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Mirandela - Cheia do rio Tua em 1909.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mirandela em Dezembro de 1909. O rio Tua iria atingir uma cota assustadora, galgando margens e derrubando a então única ponte.
Efeitos da cheia de 1909, BPI
Após muita pesquisa bibliográfica concordo plenamente com quem afirma que a data de construção da antiquíssima ponte é muito difícil de determinar, mas será dois séculos depois das muralhas mandadas construir por D. Dinis, ou seja, em fins do século XV ou inícios do século XVI; em 1514 andava em construção e, pelo menos, em 1536 estava concluída; Ernesto de Sales discorda da opinião de Cunha Leal que afirmou que o imperador romano Trajano mandou construir a ponte de Mirandela, alegando que D. Dinis nunca se referiu a ela e que em Mirandela nunca passou qualquer via romana militar, entre outros argumentos.
Na cheia de 23 de Dezembro de 1909, a força das águas derrubou a ponte num lanço que abrangia o 4º, o 5º, o 6º e o 7º arcos a contar da  margem direita. Na revista a «Illustração Transmontana» (nº 1 do ano de 1910) foram publicadas cinco fotogravuras do evento. A comunicação entre as duas margens passou a ser efectuada com um cestos de vaivém, o que custou a vida a duas pessoas de Golfeiras posteriormente construiu-se um tabuleiro provisório de madeira. A reconstrução dos arcos da ponte foi adjudicada a Manuel Domingues.
A ponte em 1886, tinha 20 arcos bem visíveis mas, segundo Pinho Leal, chegou a ter 22 arcos; de 1866 a Dezembro de 1909 tinha somente 19 arcos porque o 20º, do lado da vila, estava soterrado; em 1910 foram construídos 2 arcos para substituir os 4 arcos que foram destruídos na cheia de 23 de Dezembro; mediam originalmente 267,30 m, segundo o Padre Eusébio Esteves Dias e antes da cheia de 1909 media 228,5 metros; a largura média do leito da ponte antes das obras de modificação de 1876-1878 variava entre 4,8 metros e 5,3 metros; os arcos estão repletos de siglas que ajudavam o trabalho dos pedreiros.


Bibliografia:
- CMM
- BMP


Porto - Cheias do rio Douro em 1860 e 1909.

Nas duas primeiras imagens que se seguem, vemos o efeito da grande cheia do Douro ocorrida em 1860.
Clique nas imagens para as ampliar
Embora de enormes proporção (observemos o nível da água perto do tabuleiro da extinta ponte Pênsil) o facto é que, a catastrófica cheia de 1860, ficou cerca de um metro abaixo da cheia do Douro, que viria a ocorrer em 1909.
 Cheia de 1909 comparada com a cheia de 1860 in Ilustração Portuguesa

Nas imagens de baixo podemos visualizar o efeito impressionante da grade cheia ocorrida em Dezembro de 1909. Aconselhamos o nosso estimado leitor a "clicar" sobre as fotografias, de modo a ampliar as mesmas.


Na Madrugada de 21 de Dezembro detectou-se uma subida do rio, fora do normal. No Cais dos Guindais, no Porto, onde os rabelos descarregavam os produtos agrícolas vindos do Alto-Douro, estava tudo inundado. As balanças e os guindastes para o descarregamento das mercadorias, tinham só a parte superior de fora.
Durante a tarde afundam-se duas barcaças no lado de Gaia, com elas desaparecem os carregamentos que traziam toros de pinheiro e de carvão. A chuva continuava a cair com intensidade, sem parar. A maré subia e invadia com suas águas os estabelecimentos comerciais e habitações das zonas ribeirinhas do Porto e de Gaia.
Em Gaia mais 11 barcas de carga eram arrastadas pela corrente, acabando por se despedaçarem contra os vapores fundeados no Cais do Cavaco.
Na manhã do dia 22, o mercado ribeirinho da Gaia «fugira» para a Rua Direita. No Porto, a Praça da Ribeira estava meia encoberta de água.
Entretanto, da Régua chegava um telegrama nada animador, que informava que o Douro continuava a crescer. Nesse dia perderam-se mais de 60 barcas de carga, a maior parte foi barra fora. Uma delas, carregada de toros de pinheiro, engatou à passagem nos cabos que seguravam o iate inglês "Ceylon" e levá-lo-ia até à desgraça, não fora a intervenção corajosa de alguns pescadores da Afurada.
Ao fim do dia, no Porto, a Praça da Ribeira, estava submersa. Na noite desse sinistro dia 22 de Dezembro, o céu estava negro, o vento sul soprava demolidor, as águas corriam fortes e barrentas. A medição da velocidade do caudal registava as 11 milhas horárias, entretanto um novo telegrama chegava da Régua, o qual dizia que as águas continuavam a subir, sem parar.
Cheia do Douro em Dezembro de 1909. Praça da Ribeira. Cliché Alvão
Praça da Ribeira

Às primeiras horas do dia 23, o rio galgava o Muro dos Bacalhoeiros, no Porto. O pânico estava instalado entre os moradores das duas margens do Douro. A força das águas arrastou tudo, a Foz parecia um cemitério de restos de embarcações.
Ao meio-dia, com a preia-mar, o nível do rio estava a cerca de 80 centímetros do tabuleiro inferior da ponte Luís I. È programada a demolição deste com explosivos. Está batido em um metro o recorde das cheias de 1860.
Os episódios trágicos multiplicam-se. No início da tarde, perante os olhares atónitos dos milhares de pessoas que se encontravam nas margens, um pequeno bote faz a sua descida para a morte — no interior apenas um vulto, o de um homem, vindo sabe-se lá donde, de joelhos, as mãos postas a bradar a Deus e aos homens que o salvem. Num repente, defronte da Alfândega, a embarcação vira-se e é engolida, desaparecendo para nunca mais ser vista.
Em Gaia, um comerciante, proprietário de muitas barcas afundadas, enlouquece e dá entrada no Hospital do Conde de Ferreira. As notícias da época falam de suicídios, gente que ficou na miséria e desesperou.
Ao anoitecer do dia 23, a chuva e o vento abrandam.
Na manhã do dia 24 a cheia retrocede. No dia 25 o Sol brilha radioso. Podia-se enfim, dar atenção ao Natal e aos desafortunados moradores ribeirinhos que tinham ficado sem lar.
Carruagem dos bombeiros, descendo da Praça de Almeida Garrett, durante as cheias de 1909
Cheia do Douro em Dezembro de 1909. Alfândega. Cliché Alvão

Mais ou menos antigas, as cheias sempre foram uma tragédia

Cheia no Douro - Vista geral



Fonte parcial: 
- Junta de Freguesia de Santa Marinha
- BPI,  Edições da "Tabacaria Cubana"
- Joshua Benoliel
- Alvão
- AMP

Ribeira de Alcântara. (Lisboa)

domingo, 18 de março de 2012

A Ribeira de Alcântara por volta de 1912


 
ribeira de Alcântara é uma ribeira de pequena extensão, que nasce na Brandoa, no concelho da Amadora, e corre pelos vales da Falagueira, Benfica e de Alcântara para desaguar no Tejo, na freguesia de Alcântara, em Lisboa. É um curso de água que se desenvolve quase exclusivamente em meio urbano. 
A ribeira de Alcântara está actualmente canalizada em toda a extensão da travessia do concelho de Lisboa. Os trabalhos de canalização iniciaram em 1945 e ficaram concluídos em 1967.

O Rio da Vila. (Cidade do Porto)

sábado, 13 de março de 2010

Fragmento da planta da cidade do Porto com a localização do Rio da Vila
Clique para ampliar e visualizar pormenores

Rio da Vila

O rio da Vila é um ribeiro na cidade do Porto que desagua no rio Douro, em Portugal. Com o desenvolvimento urbano, o rio da Vila acabou por ser totalmente encanado.

O rio da Vila formava-se com as águas de dois mananciais:

Um nascia na zona da actual Praça do Marquês de Pombal, descia pela Quinta do Laranjal (a Avenida dos Aliados dos nossos dias), passava pelo antigo Campo das Hortas (actual Praça da Liberdade), alimentando hortas e lavadouros.

O outro tinha a sua origem nas elevações da Fontinha, descia pelo actual Mercado do Bolhão, onde se lhe juntavam as águas de mais um pequeno ribeiro e descia o que é na actualidade a Rua de Sá da Bandeira.

Os dois ribeiros juntavam-se no local onde hoje está a Praça de Almeida Garrett, em frente à Estação de São Bento, formando o rio da Vila, onde a cidade foi depositando todas as imundícies, ao longo dos séculos, transformando-o progressivamente num verdadeiro esgoto a céu aberto e um foco infeccioso.

O rio da Vila aparece indicado no documento de doação de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, do burgo portucalense ao bispo D. Hugo. É designado como Canallem maiorum, por contraponto ao "canal menor" que seria o rio Frio, mais para poente. Foi também conhecido por rio da Cividade, por passar perto do Morro da Cividade.

Em 1336, D. Afonso IV deu inicio à construção das novas muralhas da cidade que, ao se arrastar por um longo período de trinta e oito anos, terminou já durante o reinado de D. Fernando. Daí o facto de a cerca ser popularmente conhecida como Muralhas Fernandinas. Terá sido nessa altura que se terão encanado os ribeiros que se juntavam no largo fronteiro ao antigo Convento de São Bento da Ave-Maria. Num documento de 1409 o ribeiro aparece descrito como rio de Carros, por correr no subsolo desta porta aberta na muralha e que ficava em frente à igreja dos Congregados.
Rio da Vila - Término na Ribeira
Em 1763 a parte deste rio próxima da Ribeira foi coberta com a construção da Rua de São João. E em 1875 com a abertura da Rua de Mouzinho da Silveira foi encanado na parte que ainda estava a descoberto. Obras posteriores, como a construção da Avenida dos Aliados, na segunda década do século XX, foram condenando ao subsolo também os mananciais do rio da Vila.

Fontes:
- BMP
- SMAS