Quinta do Montado. (Canidelo, Gaia)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Palacete da Quinta do Montado, desde há anos em total estado de ruína, foi mandado construir em 1905 por Manuel Marques Gomes (nascido em 1867 e falecido em 1932), um homem de negócios que no final do Séc. XIX fez fortuna com o negócio do vinho.
Clique nas imagens para as ampliar
Marques Gomes foi além de um homem de negócios, um grande benemérito e filantropo, a ele se devem várias estruturas sociais e públicas da sua terra que nunca esqueceu.
Foi graças a  Manuel Marques Gomes que se construiu o vital apeadeiro de Coimbrões e foi instalada a rede eléctrica. Foi ele o responsável  por obras de beneficiação na igreja paroquial, ampliou o cemitério, fez um campo de futebol, montou fábricas de cerâmica e armazéns de vinhos, abriu estradas e contribuiu para várias obras de caridade.
Fotografia, in Panoramio
O Palacete, do qual só restam as paredes, possui 37 salas, rés-do-chão e dois andares, tinha os tectos das divisões em estuque  lavrado e as paredes eram ornamentadas com frescos. Desabitado, o palacete seria   ocupado no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. Entre 1975 e 1991, no edifício esteve instalado o Centro Popular de Canidelo e a Cooperativa para a Educação de Crianças Inadaptadas (Cercigaia). 
Posteriormente a Quinta pertenceu, ao Espírito Santo Fundos Imobiliários (Banco Espírito Santo) tendo apresentado um projecto que previa a construção de 1.100 casas ocupando uma área de 148 mil metros quadrados. Este ambicioso projecto construtivo gerou muita polémica, tendo levado a Comissão de Coordenadora de Desenvolvimento Regional do Norte a chumbar o referido projecto.
Para a Quinta  está prevista a construção de uma unidade hoteleira, tendo a entidade promotora aceite uma redução em dois terços da capacidade construtiva, no entanto isso não evitou o (no meu ponto de vista) criminoso abate de inúmeras árvores antigas.
Desta forma, não entendemos bem para onde migrou a "preocupação" pela preservação dos 100 mil metros quadrados de espaço verde que, cedidos à autarquia, iriam permitir a criação do Parque Urbano do Vale de São Paio...

Imagens: 
- Panoramio

TITAN ou TITÂ. (Porto de Leixões)

Clique nas imagens para as ampliar
Titan - Albumina atribuída a Emílio Biel
Porquê falar dos TITAN ou TITÂS se eles (ainda) não desapareceram? 
- Bem, tudo tem a sua razão de ser e estes dois itens são bem merecedores de uma, se bem que humilde, referencia. 
Como é publicamente conhecido a queda de uma peça do guindaste Titan (considerado uma peça de arqueologia industrial) terá originado, a 12 de Abril de 2012, a ruptura de uma conduta de gás no porto de Leixões, provocando várias explosões e um incêndio industrial.
As obras de construção do Porto de Leixões iniciaram-se em 13 de Julho de 1884 e os trabalhos foram dirigidos pelo engenheiro francês Wiriot, sob a fiscalização do governo português que, para tal, nomeou o Engº Nogueira Soares, autor do projecto. Projecto que, fundamentalmente consistia na construção de dois extensos paredões ou molhes (o do lado Norte com 1.579 metros e o do lado Sul com 1.147), que enraizados nas praias adjacentes à foz do Rio Leça, formavam uma enseada com cerca de 95 hectares, com fundos entre 7 e 16 metros de profundidade. Além dos paredões foi construído, igualmente, um quebra-mar que, elevando-se apenas um metro acima do zero hidrográfico, prolongava em mais algumas centenas de metros o molhe norte. Terminava este esporão numa plataforma onde emergia um farolim.
O assentamento dos molhes fez-se, preferencialmente, sobre os diversos rochedos que, ao largo, já constituíam o porto de abrigo natural: os leixões, donde resultou a designação do porto. E, para a construção dos molhes, foi utilizado o granito de pedreiras próximas, a mais importante das quais foi a de S.Gens (Custóias) que se viu ligada a Leixões por uma linha de caminho de ferro, com cerca de sete quilómetros de extensão, construída expressamente para esse fim. Chegadas as pedras aos estaleiros e oficinas, montados em Matosinhos e Leça da Palmeira, estas eram então trabalhadas e conglomeradas de forma a darem origem a enormes blocos graníticos que chegavam a atingir as 50 toneladas.
Um dos principais problemas que se colocava à construção dos molhes era exactamente a forma como se procederia para erguer e posteriormente depositar no local desejado os pesadíssimos blocos graníticos.
Para resolver esta questão a «Dauderni & Duparchy» encomendou às famosas oficinas francesas «Fives», em Lille, dois gigantescos e poderosos guindastes movidos a vapor que se deslocavam, igualmente, sobre carris. Guindastes que, pelo seu aspecto colossal, de imediato foram baptizados por titãs.
Hoje estes gigantescos guindastes permanecem e resistem sobre os molhes que construíram, quais duas titânicas estátuas erigidas à memória dos tempos pioneiros da construção do porto. A importância crucial que possuíram no contexto da edificação desta estrutura portuária, a sua imponência e força, e o valor simbólico que, ao longo do século, criaram em torno de si, merecem-nos uma atenção mais demorada.
Montados em Leixões, os titãs, dirigidos durante os primeiros anos exclusivamente por um técnico francês, de seu nome Lecrit, revelaram-se de facto como peças fundamentais na construção do porto. Paulatinamente, bloco após bloco, graças à sua acção, os dois molhes foram avançando mar adentro. Movidos a vapor (ainda hoje é possível descortinar no seu topo a «Casa das Máquinas», com as respectivas caldeiras), os titãs foram, efectivamente, utilizados para a construção do próprio porto não se tratando, ao contrário do que muita gente pensa, de guindastes para carga e descarga, pese embora tenham posteriormente desempenhado também essas funções (o do molhe sul pelo menos até aos anos sessenta do século XX).
Posteriormente à edificação dos molhes os titãs continuaram a ser utilizados para reparações nos paredões, em resultado de danos provocados pela acção tempestuosa do mar. De resto, um dos titãs foi, também ele, protagonista de um fortíssimo temporal ocorrido na noite de 22 para 23 de Dezembro de 1892. Para a memória do porto fica então a queda ao mar do colosso do molhe norte. Só mais de três anos depois, em Abril de 1896, após muitos estudos e esforços, se conseguiria recuperar aquele titã do fundo marinho, com o auxílio de potentes macacos mecânicos assentes sobre barcaças. Rapidamente recuperado, o gigantesco guindaste retomou a sua actividade.
A bacia de Leixões, vendo-se o Titan
Independentemente da sua importância e significado para Leixões e para toda a região, os titãs têm hoje uma importância acrescida pelo seu valor como testemunhas privilegiadas da era industrial e da arquitectura/maquinaria do ferro. E são tanto mais importantes quanto o facto de, aparentemente, se tratarem de exemplares únicos no mundo. Porque, se é verdade que os dois titãs tiveram outros irmãos, não é menos verdade que, nos outros casos, concluídas as construções portuárias, estes gigantes de ferro foram desmantelados. E, quando isso não aconteceu, nomeadamente na Europa, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais encarregaram-se de o fazer tendo em conta que, desde muito cedo, os portos marítimos foram alvos prioritários de bombardeamento.
O Titan e o Castelo de Leça. Cliché de autor desconhecido
Conhecemos e sabemos da existência de mais titãs, como o caso dos de Glasgow (Escócia), ou de outros na Argélia, na Nova Zelândia e em alguns portos sul-americanos. São, no entanto, de dimensões e potência inferiores, incapazes de erguer à força do vapor e da resistência do ferro, as 50 toneladas que os titãs de Leixões levantavam. Assim, a importância patrimonial destes guindastes ultrapassa já as nossas fronteiras, justificando-se o facto de nos últimos anos por várias vezes se ter aventado a hipótese da sua classificação mundial, à semelhança da Ponte D. Maria, como International Mechanical Engineering Historic Landmark.
Porto de Leixões em obras de ampliação. Vista aérea em 1934
Fontes parciais:
 APDL
-  marinaportoatlantico.net
-  Joel Cleto

O Hotel Central. (Lisboa)

domingo, 27 de janeiro de 2013

 O Hotel Central ou "Grand Hotel Central", situava-se na Praça Duque da Terceira em  Lisboa.

Este Hotel foi frequentado por figuras ilustres como Júlio Verne (que lá jantou duas vezes).
Eça de Queirós, foi também um dos seus clientes e um frequentador assíduo, tornando-o assim dos cenários privilegiados dos romances queirosianos.
Ali se hospeda o "primo Basílio", da obra homónima.
Em "Os Maias", o jantar no Hotel Central, preparado por Ega para homenagear o banqueiro Cohen, de cuja esposa é amante, proporciona a Carlos o contacto com a sociedade de elite e permite abordar a crítica literária e a literatura, a situação financeira do país e a mentalidade limitada e retrógrada. É neste hotel que Carlos, antes do jantar,tem a primeira visão da figura de Maria Eduarda, aí hospedada:
"Entravam então no peristilo do Hotel Central - e nesse momento um coupé da Companhia, chegando a largo trote do lado da Rua do Arsenal, veio estacar à porta. […]Craft e Carlos afastaram se, ela passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar." (Cap. VI).
O Hotel Central encerrou em 1919. Seguiram-se obras que remodelaram as fachadas do edifício ao estilo da década de 1920.
O rés-do-chão com a frente para a praça também seria alvo de novas alterações, mais tarde, provavelmente na década de 1940. Essa parte do edifício é actualmente ocupada com a agência de viagens Abreu, enquanto que na parte para a avenida existe a CGD e um restaurante irlandês chamado Henessys. Nas restantes fachadas existem diversos outros estabelecimentos comerciais.

Imagem:
Joshua Benoliel 
- Arquivo Municipal de Lisboa

Casal da Torrinha ou Quinta da Torrinha. (Lisboa)

sábado, 19 de janeiro de 2013

Clique nas imagens para as ampliar
Casal da Torrinha cerca de 1900. Em segundo plano vemos a Penitenciária de Lisboa
O Casal da Torrinha, era a 'Casa Senhorial' da Quinta da Torrinha, numa zona de Lisboa fortemente rural. 
Esta propriedade, junto com diversas outras quintas existentes, desapareceram com o inevitável crescimento da Capital e, neste caso exacto, deram lugar ao então Parque da Liberdade, mais tarde denominado por Parque Eduardo VII.
Casal da Torrinha antes de 1916.  Cliché de Joshua Benoliel

Citamos:

"A quinta estava situada no Vale de Pereiro, destacando-se a oriente as colinas do Castelo e da Graça, e a ocidente as do Carmo e S. Francisco, enquadradas pela envolvente rural para norte da cidade.

A transformação urbanística impulsionada pela reconstrução pombalina, que até finais do século XVIII privilegiou a zona baixa da cidade, estendeu-se a novos projectos prevendo a expansão urbana para outras zonas da cidade. O espírito da renovação subjacente aos projectos de melhoramentos da capital, entre outros aspectos, ditaram a demolição do Passeio Público pombalino (1879) para dar lugar à abertura da Av. da Liberdade e ao inicio de um longo debate público sobre o prolongamento da nova avenida, tendo sido finalmente decidido fechar a avenida, no topo norte, com a implantação de um espaço ajardinado, que viria substituir na memória dos lisboetas o desaparecido Passeio Publico."

"Os terrenos envolventes da Quinta da Torrinha, que na primeira metade do século XIX correspondiam a uma vasta área rústica de quintas, terras de semeadura, olivais e velhos casarões de tipo arrebaldino, estendendo-se entre a Rua de Artilharia Um e o caminho do Andaluz, até S. Sebastião da Pedreira, configuravam-se precisamente no ponto de expansão da cidade.Parte destes terrenos vão ser destinados ao Parque da Liberdade, cujas obras se iniciam em 1889. O novo jardim romântico será rebaptizado Parque Eduardo VII, em homenagem à visita do soberano britânico a Portugal, em 1903."
Casal da Torrinha antes de 1916. Cliché de José Arthur Leitão
Casal da Torrinha / Quinta da Torrinha
Casal da Torrinha

Imagens: 
- Joshua Benoliel
- Arquivo da CML

Largo e Capela de Fradelos. (Porto)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Capela de Nossa Senhora da Boa Hora de Fradelos, na freguesia de Santo Ildefonso, como todos os Portuenses saberão, não desapareceu. No entanto o mesmo não se poderá dizer da sua zona envolvente, que sofreu gigantescas alterações no decorrer dos anos. Nos nossos dias o terreno é delimitado pelas ruas de Sá da Bandeira, Carvalheiras e Guedes de Azevedo. Para quem não souber, informamos que nesta zona passava o rio Fradelos que desaguava no Rio de Vila. Neste terreno, existia também uma fonte pública denominada Fonte de Fradelos, cujo frontispício ostentava uma imagem de Nossa Senhora da Boa Hora. 
Capela de Fradelos em finais de 1800, vendo-se o Monte das Musas 
Na imagem de baixo, um BPI das edições Alberto Ferreira, vemos a capela inserida numa zona ainda praticamente rural, que contrasta com a actualidade (visível na última imagem) e que todos conhecemos. Notemos as alterações efectuadas na capela, com o deslocamento da torre sineira para o corpo principal.
Clique nas imagens para as ampliar
Capela de Fradelos, estando já aberta a rua Guedes de Azevedo 
A ausência de azulejos, tornam este este cliché anterior a 1929 

Sobre esta capela passamos a citar: 
No largo de Fradelos, em frente da fonte e lavadouros públicos de Fradelos, próximo da Rua de Santa Catarina. É um bonito templo e faz-se à sua padroeira uma boa festividade no dia próprio.
Tem uma irmandade, cujo rendimento anda por 280 reis anuais. Foi construída (ou reedificada) no princípio do Século XVIII.
Segundo a tradição, foi em tempos antigos, hospício de monges bentos, que para aqui mandavam os seus doentes, por ser Sítio saudável, então nos arrabaldes da cidade. Diz-se que desta circunstância lhe vem o nome de Fradellos (o que é o mesmo que Fradinhos).

(Do livro "Portugal Antigo e Moderno" de Pinho Leal)

Capela de Fradelos, actualmente in blogue Portojo
Imagens:
- AMP
- Autor desconhecido

Fonte na esquina das Ruas do Bonjardim e Sá da Bandeira. (Porto)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Clique na imagem para a ampliar
Rua Sá da Bandeira começou a ser aberta em 1836, através de terrenos que pertenciam à abandonada cerca dos padres Congregados, que fugiram do Porto, abandonando o convento, quando D. Pedro entrou na cidade à frente do Exército Libertador.
A intenção do município, ao rasgar esta nova artéria, foi a de estabelecer uma ligação rápida e directa entre a então Praça de D. Pedro e a Rua do Bonjardim. As obras começaram em 1836 mas só sete anos depois (1843) se começaram a construir casas e as primeiras que se levantaram foram as que ficaram com as traseiras voltadas para a Viela dos Congregados.
Em 1848 no cunhal do prédio que fazia esquina da nova artéria com a antiga parte do Bonjardim, ou seja, na esquina do prédio que viria, posteriormente, a dar lugar a outro onde esteve o Banco Pinto de Magalhães, construiu-se uma fonte pública, com duas bicas que era alimentada pelo manancial de Camões. Por volta de 1875 a Câmara deliberou arrasar as Vielas da Neta (já aqui abordada anteriormente) e fazer o prolongamento da Rua de Sá da Bandeira para o Norte.
Sobre esta Fonte foi publicado no  "O Tripeiro" de Abril de 1948:
«...Existiu, no ângulo direito das ruas do Bonjardim e Sá da Bandeira uma fonte, que foi demolida, tendo-se construído no local uma marquise envidraçada, que ainda lá está.»
A Fonte em 1909

Praça D. João I - Demolição do casario para abertura da mesma.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Demolição de edifícios para a abertura da Praça D. João I, na cidade do Porto.
Clique nas imagens para as ampliar
Quem passa pela Praça D. João I no coração do Porto, provavelmente nem  lhe ocorrerá sequer que este local já foi um sitio de quarteirões fechados, constituídos por edifícios seculares, pelos quais serpenteavam algumas vielas hoje inexistentes como a antiga Viela da Neta "tortuoso e imundo caminho que (até aos finais do século XIX) ligava a Rua do Bonjardim ao sítio do Bolhão". 
Da antiquíssima Viela da Neta, hoje praticamente extinta, resta um pequeníssimo troço, que presentemente está encerrado ao público. Trata-se da Travessa da Rua Formosa (onde ficava a "Casa Forte") que ligava a rua Sá da Bandeira à Rua Formosa. Esperando este quarteirão completo por umas obras que incluem habitações, lojas e um parque de estacionamento, deduzimos que brevemente a Travessa da Rua Formosa desaparecerá, extinguindo-se desta forma o que resta da antiquíssima Viela da Neta.
Demolições na zona da futura Praça D. João I no centro da cidade do Porto
Demolições na zona da futura Praça D. João I no centro da cidade do Porto 
Destaca-se o edifício da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e a rua do Bonjardim
Vista das demolições a partir da rua de Sá da Bandeira. É perfeitamente visível o Teatro Rivoli
 Praça D. João I, nos anos 50 . Note-se que ainda não estão presentes as Estátuas Equestres do Mestre João Fragoso, colocadas nos pedestais em 1960
Praça D. João I. Arquivos: Foto Beleza