Os Templos Desaparecidos da N.ª S.ª da Ajuda. (Espinho)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não é propriamente uma «Atlântida Portuguesa», mas talvez seja uma informação nova para muitos dos nossos leitores saberem que a actual cidade de Espinho, é algo relativamente recente e que o "Espinho primitivo" jaz actualmente nas águas do Oceano Atlântico.


A história de Ovar e Espinho é apontada por historiadores da região
como tendo provável início entre o fim do séc. XVII e princípio do
Séc. XVIII.

É dito que inicialmente a população apenas se mantinha na costa
nos meses da Safra, regressando ao Furadouro nos meses de Inverno.
Assim foi durante anos, até que algumas famílias decidiram fixar-se
definitivamente na zona.

A fixação dessas famílias deve ter sucedido na segunda metade do
Séc. XVIII, pois existe um baptismo registado da zona da praia de
Espinho do ano de 1771, e um Óbito registado na mesma, no ano de 1774.

Depois de estabelecidas, estas famílias tinham de andar cerca de
2 Km na lama até chegar à capela mais próxima, que era em Anta,
para o serviço religioso. Assim viveu a população sem um templo
próprio até ao ano de 1807.

Por esta altura vivia na Costa de Espinho uma família da Galiza,
constituída por dois irmãos, o Eugénio Nunes e o Marçal Nunes.
Foi precisamente o mais velho, Marçal, que mandou construir, a
seu próprio custo, a 1ª capela de Espinho.

A Primeira Capela
A 21 de Março de 1787, Eugénio Nunes enviou uma carta ao Bispo a solicitar a licença para a construção de uma capela com a invocação de Nossa Senhora da Guia. Para tal efeito, Eugénio Nunes estava disposto a oferecer para património da referida capela um poço de água, que era o único existente na costa.
A 4 de Abril de 1807, o Bispo do Porto autorizou a construção da referida capela.O culto nesta capela fez-se até ao ano de 1883, ano em que foi demolida por ser já pequena e por, entretanto, se ter construído outra com maiores dimensões e mais espaço para a população.
Em baixo temos uma imagem da primeira Capela


A Segunda Capela
O primeiro movimento tendente a construção do novo templo deu-se em 1867.
Com efeito neste ano constituiu-se uma comissão de representantes das Companhas de Pesca, composta por António de Pinho Branco Miguel, Manuel André de Lima, Francisco Soares de Araújo, António da Cunha Folha da Conceição e Francisco Fernandes Tato, para decidirem da compra da antiga capela e construção de novo templo.
Nesta altura a Capela de N.ª S.ª da Ajuda já tinha outro dono. Por morte de Eugénio Nunes os bens deste passaram para um espanhol de nome José Rodriguez que não vivia em Espinho, mas tinha um procurador chamado António Matos, que por ordem daquele, vendeu os bens a um negociante portuense, Bento José Pereira, que, por sua vez os vendeu em 24 de Janeiro de 1866 a António dos Santos Serra, do lugar da Igreja da freguesia de Gueifães, do concelho da Maia.

...
As obras iniciaram-se em 1872, mas ficaram paralisadas cerca de 7 anos, por dificuldades financeiras, (tendo-se em 11 de Março de 1879 organizada uma nova comissão, presidida peto Dr. Rufino Borges de Castro e quase todos os membros da antiga.
As obras ficaram concluídas apenas em 1883, ano em que se procedeu a sua benção. A primeira missa realizou-se no dia 29 de Junho desse mesmo ano.
Da antiga capela de N.ª S.ª da Ajuda, que entretanto tinha sido demolida, passaram para o novo templo as imagens de N.ª S.ª da Ajuda; S. Francisco e Santa Rita.
Presume-se, pela história narrada atrás, que a imagem de N.ª S.ª da Ajuda era a antiga de N.ª S.ª da Guia, continuando na nova Capela o culto de N.ª S.ª da Ajuda.
A 19 de Maio de 1886, por alvará do Cardeal D. Américo à nova Capela de N.ª S.ª da Ajuda foi elevada à categoria de igreja, passando a matriz quando em 1889, Espinho se constituiu em freguesia.
Ora em 1885 chegando aos ouvidos daquela Comissão que o Abade de Anta pensava erigir a uma confraria para se apoderar da Capela, aquela entidade zeladora apressou-se a elaborar um estatuto que, aprovado em Assembleia Geral, criaram a Irmandade de N.ª S.ª da Ajuda.
Esta foi reconhecida oficialmente quando os seus estatutos foram aprovados pelo Governador Civil de Aveiro, Dr. Manuel José Mendes em 30 de Novembro de 1885 e confirmados pelo Bispo do Porto, D. Américo Ferreira dos Santos Silva, em 26 de Janeiro de 1886.
Meio século depois, em 1938, a Irmandade de N.ª S.ª da Ajuda começava a reger-se por «NOVOS Estatutos que ainda vigoram.
Esta segunda capela foi destruída em 1906 pelas invasões do mar.
A Terceira Capela
Destruída a segunda capela em 1906, como já dissemos, a Irmandade de Nossa Senhora da Ajuda mandou construir uma terceira que se inaugurou nesse mesmo ano, no centro do Largo de N.ª S.ª da Ajuda.
Poucos anos depois era também tragada pelas ondas do mar.
A Quarta Capela
A Quarta capela foi edificada no extremo nascente-sul do mesmo local, com frente para a rua do Cruzeiro (hoje Rua 2) que, por sua vez, foi destruída em 1910.
Foi pois a partir desta data, como dissemos, que a imagem de N.ª S.ª da Ajuda ficou instalada definitivamente na Capela de Santa Maria Maior e que hoje é mais conhecida por Capela de N.ª S.ª da Ajuda.

Fonte:
Espinho
Boletim Cultural
Vol. V 1983 N.º 17
Edição da Câmara Municipal

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