D. Pedro II, o Imperador do Brasil, visita o Porto em 1872.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

D. Pedro II era filho de D. Pedro IV de Portugal, o imperador D. Pedro I do Brasil, e de D. Maria Leopoldina.
D. Pedro II. Imperador do Brazil (Brasil) em 1870. Vestido com o uniforme de almirante aos 44 anos de idade
Em 1872 e após uma viagem a vários países da Europa, D. Pedro II visita o Porto, instalando-se no Hotel Louvre. 
O primeiro andar do Hotel foi destinado aos Imperadores, e o segundo para a sua comitiva. Segundo consta, Maria Huguette de Melo Lemos e Alves, a proprietária do Hotel apresentou no final da estadia uma conta tão elevada que o Imperador não pagou. A hoteleira queixou-se aos tribunais que lhe deram razão e partiu para o Brasil para cobrar a dívida imperial. Dois portugueses radicados no Brasil acabam por pagar a conta e a Maria Huguette regressou a Portugal.
Durante esta memorável visita ocorre um acontecimento singular e totalmente inesperado. 
D. Pedro manda um recado ao escritor Camilo Castelo Branco para que este o visitasse no Hotel. O escritor recusa, mandando dizer que está doente. O imperador não aceita a desculpa e manda-lhe dizer que se ele não o fizer que o irá visitar na sua casa. Em 1872, Camilo Castelo Branco recebeu D. Pedro II, imperador do Brasil, na sua casa da rua de São Lázaro, no Porto.

No livro “Viagem dos Imperadores do Brasil em Portugal”, os bacharéis José Alberto Corte Real, Manuel António da Silva Rocha e Augusto Mendes Simões de Castro descrevem os preparativos da cidade do Porto para receber D. Pedro II. 
Citamos:
“Era esplendido o aspecto, que a cidade offerecia desde a ponte pênsil até á praça de D. Pedro, e d'ahi pelas ruas dos Clérigos e de Sancto António, íngremes e fronteiras, e por isso em posição apta para o effeito de ornatos e illuminações. Arcos, ricos pavilhões, coretos, postes, bandeiras, damascos, galhardetes, movimento alegre da população, haviam transformado em templo festivo a laboriosa cidade do trabalho e da industria.
Duas linhas de bandeiras tremulavam nas guardas da ponte pênsil, seguindo-se a praça da Ribeira, elegantemente adornada com mastros, bandeiras, columnatas, pyramides e vasos com flores, plantas naturaes, e além d'isto um elegante pavilhão.”
Aspecto que teria a cidade do Porto quando da chegada  de D. Pedro II 
Vista parcial da cidade, com destaque para a ponte D. Maria II ou ponte Pênsil 
Calótipo de Frederick William Flower
Arco triunfal na rua dos Clérigos 
Imagens provenientes de "O Porto e os seus fotógrafos" coord. Teresa Siza Porto 2001
 Arco Triunfal no cimo da rua S. João encimado por rematado por três estátuassimbolizando a da esquerda a Liberdade, a do meio o Porto e a da direita a Justiça
 Arco triunfal, em estilo manuelino na entrada da rua das Flores
Pavilhão da Feira de S. Bento, junto ao demolido Mosteiro de S. Bento de Avé-Maria
D. Pedro II visita, entre muitos outros sítios (como o palácio da Bolsa ou a igreja de S. Francisco) a igreja da Lapa, local onde se encontra o coração que D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil), seu pai, doou à cidade do Porto 
Cliché da Phot.ª Guedes
Igreja da Lapa. Cliché da Phot.ª Guedes
Na visita aos Paços do Concelho do Porto, presta homenagem à estátua de D. Pedro IV, seu pai

3 comentários

Campos do Lima disse...

Inccrível, adoro este blog, tem coisas muito interessantes e acho que faz um óptimo trabalho!! Mas afinal porque é que D.Pedro II queria que o escritor Camilo Castelo Branco visitasse o tal hotel?

19 de janeiro de 2015 às 01:58

Que pena estes arcos não existirem mais, eram tão bonitos.

10 de abril de 2015 às 15:05

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