foi adaptado para Centro de Saúde e outras instituições de cariz social e público.

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias. (Montalegre)

sábado, 7 de novembro de 2009

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias é um Mosteiro português localizado nos arredores de Pitões das Júnias freguesia de Pitões das Júnias, concelho de Montalegre e Distrito de Vila Real.
O Mosteiro de Santa Maria das Júnias foi classificado como Monumento Nacional pelo Dec. 37728 de 5 de Janeiro 1950.
Este convento teve origem num antigo eremitério de origem pré-româníca que foi fundado no Século IX e cuja implantação obedeceu a critérios de isolamento, o que explica o seu grandioso fundo paisagístico. Encontra-se num vale estreito, de difícil acesso e longe dos caminhos e de lugares habitados.
Em contraste com outros cenóbios do Norte de Portugal, que no geral são possuidores de produtivos coutos, esta primeira comunidade de monges das Júnias dependia da pastorícia, facto que acentuou bastante o seu carácter humilde e ascético.
Este mosteiro e o templo anexo foram erguidos numa data tão antiga que antecede a fundação da nacionalidade portuguesa, durante a primeira metade do século XII.
«Do Mosteiro só sobrevive a Igreja... O Mosteiro própriamente dito está reduzido a ruínas»
No principio foi ocupado por monges beneditinos, o mosteiro passou, em meados do século XIII, a seguir a Regra de Cister, ficado agregado à Abadia de Osseira, na Galiza. No inicio do século XIV, foi submetido a obras de manutenção e melhoramento em que se destaca a construção do claustro e a ampliação da capela-mor.
Ao longo dos séculos, este mosteiro foi enriquecendo com a obtenção de terras na região do
Barroso e na Galiza. No início da Idade Moderna foram realizadas obras de elevação de algumas dependências do convento e da capela-mor do templo, entretanto destruídas pelo assoreamento provocado pelo ribeiro que corre junto à cabeceira do mesmo.
Na primeira metade do século XVIII, a igreja foi restaurada, a nível do madeiramento e do lajeamento, e redecorada com retábulos em talha dourada. A partir de meados de setecentos, este convento começou a entrar em decadência e acabou por perder monges e rendimentos. No ano de 1834, foi, como todos os outros, extinto, passando o seu último monge a exercer a função de pároco de Pitões. Na segunda metade do século XIX, um devastador incêndio levou à ruína muitas das dependências conventuais.
No ano de 1986 a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais levou a efeito obras de recuperação e melhoramento. Em 1994 e 1995, o Parque Nacional da Peneda-Gerês promoveu uma intervenção arqueológica no claustro e na cozinha conventuais.

Este mosteiro apresenta-se organizado segundo uma planta trapezoidal, encontrando-se a igreja implantada a norte a as dependências conventuais ao sul. O templo tem de nave única e uma capela-mor que é a estrutura mais bem conservada do cenóbio. Na frontaria, românica rematada por uma empena truncada por um campanário setecentista de dois olhais, abre-se um belo portal de arco perfeito, com uma primeira arquivolta lisa e uma segunda, exterior, adornada com lancetas, por sua vez envolvida por um friso com decoração geométrica.
Os ábacos do arco foram decorados por motivos cordiformes, enquanto o tímpano apresenta, ao nível inferior, um dintel decorado com flores estilizadas cruciformes e, por cima deste, uma cruz de Malta vazada, enquadrada por perfurações circulares dispostas em triângulo.
Nas paredes laterais da nave, rasgam-se dois portais simples, de tímpanos vazados por Cruzes de Malta, semelhantes entre si, sendo rematadas por friso e cornija moldurada e percorridos, a meia parede, por um friso adornado com motivos geométricos, sob o qual se projectam mísuias, também estas enfeitadas por elementos geometrizantes. A janela axial da ousia mostra a sobreposição do estilo gótico ao românico inicial.
Numa janela lateral da ousia, voltada a norte, uma curiosa estátua jacente de um monge é interpretada pela população como sendo o marco da cota máxima transbordos do rio ao longo dos séculos.
No interior conserva-se um friso ornamentado que percorre a nave à altura das janelas, O arco triunfal, de duas arquivoltas lisas apoiadas em ábacos boleados, é enquadrado por dois retábulos de talha. Na capela-mor, dispõe-se um retâbulo-mor com uma elaborada composição em talha. As divisões do convento, em grande desmoronadas, compreendem dois corpos, O primeiro paralelo ao riacho, era o dormitório dos monges. O segundo corpo, que se encontra perpendicular ao primeiro, era onde se localizava a cozinha, que ainda mantém a sua chaminé piramidal.
Do claustro românico só se conservam três arcos da galeria encostada à igreja. De volta perfeita, assentam em capitéis com decoração fitomórfica.
À igreja deste convento acontece uma romaria em 15 de Agosto de cada ano a que acorre gente de Pitões das Júnias e de povoações vizinhas. *
«A Igreja. Vista do interior»

* Almeida, Álvaro Duarte de e Belo, Duarte - Património de Portugal.

Convento da Nossa Senhora da Misericórdia. (Aveiro)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Diz o cronista da Ordem, Frei Luís de Sousa, que a fundação deste mosteiro se ficou a dever a uma milagrosa aparição da Virgem Maria ao velho Afonso Domingues sobre um dos bastiões da muralha; para comemorar o facto, o Infante D. Pedro, amigo sincero dos domínicos e muito devoto de Nossa Senhora do Pranto, da Piedade ou da Misericórdia, alcançou do Papa Martinho V, a 19 de Fevereiro de 1423 — pouco antes da largada para as «Sete Partidas» — um Breve pelo qual lhe era facultado estabelecer em Aveiro um convento para a Ordem. Efectivamente, a 23 de Maio, lançava-se a primeira pedra do edifício que se tornou digno do seu fundador; foi-lhe dado por orago Nossa Senhora da Misericórdia, que tinha por capela a primeira à esquerda de quem entra na igreja.

Depois de 1834, o mosteiro ficou sendo quartel que, em virtude do incêndio que o devorou a 18 de Outubro de 1843, passou para o convento de Santo António. Num recanto da cerca, entregue à Câmara Municipal, construiu-se o cemitério central, inaugurado a 12 de Novembro de 1835, em cuja capela, benzida a 10 de Novembro de 1839, é venerada uma imagem de Cristo Crucificado, que era da sala do capítulo.
O resto da cerca foi primeiramente arrendado e posteriormente vendido em arrematação pública de 9 de Maio de 1868.
Em 1865, o Município fez reparos na sala da biblioteca e aí estabeleceu a aula de instrução primária do sexo masculino da Glória e uma nocturna para operários e serviçais.
Em Março desse ano, caiu quase toda a parte do edifício a norte da referida sala e, em 1867, ruiu a parte mais alta da zona queimada; em Outubro de 1868, estando tudo vendido, deixou de aí funcionar a escola; em 1872 foram demolidos os restos ardidos, em 1888 o claustro e dependências e, em 1900, a sala da farmácia e outros anexos. Hoje pouco existe do convento.
A igreja, à esquerda do mosteiro, reformada em várias épocas, é de sólida construção mas de planta singela. Na capela-mor, do lado do Evangelho, encontra-se um túmulo de granito sobre o qual campeia o brasão da Casa dos Sousas — que também se vê no arco-cruzeiro; aí estão as cinzas de D. Catarina de Ataíde, filha de Álvaro de Sousa e de D. Filipa de Ataíde, segundo a inscrição sepulcral. Parece que o templo foi sagrado por D. Jorge de Almeida, Bispo de Coimbra desde 1483 até 1543; a fachada é de 1719 e a torre é moderna, inaugurada — como vimos — em 1862, embora datada de 1869; o vasto altar-mor e a sua tribuna, da segunda metade do século XVIII, pertenceram à antiga igreja da Vera-Cruz.
Encontram-se ainda na capela-mor duas ordens de cadeiras, havendo vinte e duas em cima e dezasseis em baixo; os espaldares dividem-se em cinco panos de cada lado e um menor de canto, cada qual com duas telas; estas são da primeira metade de século XVIII, de artista que desenhava bem sobre gravuras ou modelos.
Conforme diz A. Nogueira Gonçalves, «são obras muito graciosas e dignas de cuidados» e constituem «a melhor pintura deste tempo, que se vê na Cidade»; representam oito figuras femininas e catorze masculinas, todas do hagiológio dominicano.
A igreja de S. Domingos, escapando às chamas de 1843, continua a ser a paroquial da Glória desde 1835 e hoje, na Diocese restaurada, é provisoriamente a Sé.
No adro, encontra-se um cruzeiro gótico-manuelino, proveniente de oficina coimbrã do final do século XV; na coluna assentam as representações dos Evangelistas e diversas cenas da Paixão; a imagem do Crucificado é de aparência dura.

O Mosteiro de São Bento de Avé-Maria.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Mosteiro de São Bento de Avé-Maria foi um edifício, localizado na cidade do Porto e demolido em finais do século XIX, que albergou freiras beneditinas.
No seu local foi construída a actual Estação Ferroviária de Porto-São Bento, no início do século XX.

História
No início do século XVI, mais precisamente em 1518, o rei D. Manuel I, que no ano anterior outorgara foral ao Porto, mandou construir à custa de sua fazenda, o Mosteiro da Avé Maria ou da Encarnação das monjas de São Bento, dentro dos muros da cidade, no local chamado das Hortas do Bispo ou da Cividade.
Desejando o rei que os Mosteiros das Religiosas se transferissem dos montes para as cidades, neste foram recolhidas as monjas dos Mosteiros de Rio Tinto, Vila Cova, Tarouquela e Tuías, no dia 6 de Janeiro de 1535. No século XVI recebeu algumas freiras de um extinto mosteiro em Macieira de Sarnes. Foi a sua primeira abadessa D. Maria de Melo, monja de Arouca e, ao mesmo tempo, regedora do Mosteiro de Tarouquela.
Vários testemunhos referem-se ao Real Convento como uma maravilha em decoração e magnificência, deduzindo-se ter predominado inicialmente o estilo manuelino. Deduz-se, pois foram muitas as alterações e aditamentos que a igreja e o convento sofreram durante os anos, a última motivada por um incêndio em 1783, que ao tempo da demolição apenas restava um arco manuelino da traça primitiva.
Com a afirmação do Liberalismo no início do séc. XIX, este regime, depois de extintas as ordens religiosas, confiscou os seus bens por decretos de 1832 e 1834, determinando que estes passassem para o Estado após a morte da última religiosa. No caso do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, esta terá falecido em 1892, ficando as instalações devolutas. Contam-se várias histórias de que, em certas noites, ainda é possível ouvir as rezas da monja a ecoar pelos corredores das alas da estação!
A demolição dos claustros inicia-se cerca de 1894 e a da igreja processa-se entre Outubro de 1900 e Outubro de 1901. As ossadas das monjas foram recolhidas numa catacumba mandada construir no cemitério do Prado do Repouso pela Câmara Municipal do Porto, em 1894.
Muito do seu espólio perdeu-se por altura da demolição, incluindo uma grande variedade de azulejos-tapete, alguns dos quais foram recolhidos por Rocha Peixoto. O que resta do espólio pode apreciar-se no Museu do Seminário do Porto (talha), na Igreja de São João das Caldas em Vizela (retábulo-mor da igreja), Paço de S. Cipriano em Guimarães (azulejos do claustro), no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa (báculo da Abadessa) e no Mosteiro de Singeverga em Roriz (cibório com pedras finas).
Em baixo podemos ver fotografias do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, exactamente como ele era antes de dar lugar a actual conhecida estação de S. BentoUm tesouro para sempre perdido.
 Mosteiro de São Bento de Avé-Maria
(clique nas imagens para as ampliar
Vista geral do extinto edifício
O extinto edifício religioso, em diferentes BPI

Dois ângulos opostos
Igreja do Mosteiro S. Bento de Avé-Maria
Pormenor da esquina do edifício, numa imagem obtida provavelmente pouco após 1850
O mesmo cliché...
Acesso ao Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria pelo lado da actual Rua do Loureiro...

A fachada da Igreja...
Vista da rua da Madeira (em frente à direita vemos a ainda existente Praça da Liberdade, ao fundo e a meio, a Torre dos Clérigos)
Em cima e em baixo: Duas imagens obtidas a partir do mesmo cliché
Em baixo uma vista interior, em destaque o Coro Alto
Aspecto geral do Coro Alto
A nave principal da igreja
A "roda" do Mosteiro onde eram deixadas crianças rejeitadas pelos pais
 O pátio interior do Mosteiro, vendo-se o seu Claustro
Claustro do Mosteiro S. Bento de Avé-Maria. Duas variantes do mesmo cliché


Mosteiro São Bento de Avé Maria - Chafariz e Claustro
Claustro do Mosteiro de São Bento de Avé Maria
Vista do alto da Torre dos Clérigos para o Nascente, 1860-70, num cliché com autoria atribuída a Antero Seabra
É perceptível o Mosteiro na direita da imagem (torre sineira). O edifício das Cardosas recebia o seu telhado
Mosteiro S. Bento de Avé Maria  (em baixo) já depois da «amputação» que lhe arrasou o pátio de entrada e parte do edifício...
O mesmo cliché
Na imagem de baixo: O Mosteiro São Bento Avé Maria, visto da Rua da Flores 
"Ah, malditos reformadores..." frase de Alexandre Herculano, que demonstrava bem a sua opinião sobre a destruição deste monumento.
Uma imagem desoladora!!! A destruição do Mosteiro para dar lugar a estação de comboios.
A demolição da parte da igreja processa-se entre Outubro de 1900 e Outubro de 1901. No canto inferior direito da imagem, vemos já, a gare provisória da futura Estação de S. Bento.
 Demolição da igreja do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria
Mosteiro São Bento de Avé-Maria. Destruição
«Um majestoso edifício religioso que nunca deve ser esquecido...»
Mosteiro de São Bento de Avé-Maria. Um tesouro perdido


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