Mostrar mensagens com a etiqueta Retratos do Passado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Retratos do Passado. Mostrar todas as mensagens

Revolta de 31 de Janeiro de 1891. (Porto)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

No dia 31 de Janeiro de 1891, sucedeu no Porto um levantamento militar que, motivado e contrário à cedência do Governo e da Coroa Portuguesa ao Ultimatum de 1890 imposto pela Inglaterra, o chamado "Mapa Cor-de-Rosa", que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique, pretendeu instalar um governo provisório e chegou mesmo a proclamar a República na Praça de D. Pedro, actual Praça da Liberdade.
No dia 01 de Janeiro de 1891 reuniu-se o Partido Republicano em congresso, de onde saiu um directório eleito constituído por: Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Homem Cristo, Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro e Magalhães Lima.
Estes indivíduos apresentaram um plano de acção política a longo prazo, que não incluía a revolta que veio a acontecer, no entanto, a sua supremacia não era reconhecida por todos os republicanos, principalmente por aqueles que defendiam uma acção imediata. Estes, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, entusiasmaram-se com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de Novembro de 1889.
As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, o pioneiro da fotografia e cinema Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.
A revolta tem início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores n.º 9, liderados por sargentos, se dirigem para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18. Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o Regimento de Infantaria 18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário.
Praça da República - Quartel de Infantaria 18 
Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, actual Praça da Liberdade, onde, em frente ao antigo e já desaparecido edifício dos Paços do Concelho (Câmara Municipal do Porto), ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República. Acompanhavam-no Felizardo Lima, o advogado António Claro, o Dr. Pais Pinto, Abade de São Nicolau, o Actor Verdial, o chapeleiro Santos Silva, e outras figuras. Verdial leu a lista de nomes que comporiam o governo provisório da República e que incluíam: Rodrigues de Freitas, professor; Joaquim Bernardo Soares, desembargador; José Maria Correia da Silva, general de divisão; Joaquim d'Azevedo e Albuquerque, lente da Academia; Morais e Caldas, professor; Pinto Leite, banqueiro; e José Ventura Santos Reis, médico.
Os Paços do Concelho, na Praça de D. Pedro
Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde, pertencente a um Centro Democrático Federal. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.
No entanto, o festivo cortejo foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, no topo da rua. O capitão Leitão, que acompanhava os revoltosos e esperava convencer a guarda a juntar-se-lhes, viu-se ultrapassado pelos acontecimentos. Em resposta a dois tiros que se crê terem partido da multidão, a Guarda solta uma cerrada descarga de fuzilaria vitimando indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis. A multidão civil entrou em debandada, e com ela alguns soldados.
Os mais bravos tentaram ainda resistir. Cerca de trezentos barricaram-se na Câmara Municipal, mas por fim, a Guarda, ajudada por artilharia da serra do Pilar, por Cavalaria e pelo Regimento de Infantaria 18, sob as ordens do chefe do Estado Maior do Porto, General Fernando de Magalhães e Menezes força-os à rendição, às dez da manhã. Terão sido mortos 12 revoltosos e feridos 40.
A guarda municipal atacando os revoltosos entrincheirados nos Paços do Concelho
Alguns dos implicados conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o Advogado António Claro alcançaram a Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.
Os nomeados para o "Governo Provisório" trataram de esclarecer não terem dado autorização para o uso dos seus nomes. Dizia o prestigiado professor Rodrigues de Freitas, enquanto admitia ser democrata-republicano: "mas não autorizei ninguém a incluir o meu nome na lista do governo provisório, lida nos Paços do Concelho, no dia 31 de Janeiro, e deploro que um errado modo de encarar os negócios da nossa infeliz pátria levasse tantas pessoas a tal movimento revolucionário."
A reacção oficial seria como de esperar, implacável, tendo os revoltosos sido julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios, ao largo de Leixões: o paquete Moçambique, o transporte Índia e a corveta Bartolomeu Dias. Para além de civis, foram julgados 505 militares. Seriam condenados a penas entre 18 meses e 15 anos de degredo em África cerca de duzentas e cinquenta pessoas. 
«Prezos civis a bordo do vapor Moçambique»
Em 1893 alguns seriam libertados em virtude da amnistia decretada para os então criminosos políticos da classe civil.
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro, passando a data a ser celebrada dado que se tratava da primeira de três revoltas de cariz republicano efectuadas contra a monarquia constitucional (as outras seriam o Golpe do Elevador da Biblioteca, e o 5 de Outubro de 1910).

Fontes:
- Redacção Quidnovi, com coordenação de José Hermano Saraiva, História de Portugal, Volume VII, Ed. QN-Edição e Conteúdos,S.A., 2004
- Rocha Martins, 1926, "D. Carlos, História do seu Reinado", Lisboa, Edição do Autor, Oficinas do "ABC"
- Wikipédia

Inauguração das piscinas do Clube Fluvial Portuense.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Clube Fluvial Portuense, foi criado em 04 de Novembro de 1876, sendo a colectividade desportiva mais antiga da cidade do Porto e a terceira mais antiga de Portugal. 
Em 1881, o rei D. Luís I concedeu ao clube o título de “Real”. Em 1931, o Clube Fluvial Portuense foi reconhecido como instituição de utilidade pública. 
O mérito do Clube Fluvial Portuense foi reconhecido, ao longo dos anos, por sucessivos Governos que lhe concederam as várias medalhas de Mérito Desportivo e, recentemente, por ocasião das celebrações do 125.º aniversário, o Colar de Honra ao Mérito Desportivo, a mais alta condecoração atribuída pelo Governo Português no âmbito do associativismo desportivo.
Visita e inauguração às piscinas do Clube Fluvial Portuense, pelo chefe 
de estado, o Almirante Américo Tomás em 23 de Junho de 1966
 Ângulo das antigas piscinas, vendo-se o Largo do Calem e casario da Rua das Condominhas
 As antigas piscinas, numa zona agora ocupada por prédios
 O Almirante Américo Tomás
 Em segundo plano: A Capela do Sr. e Sr.ª da Ajuda
 Em segundo plano: O Largo de António Calem e o Rio Douro

Imagens: 
- Arquivo Municipal do Porto (AMP)

O Natal do Sinaleiro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Como muitos o saberão, já abordamos este assunto várias vezes ao longo dos anos, na nossa página de divulgação do blogue, existente no "facebook". 
Achamos presentemente que o assunto tem interesse suficiente, para integrar uma publicação no próprio blogue.
Natal do Sinaleiro em Lisboa. 24-12-1935. Imagem in ANTT
O Sinaleiro (ou Polícia-Sinaleiro) foi uma profissão relevante, que com o evoluir da tecnologia desapareceu (ficaram os semáforos) e muito recentemente foi ligeiramente reabilitada, mas acreditamos, que apenas como uma espécie de "figura decorativa" ou evocativa de uma realidade passada.
Foi um hábito fazer ofertas de Natal a Polícias-Sinaleiro, principalmente em Lisboa. 
Tal atitude foi muito promovida pelo próprio ACP na década de 30 do séc. XX. De facto o Automóvel Clube de Portugal lançou nos anos 30, com o apoio de algumas empresas, uma campanha nacional intitulada "Natal do Sinaleiro", que se tornou muito popular nas décadas seguintes, com o apoio do Jornal "Diário de Notícias" e de o Jornal "O Século". As ofertas dos cidadãos eram de todo o tipo: Garrafas de azeite, porcos, bacalhaus, garrafões de vinho, sacos de batatas, etc. 
Natal do Sinaleiro em frente dos armazéns do Chiado 
Imagem: Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Natal do Sinaleiro. Promovido pelo ACP. Cais do Sodré

Arco do Triunfo da Rua Augusta. (Lisboa)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

É verdade. O famoso arco triunfal situado na parte Norte da Praça do Comércio, sobre a Rua Augusta, em Lisboa, não desapareceu, pelo menos aquele que presentemente lá se encontra, o que muitas pessoas não sabem, é que este mesmo arco, não é o original.
A construção do arco começou cerca de 20 anos após o terramoto de 1755, mais concretamente em 1775, mas esta primeira versão, que poderá não ter sido concluída, viria a ser demolida em 1777, após o início do reinado de D. Maria I e a demissão do Marquês de Pombal.
Em 1873, recomeçou a edificação do arco segundo o projecto do arquitecto Veríssimo José da Costa, que remonta a 1843/44, tendo ficado as obras concluídas em 1875.
Lisboa - Arco da Rua Augusta 
Albumina datada de 1862(?)*, com autoria do fotógrafo e daguerreótopista Wenceslau Cifka
Na parte superior do arco, foram incluídas esculturas de Célestin Anatole Calmels, enquanto num plano inferior se incluiriam esculturas de Vítor Bastos. As esculturas de Calmels representam a Glória, coroando o Génio e o Valor. 
As esculturas de Vítor Bastos representam Nuno Álvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marquês de Pombal. O aparelho que serviu para transportar as pesadas colunas encontra-se no Museu Militar, mesmo ao lado.
Estátua equestre de Dom José I e o Arco da Rua Augusta em construção in AML
Rua Augusta em 1890
No horizonte vemos o arco já concluído 
*Nota: Por razões óbvias, questionamos a data exacta da Albumina do fotógrafo e daguerreótopista Wenceslau Cifka, mas por vezes, temos de nos cingir às fontes informativas oficiais.

Colégio Nossa Senhora da Estrela. (Porto)

sábado, 14 de novembro de 2015

O Colégio Nossa Senhora da Estrela, não desapareceu propriamente dito, mas mudou de nome por diversas vezes e foi muito alterado e ampliado, ao longo de muitas décadas.
 Colégio Nossa Senhora da Estrela, Colégio João de Deus, Escola Augusto Gil
Com entradas pela Rua de Santa Catarina n.º 788 e pela Rua da Alegria n. º 200, o colégio era feminino e funcionava em regimes de internato, semi-internato e externato, desde o séc. XIX.

Elogios na imprensa da época:
(…) em logar salubre, e instalado em edifício amplo hygienico, com
uma direcção intelligente e maternal, e um corpo docente escolhido 
e competentíssimo, observando-se com escrúpulos todos os
ensinamentos moraes, este colégio cujo conceito está feito, deve
proferido para os que desejarem que as suas filhas tenham uma
educação esmerada.” 
- In Jornal A Pátria, 09 de Novembro de 1917

Colégio Nossa Senhora da Estrela. Imagem in; Espólio da Escola E.B. 2,3 Augusto Gil
Em 1928, o Colégio Nossa Senhora da Estrela, seria convertido num colégio masculino, que seria denominado por Colégio João de Deus, transformando-se novamente, anos mais tarde, em 1973, na Escola Preparatória Augusto Gil e posteriormente na Escola E.B. 2,3 Augusto Gil.

Vendedeiras da Cordoaria (Porto)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Já aqui falamos do desaparecido Mercado do Anjo, bem como do igualmente demolido Mercado do Peixe, ambos localizados, muito próximos um do outro.
No entanto havia quem fizesse negócio (ou pelo menos o fosse tentando) entre estes dois mercados oficiais. 
Do lado Norte da Cordoaria, perto da Cadeia da Relação, encontravam-se muitas vendedeiras a fazer concorrência ao comerciantes do Mercado do Anjo. 
Vendedeiras de castanhas em frente da Torre dos Clérigos, 1912 in AMP
Vendedeiras  no "Mercado da Cordoaria", perto do antigo Mercado do Anjo. Anos 30-40

O Rinoceronte de Dürer / O Rinoceronte de D. Manuel I.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Xilogravura de Albrecht Dürer
"Em Maio do ano de 1515, depois do nascimento de Cristo, trouxeram ao poderosíssimo Rei de Portugal, Manuel, em Lisboa, vindo da Índia um animal vivo chamado rinoceronte. Aqui se encontra desenhada toda a sua figura. Tem a cor duma tartaruga salpicada, é enormemente maciço e coberto de escamas. E do tamanho de um elefante, mas mais baixo, e muitíssimo capaz de se defender. Na parte anterior do focinho tem um corno aguçado e forte, que afia logo que se encontre ao pé de pedras. O abrutalhado animal é inimigo mortal do elefante, que lhe tem um medo tremendo. Quando se aproxima corre o animal metendo a cabeça entre as patas dianteiras do elefante, do que se não pode defender, por o animal estar tão bem armado que o elefante nada pode fazer; rasga e abre-lhe a barriga, dando cabo dele. Dizem também que o rinoceronte é lesto alegre e manhoso". 

Tradução da legenda da xilogravura de Dürer

Em 1514 Afonso de Albuquerque foi finalmente autorizado, pelo rei D. Manuel I, a enviar uma embaixada ao rei de Cambaia, solicitando autorização para construir uma fortaleza em Diu, cidade situada no reino de Cambaia, governado pelo rei Modofar. O rei Modofar não cedeu ao pedido mas, apreciando as oferendas recebidas, deu a Afonso de Albuquerque um rinoceronte. Como era impossível mantê-lo em Goa, Afonso de Albuquerque decidiu enviar o rinoceronte ao rei D. Manuel I, como presente.
A chegada do rinoceronte a Lisboa causou muito alarido e curiosidade, não só em Portugal como no resto da Europa devido, sobretudo, ao seu aspecto - o rinoceronte pesava mais de duas toneladas e tinha uma pele espessa e rugosa formando três grandes pregas que lhe davam a estranha aparência de usar uma armadura. Era o primeiro rinoceronte vivo em solo europeu desde o séc. III. O rinoceronte ficou instalado no parque do Palácio da Ribeira. Lembrando ao rei as histórias romanas sobre o ódio mortal entre elefantes e rinocerontes, D. Manuel I tinha agora a possibilidade de verificar se tal era verdade. 
Foi então organizado um combate entre os dois animais, a que assistiram o rei, a rainha e as suas damas de companhia, bem como muitos outros convidados importantes. Quando os dois animais se encontraram frente a frente, o elefante, que parecia ser o mais nervoso, entrou em pânico e fugiu mal o rinoceronte se começou a aproximar.
Em 1515, o rei D. Manuel I decidiu organizar uma nova embaixada extraordinária a Roma, para garantir o apoio do Papa, na sequência dos crescentes sucessos dos navegadores portugueses no Oriente, e com vista a consolidar o prestígio internacional do reino. Entre as ofertas encontrava-se o rinoceronte, que usava uma coleira em veludo verde com rosas e cravos dourados. A nau partiu de Lisboa em Dezembro de 1515. Ao largo de Génova surgiu uma violenta tempestade, tendo o navio afundado, perecendo toda a tripulação. O rinoceronte, embora soubesse nadar, acabou por se afogar, por causa das amarras. No entanto, foi possível recuperar o seu corpo. Ao saber da notícia, D. Manuel I ordenou que o rinoceronte fosse empalhado e enviado ao Papa, como se nada tivesse acontecido. Mas este animal não fez tanto sucesso junto do Papa como anteriormente tinha feito o elefante!
Em Portugal o rinoceronte foi imortalizado, encontrando-se representado numa das guaritas da Torre de Belém e também no Mosteiro de Alcobaça, onde existe uma representação naturalista do animal de corpo inteiro, com função de gárgula, no Claustro do Silêncio. 
O animal também foi desenhado pelo grande mestre impressor Albrecht Dürer, baseando-se numa carta  de um mercador português que continha um desenho do rinoceronte.

Fontes:
- torrebelem.pt
- cvc.instituto-camoes.pt

Grande Hotel do Porto. (Porto)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Grande Hotel do Porto em 1905
Não tendo (felizmente) até à presente data desaparecido, este hotel terá uma merecida publicação na nossa secção de "Retratos do Passado".
O Grande Hotel do Porto, abriu portas a 27 de Março de 1880. O Grande Hotel do Porto nasceu por vontade de Daniel Moura Guimarães, um abastado comerciante de arte que viajou pelo mundo e decidiu lançar ao arquitecto Silva Sardinha o desafio para conceber um hotel de referência no Porto. 
Daniel é trisavô do cantor e músico Pedro Abrunhosa, que passou muitos momentos da sua infância no hotel, onde o seu avô Álvaro Machado foi Director durante muitos anos.
Foi neste hotel onde se exilou a família imperial brasileira, em Novembro de 1889, no seguimento da proclamação da República e num dos seus quartos, um mês depois, acabaria por falecer Dona Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II e última imperatriz do Brasil.
Até meados do século XX, altura em que abriu o Infante Sagres como mais luxuosa unidade hoteleira da cidade, o Grande Hotel do Porto foi local de passagem e estada para políticos e escritores ilustres. Foi morada de Eça de Queirós, conforme comprova a sua correspondência, e o local onde o primeiro-ministro republicano Afonso Costa seria detido na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917. Serviu também de ponto de encontro para a homenagem da cidade a Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A 8 de Dezembro de 1922, milhares de portuenses concentraram-se na Rua de Santa Catarina para dar as boas-vindas aos heróis da travessia aérea do Atlântico Sul. Nessa noite, Gago Coutinho e Sacadura Cabral jantaram no Grande Hotel e tanto as fotos como a ementa em francês estão ainda hoje patentes nas paredes.
A homenagem da cidade do Porto a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a 8 de Dezembro de 1922 teve a “participação” do Grande Hotel, pois foi aí que os heróis da travessia aérea do Atlântico Sul jantaram
O hotel abriu portas com algumas novidades. Os quartos tinham água quente e fria, havia um balneário público nas traseiras, que era utilizado pela população numa altura em que não havia casas de banho na maioria das habitações. E havia também serviços originais para a época, como o de os funcionários irem à Estação de São Bento buscar os hóspedes e as suas bagagens, que chegavam de comboio.
Rua de Santa Catarina
A traça do hotel não mudou nada praticamente, nem a decoração e o ambiente das zonas públicas, como a sala de jantar ou do Bar Duque de Windsor, que é uma homenagem a outro ilustre  hóspede. Já os quartos estão bastante diferentes, já que nos primeiros tempos o sistema elétrico era mais rudimentar e não havia condutas de ar condicionado ou sistemas de prevenção de incêndios.
 Sala de jantar
 Cozinha

Fontes: 
- Diário de Notícias
- Grande Hotel do Porto

Sé de Lisboa - Obras de Restauro no Séc. XX.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Sé de Lisboa, ou Igreja de Santa Maria Maior, localiza-se na capital de Portugal. 
Actualmente é a sede do Patriarcado de Lisboa e da Paróquia da Sé. A construção da Sé teve início na segunda metade do século XII, após a tomada da cidade aos Mouros por D. Afonso Henriques, e apresenta-se hoje como uma mistura de estilos arquitectónicos. 
Esta construção está classificada como Monumento Nacional desde 1910.
Possuindo este edifício, muito conteúdo para se falar e debater, vamos no entanto, nesta publicação, apenas nos focar nas grandes obras de restauro, realizadas já no século XX.
Tendo sofrido ao longo dos anos, muitas alterações e acrescentos, grande parte das adições da era barroca foram retiradas a partir de uma grande campanha de restauro que ocorreu na primeira metade do século XX, cujo objectivo foi devolver à Sé algo de sua aparência medieval. 
Sé de Lisboa. Fachada principal no século XIX, antes das 
intervenções de Augusto Fuschini e António do Couto Abreu
Sé de Lisboa. A Catedral em início do séc. XX
O primeiro encarregado dos trabalhos, em 1902, foi Augusto Fuschini, que planeou um edifício revivalista em estilo neogótico. Augusto Fuschini demoliu algumas construções que flanqueavam a igreja, reconstruiu abóbadas, restaurou e abriu janelas e coroou de ameias o edifício. 
Sé de Lisboa - Projecto de Augusto Fuschini
Restauro da Sé, no olhar de Augusto Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini já mais adiantadas
Após a sua morte, em 1911, o projecto de restauro foi retomado e modificado por António do Couto Abreu, que passou a privilegiar as estruturas medievais ainda existentes. Foi reconstruída a abóbada da nave central, a fachada foi restaurada e refeita a rosácea, além de muitas outras alterações que deram ao edifício a aparência neo-românica que tem hoje. 
Nos planos estava incluída a construção de uma capela-mor neogótica, mas a oposição de figuras como os arquitectos Raul Lino e Baltasar de Castro salvaram tanto a decoração pós-terramoto da capela-mor como da Capela do Santíssimo.
Sé de Lisboa após as obras. Calótipo de Fionnbahrr Ó Súlleabháin
Após as reformas, a Sé foi reinaugurada em 1940, numa grande solenidade promovida pelo Estado Novo. Um Te Deum foi celebrado na Catedral no dia 05 de Maio de 1940, abrindo as cerimónias de celebração do 8.º Centenário da Fundação de Portugal e o 3.º Centenário da Independência. 
A Sé também foi importante na celebração do 8.º Centenário da Conquista de Lisboa aos Mouros, em 1947.

Fontes parciais:
- Arquivo Municipal de Lisboa (AML)
- BN

Rua de Cima do Muro da Trindade. (Porto)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

aqui falamos, embora sumariamente, desta antiga e desaparecida artéria. 
A Rua de Cima do (ou de) Muro da Trindade, foi uma artéria existente, onde hoje se localiza a Rua dos Heróis e Mártires de Angola, junto ao edifício da Ordem da Trindade, no centro do Porto. 
Era uma rua bastante estreita, como podemos observar nos clichés.
Igreja da Trindade por volta de 1900. Cliché in AMP
Igreja da Trindade. Vista aérea. Vemos a desaparecida Rua de Cima do Muro
Rua de Cima do Muro da Trindade. Na esquerda vemos o edifício da Ordem
 Escadaria em granito, de acesso aos antigos edifícios
 Esquerda da imagem: Escadaria e edifícios actualmente demolidos
Direita da imagem: Vista parcial do edifício da Ordem da Trindade
Evacuação dos habitantes para serem realojados em novos bairros
 Entrada da rua, junto à igreja da Trindade, parcialmente visível à direita
 Vista parcial da igreja da Trindade. Na esquerda vemos a desaparecida artéria
 Vista parcial do largo da Trindade e do edifício camarário
Fotografia aérea da cidade do Porto: 1939-1940. Entre muitos pormenores salientemos: O edifício branco na base da imagem é a Câmara Municipal, a seguir vemos um largo que a separa da Igreja da Trindade 
A estreita via, na esquerda da Igreja e do edifício da Ordem anexo à mesma, é a desaparecida Rua de Cima do Muro da Trindade, que actualmente, muito mais larga, se denomina por Rua dos Heróis e Mártires de Angola
Nos inícios da década de 60 do séc. XX, iniciaram-se as demolições do casario que compunha a Rua de Cima do Muro da Trindade, para ser aberta a rua que hoje se chama dos Heróis e Mártires de Angola.
 O derrube do casario da Rua de Cima do Muro
 Café Primavera, na esquina das ruas de Alferes Malheiro com a de Cima do Muro da Trindade. Este casario foi demolido nas obras de alargamento
 O derrube do casario da Rua de Cima do Muro

 Vista parcial das obras
Nasceu a "Pedreira" que se manteve por décadas
 Ângulo oposto
A nova artéria, muito mais larga
 A "novíssima" Rua dos Heróis e Mártires de Angola
Rua dos Heróis e Mártires de Angola
 Rua dos Heróis e Mártires de Angola. Cliché idêntico ao anterior

Imagens:
- BPI (digitalizações)
- Arquivo Municipal do Porto