A Mercearia Camanho. (Porto)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

  «Mercearia  Camanho» in AMP
A «Mercearia Camanho», de Manuel Camanho Cernade, situava-se no ângulo da Rua da Boavista, n.º 395, com a Rua de Cedofeita, n.º 694-696, num edifício secular e ainda existente, ocupando então o seu piso térreo. Como muitas outras mercearias da época, esta casa abastecia as despensas dos lares de seus clientes habituais, vendendo todo o artigo de mercearia, bem como tabaco. Funcionava também como depósito de vinhos da C.ª Vinícola do Norte.
  «Mercearia  Camanho» in AMP
No sítio exacto, então ocupado pela Mercearia Camanho, encontra hoje a Confeitaria Universal, no mesmo edifício, embora com evidentes modificações na fachada do mesmo. Clique AQUI, para ver o local actualmente.

Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne. (Porto)

sábado, 20 de maio de 2017

Casa do Poço das Patas ou Palacete dos Cirne in AMP
Outrora periférica, a freguesia do Bonfim cresceu ao longo dos antigos caminhos de Gondomar (Caminho do Padrão de Campanhã, actual Rua do Heroísmo) e Valongo e Penafiel (actual Rua do Bonfim); e cresceu em torno do Monte das Feiticeiras, onde fora erguido o cruzeiro da duo-décima estação da Via Sacra, também designado do Senhor do Bom Fim e da Boa Morte. A Quinta do Poço das Patas pertenceria à família Cirne (Cyrne) desde 1513, ano em que foi comprada por Manuel Cyrne. Naquele local absolutamente rural, existia então um ribeiro, com uma pequena ponte em pedra, que permitia a sua travessia...
O enorme edifício que hoje alberga a Junta de Freguesia do Bonfim (e que se encontra muito ampliado, face ao inicial) foi originalmente construído entre 1812-15 por Francisco de Sousa Cirne de Madureira, um dos revolucionários de 1820, para ser a residência habitacional da Quinta do Reimão, a propriedade da sua família.
Os Cirne (Cyrne) eram uma influente família portuense que gerou um dos nossos Feitores da Flandres.
O edifício foi sua pertença até ser comprado por Joaquim Domingos Ferreira Cardoso, em sociedade com Eduardo Ferreira Pinheiro, no ano de 1882, por 95 contos de reis. Eram então donos da quinta D. Maria Ana Isabel de Sousa Cirne Teixeira Blanco e o seu irmão António de Azevedo Cabral Teixeira Cirne. O Brasão dos Cirnes, que ornamentava o cimo da fachada principal, foi picado em 1890 e substituído pelo ornato de granito que encima o edifício actual.
A quinta foi então loteada e urbanizada. Nos antigos terrenos de cultivo e jardins construíram-se casas e rasgaram-se as ruas dos Duques de Palmela, de Saldanha e da Terceira, do Conde de Ferreira, do Barão de S. Cosme, de Joaquim António de Aguiar e a de Ferreira Cardoso.
Em 1890 a Casa é comprada por 20 contos de reis pela Junta Paroquial do Bonfim.
Posteriormente veio a albergar o Liceu do Porto, já desaparecido, e incorporado no Liceu Rodrigues de Freitas, até sofrer obras em 1930, onde lhe foi aumentado um piso que lhe permitiu acolher a sede da Junta de Freguesia, que ocupa presentemente o edifício.
Junta de Freguesia do Bonfim in http://www.jfbonfim.pt

Fontes:
- Junta de Freguesia do Bonfim
- CMP
Wikipédia
- AMP

Forte de São João da Junqueira. (Lisboa)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Forte da Junqueira. Cliché - Filmarte in A.M.L.
 Forte da Junqueira. Cliché de José Artur Leitão Bárcia in a.f. C.M.L.
O Forte de São João da Junqueira, ou apenas Forte da Junqueira, localizava-se no areal da Junqueira, com a fachada frontal voltada para o rio Tejo, onde actualmente existe a Avenida da Índia, a leste do edifício da Cordoaria Nacional, em terreno onde hoje se situam a Rua Mécia Mouzinho de Albuquerque e a Feira Internacional de Lisboa.
Presume-se que terá sido edificado por altura da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) terá sido erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), possivelmente após 1649, com a função de reforço da defesa marítima da capital.
 Forte da Junqueira em 1939. Cliché de Eduardo Portugal in a.f. C.M.L
Sendo inicialmente uma fortificação de reduzidas dimensões, a sua construção estava praticamente concluída em 1666, quando contava com uma bateria voltada ao Tejo e a edificação de serviço pelo lado de terra.
Seria posteriormente ampliado e terá sido no reinado de José I de Portugal (1750-1777) que atingiu as suas maiores dimensões. D. José, talvez o rei mais inútil da História de Portugal (excluímos D. Afonso VI, pois era deficiente mental) delegava no primeiro-ministro, o célebre marquês de Pombal, todas as decisões. Assim, por decisão do marquês, as dependências do Forte, foram convertidas em prisão do Estado, adquirindo uma sinistra reputação. 
Neste local estiveram detidos numerosos elementos do povo e nobres, nomeadamente quando do processo dos marqueses de Távora, com destaque para D. João de Almeida Portugal, 4.º conde de Assumar e 2.º marquês de Alorna (1726-1802) e D. Martinho Mascarenhas, 6.º e último marquês de Gouveia. O primeiro aqui esteve detido por 18 anos, tendo nos legado uma breve relação intitulada “As prisões da Junqueira, durante o ministério do marquês de Pombal”, publicada conforme o original por José de Sousa Amado, presbítero secular (Lisboa, 1857). Inédita durante 70 anos, dela surgiram várias cópias com títulos como “Relação dos presos do forte da Junqueira” e outros. 
Na época Pombalina o forte-prisão contava com três pavimentos abaixo do solo, afirmando-se que o mais profundo era utilizado como cemitério, ali sendo sepultados os que não resistiam ao cativeiro. Os pavimentos superiores funcionavam como cárceres.
Os presos de Estado detidos na Junqueira apenas foram libertados com a morte de D. José I (24 de Fevereiro de 1777) e a ascensão ao trono de Maria I de Portugal (1777-1816).
 Interiores - "O pateo das prisões e a capella" in Ilustração Portuguesa
  Interiores - "O carecer (cárcere) dos Tavoras" in Ilustração Portuguesa
 Interiores - "O pateo e o poço" in Ilustração Portuguesa
Com muitas modificações efectuadas ao longo dos anos, o forte chegou ao século XX, tendo sido demolido em 20 de Março de 1940, quando da abertura da "Avenida da Índia", nos trabalhos preparatórios dos acessos à "Exposição do Mundo Português".
A sua demolição chegou a ser anunciada pelo jornal lisboeta "Diário de Notícias" de 23 de Novembro de 1939, em matéria de Nogueira de Brito, sob o título “A Junqueira de outros tempos e o Forte de São João que vai a demolir”.

Fontes parciais:
- SIPA / DGPC
- Fortalezas.org
- CML
- ANTT

Palacete de Manoel Pinto da Fonseca. (Porto)

sábado, 6 de maio de 2017

 Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca . BPI (digitalização)
Esta formidável habitação foi a moradia de Manoel Pinto da Fonseca, fundador, em conjunto com o seu irmão, da Casa Fonseca, que posteriormente haveria de dar origem ao já desaparecido Banco Fonsecas e Burnay. Localizava-se na Avenida da Boavista, esquina com a Rua de Belos Ares, onde actualmente se encontra o prédio que alberga o Bingo da Boavista. Foi devastada por um incêndio em 14 de Outubro de 1926.
Bombeiros a apagar o incêndio do Palacete do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca, 
localizado na esquina da Rua de Belos Ares com a Avenida da Boavista, no Porto. 
Cliché Alvão. 1926-10-14 in Centro Português de Fotografia

Ponte da Peça Má. (Trofa)

sábado, 25 de março de 2017

Ponte da Peça Má in Google Maps
A Ponte da Peça Má, inaugurada em 30 de Outubro de 1938, era construída em alvenaria de granito, tinha um vão de 19 metros e um arco de 89 aduelas. 
A ponte (viaduto) localizava-se sobre a Estrada Nacional 14, na Freguesia do Muro, Concelho da Trofa e servia de ligação ferroviária, até a linha do comboio Porto (Trindade) / Guimarães ter sido desactivada em Fevereiro de 2002.
Entre as várias "razões" para a demolição de mais uma estrutura em granito, obra irrealizável nos nossos dias cinzentos de betão armado, encontramos a miserável explicação da "inutilidade actual do viaduto" e a pálida acusação do mesmo ser "culpado" de alguns acidentes no local (talvez fosse a ponte que embatesse nos camiões, que circulam tranquilamente e ninguém tivesse reparado).

Houve sempre a possibilidade de se rebaixar a estrada no local, ou até mesmo de fazer um pequeno desvio na mesma, permitindo poupar a estrutura à demolição. Mas essas ideias não interessavam a quem tem apenas a cultura do dinheiro.
Tudo se prendeu na realidade aos custos de manutenção da Ponte da Peça Má, que pelo apurado, a empresa Metro do Porto nunca fez intenção de assumir. A destruição foi o ideal para fugir a futuras responsabilidades de manutenção.
No início de Setembro de 2016, os interesses económicos, derrubariam fisicamente esta construção, em tudo respeitável.
Ponte da Peça Má in Arquivo Histórico
Fontes:
- Correio do Porto
- O Notícias da Trofa
- A Trofa é Minha

Palacete da Quinta da Ponte da Pedra.

sábado, 18 de março de 2017

A Quinta da Ponte da Pedra, situa-se junto à referida Ponte, na Rua Godinho Faria em Leça do Balio. A Quinta integra as ruínas de um Palacete que é por muitas pessoas, também chamado de "Palacete Oitocentista". 
Consta-se que neste magnifico edifício, do qual mal restam paredes, funcionou em tempos uma instância de diversão mas também uma Residencial. 
Acesso principal
 Portão de entrada da Quinta
 Ruínas do majestoso edifício
 Fonte e tanque monumental
 Fachada principal - Entrada nobre
Era neste fascinante Palacete que o escritor Camilo Castelo Branco gostava de se instalar quando vinha passar férias no Porto, por ser uma Residencial que dispunha de bonitos jardins e de frente existia também uma praia fluvial com muitas embarcações pequenas a remo na margem do Rio Leça. Aproveitando a Residencial e praia ali tão perto, Camilo Castelo Branco inspirou-se para escrever algumas das suas obras.
Neste Palacete, também consta que o Rei D. Miguel "o absolutista", se instalou, governando daqui Portugal, durante a guerra que travou com o seu irmão D. Pedro IV "o liberal". Esta guerra foi ganha pelos "Bravos de Mindelo" que defendiam as ideias do Rei D. Pedro IV. Desembarcaram na Praia dos Ladrões, em Arnosa de Pampelido, também conhecida por Praia da Memória, em Julho de 1832.

Fachada principal (Obras precisam-se)
Mais tarde, a proprietária da Quinta e do Palacete, quando sentia que ia falecer, não tendo a quem deixar a propriedade, doou-a ao Estado para que a pusesse ao serviço da infância ou de idosos. 
Durante muitos anos funcionou como um Albergue de mendicidade. 
Com o caos motivado pelo 25 de Abril de 1974, os idosos foram recolhidos no Lar de Monte dos Burgos e o Palacete ficou livre para albergar várias famílias retornadas das colónias Ultramarinas Portuguesas. 
Durante a residência dos retornados, o Palacete foi mal tratado, saqueado, vandalizado e os seus jardins foram sendo destruídos. Em 2001 foi realojada a última família. Num dia de 2005, por volta da meia-noite, deflagrou um grande incêndio que destruiu tudo, ficando apenas as paredes exteriores, estas também já severamente maculadas.

Fontes:
- União das Freguesias de Custóias, Leça do Balio e Guifões
Imagens: 
- Alexandre Silva

Fonte do Mercado Ferreira Borges. (Porto)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Fonte do Mercado de Ferreira Borges em 1908. Editor - Le Temps Perdu
   
Esta belíssima fonte, que se localizava no amplo espaço, existente sob a escadaria frontal do Mercado Ferreira Borges, foi substituída em 1932 por um Posto Eléctrico da C.M.P. que ainda lá se encontra.
A fonte recebia água dos mananciais de Paranhos e Salgueiros (que forneciam água à maior parte das muitas fontes que existiam na cidade) e possuía um espaçoso tanque com duas bicas, integradas em dois cangirões que as figuras femininas seguravam.
Segundo Gemano Silva, o elemento decorativo desta fonte (as duas senhoras com os cântaros) está actualmente nos jardins do Palácio de Cristal. Facto que é facilmente comprovável.
Mercado Ferreira Borges in Arquivo Municipal