A Fábrica de Lanifícios de Lordelo. (Cidade do Porto)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Fábrica de Lanifícios de Lordelo, conhecido nos seus primórdios como “Fábrica de Panos”, foi fundada em 1805 por Plácido Lino dos Santos Teixeira que construiu este edifício com dois andares: o primeiro seria para a sua habitação e o piso térreo para a fábrica de lanifícios.
No relatório apresentado ao Excelentíssimo Senhor Governador Civil do distrito do Porto em 1881 refere que a Fábrica de Lanifícios de Lordelo foi criada com a protecção das leis protectoras do Marquês de Pombal.

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O local onde a fábrica está implantada acabou por ter influência, dado que a zona virada a Oeste tem a Ribeira da Granja. Este género de indústria carece de energia hidráulica como força motriz e de água limpa para o processo de fabrico, como a lavagem de lãs, fabrico dos tintos e oacabamento dos tecidos. Assim, as águas da Ribeira da Granja possibilitariam todas estas operações.
Paralelamente o local em causa estaria rodeado de uma boa rede terrestre: estradas para o Porto e Matosinhos, consideradas como sendo as duas principais direcções; rede marítima através do Cais do Ouro possibilitando um fácil desembarque da matéria-prima, neste caso a lã, e o embarque do produto acabado, que seriam panos, tecidos, entre outros.
Estes factos talvez acabassem por influenciar Plácido Lino dos Santos Teixeira na escolha do local para implantar a sua fábrica de lanifícios.
A Fábrica de Lanifícios de Lordelo seria uma das primeiras indústrias deste género a instalar-se no local. Não existe nenhum registo de plantas da fábrica antiga o que impede saber quais eram as características das fases do edifício do século XIX.
Joaquim Morais Oliveira indica no seu estudo sobre a unidade industrial a existência de dois momentos construtivos entre 1805 e 1832. O primeiro seria a construção da fábrica ao estilo inglês e o segundo a ampliação com acrescento de outras naves até formar um pátio central.
O edifício fabril estaria distanciado da estrada de Matosinhos. Não fazia fachada para a rua, pelo contrário assumia-se como algo interiorizado. A frente urbana era ocupada pela habitação do proprietário.

Fotografia aérea de 1939


Como já foi referido a água era fundamental para todas as operações. Deste modo, era fulcral garantir a chegada e saída da água. Daí o desvio da Ribeira da Granja e o seu encosto ao edifício na fachada Sul. Realizou-se o encanamento da água limpa e outro para a suja. Este poderá corresponder à levada, que actualmente ainda se encontrano local.
Em 1832 altura do cerco do Porto, a fábrica deixa de funcionar e é ocupada militarmente pelas tropas de D. Miguel.
Nesta altura verifica-se uma destruição do estabelecimento. No relatório de apresentado ao Excelentíssimo Senhor Governador Civil em 1881 na descrição feita do edifício antigo refere que as paredes se encontram esburacadas, muito provavelmente pelos impactes de projecteis durante o cerco do Porto. No que resta do edifício antigo numa das paredes virada a Oeste verificam-se varias marcas produtos de impactes balísticos.
A actividade industrial foi retomada por volta de 1852 com a sociedade Garcia & Barbedo. O edifício foi alugado por Francisco Garcia a José Joaquim Fernandes de Sousa. Contudo, Francisco Garcia acabou por se associar a esta sociedade e fundaram a já referida colectividade.
A firma reparou o edifício, encontrando-se talvez em muito mau estado devido ao cerco do Porto. A uma escala limitada adquiriu algumas máquinas e começou a fabricar lanifícios.
Em 1853 assiste-se a uma viragem nesta unidade industrial. A manufactura passou a ser uma sociedade anónima, pertencendo a diversos indivíduos, com o nome
Companhia de Lanifícios de Lordelo.

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