Carnaval Portuense de 1905.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Carnaval de 1905 - Cartaz publicitário do Clube dos Fenianos
Seria em 1905 que o Clube de Fenianos ressuscitaria o Carnaval Portuense, há anos sem festejos. 
O Clube foi fundado em 25 de Março de 1904, tendo como patrono o escritor portuense Almeida Garrett. 

“Comemorou-se a 25 de Março deste ano o aniversário deste clube fundado por um grupo de bons Cidadãos Nortenhos - o CLUBE FENIANOS PORTUENSES. Inscreve na sua bandeira a legenda “PELO PORTO” - símbolo da divisa que no futuro orientaria as suas realizações, a favor do progresso e civilização da CIDADE INVICTA . Os primeiros estatutos do clube são aprovados por alvará do Governo Civil do Porto a 17 de Junho de 1904.
Colectividade de grande prestígio realizou ao longo de anos e anos, eventos na cidade do Porto,
como Cortejos de Carnaval, Bodas aos pobres, festejos de S.to António, festas de Verão, além de ter contribuído com a sua influência social para a resolução de carências da cidade e da sua população, como a abolição das Portagens da Ponte D. Luís I, a regalia do descanso dominical, a inauguração rápida dos serviços de viação eléctrica para V. N. de Gaia, a criação de sociedades de Previdência Social, a criação do Teatro lírico ou Teatro modelo (hoje Teatro Nacional de S. João), o socorro a vitimas de catástrofes e o auxilio a combatentes, o alargamento do Estatuto do Porto de Leixões, de porto de abrigo a porto comercial.
Na construção da actual Sede Social foi lançada a 1º Cunhal em Agosto de 1920 com a presença do Dr. António José de Almeida, então Presidente da República, e que já em 1910 tinha inscrito no LIVRO DE HONRA do clube a seguinte frase: “ ESTE CLUBE É O EXEMPLO DE QUE A UNIÃO FAZ A FORÇA ”.
A partir daqui foram muitas as acções e actividades desenvolvidas, desde ginástica, iniciação musical, bilhar, filatelia, xadrez, ténis de mesa, conferências e debates sobre vários temas.
São inúmeras as homenagens, os galardões, as medalhas de mérito e os louvores recebidos de diversas entidades da vida portuense e nacional". 

In Associação das Colectividades do Concelho do Porto – 1929

Carnaval de 1905 - Casa Mattos e Serpa Pinto, na rua Sá da Bandeira
 Carnaval de 1905 - Carros alegóricos e Gigantones, nos jardins do Palácio de Cristal
 Carnaval de 1905 - Carro alegórico próximo do Palácio de Cristal
 Carnaval de 1905 - Carro Alegórico
Carnaval de 1905 - Rua de Santo António, actual 31 de Janeiro
Uma janela ornamentada da Ourivesaria Reis, antes da mudança  da mesma para a esquina com a Rua de Santa Catarina


Bibliografia:
- Clube dos Fenianos Portuenses 
Imagens:
- Phot.ª Guedes
- BPI (digitalização)
- AMP

Ponte D. Maria Pia / Ponte Maria Pia.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Não, (ainda) não é um monumento desaparecido, mas é sem dúvidas, mais uma forte candidata a esse título.
Iniciada a sua construção em Janeiro de 1876, a ponte de D. Maria Pia foi uma obra construída "no limite das possibilidades clássicas da construção metálica". Disse-o, há mais de cem anos, o próprio Gustavo Eiffel. Na sua época a Ponte D. Maria Pia foi uma obra de engenharia que deslumbrou o mundo.
Gustavo Eiffel realizou sobre o Douro um audacioso e criativo trabalho. A construção da Ponte iniciou-se em Janeiro de 1876, concluindo-se em Outubro de 1877. Ocuparam-se 150 operários e utilizaram-se 1.600.000 quilos de ferro. As dimensões exigidas pela largura do rio e das escarpas envolventes, foi considerado o maior vão construído até essa data, aplicando métodos revolucionários para a época. Testes à segurança foram efectuados como o emprego dos meios existentes e essa segurança foi largamente comprovada pela utilização, durante mais de 100 anos, ao serviço do caminho de ferro.
A inauguração em 4 de Novembro de 1877, foi presidida pelo rei D. Luís I e pela Rainha D. Maria Pia, que lhe deu o nome.
Fases de construção
Ponte Maria Pia em 20 de Junho de 1876
Ponte Maria Pia em 22 de Julho de 1876 
Ponte Maria Pia em 30 de Agosto de 1876 
Ponte Maria Pia em 30 de Agosto de 1876 (mesmo cliché)
 Ponte Maria Pia em 30 de Setembro de 1876
Ponte Maria Pia em 24 de Junho de 1877
Ponte Maria Pia em 30 de Junho de 1877
Ponte Maria Pia em 15 de Agosto de 1877
Ponte Maria Pia em 27 de Agosto de 1877
Ponte Maria Pia já em funcionamento
Ponte  Maria Pia numa vista de Jusante
«Ponte D. Maria e Collegio dos Orphãos»
A ponte está classificada como monumento nacional e é o único monumento português que faz parte da lista de grandes obras de engenharia da American Society of Engineering (ASCE).
A ponte Maria Pia está sob a responsabilidade da REFER, que, desde 1991 e até hoje, efectuou apenas uma intervenção de restauro da ponte, em 2009. O seu futuro é incerto e não parece nada promissor.

Fontes:
- FEUP
- CMP
Imagens: 
- Emílio Biel
- BPI - Editor Alberto Ferreira

Palacete Flores. (Póvoa de Varzim)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Palacete Flores
Clique na imagem para a ampliar
Palacete do Comendador Flores, também conhecido mais simplesmente por «Palacete Flores». 
Situava-se na Avenida Mouzinho de Albuquerque, na Póvoa do Varzim e terá sido demolido devido a eventuais interesses imobiliários.

Fonte de Imagem:
- Recordar a Póvoa
Autor:
- Desconhecido

Fábrica de Gás de Belém. (Lisboa)

A introdução do gás em Portugal como fonte de energia deve-se, sobretudo, aos avanços conseguidos no campo da iluminação citadina levados a cabo pelas Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. O problema da iluminação em Portugal constitui uma preocupação desde a 1ª Dinastia, altura em que D. Fernando manifesta o seu cuidado relativamente ao perigo que a escuridão da noite lisboeta representava. Em 1689, durante o reinado de D. Pedro II, é emitido um decreto para o Senado analisar a questão da iluminação pública de Lisboa.
Em 1780, no decorrer do reinado de D. Maria I, Lisboa começa a ser iluminada com os primeiros candeeiros a azeite. Quase meio século depois, em 1824, é emitido um decreto de iluminação pública a azeite para a cidade do Porto. Em 1834 contam-se em Lisboa 2303 candeeiros, que nem sempre acendem devido à escassez de recursos.
Em Portugal, as negociações para a iluminação a gás iniciam-se em 1835. Contudo, só em 1848 é atribuída a concessão da iluminação pública de Lisboa à Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz. A partir de então, esta empresa inicia a produção de gás de cidade, a partir do carvão, na fábrica da Boavista. Porém, é de salientar que no início da década de 40, ainda antes da iluminação da cidade de Lisboa, Joaquim Pedro de Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, instala no seu Palácio das Laranjeiras os primeiros candeeiros a gás, como sinal de exuberância.
Torre de Belém em 1868, antes da construção da fábrica do gás  
Francisco Rochini in Biblioteca Nacional de Portugal
É, sobretudo, a partir de meados do século XIX que o gás de cidade passa a ser consumido inclusive ao nível doméstico, tendo a fábrica da Boavista que aumentar a sua capacidade de fornecimento. Face à inevitabilidade do surgimento de uma companhia concorrente, em 1887 é criada a Companhia Gaz de Lisboa. Um ano depois, esta empresa constrói a sua fábrica em Belém, com uma dimensão ligeiramente maior que a fábrica da Boavista.
Fábrica de gás de Belém, caminho de Pedrouços até à Torre
Fotografia de Joshua Benoliel em 1912
Perante os efeitos da concorrência, a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gaz e a Companhia Gaz de Lisboa fundem-se, em 1891, passando a designar-se Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE. Inicia-se, assim, um ciclo de produção de gás de cidade, igualmente conhecido como gás iluminante, que vem beneficiar a população, melhorando as suas condições de vida em vários níveis.
Fotografia aérea sobre a zona de Belém 
Vista da  fábrica de gás de Belém
No início do séc. XX, a fábrica de gás em Belém suscita a indignação pública pelo facto de estar situada junto à Torre de Belém. Como resposta às manifestações públicas, dá-se a deslocação dos dois gasómetros das para um local mais afastado – Vila Correia, onde permanecem activos até 1954.
Fábrica de gás, situada desde 1887 junto à Torre de Belém
Fotografia de 1912
Torre de Belém e a fábrica de gás
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Em 1928, fica estabelecido no novo contrato de concessão que, num futuro próximo, a fábrica de gás vai ser novamente deslocada. Esse processo inicia-se em 1934, altura em que é definido como local ideal para a construção da nova fábrica um espaço na margem do Tejo junto à Quinta da Matinha, próximo à Refinaria de Cabo Ruivo.
Durante o processo de construção da Fábrica da Matinha, toda a produção das "Companhias Reunidas de Gás e Electricidade"é garantida pela fábrica de Belém, que só termina a sua laboração em 1949.
Demolição das chaminés da fábrica de gás de Belém, 07 de Junho de 1950, a.d. in AML

Bibliografia:
-  in galpenergia.com
Imagens:
- Joshua Benoliel
- AML

Túmulo de Almeida Garrett. (Vila Nova de Gaia)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Túmulo de Almeida Garrett
O túmulo que serviria para depositar o corpo de Almeida Garrett, foi esculpido entre finais do séc. XIX e inícios do séc. XX por Teixeira Lopes, em estilo neomanuelino.
Escultura realizada por António Teixeira Lopes para o túmulo do escritor Almeida Garrett
Devido a divergências entre Teixeira Lopes e a família de Garrett, o túmulo nunca serviu o seu propósito.
Actualmente encontra-se nos jardins da Casa - Museu Teixeira Lopes em Vila Nova de Gaia.
Túmulo de Almeida Garrett
 Teixeira Lopes ao lado da obra
Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner
Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

Imagem: 
- Phot.ª Guedes

Túmulo de Alexandre Herculano. (Jerónimos / Lisboa)

Túmulo de Alexandre Herculano com o baldaquino
Túmulo de Alexandre Herculano, no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, numa imagem da Casa Alvão. Construído em finais do séc. XIX, em estilo neomanuelino, foi alterado e «amputado» já no séc XX, restando actualmente apenas a arca tumular, que originalmente estava debaixo de um impressionante baldaquino, como constatamos nas primeiras fotografias.
 Túmulo de Alexandre Herculano com o baldaquino

Túmulo de Alexandre Herculano Fotografia estereoscópica, c.1907
H. C. White & Co., publisher
Na imagem de baixo vemos o aspecto actual do túmulo, imensamente mais simples. Conforme podemos ler em página própria (...) Por ocasião das comemorações dos Centenários da Pátria, em 1939, são realizados restauros no Mosteiro e na Torre. É desmantelado o baldaquino do túmulo de Alexandre Herculano(...)

Imagens:
- Casa Alvão
- Alberto Lima
- Autor desconhecido

Convento de Santo Elói. (Porto)

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Convento de Santo Elói pertencia à Ordem de Cónegos de São João Evangelista (Padres Lóios) e foi fundado em 1490. Foi, também, designado com o nome de Nossa Senhora da Consolação do Porto, por ter sido edificado junto à ermida com o mesmo nome, cuja doação se deveu a Dona Violante Afonso, a pedido do Bispo do Porto, D. João de Azevedo. As obras iniciaram-se no ano seguinte.
Convento de Santo Elói 
Gravura de J. Vitória Villa-Nova em 1833, vendo-se ainda a igreja dos Lóios
Em 1493, o convento foi agregado à congregação e, em 1496, D. Diogo de Sousa, sucessor de D. João de Azevedo no bispado do Porto e também ele afeiçoado aos Lóios, confirmou todas as doações e privilégios anteriormente concedidos à congregação. Ao convento do Porto foram anexadas numerosas igrejas e as suas principais rendas eram constituídas por dízimos. O número de religiosos foi crescendo e em 1592, o capítulo geral mandou reedificar e ampliar os edifícios da igreja e do Porto.
Nos finais do séc. XVIII, o convento, atingia um estado de degradação que  exigia uma reformação urgente. Assim, os Lóios resolvem iniciar as obras, onde se incluía o levantamento de uma nova fachada que ficaria voltada para a actual Praça da Liberdade. Em 1798 iniciaram-se as obras da nova fachada, da autoria do arquitecto José de Champalimaud. Com as convulsões do princípio do século XIX e a entrada de D. Pedro IV à frente do Exército Libertador, no Porto, originaram a fuga da Ordem Religiosa que apoiava D. Miguel, abandonando o convento e deixando as obras a meio. 
Com a extinção da Ordem, o Mosteiro foi vendido em hasta pública e comprado por Manuel Cardoso dos Santos, um burguês abastado, com fortuna feita no Brasil, com a condição de ele acabar as obras da frontaria. Pouco tempo depois, Manuel Cardoso dos Santos morreu e os seus bens passam para a sua mulher e suas três filhas, conhecidas então como as Cardosas, razão pela qual o edifício passou a ser popularmente conhecido como "O Palácio das Cardosas" ou mais simplesmente "Edifício das Cardosas".
Edifício das Cardosas - Albumina de 1860-70
Palácio das Cardosas - BPI- Data incerta. Provavelmente anos 20 do séc. XX

Fontes e bibliografia:
- BMP
- IGESPAR

Fábrica de Cerâmica do Senhor d'Além. (Vila Nova de Gaia)

segunda-feira, 24 de março de 2014

As ruínas deste edifício localizam-se na margem do rio Douro, na base da escarpa da Serra do Pilar, junto a um antigo cais e ao antigo caminho de Quebrantões. Actualmente, o melhor acesso pedonal, faz-se pela Rua Cabo Simão.
O edifício possui uma longa história de ocupação, primeiro com uma ermida do século XVI, depois como hospício no século XVIII (Carmelitas Calçados), não sendo de excluir que a sua ocupação remonte a época anterior. 
De meados do século XIX até aos anos 20 do século XX serviu de instalações da Fábrica da cerâmica do Senhor do Além. Após o fecho da fábrica nos anos 20 do século passado, o edifício entrou em lenta degradação, até aos dias de hoje, não tendo sofrido nenhuma ocupação posterior. Por esse motivo, os vestígios da fábrica chegaram até aos nossos dias, sob o ponto de vista arqueológico, perfeitamente preservados.
 Interiores do edifício


Imagens:
- Alexandre Silva
Bibliografia:
- IGESPAR

Capela do Senhor D´Além. (Vila Nova de Gaia)

Nota: Está publicação foi alvo de uma actualização em 12-12-2021, devido às obras de recuperação efectuadas na capela.
Capela do Senhor D´Além
Completamente abandonada, desprezada e pilhada, a Capela do Senhor D´Além, construída em 1877, está situada na rua de Cabo Simão junto ao sopé da Escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia. 
Esta capela é a sucessora do Hospício Carmelita do século XVI. Mereceram em tempos destaque a talha dourada de grande ornamentação no altar e a "Milagrosa Imagem". 
Num local fortemente turístico, é actualmente um exemplo vergonhoso da forma como que se trata o património em Portugal.
Capela do Senhor D´Além
Tivemos a oportunidade de voltar a visitar, a Capela do Senhor D´Além, após várias décadas. O cenário é Dantesco!!! A ruína externa e interna é total. O telhado colapsou parcialmente. Dois dos sinos foram roubados e os outros dois mandados retirar pela Junta de Freguesia, para evitar terem o mesmo destino. 
O local está em tal avançado estado de degradação, que ronda o iminente colapso. Com a ajuda de um simples telemóvel, tentamos registar em imagem esta triste realidade que transmitimos aos nossos leitores.
 O que resta do altar
O que resta do interior da capela, que ameaça ruir, é louvavelmente mantido, protegido e utilizado por dois senhores sem-abrigo, que, para vergonha dos responsáveis por este património, se prestam a mostrar o local a todos aqueles que ainda o desejam visitar. A capela é propriedade do Episcopado do Porto.
Vale do Douro, vendo-se a capela do Senhor D´Além, numa época áurea
Capela do Senhor D´Além, numa época áurea, vista de outro ângulo
"Quando o bispo do porto, D. Pedro Rabaldio, mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que, presentemente, vemos o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas de invocação a São Nicolau foi achada uma imagem do Senhor Crucificado.
O mesmo bispo, então, mandou construir uma ermida, para a recolha da mesma imagem, no sítio em que, actualmente, está a capela do Senhor de Alem.
E, mais tarde, quando os monges de Grijó conseguiram mandar construir o actual convento da serra do Pilar, o bispo D. Baltazar Limpo ordenou que as imagens de São Nicolau, de São Bartolomeu e do Senhor Crucificado, que estavam na igreja do extinto convento das Donas Pregaretas de S. Nicolau, fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, processionalmente, em barcos pelo rio Douro.
A primitiva imagem do Senhor Crucificado existente na capela foi, certa vez, levada à cidade do Porto, por motivo de fazer-se preces ad preltendam pluviam – rezar a queda de chuvas – sendo conduzida em fervorosa procissão pelas ruas da mesma cidade.
E como sucedesse chover, os cónegos da Sé do Porto recolheram a imagem e não mais a deixaram vir para a sua capela, facto que redundou em grande arrelia para os Gaienses.
Por fim, em virtude do prelado mandar erigir um altar para a imagem do Senhor de Além, no claustro da Sé, os devotos de Gaia mandaram fazer outra nova imagem e a colocaram, com todo o luzimento, no mesmo lugar em que era venerada a primitiva.
A nova imagem, em outras ocasiões, chegou a ser conduzida, em barcos, até à foz do Douro, por motivo de preces; mas os Gaienses nunca mais permitiram que ela fosse à vizinha cidade.
Anos depois, junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas, calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.
Tem benfeitores muito fervorosos.
A festa em honra do Senhor de Além realiza-se, sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto."

In Resenha histórica de CALE Vila de Portugal e Castelo de Gaia.
Pormenores da talha
 Vista do que ainda resta do altar
Nave interior
Turistas, que se juntaram a nós na visita ao local, graças à hospitalidade dos dois sem abrigo, que zelam pelo mesmo
Observação: Poucos meses após esta nossa publicação, tentamos regressar à capela, munidos com uma máquina fotográfica, capaz de registar com mais qualidade o interior deste antigo local de culto. Foi uma tentativa vã. 
Como quase uma resposta, a esta nossa publicação, verificamos que as entradas haviam sido emparedadas, vedando qualquer tentativa de acesso. Ao abandono total, passou a juntar-se os horríveis grafites que aumentam a decrepitude deste local. 

Uma vista do interior, obtida em Julho de 2019, por um interstício da porta (actualmente emparedada com blocos de cimento) da Capela do Senhor D'Além.

Razão tem o povo ao cantar:
“Capela do Senhor d’Além 
Lá se foram as romarias 
Estás do lado errado da ponte 
Deus te dê melhores dias"
Capela do Senhor d'Além. Em estado lastimável, no ano de 2020
Actualização da publicação: 
No primeiro semestre de 2020, esta capela, foi finalmente alvo de restauro. O restauro da capela do Senhor D'Além, que se localiza na escarpa da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, avançou em Fevereiro desse mesmo ano. A obra teve um valor superior a 300 mil euros, sendo  comparticipada em 30% pelo Plano Estratégicos de Desenvolvimento Urbano (PEDU).


Imagens:
- Alexandre Silva
- AHMP
Bibliografia:
- Junta de Freguesia de Santa Marinha
- BMP