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Casa de Serpa Pinto. (Porto Antigo)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Imagem in www.hotelportoantigo.com/ Clique para ampliar
Esta casa situava-se em Porto Antigo, e conheci-a desde sempre abandonada, se bem que doutra perspectiva, visto a estrada nacional (que continua após o tabuleiro da ponte de Mosteirô, visível na esquerda da imagem) passar exactamente do outro lado do edifício. Possuía uma chaminé de dimensões impressionantes e jardins, dos quais ainda recordo parte dos magníficos gradeamentos. 
Ao contrário da fama que se lhe atribui, nunca foi do grande explorador africano Alexandre Alberto da Rocha Serpa Pinto.  Pertenceu no entanto ao pai deste, o Dr. José da Rocha Miranda de Figueiredo, note-se que, ao contrário do habitual, os apelidos "Serpa Pinto" provinham de sua mãe. 
Quem mais tarde herdaria esta casa seria seu irmão, o sr. Adriano Alfredo que morreria sem descendência. A casa foi então herdada pela sr.ª Carlota de Serpa Pinto, filha de Alexandre Alberto da Rocha Serpa Pinto. A verdadeira casa de Serpa Pinto era, como todos o sabem, em Cinfães. 
Esta casa, (visível na imagem de cima), seria demolida e no seu lugar edificada a magnífica Estalagem Porto Antigo (imagem de baixo). Houve felizmente a preocupação de alguém em lhe conceder um aspecto exterior parecido com o da antiga casa senhorial, que lhe confere uma tipologia «secular», no entanto as semelhanças são superficiais. A Estalagem está num excelente local do Douro, junto a Foz do rio Bestança e é altamente recomendável a veraneantes e turistas.
Fotografia de autor desconhecido

Fonte:
Imagem: www.hotelportoantigo.com/
Autor: Desconhecido

Quinta do Montado. (Canidelo, Gaia)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Palacete da Quinta do Montado, desde há anos em total estado de ruína, foi mandado construir em 1905 por Manuel Marques Gomes (nascido em 1867 e falecido em 1932), um homem de negócios que no final do Séc. XIX fez fortuna com o negócio do vinho.
Clique nas imagens para as ampliar
Marques Gomes foi além de um homem de negócios, um grande benemérito e filantropo, a ele se devem várias estruturas sociais e públicas da sua terra que nunca esqueceu.
Foi graças a  Manuel Marques Gomes que se construiu o vital apeadeiro de Coimbrões e foi instalada a rede eléctrica. Foi ele o responsável  por obras de beneficiação na igreja paroquial, ampliou o cemitério, fez um campo de futebol, montou fábricas de cerâmica e armazéns de vinhos, abriu estradas e contribuiu para várias obras de caridade.
Fotografia, in Panoramio
O Palacete, do qual só restam as paredes, possui 37 salas, rés-do-chão e dois andares, tinha os tectos das divisões em estuque  lavrado e as paredes eram ornamentadas com frescos. Desabitado, o palacete seria   ocupado no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. Entre 1975 e 1991, no edifício esteve instalado o Centro Popular de Canidelo e a Cooperativa para a Educação de Crianças Inadaptadas (Cercigaia). 
Posteriormente a Quinta pertenceu, ao Espírito Santo Fundos Imobiliários (Banco Espírito Santo) tendo apresentado um projecto que previa a construção de 1.100 casas ocupando uma área de 148 mil metros quadrados. Este ambicioso projecto construtivo gerou muita polémica, tendo levado a Comissão de Coordenadora de Desenvolvimento Regional do Norte a chumbar o referido projecto.
Para a Quinta  está prevista a construção de uma unidade hoteleira, tendo a entidade promotora aceite uma redução em dois terços da capacidade construtiva, no entanto isso não evitou o (no meu ponto de vista) criminoso abate de inúmeras árvores antigas.
Desta forma, não entendemos bem para onde migrou a "preocupação" pela preservação dos 100 mil metros quadrados de espaço verde que, cedidos à autarquia, iriam permitir a criação do Parque Urbano do Vale de São Paio...

Imagens: 
- Panoramio

Casal da Torrinha ou Quinta da Torrinha. (Lisboa)

sábado, 19 de janeiro de 2013

Clique nas imagens para as ampliar
Casal da Torrinha cerca de 1900. Em segundo plano vemos a Penitenciária de Lisboa
O Casal da Torrinha, era a 'Casa Senhorial' da Quinta da Torrinha, numa zona de Lisboa fortemente rural. 
Esta propriedade, junto com diversas outras quintas existentes, desapareceram com o inevitável crescimento da Capital e, neste caso exacto, deram lugar ao então Parque da Liberdade, mais tarde denominado por Parque Eduardo VII.
Casal da Torrinha antes de 1916.  Cliché de Joshua Benoliel

Citamos:

"A quinta estava situada no Vale de Pereiro, destacando-se a oriente as colinas do Castelo e da Graça, e a ocidente as do Carmo e S. Francisco, enquadradas pela envolvente rural para norte da cidade.

A transformação urbanística impulsionada pela reconstrução pombalina, que até finais do século XVIII privilegiou a zona baixa da cidade, estendeu-se a novos projectos prevendo a expansão urbana para outras zonas da cidade. O espírito da renovação subjacente aos projectos de melhoramentos da capital, entre outros aspectos, ditaram a demolição do Passeio Público pombalino (1879) para dar lugar à abertura da Av. da Liberdade e ao inicio de um longo debate público sobre o prolongamento da nova avenida, tendo sido finalmente decidido fechar a avenida, no topo norte, com a implantação de um espaço ajardinado, que viria substituir na memória dos lisboetas o desaparecido Passeio Publico."

"Os terrenos envolventes da Quinta da Torrinha, que na primeira metade do século XIX correspondiam a uma vasta área rústica de quintas, terras de semeadura, olivais e velhos casarões de tipo arrebaldino, estendendo-se entre a Rua de Artilharia Um e o caminho do Andaluz, até S. Sebastião da Pedreira, configuravam-se precisamente no ponto de expansão da cidade.Parte destes terrenos vão ser destinados ao Parque da Liberdade, cujas obras se iniciam em 1889. O novo jardim romântico será rebaptizado Parque Eduardo VII, em homenagem à visita do soberano britânico a Portugal, em 1903."
Casal da Torrinha antes de 1916. Cliché de José Arthur Leitão
Casal da Torrinha / Quinta da Torrinha
Casal da Torrinha

Imagens: 
- Joshua Benoliel
- Arquivo da CML

Quinta dos Salgueiros ou Quinta dos Ingleses. (Antas, Porto)

domingo, 30 de setembro de 2012

A Quinta dos Salgueiros vista a partir do acesso que tinha início na rua de Contumil, as ruínas da Capela "rasgam" o denso arvoredo. Atrás deste denso verde existia então o antigo Estádio das Antas... situava-se este casarão, uma construção do século XVIII, no n.º 341, da rua da Vigorosa.
Imagem da década de 80 da autoria do Administrador, clique para ampliar
No início da segunda metade da década de 80 a imponente casa desta Quinta, estava envolta de arvoredo denso e de um mato (silvas/ moitas) quase impenetrável. Existia um caminho, uma ruela, (rua da Vigorosa, estreita e sem movimento) que ligava a rua de Contumil até à lateral do antigo estádio das Antas, contornando a propriedade e passando mesmo em frente ao portão principal da Quinta. Quem nesse caminho passava (principalmente quem então ainda era criança) tinha a sensação de estar na aldeia devido a vegetação e aromas de flores silvestres que ainda se sentiam (altura da Primavera e Verão). Quem se aventura-se a sair do caminho e atravessar o denso mato tinha acesso a mansão, já na altura devoluta. A casa, enorme, com uma dupla escadaria frontal e duas entradas principais (uma térrea, outra no cimo das escadas) apesar de arruinada tinha um ar imponente e o local era verdadeiramente bucólico possuindo um aspecto "antigo". Frente à fachada da casa, uma antiga fonte (presumo) apresentava-se como um belo obelisco de granito trabalhado, cercado por restos de um antigo jardim com árvores centenárias. A capela anexa, não possuía já vestígios de telhado e quem acedesse a mesma por uma antiga porta lateral constatava que também já tinha desaparecido todo o interior, incluindo o sobrado de madeira que provavelmente dividia a nave da capela do piso de baixo, que presumo ter sido uma cripta... a casa propriamente dita ainda tinha telhado... no seu interior, inúmeras divisões, algumas enormes, com fogões de sala antigos de dimensões impressionantes, uma delas tinha um verdadeiro amontoado de moveis antigos totalmente desprezados, cobertos por pó e a degradarem-se... livros antigos, ferros de passar roupa a carvão, e almanaques datados de finais de 1800, andavam espalhados pelo chão das divisões como se fossem jornais velhos... o acesso vertical interior fazia-se por uma escadaria semi-destruída que conduzia ao piso superior, este também com um corredor com acessos laterais para várias divisões (antigos quartos?) nos quais alguns, tendo o telhado já ruído parcialmente se "espreitava" o céu... Ao fundo desse corredor existia uma janela que dava acesso visual para o interior da capela, na sua parede lateral.
NOTA: Esta publicação foi aprofundada e engrandecida em 07-09-2017, devido à informação vital que nos foi fornecida pela família Mesquita Ramalho, seus antigos proprietários.
A Quinta de Salgueiros, em 1950. Na imagem de cima, destaque para as fachadas da casa e da capela. Na imagem de baixo, o aspecto geral do jardim e da casa, numa imagem de 1961.
O extinto Estádio das Antas numa vista aérea de (provavelmente) inícios de 1950.
No canto inferior direito da imagem é perfeitamente visível a casa da Quinta de Salgueiros, onde podemos constatar que, já nesta época, a Capela da mesma se encontrava sem telhado.
Em baixo: Duas fotografias obtidas pelo Administrador do Blog, na década de 80. Nesta época, o casarão ainda possuía grande parte do telhado e o "obelisco" da fonte, frente à fachada principal estava inteiro, o interior em estado lastimável aguardava um inevitável colapso. 
Fontanário: Cliché de Alexandre Silva
A Capela possuía ainda as antigas portas, já sem fechos, que nada protegiam visto da mesma restarem apenas as paredes.
Capela (vista parcial). Cliché de Alexandre Silva
Fontanário: Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
A casa. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
A casa, provavelmente nos anos 70. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Fontanário e portão principal da propriedade. 
Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Fontanário, com uma pessoa presente. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Fonte, com pessoas presentes. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Pormenor da propriedade.  Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Uma divisão interna. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Uma divisão interna. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Vista de um tanque e parte da fachada da casa. 
Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Vista parcial da casa. Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa
Em baixo: Duas fotografias do mesmo local, mas mais recentes, da autoria de Paulo V. Araújo

A verdadeira Casa Senhorial da Quinta dos Salgueiros nas Antas, quase engolida pelas obras da VCI e do actual Estádio do Dragão, teve um grande passado que é um paradoxo total ao calamitoso estado de ruína em que, aos poucos caiu faz já umas décadas.... 
Segundo informação directa da família a quem este local pertenceu, a Quinta de Salgueiros (Antas-Porto) pertencia a Augusto Geraldes de Mesquita (por herança de sua mulher Maria Balbina Carneiro e Silva), filho de Augusto de Carvalho Vasques de Mesquita. Sampaio Bruno homenageou ambos na publicação "Portuenses Ilustres" e a toponímia portuense na Rua Vasques de Mesquita ali bem perto, nas Antas.
Morada da Família Geraldes de Mesquita Ramalho até meados dos anos 40 do século XX, na década de 50 a casa esteve alugada, durante alguns anos, a uma senhora inglesa (daí ser apelidada, por vezes, de Quinta dos Ingleses) regressando a Família Mesquita Ramalho  à quinta em 1956.
Até finais dos anos 70 a quinta permaneceu habitada e com caseiros, realizando-se aí inúmeros eventos, tais como, casamentos, festas e arraiais de beneficência.
No ano 2000 a Quinta de Salgueiros foi vendida pela Família Mesquita Ramalho ao Futebol Clube do Porto que posteriormente a vendeu à Câmara Municipal do Porto.
Quinta de Salgueiros - BPI - Jacinto de Mattos
 Quinta de Salgueiros - Projecto de alterações à casa - João da Costa Ramalho - 1916 in AHMP
Esta casa foi também a residência de Jacinto de Matos, um dos maiores jardineiros-paisagistas portugueses da primeira metade do século XX, que aí teve as suas estufas e os seus viveiros ao ar livre. No livro Jardins Históricos do Porto (Ed. Inapa, 2001), Teresa Andresen e Teresa Portela Marques identificam alguns dos jardins e parques projectados por Jacinto de Matos em todo o país como o Parque de S. Roque, a Casa das Artes, o jardim da Ordem dos Médicos (à Arca d'Água), o Parque da Curia, o Parque das Pedras Salgadas, os espelhos de água dos jardins da Presidência do Conselho de Ministros entre outros.
A Quinta de Salgueiros é actualmente propriedade da Câmara Municipal do Porto.
Quinta de Salgueiros em 2017. Cliché original de Alexandre Silva


Imagens:
- Alexandre Silva
- Arquivo Família Mesquita Ramalho Alves de Sousa (cedidas ao blogue MONUMENTOS DESAPARECIDOS)
Paulo V. Araújo
- Teófilo Rego
- AHMP

Casa e Capela da Quinta do Bom Sucesso. (Porto)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Capela do Bom Sucesso por Frederick William Flower 1849 - 1850

O conjunto da Casa e Capela da Quinta do Bom Sucesso é um dos poucos exemplares de casas agrícolas do século XVIII ainda existentes no Porto, em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público pelo IGESPAR, localizando-se na proximidade da Rotunda da Boavista, na cidade do Porto.

A Quinta de Bom Sucesso era uma antiga propriedade rural dos arredores do Porto. No século XVIII e XIX, a cidade invicta era ainda uma cidade relativamente pequena (em comparação ao seu tamanho actual), e estava rodeada por propriedades rurais, pertencentes às grandes famílias do Porto. Sim, porque a maioria dos seus donos vivia em permanência em grandes mansões e palacetes na cidade. Eram fidalgos, burgueses e mercadores abastados que compravam essas quintas para veraneio e recreio. Por outro lado, era de muitas destas quintas que vinham os mantimentos da cidade, as frutas e hortaliças vendidas nos mercados da cidade.

Esta quinta foi construída no fim do século XVIII por António de Almeida Saraiva. Este era um dos muitos comerciantes e burgueses abastados da cidade, que utilizava a propriedade campestre para lazer. Construiu uma boa casa, de desenho e linhas simples e levemente rurais, e ao lado, formando um L com a habitação, uma capela barroca, de desenho mais elaborado, que dedicou a Nossa Senhora do Bom Sucesso. E baptizou a quinta como Quinta do Bom Sucesso.
A capela ganhou fiéis, e segundo as "Memórias Paroquiais", escritas em 1758, a capela já tinha alguns devotos que vinham desde a cidade do Porto até à capela para orar e dirigir preces à imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso. A propriedade passou por casamento para a posse do desembargador António de Sá Lopes.
Mas o avançar da cidade não poupou a propriedade. Os tempos ditaram a sua venda e urbanização. Hoje, as terras ocupadas pela quinta, outrora cultivadas, estão sob o alcatrão e o cimento das ruas e edifícios do Porto urbano do nosso tempo, e da antiga propriedade restou a casa da quinta, e a capela pegada. Estas foram por sua vez incorporadas no arranha-céus de vidro do Shopping Cidade do Porto. Estão restauradas, mantiveram a sua traça original no exterior. A casa é hoje um restaurante-bar; a Capela foi reaberta ao culto, ao cuidado dos Missionários da Fraternidade Missionária Verbum Dei.
Aspecto geral da Casa e da Capela da Quinta do Bom Sucesso em 1961, numa fotografia de Teófilo Rego. Uma construção do século XVIII, presente em pleno século XXI...
Fontes:
- Casa e Capela do Bom Sucesso (Pesquisa de Património / IGESPAR).
- Casa e Capela do Bom Sucesso (SIPA / IHRU)

Solar dos Magalhães. (Cidade de Amarante)

quinta-feira, 17 de março de 2011

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Edificado possivelmente na segunda metade do século XVI, o Solar dos Magalhães, implantado no centro da malha urbana de Amarante, tornou-se no século XIX um símbolo da resistência dos amarantinos face à invasão napoleónica.
Incêndiado pelas tropas francesas em 1809, o solar mantém da estrutura original apenas as paredes exteriores. De planta poligonal, divide-se por dois pisos, destacando-se a composição da fachada principal.
No piso térreo do frontispício foi aberta uma imponente loggia com seis arcos assentes sobre robustas pilastras, muito ao gosto da tratadística italiana quinhentista. Sobre esta, no andar nobre, foi edificada uma varanda, cuja arquitrave assenta sobre colunata jónica.
As restantes fachadas são rasgadas por fenestrações, colocadas a espaços regulares, que marcam a divisão do espaço. No registo inferior, foram abertas janelas de peito, no superior, janelas de sacada com varandim.

Fonte: IPPAR

Quinta dos Condes de Paço Vitorino, ou Quinta de Baixo. (Vilar de Andorinho)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quinta dos Condes Paço Vitorino


"É uma quinta aparentemente abandonada, com campos agrícolas. Parte foi destruída pela EN222. Possui um claustro e capela com algum valor arquitectónico, em estado de ruína."
Vista aérea. Imagem da Google Maps
A Quinta dos Condes Paço Vitorino, é na realidade uma quinta datada de meados do século XVIII, composta de Casa de Quinta e Capela, edifício barroco, em forma de U, sendo o acesso ao edifício nobre feito por escada interior, esta quinta fica situada no gaveto das ruas de Mariz com a de S. João Baptista.
A Quinta de Baixo, também conhecida como Quinta dos Condes de Paço Vitorino, está situada na freguesia de Vilar de Andorinho e existe, pelo menos, desde 1756, com uma configuração muito semelhante à que hoje conhecemos, e onde se articulava já a casa de habitação, a capela anexa e as restantes dependências. Nesta época era propriedade de José Pinto Monteiro, tendo integrado os bens da família Calheiros Lobo, Condes de Vitorino das Donas, cerca de um século depois. A sua designação justifica-se como distinção da Quinta de Soeime, que era a Quinta de Cima.
Como já referimos em cima, de planta em forma de U, um dos modelos mais comuns da arquitectura civil setecentista, a casa da Quinta de Baixo revela uma arquitectura bastante depurada que, apesar da simetria, do ritmo e da dupla escadaria central que domina o alçado principal, tende a afastar-se dos exemplos de tantas outras quintas do norte do país, onde predomina a influência do arquitecto Nicolau Nasoni, em composições de maior exuberância decorativa e cenográfica.
Neste imóvel, a solução empregue é sóbria e linear, sem deixar de procurar desenvolver em profundidade as fachadas que definem o pátio interno, alcançando, assim, uma eficaz sugestão de animação dos panos murários, articulados em profundidade.
Nesta medida, o piso superior é percorrido, em toda a sua extensão, por uma varanda alpendrada, que forma uma arcaria recta, suportada por colunas assentes sobre o peitoril. Correspondem-lhe, no piso inferior, três arcos a pleno centro, abertos nos corpos laterais, uma vez que, no central, se encontra a dupla escadaria de acesso ao andar nobre.
Assim, concebeu-se uma estrutura que parece constituir um corpo diferenciado, adossado ao edifício habitacional desenvolvido atrás. Em todo o caso, com a sua regularidade e sobriedade, a varanda cria um interessante jogo de cheios e vazios, de grande dinamismo, que convergem na escadaria central, esta num plano mais avançado e paralelo à casa.
A entrada nobre. clique na imagem para a ampliar
A capela
No corpo Norte, a capela integra o traçado do edifício, num plano mais recuado, de forma que o alçado lateral é, igualmente, percorrido pela varanda. A fachada principal encontra-se num dos topos do U, mas o acesso é feito por uma zona exterior, e não directamente através do pátio interno, devido à existência de um muro de separação. Neste último, inscreve-se uma fonte de espaldar com nicho.
A fachada da capela é rematada por um frontão trapezoidal, onde se enquadra a torre sineira, cujo volume é equilibrado pelos pináculos laterais.
O portal da quinta é encimado por uma pedra de armas que, apesar de estar muito gasta, parece representar as armas dos Paivas, Azevedos e Monteiros.
As ruínas actuais (que deveriam ser, no meu entender, reconstruidas) servem de palco para a Feira Medieval de Vilar de Andorinho, que se realiza anualmente.

Imagens:
- Google Maps
- Autor desconhecido
- Alexandre Silva
Fonte parcial:
IPPAR, Instituto Português do Património Arquitectónico

A Mansão Gilbert ou Casa do Pinheiro Manso. (Cidade do Porto)

sábado, 3 de julho de 2010

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A extinta Mansão Gilbert, na Avenida da Boavista
Mansão Gilbert
A casa conhecida como Mansão Gilbert ou mais vulgarmente, por Casa do Pinheiro Manso devido ao pinheiro existente quase ao lado, situava-se na Avenida da Boavista, mais exactamente no local do actual edifício da cervejaria Cufra e da Rua do Pinheiro Manso (na altura inexistente) e que deve precisamente a sua designação à árvore que se vê na fotografia. Este Pinheiro Manso caiu em Fevereiro de 1941 quando do conhecido “Ciclone”.

Imagens:
- AHMP
- BPI, digitalização

Capela e Palacete dos Coimbras - S. João do Souto. (Cidade de Braga)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Clique na imagem para ampliar
A capela da imagem de cima felizmente ainda existe actualmente, embora com notórias alterações nas estruturas que a ela estão ligadas...
Trata-se da Capela dos Coimbras feita pelo Mestre João de Castilho e o Escultor João de Ruão. Nesta antiga imagem vemos a capela ainda sem a actual casa dos Coimbras, construída em 1906 após demolição do palacete dos Coimbras.
Em baixo: Imagem da Capela e do Palacete dos Coimbras
O Palacete dos Coimbras, tinha sido edificado em 1525, por D. João de Coimbra. Era a residência dos administradores da Capela de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida por "Capela dos Coimbras". 
O Palacete dos Coimbras foi, como dissemos em cima, demolido no ano de 1906, para se proceder a uma remodelação urbana.
Os elementos arquitectónicos manuelinos foram preservados, e o novo edifício foi construído do lado oposto da rua, em continuidade com a Capela dos Coimbras.

A "Quinta Amarela" ou "Quinta dos Cepedas". (Cidade do Porto)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Antes de escrever algo mais, gostaria de sublinhar que na cidade do Porto existe pelo menos outro lugar conhecido por "Quinta Amarela".
A "Quinta Amarela" que abordamos aqui situa-se ao longo da Av. dos Combatentes, nas traseiras da Praça de Velasquez, actualmente chamada Dr. Francisco Sá Carneiro.
Não dispondo de muita Bibliografia sobre a mesma posso no entanto afirmar com pouca margem de erro que este local foi a casa dos Cepedas e tem origem no séc. XVIII.
Totalmente ilhada por ruas, foi em tempos uma propriedade rural numa zona então afastada do centro urbano.
Tem estado "separada" do séc. XXI por um muro que envolve toda a propriedade com cerca de 3 metros de altura.
A actual propriedade ainda é enorme, tem um aspecto antigo, com jardins agora ao abandono mas que em tempos idos devem ter sido deslumbrantes. Existem várias casas lá dentro (a dos proprietários e as dos antigos caseiros?), abandonadas e em ruínas desde que me recordo.
Imagem de grande dimensão, clique para ampliar e visualizar pormenores
 
Imagens aéreas em 3D onde podemos observar melhor a casa senhorial ou principal
Ângulos diferentes
A casa principal, um palacete enorme, com papel de parede antiquíssimo, radiadores de parede enormes e trabalhados à mão, salões com enormes lareiras, uma bela escadaria em madeira (ou o que sobra dela), uma garrafeira toda organizada com etiquetas a descrever as colheitas, uma cozinha antiga e imensas divisões. O acesso vertical pode ser feito através de outra escadaria que não a principal. No exterior o terreno tem imensos terraços, recantos, passeios debaixo de videiras (em tempos), grutas e mais algumas casas.
 Casa dos Cepedas na Avenida dos Combatentes, 151  (século XVIII) 
Fotografia de Teofilo Rego em 1961
Aspecto do jardim e da fachada das traseiras da Casa da família Cepeda, na Quinta Amarela
Em baixo, uma das casas secundárias com fachada voltada para a Av. dos Combatentes
Na fotografia abaixo vemos a casa principal, na esquerda da imagem por detrás dos "vidrões", oculta na vegetação
Obs. Enquanto preparava este "post" verifiquei que estão a construir «algo» na propriedade...
edifícios... talvez mais um horrível condomínio-fechado para ricos. Se assim for é uma pena, espero estar totalmente enganado, vamos lá a ver o que dali sai!!!

Aditamento: 07-01-2011

Na data acima citada, recebemos um simpático mail de um leitor nosso, (juntamente com algumas imagens antigas), relacionado com este "post",  que vamos publicar agora na integra:
Passamos a citar:

Ex.mo Sr.

Por ter visualizado o seu blogue, envio-lhe o que lá vão fazer através deste pequeno texto, e também aproveito e envio-lhe fotos do interior da antiga quinta

Melhores cumprimentos

F. F. (omitimos o nome por ética)

(Antiga Quinta dos Cêpedas)

"É um empreendimento de luxo de título reservado, localizado no coração das Antas ocupando um quarteirão, entre as Ruas Agostinho de Campos, Oliveira Martins, Bartolomeu Dias e a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e caracteriza-se pela conservação das fachadas das casas senhoriais existentes e da sua total reconstrução, mantendo a arquitectura e imponência contemporânea do seu tempo, mas com a modernidade exigível para os tempos futuros.
Das muitas particularidades deste empreendimento, é de salientar a altura dos muros de protecção, que se irão manter na altura actual, a gruta e o lago artificial existente, e de toda a área descoberta de cerca de 8000m2 de jardim, com a sua preservação desde os passeios às árvores de grande porte.
Terá uma portaria com uma área de 394m2, do qual está inserida a sala de condomínio, uma central de segurança, uma sala de estar para os seguranças, um arrecadação e um banho.
Dentro da área de lazer terá uma piscina coberta com os respectivos balneários e banho turco.
O empreendimento irá colocar no mercado 27 habitações, das quais 14 serão moradias V2, V3, V4 e V5. Quanto aos apartamentos, que serão 13 de tipologias T1, T2, T2 Duplex, T3, T4 e T4 Duplex.
As habitações T2 terão de 110m2 a 190m2, os T4 entre 251m2 e os 255m2, e o único T1 e T3 terão 84m2 e 196m2 respectivamente.
As Moradias de sua grande maioria V4 terão áreas compreendidas em 248m2 e os 314m2, quanto às únicas moradias V2, V3 e V5 as suas áreas serão de 188m2, 239m2 e 361m2 respectivamente.
Também de salientar que todas as habitações e moradias terão boxes fechadas com áreas compreendidas entre os 35m2 e os 59m2, algumas habitações com jardim e todas as moradias com jardim privativo.
A sua concepção está a cargo da firma Norma e arquitectura de Souto Moura."

Este esclarecimento, (que é claro, não deixa de ser também uma forma de publicidade ao empreendimento), explica o que se passa lá, mas de forma alguma nos mostra a «obra acabada»... passei lá recentemente e vi paredes de alvenaria totalmente derrubadas, na casa cuja fachada dá para a Av. dos Combatente, estando em alguns casos o tijolo a substituir a pedra. Claro que depois de rebocado e pintado não se distingue a olho nu qual o material que as constituem, mas tal desrespeita as construções originais, pois as mesmas passam a réplicas.
Vejo igualmente muito tijolo a integrar as paredes da casa principal (talvez com a intenção de a ampliar), o que também não parece grande sinal... no restauro de casas seculares deve-se respeitar o material de construção original, neste caso o granito.  Mas como o que posso observar é muito pouco e feito à distancia, só resta esperar pelo fim da obra para tirar conclusões, no entanto e baseado em outras recuperações muito mal feitas que apenas visavam o lucro imobiliário a que já assisti, estou algo inquieto. Como já aqui se disse, veremos no final...
Clique nas imagens para as ampliar
Em cima, fotografia do antigo jardim frontal da casa principal, em baixo imagem das ruínas das traseiras...
Em baixo, vemos parte da propriedade (antes do início das obras)... Vemos igualmente a casa principal, à direita e no canto esquerdo da fotografia notamos os edifícios que circundam a praça Dr. Francisco Sá Carneiro.

Imagens:
- Teófilo Rego
- Bing Maps
- Google
- Autores desconhecidos