sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O «Tank» abandonado na estrada dos Carvalhos.

Documento/Processo, [1926] – [1926]. Local de Edição: [s.l.] Editor: [s.n.]
In: Arquivo Municipal do Porto
Antigo carro de combate / tanque de guerra, que remontaria à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 

O Mistério Resolvido: O Verdadeiro Histórico do "Tank" dos Carvalhos. 
O Início: O Erro de Arquivo e a Identidade Americana. Durante muito tempo, acreditou-se que a fotografia datava de 1926 devido a um erro de indexação do Arquivo Municipal do Porto, que arquivou a imagem sob a etiqueta genérica do ano do golpe militar fundador da Ditadura. Outro mito comum dizia que se tratava de um trator de quinta modificado artesanalmente por um civil. Ambas as premissas estão erradas. A análise visual e mecânica do veículo revela que a máquina na imagem é um Holt Gas-Electric Tank. Desenvolvido nos Estados Unidos entre 1917 e 1918 através de uma parceria entre a Holt Manufacturing Company e a General Electric, este modelo foi o primeiríssimo protótipo de tanque oficial projectado em solo norte-americano. Apenas uma única unidade de testes foi oficialmente fabricada nos EUA antes de o projecto ser abandonado pelo exército devido ao peso excessivo e problemas de refrigeração. No entanto, os planos técnicos ou peças sobressalentes da estrutura acabaram por ser ilegalmente exportados.

O Meio: O Contrabando e a Revolta de 1931
O veículo entrou em Portugal de forma clandestina através do Porto de Leixões, registado falsamente na alfândega como "trator e maquinaria agrícola pesada de lagartas" de modo a contornar o embargo de material de guerra. O seu comprador foi um engenheiro agrónomo radicado em Vila Nova de Gaia que pertencia à facção civil da Revolta de 1931 (um levantamento armado contra a Ditadura Nacional liderada por Carmona e Salazar). Num armazém isolado em Gaia, o engenheiro e os seus operários limitaram-se a adaptar o protótipo militar norte-americano: abriram frestas de tiro adicionais na estrutura de aço original e montaram suportes internos para metralhadoras e munições. Na madrugada de 1 para 2 de Maio de 1931, o tanque avançou pela Estrada Nacional nº 1 em direcção ao Porto para liderar o assalto aos quartéis fiéis ao governo. Todavia, o motor de tecnologia híbrida (gasolina e eletricidade) não suportou o esforço da subida e o veículo sofreu uma avaria catastrófica e definitiva no lugar dos Carvalhos (Pedroso). Para evitarem a prisão imediata pela polícia política, os revoltosos sabotaram o sistema de ignição e fugiram antes do amanhecer.
O Fim: O Fenómeno e o Desmantelamento para Sucata
Imobilizado na berma, o colosso norte-americano tornou-se um enorme fenómeno mediático em Portugal. Durante semanas, milhares de pessoas viajaram de todo o Norte para ver e fotografar o "Tank", originando a edição e venda em massa do famoso bilhete postal intitulado “O ‘Tanque’ abandonado na estrada dos Carvalhos”. Pouco tempo depois, o Ministério da Guerra e as forças policiais do regime confiscaram o veículo. Após peritagens técnicas, as autoridades concluíram que o tanque híbrido era demasiado pesado, lento e mecanicamente obsoleto para ser integrado no Exército Português. O protótipo foi rebocado e completamente desmantelado para sucata, sendo o metal derretido para reaproveitamento industrial. Não restou qualquer vestígio físico da máquina, convertendo o bilhete postal de Maio de 1931 no único documento histórico que comprova a passagem deste raríssimo blindado americano pelas estradas de Vila Nova de Gaia.

1 comentário:

  1. O “tanque” foi abandonado nos Carvalhos em 1.maio.1931. Tratava-se de um tractor importado em peças por um engenheiro agrónomo de Gaia que lhe montou blindagem com o objetivo de o usar num levantamento contra a ditadura, tomando com a ajuda dele os quartéis do Porto.

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