Convento de São João de Tarouca. (Tarouca, Viseu)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Como exemplo de um Monumento Nacional parcialmente recuperado, podemos indicar o Convento de São João de Tarouca. Este Convento localiza-se na encosta da serra de Leomil, sobranceiro ao vale do rio Varosa, na freguesia de São João de Tarouca, concelho de Tarouca, no distrito de Viseu.
Vista do Convento
Inicialmente foi um ermitério mas, em 1152, após a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros em Trancoso, foi lançada a primeira pedra da igreja conventual cisterciense.
Este Mosteiro foi assim o primeiro em Portugal a adoptar a Regra da Ordem de Cister. Uma inscrição na fachada da igreja data o início da construção de 1152, e uma outra a sua sagração em 1169. O templo medieval possuía cabeceira "ad quadratum", com capelas quadrangulares escalonadas, transepto pouco saliente e três naves abobadadas.
Ruínas do dormitório
No século XVIII o Mosteiro foi alvo de sucessivas ampliações e renovação do mobiliário litúrgico e linguagem artística, como o prova a renovação da fachada, a execução dos azulejos da capela-mor (1718), o cadeiral do coro, que tem a particularidade de possuir nos espaldares representações pintadas de figuras ligadas à Ordem de Cister, ou o órgão, encomendado em 1766. Antes disso, ainda no século XVII, a capela-mor havia sido totalmente reformulada e ampliada para albergar um retábulo de talha dourada.
Entrada da Igreja
A Norte da igreja, em volta do primitivo claustro erguiam-se os edifícios conventuais medievais, sucessivamente acrescentados entre os sécs. XVI e XVIII. Primeiro com um novo pátio claustral, edificado sobre o curso dos dois ribeiros encanados, depois com uma enorme ala, situada a Norte, destinada às celas dos monges.
Nas naves podem admirar-se diversos retábulos de talha dourada e outras belas obras de arte. Assim, perto da entrada observa-se uma imagem de madeira policromada seiscentista de N. Sra. da Piedade e o políptico do século XVI executado por Gaspar Vaz, aludindo a episódios da vida da Virgem e de Cristo.

Numa outra capela lateral está exposto o notável quadro de S. Pedro, uma da sobras-primas da pintura de Quinhentos e que tem sido atribuída a Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco. Várias esculturas em pedra ou madeira ornamentam os diversos retábulos, destacando-se deste conjunto de imaginária sacra as esculturas medievais de S. Gabriel e da Virgem com o Menino. No transepto encontra-se um políptico do século XVII narrando a infância de Cristo. No lado oposto, pode admirar-se uma outra notável pintura quinhentista de Gaspar Vaz, S. Miguel. Aqui encontra-se o grandioso túmulo românico do infante D. Pedro, Conde de Barcelos. Em sólido granito, este túmulo é constituído pela estátua jazente do homenageado, repousando e com um cão a seus pés, símbolo da fidelidade. Uma das faces do túmulo é decorado por uma cena de caçada ao javali, em baixo-relevo. Próximo está o magnífico cadeiral de madeira exótica, obra executada pelo portuense Luís Pereira da Costa e pelo barcelense Ambrósio Coelho entre 1729- 1730 e que é, sem dúvida, uma das obras maiores do barroco joanino. O espaldar de talha dourada apresenta uma galeria de figuras que pertenceram à Ordem de Cister. Mais acima, adossado à parede, está o exuberante órgão de tubos, obra barroca de Luís Pereira da Costa e que tinha uma curiosa particularidade funcional: quando era tocado, o órgão tinha uma figura que movia o braço para marcar o andamento, ao mesmo tempo que deitava a língua de fora. As paredes da capela-mor são forradas por revestimento azulejar do século XVIII (1718), mostrando episódios alusivos à fundação deste mosteiro cisterciense. O retábulo-mor é uma soberba composição de talha dourada do Barroco Nacional dos inícios de Setecentos.
O Convento foi classificado em 1956 como Monumento Nacional.
O Mosteiro de São João de Tarouca tem vindo a ser objecto, nos últimos anos, de uma intervenção profunda de investigação, conservação e restauro por parte do Ministério da Cultura. Foi adquirida todo a cerca interior e a área em que se implantavam os edifícios conventuais medievais que têm vindo a ser exumados através de intervenção arqueológica.
A intervenção de conservação e restauro permitiu preservar o património integrado no interior da igreja e estabilizar o conjunto de edifícios conventuais dos sécs. XVI a XVIII que se encontram em estado de ruína.

Fontes parciais:
- CMT
- Direcção Regional da Cultura do Norte
- BMP

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