sexta-feira, 6 de abril de 2018

Capela do Senhor Jesus da Boavista. (Porto)

Esta capela não desapareceu, felizmente. O que desapareceu, ou melhor, se modificou e muito, foi o espaço que a envolvia, que foi absorvido pelo urbanismo crescente da cidade.
Segundo Germano Silva, a nosso ver, um dos mais conceituados eruditos sobre a cidade do Porto, há pouco mais de duzentos anos, antes de toda aquela zona se envolver em urbanismo, aquele local tinha mesmo o aspecto medonho de um barranco inóspito, de um perigoso precipício.
«Aquele morro altíssimo que fica entre a Rua das Antas e a igreja paroquial do Bonfim chamou-se, antigamente, o Fojo - palavra que significa "cova funda com uma abertu­ra disfarçada para apanhar animais".» 
No cimo do penhasco foram construídas, há muitos anos, por viandantes piedosos, umas "alminhas" que no século XVIII, mais concretamente em 1767, a generosi­dade do cónego da Sé do Porto José Maria de Sousa e as esmolas do povo devoto transformaram numa capela sob a invoca­ção do Senhor Jesus do Fojo que, anos mais tarde, passaria a chamar-se Senhor Jesus da Boavista.
O nome de Senhor Jesus da Boavista, assim como o topónimo Montebelo (actual Avenida de Fernão de Magalhães) têm a ver com o ambiente rural que naqueles recua­dos tempos envolvia o Fojo. 
Descrições da zona feitas ainda nos mea­dos do século XIX fazem referências a "am­plas zonas cobertas de férteis campos" e de um "panorama verdadeiramente paradisíaco" que, por esses tempos, era possível des­frutar do pequeno adro que havia em fren­te da capela, "todo circundado de arvoredo, o que o toma (ao adro) muito agradável para quem ali quiser pousar". 
Capela do Senhor da Boa-Vista - BPI - Alberto Ferreira N.º 159
Este panorama já não é possível contemplar, devido ao denso urbanismo envolvente. 
Durante o Cerco, motivado pela invasões Francesas (1832/1833) foi construí­da uma linha de defesa do Porto que, nesta zona da cidade, passava junto da capela do Se­nhor Jesus da Boavista. Por causa disso, o pe­queno templo foi muito danificado pelos obuses que a atingiram durante os renhidos combates que se travaram no alto do penhas­co do Fojo. O sítio era privilegiado porque dele era possível atingir a sempre muito mo­vimentada estrada de Valongo. A ampliação da capela feita em 1864 teve, também, entre outros, o objectivo de reparar as mazelas cau­sadas pela guerra civil que opôs as tropas de D. Miguel ao exército de D. Pedro IV. 
Assim, a capela, depois de ter sido reconstruída e obviamente ampliada em 1864, ainda lá se encontra e nela se celebra a festividade da Senhora do Porto cuja imagem se venera em altar próprio no inte­rior do pequeno templo. 

Bibliografia:
- Germano Silva in JORNAL DE NOTÍCIAS de 21-09-2014
- Biblioteca Municipal do Porto

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