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Vendedeiras da Cordoaria (Porto)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Já aqui falamos do desaparecido Mercado do Anjo, bem como do igualmente demolido Mercado do Peixe, (clique nos dois links) ambos localizados, muito próximos um do outro.
No entanto havia quem fizesse negócio (ou pelo menos o fosse tentando) entre estes dois mercados oficiais.
Do lado Norte da Cordoaria, perto da Cadeia da Relação e actual C.P.F. encontravam-se muitas vendedeiras a fazer concorrência ao comerciantes do Mercado do Anjo. 
Vendedeiras de castanhas em frente da Torre dos Clérigos, 1912 in AMP
Vendedeiras  no "Mercado da Cordoaria", perto do antigo Mercado do Anjo. Anos 30-40
Vendedeiras no antigo mercado da Cordoaria, nos anos 30-40 do séc. XX Cliché colorido

O verdadeiro "Pica do 7". O Revisor de Eléctrico.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Revisores. O verdadeiro "Pica do 7" e não só...
Alguns dos nossos estimados leitores, ainda se lembrarão por certo dos antigos Revisores de Eléctricos, troleis e autocarros, vulgarmente denominados pelos "Pica", figura que recentemente serviu de inspiração ao tema "Pica do 7", escrito por Miguel Araújo e cantado por António Zambujo.
Os Revisores, usavam bonitas e robustas bolsas em pele para guardar o dinheiro dos bilhetes vendidos. Eram carteiras que colocavam à tiracolo e que envelheciam com o tempo, ficando mais escuras, marcadas pelas mãos dos que as usavam. Andavam também com uma espécie de alicate, o obliterador, que era o que permitia "picar" o bilhete dos viajantes, conferindo assim a sua validade e autenticidade.
Eléctrico n.º 115 da Linha 7
Bilhete de eléctrico, já obliterado pelo "Pica"
Eléctrico n.º 185 da Linha 7, com destino a S. Mamede
A Linha 7, partia da Praça da Liberdade, no Porto, para S. Mamede, mais exactamente até à Ponte da Pedra, sendo desactivada na década de 70 do séc. XX. Paradoxalmente o video de António Zambujo, foi realizado em Lisboa, o que não diminuiu em nada a sua beleza, nem o valor da música.
O eléctrico chega a S. Mamede no dia 19 de Fevereiro de 1910
Eléctrico da Linha 10, com destino a Rio-Tinto 
De notar a presença dos Revisores (o 'Pica') entre os transeuntes
António Zambujo - Pica Do 7

Imagens:
- Museu do Carro Eléctrico 

O Tanoeiro.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tanoeiro, também designado por toneleiro, é um artesão dedicado ao fabrico de barris, pipas ou tonéis para embalar, conservar e transportar mercadorias, principalmente líquidos, como o vinho.
Os barris podem ser feitos de diversos tipos de madeira (carvalho, castanho, mogno, acácia ou eucalipto), mas são os de madeira de carvalho aqueles de melhor conserva. 
A madeira ideal para conservar bebidas é a proveniente de carvalhos que tenham aproximadamente 150 anos. Após o abate da árvore, a madeira deve ficar cerca de 3 anos a secar ao ar livre.
Fabricação de tonéis. Gravura de Jost Amman. Standebuch, 1568
Tanoeiros. Cliché de autor desconhecido
No norte de Portugal, durante séculos, gerações de tanoeiros dedicaram as suas vidas à arte da tanoaria, fazendo milhares de pipas, toneis e balseiros de madeira, usados para o transporte e envelhecimento do vinho do Porto. 
O conhecimento técnico era passado de geração em geração. Usavam como ferramentas várias enchós: a normal, a direita, a de goiva, a fechada e a de concha; serra e serrote; plaina de cavalete; compasso; trava de meia cana (para fazer o buraco da vasilha) e martelos.
Casa dos Almadas na Rua das Sete Passadas, freguesia de Santa Marinha
em Vila Nova de Gaia. Transporte de pipas. Emílio Biel c. 1905
Antigo barco rabelo carregado de pipas de vinho do Porto junto da Régua. BPI

Limpa-Chaminés.

domingo, 9 de agosto de 2015

Erradamente considera-se a profissão de Limpa-Chaminés, como uma das mais antigas do mundo. 
Tal não corresponde à realidade, pelo menos no seu total, pois só no tempo da Revolução Industrial, as chaminés foram concebidas com a largura suficiente para poder permitir o acesso a um homem .
Pelos séculos XV e XVI foi implementada a construção de "pescoços-de-cavalo" para que a chaminé pudesse escoar melhor o fumo. 
Com o aumento da população urbana nessa época, também aumentaram o numero de casas com chaminés, o que fez com que esta profissão ficasse muito cobiçada e procurada, apesar de por vezes se encontrar prosas e versos com alusão a escárnio e mal dizer.
Retrato de dois limpa-chaminés do Porto. Cerca de 1900. Phot.ª Guedes
Na Grã-Bretanha, pela época Victoriana, o negócio expandiu-se imenso, havendo necessidade de empregar até crianças, pois estas sendo mais pequenas, caberiam facilmente dentro das chaminés, podendo fazer o trabalho satisfatoriamente. 
Mas o trabalho era sujo e perigoso, e os empregadores destes "meninos trepadores" acabaram por ter bastantes problemas, sendo acusados de exploração e abuso.
Consequentemente, o grito público contra a prática levou a uma pesquisa de um substituto e a invenção de uma escova especial com uma maçaneta de "telescoping" e outras inovações mais subtis que permitiriam uma limpeza feita com melhor acesso, sem arriscar a vidas.
"Muitas vezes parece que o diabo bate à nossa porta, 
mas é simplesmente o limpa-chaminés"
-Christian Friedrich Hebbel
Antigamente dizia-se que encontrar um Limpa-Chaminés no dia do casamento era sinónimo de sorte, assim como dar a mão ou beijar um Limpa-Chaminés. Hoje em dia, esta profissão está em desuso como muitas outras, mas, contudo, continua a existir, sendo este serviço executado por empresas especializadas.

Fonte parcial:
-Wikipédia

Profissões da Foz do Douro. (Porto)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Pescador da Foz do Douro. ED. CARDOSO REG.
Das várias profissões mais antigas, árduas e características desta zona, destacamos o papel desempenhado pelos pescadores da cantareira, que, durante décadas, pescaram na região. 
Se tal profissão era ocupada por homens, o papel das mulheres, complementava-a, lembrando-nos assim das peixeiras desta zona, que vendiam o pescado, tanto nos mercados da cidade, como porta-a-porta, com a canastra à cabeça.
 Peixeira da Foz do Douro, BPI. Imagem Edições Union Postale Universelle, data desconhecida
Peixeira da Foz do Douro, c.1900 
Local de Edição - Foz do Douro 
Editor - [Carlos Pereira] Cardoso
Passeio Alegre, Foz do Douro. Emílio Biel

As Carquejeiras. (Porto)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Carquejeira carregada, subindo a Calçada da Corticeira
As Carquejeiras, eram apenas mulheres, resistentes, corajosas, muito trabalhadoras e esforçadas, que descarregavam pesados molhos com 40, 50 ou 60 quilos de carqueja (ou chamiça) dos barcos que a transportavam Douro abaixo. 
Subiam e desciam desde madrugada até à noite a Calçada da Corticeira, rampa que, actualmente, um turista, munido apenas de uma leve máquina fotográfica não consegue subir por inteiro, sem parar a meio para descansar e apreciar a paisagem.
Carquejeiras, subindo a Calçada da Corticeira
Descarregando carqueja - Aurélio da Paz dos Reis c. 1906
 Corticeira, vendo-se a Capela do Sr. do Carvalhinho 
Por esta rampa subiam as Carquejeiras
BPI - Editor Alberto Ferreira - Praça da Batalha - Porto

As Carquejeiras, com os molhos às costas, subiam esta calçada, com 210 metros de comprimento e 22 por cento de inclinação, até às Fontainhas. 
Pousavam a carga no muro da Alameda das Fontainhas, bebiam água e lavavam o suor e a sujidade da face num fontanário ainda lá existente.  
Carquejeira carregada, subindo a Calçada da Corticeira
Carquejeira na Calçada da Corticeira
Carquejeira subindo a Calçada da Corticeira, nas Fontainhas
A Calçada da Corticeira, e zona das Fontainhas, vistas de Vila Nova de Gaia, por volta de 1860. Calótipo com autoria atribuída a Frederick William Flower
«O Século Ilustrado». 19 de Abril de 1947 - A Calçada da Corticeira
Subindo a Calçada da Corticeira
Após um breve descanso, prosseguiam viagem até ao centro da cidade do Porto. 
Iam até às Antas, a Paranhos, à Boavista, aos sítios onde havia padarias de que a carqueja era acendalha para os fornos. Entre os anos 30 e 50 do século XX, passaram centenas de mulheres (e alguns homens) pela Corticeira. Na década de 40 do século passado, chegou a haver noventa, todo o dia, em bicha e em ziguezague, para compensar a agrura da subida.
Curiosidade: Ford subindo em 32 segundos a Corticeira em 1905 
Aurélio da Paz dos Reis in Ilustração Portuguesa
Palmira de Sousa - A última das Carquejeiras 
Foto em Jornal de Notícias - PEDRO CORREIA - GLOBAL IMAGENS
Palmira de Sousa, foi "A última Carquejeira do Porto". Seguiu o ofício de sua mãe, começando a carregar os pesados fardos de carqueja, pela calçada acima, a partir dos dez anos. 
Nascida em 1912, a senhora Palmira de Sousa faleceu em 2014, com uns formidáveis 102 anos de idade.