Convento da Madre de Deus de Monchique. (Porto)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não é (ainda) propriamente um «Monumento Desaparecido» embora, ao longo de muitos anos, tenha "andado" como forte candidato a tal.... É um retrato do passado do Porto e um ícone, imortalizado pelo também imortal escritor, Camilo Castelo Branco...
O Convento da Madre de Deus de Monchique de Miragaia era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província de Portugal da Observância.
Em 1533, foi fundado, no sítio de Monchique (local onde existia uma sinagoga, em pleno território da judiaria) na freguesia de Miragaia, fora dos muros da cidade do Porto.
No ano seguinte, terminou a construção do edifício.
No canto inferior esquerdo da imagem de baixo: O edifício da Alfandega e o antigo Convento
Em 1535, pela bula "Debitum Pastoralis Officii" do papa Paulo III, de 12 de Novembro foi autorizada a fundação, à época em que o bispo do Porto era D. Pedro da Costa (1507-1535).
Os fundadores D. Pedro da Cunha Coutinho e sua mulher, D. Beatriz de Vilhena, cederam os paços para esse efeito, e dotaram o convento com inúmeros bens. Doaram ao convento os padroados das igrejas de São Vicente de Cidadelhe, no bispado do Porto, e de Santa Maria do Sovral e da Velosa, no bispado da Guarda.
A fundadora conseguiu ainda que o papa lhe concedesse vários privilégios.
Obteve então, licença para nomear as primeiras religiosas, a faculdade do convento guardar todos os bens que ela lhe concedesse, a possibilidade de eleger como confessores sacerdotes seculares não havendo frades nem capelão, e ainda, que ela própria e a abadessa pudessem ordenar algumas leis para o governo da casa.
Em 1538, acolheu as primeiras religiosas já observantes, sendo a primeira abadessa Dona Isabel de Noronha, filha de Rui Teles de Meneses.
A fundadora foi sepultada na capela-mor do convento, deixando a comunidade como herdeira de todos os seus bens. 
Porto. Vista parcial da cidade em 1849, por Frederick William Flower
Convento de Monchique em 1860, estando a Alfândega em construção
Vista geral sobre o convento, tirada em 1862. Em primeiro plano a Alfândega do Porto ainda em construção. Cliché da colecção Vitorino Ribeiro
No final do século XVI, viveu neste convento a venerável serva de Deus, Leocádia da Conceição.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.
Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.
Em 1834, em Agosto, foi encerrado, devido à transferência das freiras para outros cenóbios da cidade do Porto.
Vista parcial de Miragaia e Massarelos por volta de 1865 
O edifício da Alfândega Nova estaria em construção desde 1859
Vemos já o demolido Palácio de Cristal (inaugurado nesse ano, 1865) no 
canto superior esquerdo da imagem
O Convento de Monchique, tornou-se num mito. Uma mescla de poesia e encanto, símbolo do Amor mais Puro e Nobre que algum dia se escreveu em Portugal. Em "Amor de Perdição" de Camilo Castelo Branco, Teresa de Albuquerque, que da janela do seu quarto, bem virada para o rio, veria passar, pela última vez, nesse navio que se dirigia para o degredo, aonde para sempre deveria ficar, o seu Simão, que nunca lá chegaria, só porque a saudade desse amor o havia de matar logo depois, em pleno mar...
Sede da Sociedade Clemente Menéres, que seria instalada no extinto Convento de 
Monchique desde a sua fundação, em 1874
Clemente Menéres criou a Quinta do Romeu, perto de Mirandela, em 1874 e passados 140 anos, a empresa continua a produzir vinho do Porto, com Denominação de Origem Controlada do Douro, azeite e cortiça, além de ter também o restaurante Maria Rita, no Romeu.
 Sociedade Clemente Menéres


Fonte:
- Arquivo Nacional Torre do Tombo
- DN
Imagens:
- Teófilo Rego
- Frederick William Flower
- AMP

3 comentários

João Menéres disse...

Há cerca de cem anos é a sede da Soc. Clemente Menéres.

Cumprimentos pelo muito interesse deste blogue que visito sempre que o tempo permite ou o tema me espicaça.

11 de julho de 2013 às 02:24
Jorge Rego disse...

Uma maravilha, João Meneres.
Já não nos vemos há uns tempos mas... sempre atento! Abraço. Jorge Rego

27 de abril de 2016 às 00:01

Presumo que, no romance de Camilo, a utilização do convento se tratasse de mera efabulação, por já não existir ao tempo freira viva no convento. Estou certa ou errada?

10 de junho de 2016 às 17:01

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