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Solar da Quinta das Devesas (Devezas).

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Segundo informação da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, a família Conde das Devesas (1875-1945) teve uma acção importantíssima na vida da própria Misericórdia de Gaia, que beneficiou com o trabalho e a generosidade de muitos dos seus membros.
O primeiro Conde, Francisco Pereira Pinto Lemos (1849/1916) e a sua esposa D. Maria da Conceição Bandeira de Castro Lemos, Condessa das Devesas (1853/1928), tiveram três filhos, Alfredo, Ernani e Jorge.
Sucedeu a seu pai no título, o segundo Conde, Alfredo Pereira Pinto de Castro Lemos (1875/1945), que se casou com D. Camila Machado dos Santos Castro Lemos (1879/1967), não tendo havido filhos deste casamento.
Por isso, à morte do segundo, seria terceiro Conde das Devesas, o irmão Ernani Carlos Pereira Pinto de Castro Lemos (1876/1965), casado com D. Carlota Alberta Pimentel Maldonado Correia da Silva Araújo Lemos (1884/1971), sem descendentes.
Houve ainda o irmão Jorge Pereira Pinto de Castro Lemos (1884/1962), de quem era esposa D. Maria Amélia Feio de Oliveira Leite de Castro Lemos (1882/1979), que também não tiveram herdeiros legitimários.
O Conde Alfredo, homem profundamente religioso e sempre pronto a auxiliar os mais desfavorecidos, envolveu-se no movimento iniciado no dia 27 de Novembro de 1928 pelo Notário Miguel da Silva Leal Júnior e por outros bons gaienses, para a criação da Misericórdia de Gaia. E quando a 26 de junho de 1929 a Misericórdia foi, oficialmente, constituída, os seus pares quiseram que fosse o Conde Alfredo a ocupar o lugar de Provedor.
Tinha então 54 anos e, durante mais sete, até 1936, ocupou esse cargo, tendo desenvolvido uma tarefa extremamente valiosa, para que fosse devidamente consolidada a vida da jovem e, então, ainda frágil instituição.
Por falecimento dos progenitores Conde Francisco e Condessa D. Maria da Conceição, herdaram os três filhos – Alfredo, Ernani e Jorge – em partes iguais, o património da família, de que era a parcela mais valiosa a chamada Quinta das Devezas, também então conhecida por Quinta do Estado, situada em Vila Nova de Gaia, onde a família tinha o seu solar.
A nível arquitectónico, a Quinta das Devesas é composta por uma casa de planta irregular, capela separada, a O., de planta longitudinal, com sineira adossada, e jardim. Casa com fachada principal composta por vários panos enquadrados por pilastras coroadas por urnas neoclássicas, com pano central mais elevado com pedra de armas, a acesso ao centro, através de escadaria, ao piso nobre. Capela com fachada principal rasgada por portal ladeado por pequenas janelas e encimado por janelão de recorte neogótico.
Ruínas do Solar da Quinta das Devesas (Devezas) - Escadaria principal
Solar da Quinta das Devesas - Vista parcial da fachada frontal
 Solar da Quinta das Devesas - Outra vista parcial da fachada frontal
Solar da Quinta das Devesas - Fachada frontal e lateral
Solar da Quinta das Devesas - Capela em ruínas
Esta propriedade tem a sua entrada principal na Rua D. Leonor de Freitas, junto às instalações da firma Barros, Almeida & C.a. – Vinhos S.A. e era constituída por uma casa apalaçada, de dois andares, capela, anexos, jardim, estufas, pomares, hortas, adegas, casa para gado e terras de lavradio e de vinha, com uma área de 101.500 metros quadrados.
Graças à benemerência desta magnífica família, a referida Quinta é propriedade da Misericórdia de Gaia. Esta passagem realizou-se de forma faseada:
Por legado em testamento do Conde Ernani Carlos Pereira Pinto de Castro Lemos, falecido a 2 de Agosto de 1965, da terça parte desta propriedade.
Por doação feita no dia 8 de Março de 1966, pelas Senhoras D. Camila Machado dos Santos Castro Lemos, viúva do Conde Alfredo, falecida a 20 de maio de 1967, e de D. Maria Amélia Feio de Oliveira Leite Castro Lemos, viúva de Jorge Pereira Pinto de Castro Lemos, falecida a 14 de Fevereiro de 1971, das outras duas terças partes de que eram pertença das mesmas, deduzidas de uma parcela de 21.206 metros quadrados, que as doadoras reservaram para si. Estas doações, segundo os termos da escritura, foram feitas pelo facto de ambas desejarem contribuir para “os altos fins de assistência a que se dedica a Misericórdia de Gaia”.
Na altura da morte da última das senhoras, em 1971, a Misericórdia tornou-se proprietária da Quinta das Devezas.
Entretanto, para homenagear os dadores, a Misericórdia construiu um magnífico lar para idosos, que foi inaugurado no dia 4 de Julho de 1992, a que deu o nome de Lar Residencial Conde das Devezas, actualmente designado de Residências Seniores Conde das Devezas.

Bibliografia:
- In http://scmg.pt
- SIPA 

Imagens:
- Alexandre Silva

A Casa Grande de Romarigães. (Romarigães, Paredes de Coura)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Quando falamos sobre "A Casa Grande de Romarigães" é impossível não nos saltar à ideia o escritor Aquilino Ribeiro (1885-1965) e a obra que o mesmo escreveu, com esse título.
Aquilino Ribeiro, esse escritor beirão, está de facto intimamente ligado à vida cultural da freguesia de Romarigães, concelho de Paredes de Coura, graças ao seu romance datado de 1957. 
Na verdade, a casa retratada no livro foi morada do ex-Presidente Bernardino Machado e do próprio Aquilino, que se casou com uma filha daquele presidente.
A "Casa Grande de Romarigães" não é um mito nem foi pura ficção do escritor. 
A casa ainda existe actualmente, em Romarigães, no sudoeste de Paredes de Coura, embora ao longo das décadas tenha sido muito alvo de descuido.
A Casa Grande de Romarigães in Arquivo Histórico
Aquilino Ribeiro Machado e Aquilino Ribeiro - Casa Grande de Romarigães in CCB
A Casa Grande de Romarigães - Livro - Circulo de Leitores
A construção desta casa deverá ter-se iniciado na segunda década do século XVII, época em que se instituiu o vínculo de Nossa Senhora do Amparo. Depois de algumas vicissitudes, a quinta foi adquirida em processo judicial pelo Par do Reino, Conselheiro Miguel de Antas, à família Meneses de Montenegro. A propriedade só viria a conhecer uma intervenção de restauro no século XX, quando, depois de ter passado pela posse do genro de Bernardino Machado (Presidente da primeira Republica), foi herdada pela mulher de Aquilino Ribeiro (CUNHA, 1909). É o próprio Aquilino que nos relata, no prefácio que escreve ao seu romance, como a casa estava em mau estado e como, no decorrer das obras, encontrou uma série de documentação que o levariam a escrever a "Casa Grande de Romarigães: "Quando se procedeu ao restauro da Casa Grande, que foi solar dos Meneses e Montenegros, houve que demolir paredes de côvado e meio de bitola em que há um século lavrava a ruína, ocasionando-lhes fendas por onde entravam os andorinhões de asas abertas e desníveis com tal bojo que a derrocada parecia por horas. Num armário, não maior que o nicho dum santo, embutido na ombreira da janela, que a portada, em geral aberta, dissimulava atrás de si, encontrou-se uma volumosa rima de papéis velhos"
O conjunto formado pela casa, anexos de função rural e capela do Amparo. Casa nobre, oitocentista, antecedida por um grande portal armoreado. A capela do Amparo apresenta a fachada decorada com nichos, imagens, carrancas, volutas, frontões e um óculo, tudo lavrado em pedra da região. A fachada é rematada por um campanário.
"A Casa Grande de Romarigães", está classificada como Imóvel de Interesse Público, desde o ano de 1986.
A Casa Grande de Romarigães - Fachada voltada à rua. Cliché in patrimoniocultural.gov.pt

Bibliografia:
"Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado" - IPPAR, 1993
patrimoniocultural.gov.pt

Quinta de Salgueiros. (Lapa, Porto)

terça-feira, 6 de março de 2018

A escassos metros da Igreja da Lapa e quase no coração da cidade do Porto, ainda existe, na data em que escrevemos este artigo, aquela que é conhecida por "Quinta de Salgueiros", delimitada pela antiga rua de Salgueiros, actual rua de Cervantes. Debaixo dos terrenos desta quinta existe uma mina subterrânea, que não é nada mais nada menos, que um dos corredores do antiquíssimo manancial de Arca d`Água.
Quinta de Salgueiros - Terrenos para a construção dos Viveiros da Lapa - 1967 in AHMP
 Os terrenos, vendo-se na imagem um dos acessos à antiquíssima mina de água

Vista aérea da zona residencial e comercial de Cedofeita e Santo Ildefonso, desde a Rua de Cervantes, antiga Rua de Salgueiros que contorna a Quinta (Norte), à Praça da República (Sudeste) in AMP
Casa rural da Quinta de Salgueiros, na rua de Cervantes, que será demolida
Cliché original de Alexandre Silva
Salgueiros - Casa rural - Fachada traseira. Cliché original de Alexandre Silva
Quinta de Salgueiros (centro da imagem) - Lapa. In Google Maps
Quinta de Salgueiros (antes do desmatamento) vista da rua de Cervantes in Google Maps
Quinta de Salgueiros - Bing Maps
No canto inferior direito: A casa rural
Este terreno que por muitos anos foi pertence da Companhia Aurificia, esteve arrendado por décadas a um elemento da PSP que mantinha a quinta limpa e cultivada com o profissionalismo de qualquer lavrador de outrora. Criava animais de médio e grande porte, aves (galinhas, patos, etc.). Há cerca de uma década (talvez ainda nem isso), conseguiram afastar do terreno esse homem (na altura já pouco jovem) e o terreno ficou devoluto e coberto por silvas e mato...  Com 22 mil m2, na rua de Cervantes, à Lapa, esse terreno esteve destinado para zona verde, para construção dos viveiros da Lapa e consta-se também que em tempos, foi adquirido, para lá ser construído um bairro operário, o que nunca chegou a acontecer. Não temos a certeza desta última realidade, visto existirem de facto bairros, muito perto (como o bairro da Bouça), todos eles construídos entre as décadas de 60 e 70, o que pode gerar alguma confusão.
Recentemente, a quinta, foi limpa do seu mato (e não só). Lamentavelmente cortaram todas as árvores de grande porte (algumas centenárias) que a propriedade possuía. Aparentemente, também querem expulsar o último casal de moradores da casa rural, pessoas septuagenárias e octogenárias.
Motivos??? Aparentemente, interesses imobiliários!!! Falam em mais um Hotel, um Hostel e até mesmo num Hipermercado. 
Independentemente disso o resultado será o mesmo: A insubstituível perda de uma mancha verde, um pequeno pulmão, no centro da Invicta. As majestosas árvores já foram abatidas.

Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne. (Porto)

sábado, 20 de maio de 2017

Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne in AMP
Outrora periférica, a freguesia do Bonfim cresceu ao longo dos antigos caminhos de Gondomar (Caminho do Padrão de Campanhã, actual Rua do Heroísmo) e Valongo e Penafiel (actual Rua do Bonfim); e cresceu em torno do Monte das Feiticeiras, onde fora erguido o cruzeiro da duo-décima estação da Via Sacra, também designado do Senhor do Bom Fim e da Boa Morte. A Quinta do Poço das Patas pertenceria à família Cirne (Cyrne) desde 1513, ano em que foi comprada por Manuel Cyrne. Naquele local absolutamente rural, existia então um ribeiro, com uma pequena ponte em pedra, que permitia a sua travessia...
O enorme edifício que hoje alberga a Junta de Freguesia do Bonfim (e que se encontra muito ampliado, face ao inicial) foi originalmente construído entre 1812-15 por Francisco de Sousa Cirne de Madureira, um dos revolucionários de 1820, para ser a residência habitacional da Quinta do Reimão, a propriedade da sua família.
Os Cirne (Cyrne) eram uma influente família portuense que gerou um dos nossos Feitores da Flandres.
O edifício foi sua pertença até ser comprado por Joaquim Domingos Ferreira Cardoso, em sociedade com Eduardo Ferreira Pinheiro, no ano de 1882, por 95 contos de reis. Eram então donos da quinta D. Maria Ana Isabel de Sousa Cirne Teixeira Blanco e o seu irmão António de Azevedo Cabral Teixeira Cirne. O Brasão dos Cirnes, que ornamentava o cimo da fachada principal, foi picado em 1890 e substituído pelo ornato de granito que encima o edifício actual.
A quinta foi então loteada e urbanizada. Nos antigos terrenos de cultivo e jardins construíram-se casas e rasgaram-se as ruas dos Duques de Palmela, de Saldanha e da Terceira, do Conde de Ferreira, do Barão de S. Cosme, de Joaquim António de Aguiar e a de Ferreira Cardoso.
Em 1890 a Casa é comprada por 20 contos de reis pela Junta Paroquial do Bonfim.
Posteriormente veio a albergar o Liceu do Porto, já desaparecido, e incorporado no Liceu Rodrigues de Freitas, até sofrer obras em 1930, onde lhe foi aumentado um piso que lhe permitiu acolher a sede da Junta de Freguesia, que ocupa presentemente o edifício.
Junta de Freguesia do Bonfim in http://www.jfbonfim.pt

Fontes:
- Junta de Freguesia do Bonfim
- CMP
Wikipédia
- AMP

Palacete de Manoel Pinto da Fonseca. (Porto)

sábado, 6 de maio de 2017

 Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca . BPI (digitalização)
Esta formidável habitação foi a moradia de Manoel Pinto da Fonseca, fundador, em conjunto com o seu irmão, da Casa Fonseca, que posteriormente haveria de dar origem ao já desaparecido Banco Fonsecas e Burnay. Localizava-se na Avenida da Boavista, esquina com a Rua de Belos Ares, onde actualmente se encontra o prédio que alberga o Bingo da Boavista. Foi devastada por um incêndio em 14 de Outubro de 1926.
Bombeiros a apagar o incêndio do Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca, localizado na esquina da Rua de Belos Ares com a Avenida da Boavista, no Porto. Cliché Alvão. 1926-10-14 in Centro Português de Fotografia
Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca
 Av.ª da Boavista, vendo-se o Palacete Manoel Pinto da Fonseca

Imagens:
-Centro Português de Fotografia
-AHMP
-BPI (digitalização)

Palacete da Quinta da Ponte da Pedra.

sábado, 18 de março de 2017

A Quinta da Ponte da Pedra, situa-se junto à referida Ponte, na Rua Godinho Faria em Leça do Balio. A Quinta integra as ruínas de um Palacete que é por muitas pessoas, também chamado de "Palacete Oitocentista". 
Consta-se que neste magnifico edifício, do qual mal restam paredes, funcionou em tempos uma instância de diversão mas também uma Residencial. 
Acesso principal
 Portão de entrada da Quinta
 Ruínas do majestoso edifício
 Fonte e tanque monumental
 Fachada principal - Entrada nobre
Era neste fascinante Palacete que o escritor Camilo Castelo Branco gostava de se instalar quando vinha passar férias no Porto, por ser uma Residencial que dispunha de bonitos jardins e de frente existia também uma praia fluvial com muitas embarcações pequenas a remo na margem do Rio Leça. Aproveitando a Residencial e praia ali tão perto, Camilo Castelo Branco inspirou-se para escrever algumas das suas obras.
Neste Palacete, também consta que o Rei D. Miguel "o absolutista", se instalou, governando daqui Portugal, durante a guerra que travou com o seu irmão D. Pedro IV "o liberal". Esta guerra foi ganha pelos "Bravos de Mindelo" que defendiam as ideias do Rei D. Pedro IV. Desembarcaram na Praia dos Ladrões, em Arnosa de Pampelido, também conhecida por Praia da Memória, em Julho de 1832.

Fachada principal (Obras precisam-se)
Mais tarde, a proprietária da Quinta e do Palacete, quando sentia que ia falecer, não tendo a quem deixar a propriedade, doou-a ao Estado para que a pusesse ao serviço da infância ou de idosos. 
Durante muitos anos funcionou como um Albergue de mendicidade. 
Com o caos motivado pelo 25 de Abril de 1974, os idosos foram recolhidos no Lar de Monte dos Burgos e o Palacete ficou livre para albergar várias famílias retornadas das colónias Ultramarinas Portuguesas. 
Durante a residência dos retornados, o Palacete foi mal tratado, saqueado, vandalizado e os seus jardins foram sendo destruídos. Em 2001 foi realojada a última família. Num dia de 2005, por volta da meia-noite, deflagrou um grande incêndio que destruiu tudo, ficando apenas as paredes exteriores, estas também já severamente maculadas.

Fontes:
- União das Freguesias de Custóias, Leça do Balio e Guifões
Imagens: 
- Alexandre Silva

Quinta e Casa da Picota. (Alvarenga)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Casa da Picota
Alguns dos habitantes locais e visitantes, já a classificam como "a casa mais assombrada de Alvarenga" desde há muitos anos, mas se nada tem de assombrada, muito tem de abandonada. 
A quinta da Picota e a casa com o mesmo nome pertenceram a um homem que está considerado como benfeitor da região.
De facto, esta propriedade pertenceu a um médico e sua esposa. O Dr. Manuel Teixeira de Brito, nascido em 1910 e que viria a falecer em 1974.
Sem filhos, a propriedade teria sido vendida numa espécie de «sistema por cotas» em que inúmeras pessoas da região participaram e adquiriram assim, em conjunto, esta propriedade. 
Neste contexto, sendo "de todos e de ninguém", a casa ainda serviu para propósitos secundários, durante anos, sem no entanto escapar a uma degradação constante, inevitável com o passar do tempo, que, acrescida de uma total falta de obras de preservação conduziram o imóvel a uma ruína total, pouco mais restando actualmente, que as paredes exteriores.
Recentemente, leu-se na comunicação social, que a Câmara de Arouca iria adquirir a Quinta da Picota, na freguesia de Alvarenga, para aí criar uma quinta-museu da raça arouquesa destinada a promover o conhecimento sobre aquela espécie bovina autóctone e a sua gastronomia própria. Tendo em declarações à Lusa, o actual presidente da autarquia, José Artur Neves, explicado que o projecto integra a área de influência dos Passadiços do Paiva e deverá funcionar com complemento turístico desse percurso a partir de 2017.
O investimento previsto para a reconversão da Quinta da Picota é na ordem dos 500 mil euros e deverá ser candidatado a financiamento pelo PROVER - Programa de Desenvolvimento Rural ou pelo PEDU - Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano. 
Resta-nos apenas agora ver, se as coisas, são assim tão simples na prática, como o parecem ser na teoria.

Solar de Carrapatelo. (Penha Longa)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Localizado na margem direita do rio Douro, perto da barragem do Carrapatelo (a barragem deve o seu nome à propriedade e seu Solar), o Solar de Carrapatelo é uma construção de estilo Barroco, Brasonado, com as armas da família Abreu e Lemos. 
Solar de Carrapatelo em 1973. Cliché de A. Cochofel
Sendo na sua época obviamente residência de pessoas com elevado nível económico, a propriedade engloba casa de caseiros, adegas, tulhas e uma capela. De facto, esta propriedade pertencia ao fidalgo José Joaquim de Abreu e Lemos, de 73 anos, sargento-mor das milícias do julgado de Bem-viver a qual a rea geográfica pertencia a casa na época, que aí habitava na companhia de sua filha, D. Ana Vitória de Vasconcelos e Abreu Lopes da Fonseca Lemos, de 39 anos, já esta estava viúva. A sua filha natural D. Rita de Cássia e a sua neta D. Ana Amélia, de 19 anos, que ainda se encontrava solteira para além de todos os criados e criadas da casa. Tinha ainda outra neta, D. Maria de Melo, de 22 anos, que casara havia um ano com João da Silveira Osório de Vasconcelos e vivia na margem de lá do Douro, na Póvoa ou Quintã de Antemil. 
Este Solar, ficaria para sempre ligado ao nome do salteador José do Telhado, devido ao assalto efectuado pelo mesmo.
A 3 de Janeiro de 1852 faleceu o sargento-mor. O funeral realizou-se no dia 5 para a Capela do Senhor Preso à Coluna, pertença da família, na Igreja Matriz de Paços de Gaiolo.
Todos os fidalgos e autoridades das redondezas tinham acorrido ao funeral e a apresentar condolências à família enlutada, além do muito povo que comparecera, pois era geral a estima pelos fidalgos de Carrapatelo e conhecida a bondade de D. Ana Vitória.
Durante a tarde do dia 7 iam partindo as últimas visitas.

"Tendo atravessado o Tâmega no Barco do Canal [situado em Abragão, concelho de Penafiel], a quadrilha dirigiu-se para o monte do Castelinho, onde passou parte da tarde fingindo que caçava. Dali foi para a corte de Fandinhães, aonde o Fragas lhe enviou comida. Já noite, dirigiu-se a um alto que fica próximo da casa de Carrapatelo, onde José Teixeira destinou os postos de cada um."
In: Campos Monteiro, obra citada. 
Alguns dos assaltantes fizeram a passagem do Canal em pequenos grupos, para não levantarem suspeitas. Levavam com eles duas cadelas (talvez com o intuito de acalmarem os cães da casa) e dois cães. 
José do Telhado tinha com ele o seu cavalo. O comandante dera como senhas: Merda, para avançar, e Mesão Frio, para retirar.
Construção da Barragem do Carrapatelo
 Podemos ainda avistar nesta foto o Solar do Carrapatelo
O Solar à algum tempo atrás, aparentava um abandono lamentável (terá entretanto tido obras de restauro?)
Como já mencionamos anteriormente em outras publicações, sabemos que manter estes casarões em bom estado, não fica barato, principalmente se os mesmos não estiveram adaptados a algo (como o turismo rural por exemplo) que permita torná-los auto-sustentáveis, no entanto também conhecemos (e na primeira pessoa) casos em que as propriedades e os edifícios foram herdados em boas condições, mas o desmazelo, desinteresse, preguiça crónica e até mesmo a triste e escusada avareza de quem as herdou (não gastar um tostão em preservação, pois não vai haver lucro de recompensa) conduz propriedades e suas casas centenárias a uma condição de ruína quase absoluta, que as tornará muito mais difíceis de recuperar futuramente pelos próximos herdeiros. A meu ver, esta atitude última, é um desrespeito absoluto à memoria dos familiares falecidos que confiaram estes bens aos seus actuais e apenas temporários proprietários.

Popularmente diz-se:
"Uns são úteis quando vivos, outros 
tornam-se úteis, quando o deixam de ser"

Quinta das Tílias - Sociedade Protectora dos Animais. (Porto)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Quinta das Tílias - Entrada
José Maria Nascimento Cordeiro foi o 30.º Presidente da história do Futebol Clube do Porto, entre 1961 e 1965. Mas isso não é o mais relevante nesta publicação.
O que é importante referir aqui, foi que no ano de 1969 este homem concretizou o sonho de muitas gerações, ao doar a Quinta das Tílias, situada no Monte da Costa, à Sociedade Protectora dos Animais, o que permitiu criar um pavilhão clínico e dar abrigo aos animais que vadiavam pelas ruas do Porto. Entre 1970 e 1974, a SPA construiu cem canis e deu protecção a 300 animais.
«A Sociedade Protectora dos Animais, do Porto, que é, entre as congéneres, a mais antiga do país, pois vai a caminho do século -entrou numa fase deveras notável, grandiosa, arrojada mesmo.
Graças a uma generosa dádiva dum grande amigo dos animais -o sr. José Maria do Nascimento Cordeiro - a Sociedade Protectora dos Animais do Porto está de posse de uma bonita quinta, no Monte da Costa.
A configuração da sua orografia, a localização e a riqueza do seu solo – tudo reúne para que o Porto, e num futuro que não virá longe, disponha de mais um motivo turístico que poderá incluir no seu roteiro, e que não deixará de despertar o interesse e a curiosidade do visitante. Há dias, e na companhia de alguns colaboradores do «Mundo Canino», tivemos o prazer de passar uns gratos momentos na Quinta das Tílias. Nós achamos que a designação não corresponde perfeitamente ao que vimos ali.
«Quinta-Jardim», lhe chamamos, tal a profusão e variedade de flores que ali se vê por toda a parte, que embelezam o local e que representam uma fonte de rendimento.
Recebeu-nos o sr. Carlos Faria, secretário geral da Sociedade Protectora dos Animais e director de «0 Zoo», orgão mensal daquele organismo. A maneira como nos recebeu e o entusiasmo com que nos falou de tudo o que ali é já realidade, e não é pouco, ficamos com a impressão que, num futuro que não vem longe, a grande obra em curso, naquela quinta-jardim, - seria um facto. Já conhecida, a «Pensão» e o «Hotel» para cães, pareceu-nos da maior utilidade.
Assim, aqueles que por qualquer motivo tenham que ausentar-se e que não queiram fazer-se acompanhar dos canídeos, podem ir ali deixá-Ios e ficar descansados. Serão bem tratados e não correm o risco de fugir.
- E quanto paga, sr. Faria, o interessado que venha confiar um animal à guarda da Sociedade?
- Na pensão 15$00 por dia, no hotel, 25$00.
- Tem muitos sócios a Sociedade?
- Três mil.
- De quanto é a cota ?
- É variável. O mínimo, um escudo.
- Um escudo ? !
- Sim, um escudo.
- É irrisório! E se calhar ainda se julgam no direito de fazer exigências...
- Alguns, assim pensam.»

In Jornal “O Mundo Canino” - Outubro de 1969 
 Memorial ao benemérito José Maria Nascimento Cordeiro

Imagens:
- Arquivo Municipal do Porto

Capela de São Francisco de Paula / Capela de S. Francisco Xavier. (Porto)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Capela de São Francisco de Paula, na Quinta do Gouveia
Localizada na rua de Serralves, em Lordelo do Ouro, é também conhecida por "Capela da Quinta dos Frades" e por "Capela da Quinta do Gouveia" (devido ao nome de família do proprietário). 
A capela fazia parte do antigo hospício ou brévia de religiosos da ordem de S. Francisco de Paula, conhecidos pelos "Mínimos".
Tendo estado referenciada pelo IGESPAR foi o seu processo encerrado não tendo actualmente qualquer protecção legal. Construída em finais do séc. XVIII, encontra-se actualmente em total estado de ruína.
Fachada principal
Imagens:
- Alexandre Silva

Solar de Lamas - Quinta de Lamas. (Paranhos/Porto)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Também conhecida por Casa de Canavarros, Casa das Viscondessas de Lamas e Casa das Viscondessas de Roriz. 
Não é ainda «Monumento Desaparecido» mas, tal como muitos itens aqui abordados, um forte candidato ao título, até porque não dispõe de qualquer protecção legal, pelo que apuramos.
Solar de Lamas c. 2014. Clichés de Alexandre Silva
 Entrada principal, pela Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, zona quase engolida pelo polo universitário
Solar de Lamas c. 1934 in AHMP
A propriedade do Solar de Lamas é uma quinta setecentista erguida numa zona rural dos arredores da cidade do Porto, na freguesia de Paranhos, hoje naturalmente integrada pelo desenvolvimento da cidade, embora não se tenha perdido por completo a noção do enquadramento original, entre casario modesto e terrenos murados. O acesso ao terreiro da casa faz-se através de um portal em arco abatido encimado por um frontão recto interrompido, que apresenta ao centro o brasão, esquartelado, dos primeiros proprietários, enquadrado por duas volutas algo desmesuradas.
 Solar de Lamas - Vista aérea 
O urbanismo envolvente não cessa, neste local predominantemente rural, num passado ainda recente
A casa nobre desenvolve-se em U, com uma longa fachada central, a oeste, entre dois corpos mais avançados, com dois pisos, fazendo-se o acesso ao andar nobre por uma escadaria de aparato com dois lanços ao longo da parede, cujo vão forma um corpo avançado onde se rasga, no piso térreo, um portal de entrada para as lojas. A escadaria está revestida com azulejos azuis e brancos modernos, idênticos aos que correm a fachada em rodapé. 
Solar de Lamas - Pormenor
Num dos corpos laterais está a capela da quinta, com um portal decorado por um singelo enrolamento de volutas sobre o lintel, encimado por janelão cujo frontão, em arco abatido, se ergue um pouco acima do friso sobre o qual se desenvolve o frontão. Este é triangular, embora abatido, e possui uma alta cruz ao centro, e dois fogaréus nas extremidades. A casa inclui ainda anexos agrícolas, jardim e terreno de cultivo, estando o conjunto muito degradado.
 Portal em arco abatido encimado por um frontão recto interrompido, que apresenta ao centro o brasão
Zona rural de Paranhos, abrangendo o Bairro Social da Fábrica da Areosa (Nordeste), voltado à Estrada da Circunvalação e a Quinta das Lamas (dos Viscondes de Roriz) 1939-40 in AHMP

Imagens:
- Alexandre Silva
- Virtual Earth
- AHMP
Fonte:
- IGESPAR

Quinta de Vila Meã / Quinta do Mitra. (Porto)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A quinta de Vila Meã, pertenceu em tempos à família Vieira, também conhecidos por Vieiras.
No primeiro foral passado a esta quinta, em 1473, encontramos referências a um tal João Vaz Lordelo Vieira Annes.
A família Vieira que possuía várias outras propriedades na freguesia e nos lugares de Bouça-Ribas, Cerco, entre outros, ligou-se posteriormente por via matrimonial à família Araújo também desta freguesia, dando origem ao amo dos Cunha Araújo que viveu nesta quinta até 1860.
Quinta de Vila Meã, ou Mitra. Imagem: Blogue Porto Sombrio
Anteriormente, em 1758, este lugar de Vila Meã tinha sete vizinhos ou fogos.
Em 1864, e já depois de várias mutilações, esta quinta compunha-se de «casal de Baixo e do Casal de Cima (este já desaparecido), que eram a Casa nobre, Capela (dedicada a Nossa Senhora dos Anjos), jardins, pomar, lago, casas para caseiros, e de mais 25 propriedades, que iam de Godim ao Fojo (hoje Praça das Flores), Lameira, Corujeira, do Monte Escoural até à Bonjóia»
Escadas da Casa da Quinta de Vila Meã: in AMP
Possuía igualmente um parque murado de recreio localizado perto da Estação de Campanhã e terrenos onde actualmente se situa a linha de caminho de ferro até à ponte de Contumil.
O Casal de Cima que englobaria estes terrenos foi assim destruído aquando das obras de construção da linha.
 Quinta de Vila Meã, pormenor da capela: in AMP
Num passado bastante recente existia na rua do Monte da Estação, um portão de uma antiga entrada nobre para este Casal, portão esse em pedra lavrada em belo estilo barroco, que desapareceu.
Em 1866, a quinta deixa definitivamente de estar na posse da família dos Vieiras, sendo então vendida ao Comendador José Joaquim Pereira de Lima pela importância de 1250$000 réis.
Quinta de Vila Meã. Ano de 1890
Até à década de 20 do séc. passado continuou a pertencer aos herdeiros do Comendador, altura em que foi vendida a uma família de apelido Mitra. É justamente com a designação de Quinta do Mitra porque hoje é mais conhecida. 
Chafariz da Quinta de Vila Meã em 1943 
Encontra-se actualmente nos jardins do Palácio de Cristal 
Cliché de Guilherme Bonfim Barreiros
Fonte com data de 1710: in AMP
Capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos. Imagem actual
Actualmente a quinta pertence à Câmara Municipal do Porto que aí procedeu à instalação de um bairro de casas pré-fabricadas. O estado da capela e casa senhorial, são de praticamente total ruína.

Fontes:
Miguel Ferreira Meireles, Agostinho B. Vieira Rodrigues «Campanhã Monografia».
- SILVA, Fernando J. Moreira da - Quinta de 'Vila Meã, «0 Tripeiro», Série Nova, Ano VIII (2) Fev. 1989, p. 45-46.
- MARTINS, A. Tavares - Antigas quintas da paróquia de Campanhã, «Boletim Cultural da C. M. Porto», Porto, XXXII (3-4), 1969, p. 661-710.

Imagens:
- Porto Sombrio
- AMP
- Guilherme Bonfim Barreiros
- Alexandre Silva