Café Camanho. (Cidade do Porto)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Este café, que também servia de restaurante, ficava no lado nascente da Praça nos baixos do edifício que foi do desaparecido Banco Nacional Ultramarino.
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Nestas imagens: A Igreja dos Congregados, vendo-se o "Camanho" na esquerda das fotografias. Em segundo plano vislumbra-se parte da extinta praça de D. Pedro IV e o demolido edifício dos Paços do Concelho.
Era o mais afamado café do Porto dos meados do século XIX. Frequentavam-no, sobretudo, escritores, artistas, jornalistas, gente do Teatro. Por descrições feitas por quem conheceu bem este café, a sua sala não era muito ampla mas era arejada e bastante iluminada - uma característica pouco comum aos cafés daquele tempo que, por regra, ocupavam salas pequenas e pouco ventiladas. O estabelecimento começou por servir quase que exclusivamente bebidas. Mas não tardou que começasse a ter um esmerado serviço de restaurante sendo especialmente apreciados os pratos de peixe, os bifes e as costeletas . O Camanho, proprietário do estabelecimento, era oriundo da Espanha. "Um simpático velhote de suíças brancas, corado, de aspecto respeitável, dotado de bom coração e de uma honestidade a toda a prova" lê-se numa noticia daquele tempo. Guerra Junqueiro, Sampaio Bruno, Camilo, Oliveira ramos, Basílio Teles, Ricardo Malheiros, João Chagas e Joaquim de Araújo eram alguns dos mais assíduos frequentadores do Camanho.
Pelos finais do século XVIII, a fisionomia urbanística da actual Praça da Liberdade era muito diferente da que hoje apresenta.
Dava-se então ao amplo logradouro o nome de Praça Nova das Hortas.
Nova porque era, efectivamente, uma urbanização recente, criada onde antes medravam hortas e meloais.
O espaço onde se criou a nova praça ficava da parte de fora da muralha fernandina que, desde a Porta de Cima de Vila, na Batalha, corria ao longo da antiga Calçada da Teresa, actual Rua da Madeira; passava à ilharga do desaparecido Convento de S. Bento da Ave Maria, onde agora está a estação do caminho de ferro, e subia por um rudimentar caminho a que mais tarde se daria o nome de Calçada da Natividade, que é a Rua dos Clérigos dos nossos dias.
Um pouco mais acima, para Oriente, ficava o medieval Campo das Malvas onde a ténue chama de uma lamparina tremeluzia junto ao cruzeiro que assinalava a existência naquele preciso local do cerro dos enforcados - onde eram sepultados os corpos de quantos morriam na forca.
A criação das ruas dos Clérigos e de Trinta e Um de Janeiro, coroadas, respectivamente, pelas igrejas da Irmandade dos Clérigos Pobres e pela paroquial de Santo Ildefonso, ao juntarem-se, à entrada da Praça Nova das Hortas trouxeram a este novo espaço uma nova dinâmica de desenvolvimento que viria a alastrar pelas declives vizinhos, transformando espaços de carácter tipicamente aldeão, onde não faltavam sequer os moinhos de vento, em zonas urbanizadas.

Imagens:
- Edições Arnaldo Soares
- CMP
Fonte Parcial 
- JN

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