O sinal de trânsito mais antigo da cidade de Lisboa.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Placa de 1686
Podemos ainda vê-la, numa parede, na Rua do Salvador em Alfama.
Esta placa foi mandada afixar por Sua Majestade, o Rei D. Pedro II, no ano de 1686, para orientar os veículos de tracção animal, como caleches, coches, carros de bois ou carroças que passavam por esta estreita artéria.
Na realidade o Rei mandou colocar/afixar 24 sinais de trânsito, mas desses 24 apenas este sobreviveu até aos nossos dias.

Citando:

ANO DE 1686
SUA MAJESTADE ORDENA
QUE OS COCHES, SEGES
E LITEIRAS QUE
VIEREM DA PORTARIA
DO SALVADOR RECUEM
PARA A MESMA PARTE

Na prática, quem descia perdia a prioridade em relação a quem subia a artéria.
Esta rua, actualmente vista como uma simples e estreita travessa, entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São Tomé, teve no entanto uma relevante importância há cerca de 400 anos atrás, quando era o veio de ligação entre as portas do Castelo de São Jorge e a Baixa.
Quem desobedecesse a estes sinais de trânsito, pagaria 2 mil cruzados de multa e corria o risco de ser  exilado para o Brasil.

Gripe pneumónica de 1918-1919.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Os valores exactos sobre o número total de vítimas mortais causadas pela gripe pneumónica de 1918-19, é absolutamente desconhecido. Ninguém pode apresentar um número com exactidão.
Os eruditos mais clássicos e talvez mais optimistas, têm defendido que a estimativa mais baixa será de 21 milhões de mortos, entre 1918 e 1919. Isto numa população mundial de quase 2 mil milhões, naquela altura. Outros estudos mais recentes feitos por epidemiologistas defendem no entanto que a pneumónica matou, pelo menos, 50 milhões de pessoas, aproximando-se talvez até do dobro, ou seja dos 100 milhões. A ser verdade, no período de pouco mais de um ano, a pandemia gripal matou mais pessoas do que a famigerada "Peste Negra" no período de um século e do que a Primeira Guerra Mundial (Cerca de 8 milhões de mortes, entre 1914 e 1918). Em Portugal também não existe um número exacto de vítimas. 50.000 ou 60.000 mortos, são os valores mais defendidos. Temos de ter em conta que a maioria dos países, não possuía ainda recenseamentos populacionais e existe ainda a agravante de muitos casos terem sido mal diagnosticados...
Em final de Setembro de 1918, segundo relatos da época, na cidade de Lisboa e nos arredores da capital, as escolas estavam fechadas e sem previsão de abertura do ano lectivo, estavam também proibidas feiras e romarias.
Muitos dos estabelecimentos mantinham as suas portas trancadas ao público. 
Nos mercados da altura escasseavam bens alimentares de primeira necessidade como o pão, a carne e o leite, que aumentara consideravelmente de preço. As ruas estavam quase desertas e os eléctricos passavam com as cortinas e as portinholas sempre fechadas.
Na Junqueira, as pessoas aguardam a abertura do armazém regulador de preços a cargo da Assistência 5 de Dezembro, em 1918. Cliché de Joshua Benoliel in Arquivo Municipal de Lisboa
Thomaz de Mello Breyner, 4º conde de Mafra, médico no Hospital de São José, escreveu no seu diário pessoal:

"19 de Outubro: "Fui ao Hospital e lá tive a certeza de que a epidemia de gripe pneumónica continua assustadora. Em média entram 100 doentes nos hospitais e morrem 30 a 40! Acabou-se em Lisboa o pano especial de cobrir caixões! Todas as flores da Praça são para os mortos."

"21 de Outubro: A mortalidade é medonha. Acabou-se o pano para forrar caixões, acabaram-se as flores no mercado, há enterros toda a noite!! Nem a peste grande 1569 foi assim!!!"

De facto, a situação atingiu tal magnitude que, em apenas um dia, realizaram-se 250 enterros; descobriram-se famílias inteiras mortas nas suas casas e a Direcção-Geral dos Hospitais Civis de Lisboa solicitou à Câmara Municipal para que abrisse uma vala comum no cemitério dos Prazeres.
Ambulância da Cruz Vermelha. Cliché de Joshua Benoliel in Arquivo Municipal de Lisboa
Dois dos videntes de Fátima, Francisco e Jacinta Marto, viriam a ser vítimas mortais da epidemia
Hilda Ophélia Paz dos Reis, filha de Aurélio da Paz dos Reis, seria também vítima da gripe. Aurélio nunca aceitaria a morte da filha de quem muito gostava. Hilda Paz dos Reis, na Praça de D. Pedro, c.1909
Segundo o professor de medicina Joaquim Alberto Pires de Lima, a quem a segunda vaga da epidemia apanhou no Vale do Ave, uma zona simultaneamente agrícola e altamente industrializada, não existiam dúvidas de que os mais afectados pela epidemia eram os que viviam em piores condições (Lima 1918). E o médico Costa Maia manifestou a sua concordância com esta posição na sua dissertação, ao afirmar que, “sem querer contestar a veracidade desta afirmação do ilustre professor” [Almeida Garrett], corrobora Pires de Lima ao sublinhar a importância das habitações sem condições higiénicas, insinuando que estas seriam os focos de onde as infecções irradiariam “unindo depois pobre e rico numa solidariedade fatal” (Maia 1920). Aliás, cita, em conclusão desta abordagem, o testemunho da mais importante autoridade médica em matéria de epidemias, Ricardo Jorge, que dirigiu o combate à pandemia de 1918-19 em Portugal. Na opinião deste, o seu impacto foi maior sobre os mais pobres. Escreveu mesmo a este respeito numa obra coetânea em que procura fazer a síntese da pandemia: “Se todas as classes pagaram o seu tributo, ele pesou mais pesadamente sobre os mais humildes: os horrores da epidemia juntaram-se aos da miséria” (Jorge 1919, 25).
Viatura dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses
Passado o período mais dramático, que ocorreu em Outubro, a epidemia foi-se atenuando e lentamente se desvanecendo ao longo do mês de Novembro
-José Manuel Sobral e Maria Luísa Lima« A epidemia da pneumónica em Portugal no seu tempo histórico »Ler História, 73 | 2018, 45-66.-
- Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa
- Diário de Notícias
- Biblioteca Municipal do Porto

Capela da Quinta da Fraga ou do Senhor do Carvalhinho. (Porto)

domingo, 1 de março de 2020

A Quinta da Fraga teria sido criada por meados do século XVI, estando na posse de Francisco Dias e de sua mulher Isabel Pinto. Em finais do século XVI, os Jesuítas, instalados no colégio de São Lourenço no Porto, procuravam grandes espaços de produção e relaxamento. 
A quinta da Fraga localizada no monte das Fontainhas e com a frente virada para o rio Douro era o sítio ideal. 
Calçada da Corticeira, vista de Vila Nova de Gaia, por volta de 1860
Calótipo atribuído a Frederick William Flower 
 Pormenor do Calótipo atribuído a Frederick William Flower. Vemos a Casa e Capela da Quinta da Fraga
Segundo Jorge Ricardo Pinto, a quinta da Fraga estendia-se desde a actual Rua Duque de Palmela até às margens do rio Douro, tratando-se pois de um enorme território.
A quinta produzia nessa altura, milho (que permitia fazer broa e pão), frutas, produtos hortícolas variados e localizava-se numa zona rica em água, sendo que essa mesma água nascia na fonte de Mijavelhas e, entrando pela quinta do Bispo (actual cemitério Prado do Repouso) desviava-se depois para os terrenos da quinta, podendo assim alimentar os diferentes moinhos que o território possuía.
No de 9 de Fevereiro do Ano da Graça, de 1573 Francisco Dias doou a quinta aos padres Jesuítas com condições perpétuas de pagarem, por ano, 25 alqueires de milho, 10 alqueires de pão e 100 réis. Porém, em 1596, estas medidas foram suspensas pela própria Coroa e os jesuítas tornaram-se nos proprietários da quinta da Fraga.
Muito se poderia escrever sobre esta propriedade e a sua História, ao longo dos séculos, mas tal seria merecedor de um livro, pelo que vamos aqui resumir o mais pertinente.
Em consequência do inevitável crescimento e urbanização da cidade do Porto, que aos poucos adulterou a enorme propriedade, gostaríamos de referir um pormenor: A existência de mais de uma capela nesta pequena zona, uma que já mereceu uma publicação nossa que pode ser consultada AQUI e que actualmente se encontra em ruínas. Curiosamente ambas se intitulavam de "capela do Senhor do Carvalhinho". As ruínas da actual capela que se podem observar num ponto alto do monte das Fontainhas, à direita quem desce a calçada da Corticeira a capela do Senhor do Carvalhinho, da quinta da Fraga situava-se na margem do rio Douro. A capela de que ainda hoje existe, a uma cota mais elevada, era sem dúvida mais simples. 
Referindo George Balck, que identificou esta propriedade como sendo a capela da Senhora do Carvalhinho.
Pouco se sabe, infelizmente, sobre a actual capela em ruínas. 
Mas voltando à questão da aparentemente "verdadeira e autêntica" capela do Senhor do Carvalhinho. Desconhece-se a origem ou atribuição do nome "Carvalhinho" mas pensa-se que terá será a forma abreviada de "Senhor Jesus do Carvalhinho", a quem a capela era dedicada.
Em meados da década 20 do século XIX, antes do cerco do Porto, a propriedade
da Quinta do Carvalhinho que como já referimos estava localizada no fundo da encosta das Fontainhas, pertencia a António Joaquim Soares, do qual pouco se sabe. Durante o Cerco do Porto, a capela e as suas habitações seriam usados para quartel da marinha de D. Pedro IV, em função da sua localização, já que os barcos da marinha podiam estar atracados neste ponto da margem do Douro, fora do alcance dos miguelistas.
Em 1840, todo o terreno da Quinta do Carvalhinho é arrendado por Thomas Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino. A 13 de Novembro de 1841, os novos proprietários instalam-se na capela, nas arrecadações atrás da capela montam os fornos e os equipamentos necessários para produção de peças de cerâmica.
Em 1848, um depósito de louças situado na rua da Esperança associa-se à Fábrica do Carvalhinho, que em 1853 tem capital suficiente para finalmente comprar o terreno da Quinta do Carvalhinho e reconstruir a Capela do Senhor do Carvalhinho. De facto, existia uma inscrição na capela que dizia: “Reedificada em 1853 por seus proprietários Thomaz Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino.”
A Fábrica de Cerâmica do Carvalhinho foi fundada em 13 de Novembro de 1841 por Tomás Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino, tendo adoptado como nome de firma "Thomaz Nunes da Cunha & Cª". Instalou-se justamente na Capela do Senhor do Carvalhinho (que deu o nome à empresa), enquanto o forno e as oficinas funcionavam em alguns barracões anexos à fábrica. Apenas na década de 20 do séc. XX a fábrica de mudaria para Vila Nova de Gaia.
A capela do Senhor do Carvalhinho foi demolida em 1943 em consequência da abertura da Av. Gustavo Eiffel (marginal).
Capela do Senhor do Carvalhinho, sendo demolida em 1943 in AHMP
Bibliografia:
-AHMP - Arquivo Histórico, Casa do Infante
-Pereira, Hugo. 2007. Fábrica Cerâmica do Carvalhinho - História e Acção Social, Desportiva e Cultural. 1º 
Encontro de História e Investigação. Porto: Departamento de História e Estudos Políticos e Internacionais da Faculdade 
de Letras da Universidade do Porto. P. 4.
-Biblioteca Municipal do Porto

Colégio Mouzinho de Albuquerque / Colégio Portuense. (Porto)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O antigo Colégio Mouzinho de Albuquerque funcionou num edifício antigo, estilo palacete, que mais tarde albergaria outro Colégio, o Colégio Portuense.
Localizava-se este edifício, no número 1.500 da Rua de Santa Catarina, quase em frente à “Casa de Saúde de Santa Catarina”.
Colégio Mouzinho de Albuquerque, que também se chamou Colégio Portuense e que existiu na Rua de Santa Catarina n. 1500. Destaque para um cartaz colado no muro do colégio, alusivo ao São João do Porto, de 1939
Jardim do Colégio Mouzinho de Albuquerque, que existiu na Rua de Santa Catarina n. 1500
Festa de final de ano do Colégio Portuense
Cliché remetido por leitor
O Colégio Portuense, foi comprado em 1958 pelo padre António Maria Pereira Barros, que foi durante anos o seu Director. Encerraria portas por altura do 25 de Abril de 1974 e lamentavelmente o palacete seria demolido pouco tempo depois dessa data, pelo que conseguimos saber, a demolição ocorreria em 1975.

Clichés:
-AHMP
- Autor desconhecido

Capela de Santo António da Praça. (Braga)

domingo, 26 de janeiro de 2020

A capela de Santo António da Praça, passou por várias alterações, desse que foi fundada, inicialmente como uma singela ermida, no entanto, esteve mais de quatrocentos anos, localizada na antiga Praça de Touros, mais conhecida actualmente por Praça do Município. 
A capela era então propriedade da confraria de Santo António da Praça, uma confraria que nos dias de hoje ainda continua em funcionamento.

Capela de Santo António, ainda rebocada e caiada de branco, antes da demolição para permitir a abertura da Rua Eça de Queiroz
O desenvolvimento urbanístico de Braga, ao longo da primeira metade do séc. XX, conjuntamente com o aumento da população, conduziu a que a Autarquia de Braga projectasse uma nova artéria de ligação entre a Praça do Município e a rua Francisco Sanches. 
Essa nova ligação, condenava a capela à demolição.

Antiga Capela de Santo António da Praça de Touros, c.1949, na Praça Municipal de Braga. Situava-se ao lado da Biblioteca Pública, sendo demolida nesse mesmo ano
Em 1949 e só após um acordo entre a Câmara Municipal e a confraria, a capela de Santo António, seria demolida.

Abertura da Rua Eça de Queiroz, em 1949, vendo-se ainda a fachada lateral da Capela de Santo António na esquerda da imagem. Cliché in SIPA  
Rua Eça de Queiroz, já após a demolição da Capela de Santo António

Fontes parciais:
-C.M.B.
-Biblioteca Municipal
-SIPA

Palacete Morais Alão Amorim. (Porto)

sábado, 11 de janeiro de 2020

Já aqui abordamos ao longo dos anos e em diversas publicações, o Palacete que existiu na antiga Praça de D. Pedro, onde por muitos anos, mais exactamente desde 1819, funcionaram os Paços do Concelho do Porto e que foi propriedade de Monteiro Moreira.
Falemos agora um pouco de um edifício adjacente, talvez algo menos imponente, mas não menos importante.
Adjacente aos Paços do Concelho, erguia-se um outro edifício majestoso, o Palacete de Morais Alão Amorim. O conjunto destes dois edifícios, definiam a Praça de D. Pedro a Norte.
Praça de D. Pedro IV, antes das demolições de 1916. Vemos o Palacete de Monteiro Moreira, que serviu de Paços do Concelho, na direita da imagem e na esquerda o Palacete de Morais Alão Amorim. Cliché in AHMP
Palacete Morais Alão, "atrás" do poste de iluminação pública, na esquerda da imagem. Cliché in AHMP

O bonito Palacete de Morais Alão Amorim, que serviria também como edifício de apoio aos Paços do Concelho, era tal como este último, datado da primeira metade do séc. XVIII e ostentava Pedra de Armas, ou Brasão.
Brasão in AHMP
O Palacete de Morais Alão teria no futuro exactamente o mesmo destino do edifício ocupado pelos Paços do Concelho (Palacete de Monteiro Moreira)
Ambos "sobreviveram" até 1916, quando foram demolidos para permitir a abertura da Avenida dos Aliados, como já referimos em publicações anteriores.

Fonte das Águas Férreas. (Porto)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Fonte das Águas Férreas no seu local original (J. Bahia. Júnior, 1909: 71) - Ed. Porto Desconhecido e Insólito, Porto Editora
Localizada junto à Rua das Águas Férreas e a escassos metros da Rua da Boavista, a Fonte das Águas Férreas, era abastecida por um manancial descoberto em 1784 e teria sido edificada cerca de uns 5 anos após a descoberta do mesmo. 
Era uma fonte em alvenaria de granito, que possuía duas bicas de onde brotavam águas ferruginosas e assim, à luz da época, consideradas águas medicinais. 
A maior afluência a esta fonte decorreria durante o séc. XIX, pelo que a fonte chegou a ter um guarda, o célebre "Cartola" assim chamado por usar sempre uma cartola na cabeça. 
Grande parte da população que procurava esta fonte, eram raparigas jovens, pelo que os rapazes tinham por hábito dar uma moeda ao "Cartola" para que ele os deixasse beber pela mesma caneca usada pela moças.
A fonte esteve abandonada e literalmente coberta por mato, muitos anos, até ser desmontada, pedra a pedra e voltada a ser erguida no actual Parque da Cidade do Porto, local em que pode ser vista.

Citamos:
“A Fonte das Aguas Férreas situada dentro da quinta de Santo Antonio das Aguas Férreas foi por muito tempo considerada como agua minero-medicinal e ainda, parece contar alguns crentes. De muito boa construcção, está colloeada a nivel inferior do solo e a ella se desce por uma larga escadaria de pedra.
Tem duas bicas, sendo cada uma d'ellas de nascente propria e, ainda, ao lado direito da fonte, se encontra um recipiente rectangular, de granito, medindo 0,70m de comprimento por 0,28m de largura e com uma profundidade de 0,64m onde propria mente é a nascente medicinal das Aguas Férreas. Este óculo está fechado com tampa de ferro e cadeado, estando de posse da chave um guarda que, tem a seu cargo vigiar esta fonte. No jardim, por detraz d'ella, vê-se o óculo de entrada para as suas duas minas.” 

J. Bahia Junior

Fonte das Águas Férreas in JN
 Local onde esteve localizada a fonte. Actualmente é um Parque de Estacionamento. A fonte estava aproximadamente onde vemos a letra -P-
In Google Maps
 Actual Parque de Estacionamento. Local onde esteve a fonte, in Google Maps
Fonte das Águas Férreas no Parque da Cidade


O Hotel de Francfort. (Porto)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

O Hotel Francfort, foi construído em 1851, por iniciativa do rico negociante da praça do Porto, Luis Domingos da Silva Araújo. O terreno onde se ergueu o Hotel tinha má fama, pois servira, antes, de cemitério de cães. O Porto foi uma das primeiras cidades da Europa a ter um terreno para o exclusivo enterramento de cães. Era um terreno em forma de cunha pois fazia gaveto entre duas das mais movimentadas artérias do Porto do século XIX: a rua do Laranjal que tomou o nome de uma quinta com esse nome; e a rua de D. Pedro (D. Pedro IV de Portugal e D. Pedro I do Brasil) que primitivamente se chamara rua do Bispo, por ter sido aberta em terrenos que eram da Mitra, ou seja, da diocese; e à qual, após a implantação da República, deram o nome de Elias Garcia, um grande propagandista dos ideias republicanos.
Rua de D. Pedro. O Hotel de Francfort, em baixo do qual funcionava o Café Chaves
Rua de D. Pedro. Destaque para o Hotel de Francfort, em baixo do qual funcionava o Café Chaves, que passaria para a Cordoaria, após a demolição, e o edifício do Credit Franco-Portugais
BPI - Editor, Alberto Ferreira 
Foi muito procurado, especialmente, por pessoas do Teatro, como actores e músicos, na sua maioria. Uma das celebridades que por lá passou foi a actriz Elisa Hensler que veio a casar com o rei D. Fernando
As obras para a abertura da Avenida das Nações Aliadas, vulgo Avenida dos Aliados, foram inauguradas em 01 de Fevereiro de 1916.
O projecto desta avenida sacrificou todo o casario, ruas e travessas entre a Praça de D. Pedro, actual Praça da Liberdade e a Praça da Trindade.
A rua de D. Pedro (posteriormente iria ser alterado o nome para rua de Elias Garcia, devido à implantação da República em 1910) seria uma das várias artérias a desaparecer.
O Hotel de Francfort ainda funcionava e tinha hóspedes quando o camartelo municipal o começou a demolir. 
Ao noticiar a demolição, um jornalista da época escreveu que “algo de saudoso lhe custava a desprender-se do sítio onde estava”.
Início das demolições

Bibliografia e imagens:
- AHMP
- Germano Silva
- BMP

Hotel Lisbonense. (Porto)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O magnífico Hotel Lisbonense começou por funcionar no Largo do Carmo, tendo sido mais tarde, transferido para o nº 1 da Rua de Sá da Bandeira, e nas suas antigas instalações, estabeleceu-se então o Hotel Novo Lisbonense que antecedeu no local, o Hotel Âncora de Ouro.
Seria por volta de 1842, que começaria a ser aberta a ligação entre a Praça Nova e a Travessa dos Congregados, a que foi atribuído o topónimo de Rua de Sá da Bandeira. Esta rua, por sua vez "amputou" e substituiu parte da Rua do Bonjardim, ou seja o pequeno troço que ligava à Praça de Almeida Garrett.
Hotel Lisbonense, c.1922
Seria derrubado nos anos 60
O segundo troço, ou fase, desta rua, (entre a travessa dos Congregados e a Rua Formosa) surgiria um pouco mais tarde, apenas entre os anos de 1875 e 1880.
Deste modo, tendo o Hotel Lisbonense sido transferido do Carmo, em 1863, para a Rua de Sá da Bandeira, nº 1, obviamente só poderia ir ocupar o primeiro troço da mesma, a que actualmente denominamos por Rua de Sampaio Bruno.
Deste modo, estando o hotel localizado na esquina com a Rua do Bonjardim, acabou por ocupar o local onde existia, a fonte da Rua de Sá da Bandeira, esquina com a Rua do Bonjardim e já aqui por nós abordada em tempos.
Rua de Sampaio Bruno c.1930
 Vista parcial do Hotel Lisbonense
“O proprietário deste estabelecimento, no largo do Carmo, da cidade do Porto, mudou para a Rua de Sá da Bandeira, nº 1, próximo à praça D. Pedro, aonde oferece aos seus amigos e fregueses muitas boas salas e quartos.”
In “Diário do Povo, 12 de Janeiro de 1863 – 2ª Feira

“Recomendamos ao público o Hotel Lisbonense, situado na rua de Sá da Bandeira, fazendo esquina para a rua do Bonjardim.
Esta casa é uma das melhores do Porto pela limpeza dos quartos e das iguarias.”
In jornal “A Verdade”, 24 Dezembro de 1884 – 4ª Feira

Imagens:
-AHMP

Bibliografia:
-BMP
-AHMP - Casa do Infante

Ginásio Lauret. (Porto)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Em 11 de Fevereiro de 1882, Paulo Lauret fundou no Porto, no Largo da Picaria, o Gymnasio Lauret e Sala D’Armas. Com o sucesso que teve nos primeiros anos, Paulo Lauret transferiu-se, em 24 de Julho de 1884, para o Largo do Laranjal 4, e depois para a Rua do Laranjal 193.
Gravura representando uma vista da antiga Rua do Laranjal e do edifício do Ginásio Lauret, vendo-se na sacada a respectiva placa publicitária. Trata-se da reprodução de uma gravura, a partir de fotografia, publicada na revista O Occidente, em 1887. Responsabilidade: João Ribeiro Cristino da Silva (des.); Domingos Caselas Branco (grav.) Local de edição: [Porto] Editor: [Arquivo Histórico] Preto e branco
A imprensa caracteriza-o como possuindo todas as diversões próprias de um club, embora se tratasse de uma escola de ginástica e sala d’armas onde “se ensina methodicamente estas duas artes, com notavel aproveitamento dos discipulos, tanto creanças como adultos” e considerando que “nesta nova casa acha-se o Gymnasio Lauret perfeitamente instalado, tendo salas de gymnastica, de armas, bilhares, dança, tiro defferentes jogos, electricidade, banhos etc., o que tudo faz um conjuncto de estabelecimento de primeira ordem” (Ginásio Lauret no Porto, 1887, p. 19). Bem equipado, constituía um espaço agradável, arejado e bem iluminado, habilitado para o desenvolvimento de todo o tipo de aulas de ginástica (médica ou profilática, ortopédica, higiénica e artístico recreativa), contando com a colaboração de um médico e de vários professores de competência reconhecida (Ferreira, 1998, pp. 304-305). O ginásio, em 1887, oferecia diferentes cursos adequados à idade e ao sexo, como se sublinhava n’ O Ocidente: O ensino no Gymnasio Lauret está devidido em differentes cursos, conforme as idades dos discipulos, e regulado de modo a dar rezultados mais praticos e proveitosos. A sua frequencia é de 100 alumnos devididos do seguinte modo: meninas 7, meninos 33, adultos 60, tem um medico effectivo, o sr. Dr. Aureliano Cirne, e 250 socios protectores (Ginásio Lauret no Porto, 1887). 

Bibliografia:
-lauret.pt
-Luís Mota, Paulo Lauret e o ensino da Educação Física em Portugal no último quartel do século XIX