Relógio da Sé do Porto.

sábado, 23 de maio de 2015

Desde os finais do séc. XV/inícios do séc. XVI, que a Sé do Porto possuía um relógio mecânico, que substituiu um outro mais antigo, inserido numa das torres da sua fachada (a torre Sul), no qual as horas eram tangidas manualmente. 
Em 1540 este relógio já se encontrava avariado, necessitando de peças que teriam de vir da Flandres. Na segunda metade do século XVII, este segundo relógio seria mandado retirar pela câmara, que alegava que o mesmo não era preciso, visto existirem em abundância pela cidade, isto até 1685, ano em que por Carta Régia, se determinou que o mesmo regressasse à catedral.
Entre 1717-1741, após as grandes obras realizadas em todo o edifício, o relógio seria colocado numa espécie de «Arco Triunfal» entre as duas torres.
Sé do Porto com o seu relógio. Desenho de Alfredo Machado em 1918
Neste local se manteria o relógio, até as grandes obras de beneficiação e restauro realizadas pelo DGEMN, durante a vigência do Estado Novo, que, para devolver o aspecto original ao edifício, o retirou novamente.
Vista do Largo de S. Domingos. A Sé ainda tem o relógio entre as torres
Cliché de Domingos Alvão
Sé do Porto ainda com o relógio e o casario que a envolvia - BPI - Editor - Estrela Vermelha
Dispensário Rainha D. Amélia. É visível a Sé, com o seu relógio, na direita da imagem
BPI - Editor - Arnaldo Soares

Igreja e Torre dos Clérigos - Projecto original. (Porto)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A Torre dos Clérigos, teve sempre tal impacto visual, que a transformou no ex-líbris da cidade do Porto. 
No entanto esta torre é apenas um dos corpos da Igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, sendo estes compostos por: igreja, dependência da irmandade e a famosa torre sineira.
Igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos - Alvão
O projecto foi desenhado, a custo zero, pelo grande Nicolau Nasoni (1691-1773) e a construção da igreja colocava alguns problemas interessantes e complicados, aos quais Nicolau Nasoni soube responder com soluções criativas e inegavelmente eficazes. 
A dificuldade maior prendia-se com o formato do lote, longo mas bastante estreito. Para tirar pleno partido desta situação, Nasoni rejeitou a fórmula tradicionalmente usada em Portugal de colocar as torres na fachada e remeteu-as antes para as traseiras, libertando assim espaço na frente da igreja.
Um pormenor bastante importante, é o facto do projecto original incluir, não uma, mas sim duas torres sineiras voltadas para a Baixa da cidade, situação posteriormente corrigida.
Igreja e Torre dos Clérigos em finais de 1800. Provavelmente década de 1880
Este conjunto, tinha originalmente previsto, não uma, mas sim duas torres
A originalidade do projecto mantém-se no interior da igreja. Aqui, ao corpo rectangular da fachada segue-se a nave única de planta oval, solução rara no contexto da arquitectura portuguesa. 
Rua dos Clérigos - Finais de 1800 - Aurélio da Paz dos Reis
A torre, o corpo mais famoso da igreja,  foi construída entre 1754 e 1763, tem seis andares e 75 metros de altura, que se sobem por uma escada em espiral com 240 degraus. Era, na altura da sua construção, o edifício mais alto de Portugal e está classificada pelo IPPAR como Monumento Nacional desde 1910.

Fontanário da Praça de Santa Teresa. (Porto)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

aqui falamos da Praça do Pão (local onde se realizava a Feira do Pão), mais tarde Praça de Santa Teresa e actualmente Praça Guilherme Gomes Fernandes.
Neste sitio existiu originalmente uma fonte que possuía três carrancas, provenientes da Fonte da Natividade, na desaparecida Praça de D. Pedro. Essa fonte primitiva, seria substituída por um fontanário, idêntico ao da Praça de Carlos Alberto, em 1905. 
Fontanário da Praça Santa Teresa em 1908
Em 1915 o fontanário foi destruído para dar lugar ao monumento (Busto) a Guilherme Gomes Fernandes, que todos podem actualmente, observar no local.

Profissões da Foz do Douro. (Porto)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Pescador da Foz do Douro. ED. CARDOSO REG.
Das profissões mais antigas, árduas e características desta zona, destacamos o papel desempenhado pelos pescadores da cantareira, que, durante décadas, pescaram na região. 
Se tal profissão era ocupada por homens, o papel das mulheres, complementava-a, lembrando-nos assim das peixeiras desta zona, que vendiam o pescado, tanto nos mercados da cidade, como porta-a-porta, com a canastra à cabeça.
 Peixeira da Foz do Douro, BPI. Imagem Edições Union Postale Universelle, data desconhecida
Passeio Alegre, Foz do Douro. Emílio Biel

Aljube Eclesiástico. (Porto)

Na Rua de S. Sebastião, ergueu-se o Aljube Eclesiástico. 
O Aljube Eclesiástico foi fundado em edifícios doados para o efeito, por D. Jerónimo de Távora, Deão do Cabido da Sé do Porto. 
Aljube Eclesiástico. Note-se a Fonte do Pelicano, mais tarde removida para o Terreiro da Sé. Cliché da Phot.ª Guedes
Era uma construção do século XVIII (1749), que veio substituir o antigo Aljube Eclesiástico existente perto do Arco de Vandoma. 
A parte superior do edifício funcionava como Aljube, mas o piso térreo era para arrendamento. Mais tarde o edifício seria cadeia civil e em 1865 criaram no local uma secção, para recolha de mulheres da vida ou «vagabundas». 
Aljube Eclesiástico - BPI - Editor - Arnaldo Soares
Cerca de uma década mais tarde, instalou-se no local um «asilo de rapazes». O local seria totalmente desactivado nos anos 20 do século XX, sendo actualmente propriedade particular.

As Carquejeiras. (Porto)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Carquejeira carregada, subindo a Calçada da Corticeira
As Carquejeiras, eram mulheres, corajosas, trabalhadoras e esforçadas, que descarregavam pesados molhos com 40, 50 ou 60 quilos de carqueja (ou chamiça) dos barcos que a transportavam Douro abaixo. 
Subiam e desciam desde madrugada até à noite a Calçada da Corticeira, rampa que, actualmente, um turista, munido apenas de uma leve máquina fotográfica não consegue subir por inteiro, sem parar a meio para descansar e apreciar a paisagem.
 Corticeira, vendo-se a Capela do Sr. do Carvalhinho 
Por esta rampa subiam as Carquejeiras
BPI - Editor Alberto Ferreira - Praça da Batalha - Porto

As Carquejeiras, com os molhos às costas, subiam esta calçada, com 210 metros de comprimento e 22 por cento de inclinação, até às Fontainhas. 
Pousavam a carga no muro da Alameda das Fontainhas, bebiam água e lavavam o suor e a sujidade da face num fontanário ainda lá existente.  
«O Século Ilustrado». 19 de Abril de 1947 - A Calçada da Corticeira
Após um breve descanso, prosseguiam viagem até ao centro da cidade do Porto. 
Iam até às Antas, a Paranhos, à Boavista, aos sítios onde havia padarias de que a carqueja era acendalha para os fornos. Entre os anos 30 e 50 do século XX, passaram centenas de mulheres pela Corticeira. Na década de 40 do século passado, chegou a haver noventa, todo o dia, em bicha e em ziguezague, para compensar a agrura da subida.
Palmira de Sousa - A última das Carquejeiras 
Foto em Jornal de Notícias - PEDRO CORREIA - GLOBAL IMAGENS
Palmira de Sousa, foi "A última Carquejeira do Porto". Seguiu o ofício de sua mãe, começando a carregar os pesados fardos de carqueja, pela calçada acima, a partir dos dez anos. 
Nascida em 1912, a senhora Palmira de Sousa faleceu em 2014, com uns formidáveis 102 anos de idade. 

A barbearia mais antiga da cidade do Porto.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Existem várias, que reivindicam esse título e sem dúvida alguma, é difícil e complexo eleger uma, com 100% de certeza, pois tudo depende de uma variedade de critérios.
No entanto, acredito não estarmos muito longe da verdade ao afirmar que o "Salão da Lapa", também conhecido por "Barbearia do Sr. Moreira" (nome do actual proprietário, que nesta casa trabalha, desde a sua aquisição em 1966) é a Barbearia (ou Cabeleireiro de Homens) mais antiga da cidade do Porto.
Salão da Lapa. Fachada frontal
Este estabelecimento comercial, abriu portas em 1865, na Rua da Lapa e foi pertence da mesma família durante 100 anos, tendo ganho em 1965, um louvor da União de Grémios dos Comerciantes do Porto, pelo seu centenário.
100 Anos
A Bem do
Comercio Tripeiro
Centenária Firma
Angelo Ferreira dos Santos
Em 1966 e ao que parece, por falecimento de um dos elementos da família, o estabelecimento foi adquirido pelo Sr. Moreira, um profissional do ofício, pessoa extremamente simpática, que nele labora desde então, apesar de já não estar longe, de uns dourados 80 anos de idade.
O interior do Salão. Simplicidade e eficácia
Imagens:
- Alexandre Silva

Capela de S. José e Santa Teresa e os "Armazéns da Capella". (Porto)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Já aqui falamos em publicações anteriores (clique nos links para conferir) do desaparecido Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças e do, posteriormente edificado, Bairro das Carmelitas.
Falemos agora, um pouco mais em pormenor, do templo que integrava o convento, a capela da invocação de S. José e Santa Teresa. 
Quando o Convento foi construído, em 1704, o local chamava-se Campo da Via Sacra ou do Calvário Velho, por ser ali que terminava uma extensa Via Sacra que começava nas imediações da Sé.
O Convento ocupava o local, que serviu para edificar o bairro, o que levou à sua demolição, quando da urbanização desta zona, por volta de 1904.
Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças  - Foto de Antero Seabra, 1857-1864
Rua das Carmelitas, antes da construção do bairro, estando a igreja dos Clérigos na esquerda
Os "Armazéns da Capella", na sua origem começaram por ocupar o espaço do próprio templo (capela) que tinha a fachada voltada para o Campo do Calvário Velho (Praça de Santa Teresa) onde, nos finais do século XIX, começo do século XX, se fazia a antiga Feira do Pão
Armazéns da Capella. Aurélio Paz dos Reis - Visita de João Franco ao Porto
 Fotografia estereoscópica 1907 - APR 6805, AFPCPFMC
Em 1904, quando se tratou de urbanizar todo o quarteirão, a capela foi demolida e os armazéns que a ocupavam transferiram-se, para a esquina das ruas das Carmelitas e de Cândido dos Reis, onde ainda permanecem nos dias de hoje.
Armazéns da Capella em 1916. Ilustração Portuguesa, 31 de Julho de 1916

Estação da Fonte da Moura. (Porto)

sábado, 18 de abril de 2015

Porto - Fonte da Moura. BPI, Editor - Alberto Ferreira
Estação da "máquina" (já aqui abordada anteriormente) na Fonte da Moura de Cima.
Entre 1878 e 1914, a ligação entre a rotunda da Boavista e Matosinhos era feita pela "máquina", uma pequena locomotiva a vapor que atrelava várias carruagens com passageiros. 
A "máquina" descia a Avenida da Boavista até à Fonte da Moura, onde inflectia à esquerda, seguindo para a Foz pela actual Rua de Correia de Sá.
A Estação da Fonte da Moura, ficava na esquina da Avenida da Boavista com a Rua da Ponte, hoje,  Rua Correia de Sá. 

Memorial da Ermida. (Irivo / Penafiel)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O Memorial da Ermida não desapareceu, antes pelo contrário, é um exemplo da recuperação e preservação do património. Porque o abordamos aqui, então? 
-Devido à sua elevada importância Histórica e porque é um exemplo! Um sobrevivente, que escapou à destruição, pois muitos foram aqueles que desapareceram. Foram desmontados, para se aproveitar a pedra para muros e afins.
Actualmente existem apenas seis exemplares conhecidos deste tipo de construção de monumento funerário. Este assenta sobre uma base pétrea rectangular, na qual foi aberta a cavidade sepulcral que, de acordo com especialistas, era antropomórfica.
Memorial da Ermida. Cliché da Phot.ª Guedes (1900?)
O Memorial da Ermida, é um monumento funerário* do século XIII, constituído por uma base rectangular sobre a qual se desenvolve um arco quebrado, com aresta em toro e decoração em bolame, sendo encimado por uma cornija com friso decorado por motivos fitomórficos de folhas biseladas. No vão do arco está a pedra sepulcral, sem decoração, que, segundo Abílio Miranda, seria antropomórfica. Este túmulo tem sido erradamente atribuído a D. Sousino Alvariz ou associado à lenda de Santa Mafalda, filha do rei D. Sancho I.
Está classificado como Monumento Nacional, pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910.
*Nota: Não está inteiramente esclarecida a função, ou objectivo deste tipo de construção. Deverá relacionar-se com a colocação de túmulos, com a evocação da memória de alguém e /ou com a passagem de cortejos fúnebres.

Clique aqui para ver este monumento actualmente.

Fonte parcial:
- C.M. Penafiel