Convento de Santo Elói. (Porto)

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Convento de Santo Elói pertencia à Ordem de Cónegos de São João Evangelista (Padres Lóios) e foi fundado em 1490. Foi, também, designado com o nome de Nossa Senhora da Consolação do Porto, por ter sido edificado junto à ermida com o mesmo nome, cuja doação se deveu a Dona Violante Afonso, a pedido do Bispo do Porto, D. João de Azevedo. As obras iniciaram-se no ano seguinte.
Convento de Santo Elói 
Gravura de J. Vitória Villa-Nova em 1833, vendo-se ainda a igreja dos Lóios
Em 1493, o convento foi agregado à congregação e, em 1496, D. Diogo de Sousa, sucessor de D. João de Azevedo no bispado do Porto e também ele afeiçoado aos Lóios, confirmou todas as doações e privilégios anteriormente concedidos à congregação. Ao convento do Porto foram anexadas numerosas igrejas e as suas principais rendas eram constituídas por dízimos. O número de religiosos foi crescendo e em 1592, o capítulo geral mandou reedificar e ampliar os edifícios da igreja e do Porto.
Nos finais do séc. XVIII, o convento, atingia um estado de degradação que  exigia uma reformação urgente. Assim, os Lóios resolvem iniciar as obras, onde se incluía o levantamento de uma nova fachada que ficaria voltada para a actual Praça da Liberdade. Em 1798 iniciaram-se as obras da nova fachada, da autoria do arquitecto José de Champalimaud. Com as convulsões do princípio do século XIX e a entrada de D. Pedro IV à frente do Exército Libertador, no Porto, originaram a fuga da Ordem Religiosa que apoiava D. Miguel, abandonando o convento e deixando as obras a meio. 
Com a extinção da Ordem, o Mosteiro foi vendido em hasta pública e comprado por Manuel Cardoso dos Santos, um burguês abastado, com fortuna feita no Brasil, com a condição de ele acabar as obras da frontaria. Pouco tempo depois, Manuel Cardoso dos Santos morreu e os seus bens passam para a sua mulher e suas três filhas, conhecidas então como as Cardosas, razão pela qual o edifício passou a ser popularmente conhecido como "O Palácio das Cardosas" ou mais simplesmente "Edifício das Cardosas".
Edifício das Cardosas - Albumina de 1860-70
Palácio das Cardosas - BPI- Data incerta. Provavelmente anos 20 do séc. XX

Fontes e bibliografia:
- BMP
- IGESPAR

Fábrica de Cerâmica do Senhor d'Além. (Vila Nova de Gaia)

segunda-feira, 24 de março de 2014

As ruínas deste edifício localizam-se na margem do rio Douro, na base da escarpa da Serra do Pilar, junto a um antigo cais e ao antigo caminho de Quebrantões. Actualmente, o melhor acesso pedonal, faz-se pela Rua Cabo Simão.
O edifício possui uma longa história de ocupação, primeiro com uma ermida do século XVI, depois como hospício no século XVIII (Carmelitas Calçados), não sendo de excluir que a sua ocupação remonte a época anterior. 
De meados do século XIX até aos anos 20 do século XX serviu de instalações da Fábrica da cerâmica do Senhor do Além. Após o fecho da fábrica nos anos 20 do século passado, o edifício entrou em lenta degradação, até aos dias de hoje, não tendo sofrido nenhuma ocupação posterior. Por esse motivo, os vestígios da fábrica chegaram até aos nossos dias, sob o ponto de vista arqueológico, perfeitamente preservados.
 Interiores do edifício


Imagens:
- Alexandre Silva
Bibliografia:
- IGESPAR

Capela do Senhor D´Além. (Vila Nova de Gaia)

Capela do Senhor D´Além
Completamente abandonada, desprezada e pilhada, a Capela do Senhor D´Além, construída em 1877, está situada na rua de Cabo Simão junto ao sopé da Escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia. 
Esta capela é a sucessora do Hospício Carmelita do século XVI. Mereceram em tempos destaque a talha dourada de grande ornamentação no altar e a "Milagrosa Imagem". 
Num local fortemente turístico, é actualmente um exemplo vergonhoso da forma como que se trata o património em Portugal.
Capela do Senhor D´Além
Tivemos a oportunidade de voltar a visitar, a Capela do Senhor D´Além, após várias décadas. O cenário é Dantesco!!! A ruína externa e interna é total. O telhado colapsou parcialmente. Dois dos sinos foram roubados e os outros dois mandados retirar pela Junta de Freguesia, para evitar terem o mesmo destino. 
O local está em tal avançado estado de degradação, que ronda o iminente colapso. Com a ajuda de um simples telemóvel, tentamos registar em imagem esta triste realidade que transmitimos aos nossos leitores.
 O que resta do altar
O que resta do interior da capela, que ameaça ruir, é louvavelmente mantido, protegido e utilizado por dois senhores sem-abrigo, que, para vergonha dos responsáveis por este património, se prestam a mostrar o local a todos aqueles que ainda o desejam visitar. A capela é propriedade do Episcopado do Porto.
Vale do Douro, vendo-se a capela do Senhor D´Além, numa época áurea
Capela do Senhor D´Além, numa época áurea, vista de outro ângulo
"Quando o bispo do porto, D. Pedro Rabaldio, mandou erigir, no ano de 1140, no sítio em que, presentemente, vemos o edifício do mosteiro da serra do Pilar, um convento de monjas de invocação a São Nicolau foi achada uma imagem do Senhor Crucificado.
O mesmo bispo, então, mandou construir uma ermida, para a recolha da mesma imagem, no sítio em que, actualmente, está a capela do Senhor de Alem.
E, mais tarde, quando os monges de Grijó conseguiram mandar construir o actual convento da serra do Pilar, o bispo D. Baltazar Limpo ordenou que as imagens de São Nicolau, de São Bartolomeu e do Senhor Crucificado, que estavam na igreja do extinto convento das Donas Pregaretas de S. Nicolau, fossem recolhidas à capela do Senhor de Além, já reformada e ornamentada, para tal fim, pelos monges de Grijó, cerimónia que se realizou no dia 24 de Agosto de 1500, depois das mesmas imagens serem conduzidas, processionalmente, em barcos pelo rio Douro.
A primitiva imagem do Senhor Crucificado existente na capela foi, certa vez, levada à cidade do Porto, por motivo de fazer-se preces ad preltendam pluviam – rezar a queda de chuvas – sendo conduzida em fervorosa procissão pelas ruas da mesma cidade.
E como sucedesse chover, os cónegos da Sé do Porto recolheram a imagem e não mais a deixaram vir para a sua capela, facto que redundou em grande arrelia para os Gaienses.
Por fim, em virtude do prelado mandar erigir um altar para a imagem do Senhor de Além, no claustro da Sé, os devotos de Gaia mandaram fazer outra nova imagem e a colocaram, com todo o luzimento, no mesmo lugar em que era venerada a primitiva.
A nova imagem, em outras ocasiões, chegou a ser conduzida, em barcos, até à foz do Douro, por motivo de preces; mas os Gaienses nunca mais permitiram que ela fosse à vizinha cidade.
Anos depois, junto à capela do Senhor de Além – 5-3-1739 – cinco frades carmelitas, calçados, fundaram um hospício que funcionou até 1832.
O edifício do hospício, depois de 1834, foi vendido e nele chegou a funcionar uma fábrica de louça.
Presentemente todo o edifício está em ruínas.
A actual capela, que mantém o culto, foi edificada, no lugar da antiga, em 1877.
Tem benfeitores muito fervorosos.
A festa em honra do Senhor de Além realiza-se, sempre, no domingo seguinte em que se celebra a festividade à Senhora do Pilar, no penúltimo domingo de Agosto."

In Resenha histórica de CALE Vila de Portugal e Castelo de Gaia.
Pormenores da talha
 Vista do que ainda resta do altar
Nave interior
Turistas, que se juntaram a nós na visita ao local, graças à hospitalidade dos dois sem abrigo, que zelam pelo mesmo
Observação: Poucos meses após esta nossa publicação, tentamos regressar à capela, munidos com uma máquina fotográfica, capaz de registar com mais qualidade o interior deste antigo local de culto. Foi uma tentativa vã. 
Como quase uma resposta, a esta nossa publicação, verificamos que as entradas haviam sido emparedadas, vedando qualquer tentativa de acesso. Ao abandono total, passou a juntar-se os horríveis grafites que aumentam a decrepitude deste local. 

Uma vista do interior, obtida em Julho de 2019, por um interstício da porta (actualmente emparedada com blocos de cimento) da Capela do Senhor D'Além.

Razão tem o povo ao cantar:
“Capela do Senhor d’Além 
Lá se foram as romarias 
Estás do lado errado da ponte 
Deus te dê melhores dias"
Capela do Senhor d'Além. Em estado lastimável, no ano de 2020


Imagens:
- Alexandre Silva
- AMP
Bibliografia:
- Junta de Freguesia de Santa Marinha
- BMP