Fábrica de Gás de Belém. (Lisboa)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A introdução do gás em Portugal como fonte de energia deve-se, sobretudo, aos avanços conseguidos no campo da iluminação citadina levados a cabo pelas Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. O problema da iluminação em Portugal constitui uma preocupação desde a 1ª Dinastia, altura em que D. Fernando manifesta o seu cuidado relativamente ao perigo que a escuridão da noite lisboeta representava. Em 1689, durante o reinado de D. Pedro II, é emitido um decreto para o Senado analisar a questão da iluminação pública de Lisboa.
Em 1780, no decorrer do reinado de D. Maria I, Lisboa começa a ser iluminada com os primeiros candeeiros a azeite. Quase meio século depois, em 1824, é emitido um decreto de iluminação pública a azeite para a cidade do Porto. Em 1834 contam-se em Lisboa 2303 candeeiros, que nem sempre acendem devido à escassez de recursos.
Em Portugal, as negociações para a iluminação a gás iniciam-se em 1835. Contudo, só em 1848 é atribuída a concessão da iluminação pública de Lisboa à Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz. A partir de então, esta empresa inicia a produção de gás de cidade, a partir do carvão, na fábrica da Boavista. Porém, é de salientar que no início da década de 40, ainda antes da iluminação da cidade de Lisboa, Joaquim Pedro de Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, instala no seu Palácio das Laranjeiras os primeiros candeeiros a gás, como sinal de exuberância.
É, sobretudo, a partir de meados do século XIX que o gás de cidade passa a ser consumido inclusive ao nível doméstico, tendo a fábrica da Boavista que aumentar a sua capacidade de fornecimento. Face à inevitabilidade do surgimento de uma companhia concorrente, em 1887 é criada a Companhia Gaz de Lisboa. Um ano depois, esta empresa constrói a sua fábrica em Belém, com uma dimensão ligeiramente maior que a fábrica da Boavista.
Fábrica de gás de Belém, caminho de Pedrouços até à Torre
Fotografia de Joshua Benoliel em 1912
Perante os efeitos da concorrência, a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz e a Companhia Gaz de Lisboa fundem-se, em 1891, passando a designar-se Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. Inicia-se, assim, um ciclo de produção de gás de cidade, igualmente conhecido como gás iluminante, que vem beneficiar a população, melhorando as suas condições de vida em vários níveis.
Fotografia aérea sobre a zona de Belém 
Vista da  fábrica de gás de Belém
No início do séc. XX, a fábrica de gás em Belém suscita a indignação pública pelo facto de estar situada junto à Torre de Belém. Como resposta às manifestações públicas, dá-se a deslocação dos dois gasómetros das para um local mais afastado – Vila Correia, onde permanecem activos até 1954.
Fábrica de gás, situada desde 1887 junto à Torre de Belém
Fotografia de 1912
Torre de Belém e a fábrica de gás
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Durante o processo de construção da Fábrica da Matinha, toda a produção das "Companhias Reunidas de Gás e Electricidade"é garantida pela fábrica de Belém, que só termina a sua laboração em 1949.

Bibliografia:
-  in galpenergia.com
Imagens:
- Joshua Benoliel
- AML

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