Grande Hotel do Porto. (Porto)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Grande Hotel do Porto em 1905
Não tendo (felizmente) até à presente data desaparecido, este hotel terá uma merecida publicação na nossa secção de "Retratos do Passado".
O Grande Hotel do Porto, abriu portas a 27 de Março de 1880. O Grande Hotel do Porto nasceu por vontade de Daniel Moura Guimarães, um abastado comerciante de arte que viajou pelo mundo e decidiu lançar ao arquitecto Silva Sardinha o desafio para conceber um hotel de referência no Porto. 
Daniel é trisavô do cantor e músico Pedro Abrunhosa, que passou muitos momentos da sua infância no hotel, onde o seu avô Álvaro Machado foi Director durante muitos anos.
Foi neste hotel onde se exilou a família imperial brasileira, em Novembro de 1889, no seguimento da proclamação da República e num dos seus quartos, um mês depois, acabaria por falecer Dona Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II e última imperatriz do Brasil.
Até meados do século XX, altura em que abriu o Infante Sagres como mais luxuosa unidade hoteleira da cidade, o Grande Hotel do Porto foi local de passagem e estada para políticos e escritores ilustres. Foi morada de Eça de Queirós, conforme comprova a sua correspondência, e o local onde o primeiro-ministro republicano Afonso Costa seria detido na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917. Serviu também de ponto de encontro para a homenagem da cidade a Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A 8 de Dezembro de 1922, milhares de portuenses concentraram-se na Rua de Santa Catarina para dar as boas-vindas aos heróis da travessia aérea do Atlântico Sul. Nessa noite, Gago Coutinho e Sacadura Cabral jantaram no Grande Hotel e tanto as fotos como a ementa em francês estão ainda hoje patentes nas paredes.
A homenagem da cidade do Porto a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a 8 de Dezembro de 1922 teve a “participação” do Grande Hotel, pois foi aí que os heróis da travessia aérea do Atlântico Sul jantaram
O hotel abriu portas com algumas novidades. Os quartos tinham água quente e fria, havia um balneário público nas traseiras, que era utilizado pela população numa altura em que não havia casas de banho na maioria das habitações. E havia também serviços originais para a época, como o de os funcionários irem à Estação de São Bento buscar os hóspedes e as suas bagagens, que chegavam de comboio.
Rua de Santa Catarina
A traça do hotel não mudou nada praticamente, nem a decoração e o ambiente das zonas públicas, como a sala de jantar ou do Bar Duque de Windsor, que é uma homenagem a outro ilustre  hóspede. Já os quartos estão bastante diferentes, já que nos primeiros tempos o sistema elétrico era mais rudimentar e não havia condutas de ar condicionado ou sistemas de prevenção de incêndios.
 Sala de jantar
 Cozinha

Fontes: 
- Diário de Notícias
- Grande Hotel do Porto

1 comment

João Menéres disse...

Um belo hotel, sem margem para hesitações !

19 de outubro de 2015 às 18:47

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