Auto-de-Fé de 1543. (Porto)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Este é um assunto um pouco controverso, com os Historiadores a repartirem-se em opiniões, por vezes bastantes divergentes sobre a realidade decorrida. 
Vamos expor aqui, uma das versões daquilo que é provável que tenha sucedido em Fevereiro de 1543.
Notícia no jornal HA-LAPID sobre o auto-de-fé no Porto de 1543
A 11 de Fevereiro de 1543 (e um ano depois, em 27 de Abril de 1544), terão sido realizados no Campo do Olival (Cordoaria) dois autos-de-fé.
Citamos:
O primeiro auto do Santo Ofício que se fez neste reino de Portugal foi nesta cidade do Porto, aos 11 dias do mês de Fevereiro, que caiu ao primeiro domingo da Quaresma do ano de 1543 (...) Estiveram presos os cristãos-novos juntos nas lojas das casas que estão ao pé da escada grande da Sé e as mulheres nos sobrados das casas defronte de Nossa Senhora do Ferro. Se fez o cadafalso no Campo do Olival (...) reinava El-Rei D. João o terceiro (…) e era bispo nesta cidade D. Baltasar Limpo (…) Juntou-se nesta cidade mais gente que nunca se viu antes (…) vinda do Termo e do Minho, de Vila Real, de Lamego, de Viseu e Coimbra que todo aquele campo desde Nossa Senhora da Graça e S. Miguel, até ao monte dos Judeus (…) estava apinhado de gente e estando uma mulher nobre numa das torres, morreu de morte súbita, vendo dar garrote a um dos quatro que foram queimados nesse dia e queimaram muitas estátuas dos culpados que fugiram.
Fizeram o segundo auto do Santo Ofício (…) no mês de Maio do ano de 1544 onde também concorreu muita gente, queimaram e afoguearam três pessoas e muitas estátuas dos fugidos (…)”

Gravura a cobre intitulada "Die Inquisition in Portugall" por Jean David Zunner retirada da obra "Description de L'Univers, Contenant les Differents Systemes de Monde, Les Cartes Generales & Particulieres de la Geographie Ancienne & Moderne." Por Alain Manesson Mallet, Frankfurt, 1685, da colecção privada do Dr. Nuno Carvalho de Sousa. Fonte: Wikipédia
A cidade do Porto e a Inquisição nunca se deram bem, embora curiosamente, muitos nomes relevantes desta cidade, fossem membros do Santo Ofício. Segundo as crónicas, após o segundo auto-de-fé, realizado em Abril de 1544, a Inquisição, pressionada, deslocou-se para Sul. 

Sé de Lamego - Obras de restauro no séc. XX.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Foi sob a tutela da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que nos anos 30 do séc. XX se iniciou a intervenção de restauro da Sé de Lamego, a qual se centraria primeiramente, na recuperação das coberturas e na reconstrução de grande parte do Claustro. De facto, em Fevereiro de 1936 estariam disponíveis as primeiras verbas para estas obras de restauro.
As obras de restauro e manutenção foram de grandes dimensões, abrangendo toda a catedral, tanto externamente como internamente (pintura mural, talha, etc.) e arrastaram-se por muitos anos, devido não só à sua grandiosidade, mas principalmente devido à constante falta de verbas.
Sé de Lamego. Prova actual em papel salgado, a partir de um 
calótipo de Frederick William Flower. 1849 -1859
Sé de Lamego. Vemos o belíssimo gradeamento externo, com colunas em alvenaria de granito, mandado colocar por D. Tomás de Almeida e posteriormente retirado
Sé de Lamego. Gradeamento mandado colocar por D. Tomás de Almeida
Já nos anos 60, a Torre que esteve habitada até 1964, foi finalmente desocupada por intervenção do Cabido, beneficiando de obras só em 1968. 
Sé de Lamego - Obras de restauro. Imagens: IHRU / SIPA
A fachada norte da torre apresentava a abertura de dois vãos, sendo um ao nível térreo e outro ao nível do primeiro piso, realizados em época posterior à medieval. 
Os vãos seriam entaipados, sendo aberto no nível do primeiro piso, um novo vão para iluminação solar, com semelhança ao existente na fachada ocidental da torre.
Houve preocupação em mimetizar o estilo românico. De facto a torre seria a única parcela de todo o complexo a sofrer um restauro assente em critérios de reposição estilística.
Torre sineira da Sé de Lamego - Obras de abertura da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968
Torre sineira da Sé de Lamego - Pormenor da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968

Torre de Chã. (Ferreiros de Tendais / Cinfães)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Torre de Chã (ou Torre de Cham) era originalmente uma fortificação, posteriormente transformada em Solar da Brasonada família Pinto, (já por nós mencionada na publicação "Torre da Lagariça/A Illustre Casa de Ramires") de Riba Bestança. A lenda identifica como fundador da torre, o famoso cavaleiro moçárabe* Geraldo Giraldes. 
Esta fortificação localizava-se num alto pedregoso da serra de Montemuro, perto do ribeiro de Bestança e da vila de Ferreiros de Tendais.
Desenho à pena da Torre de Chã, em Ferreiros de Tendais, Cinfães 
Autoria do Dr. Cabral Pinto de Rezende
«O Castello de Cham»
Revista Panorama de 11-11-1843
No ano de 1939, a antiquíssima Torre de Chã, encontrava-se em absoluto estado de ruína, já fazia muitos anos e seria demolida, alegadamente para evitar o colapso total. Esta demolição, foi sem duvida alguma, mais uma grande perda do nosso património histórico.

Nota: * Moçárabes (do árabe مستعرب musta'rib, "arabizado"‎) eram cristãos ibéricos que viviam sob o governo muçulmano no Al-Andalus. Os seus descendentes não se converteram ao Islão, mas adoptaram elementos da língua e cultura árabe. Eram, principalmente, católicos romanos de rito visigótico ou moçárabe.

Diploma de Habilitação no Exame de 4.ª Classe. (Portugal)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Em Portugal, entre os anos de 1948 e 1974, o Ensino Primário era abrangido por dois ciclos de educação.
O primeiro (que é o que abordaremos aqui) denominava-se por elementar e era constituído por quatro classes (primeira classe, segunda classe, terceira classe, quarta classe), que só terminava com aprovação no exame da quarta classe.
Diploma de Habilitação no Exame de 4.ª Classe
O ciclo elementar do Ensino Primário era considerado como uniforme para cada sexo e obrigatório para todos os portugueses mental e fisicamente sãos, entre os sete e os doze anos, e destinava-os a habilitá-los a ler, escrever e contar, a compreender os factos mais simples da vida ambiente e a exercer as virtudes morais e cívicas, dentro de um vivo amor a Portugal. 
Sala de aula numa escola primária em 1938
 Ambiente que reinava nos refeitórios das Escolas Estatais, durante o Estado Novo 
De notar a presença do Crucifixo e as fotografias do Presidente da República 
e do Presidente do Conselho, na parede. Símbolos de Deus e da Nação
Muito poderíamos ainda escrever, acrescentar e pormenorizar, sobre este tema, mas não sendo esse o objectivo desta publicação, deixamos aqui apenas os tópicos essenciais.

Solar de Carrapatelo. (Penha Longa)

Localizado na margem direita do rio Douro, perto da barragem do Carrapatelo (a barragem deve o seu nome à propriedade e seu Solar), o Solar de Carrapatelo é uma construção de estilo Barroco, Brasonado, com as armas da família Abreu e Lemos. 
Solar de Carrapatelo em 1973. Cliché de A. Cochofel
Sendo na sua época obviamente residência de pessoas com elevado nível económico, a propriedade engloba casa de caseiros, adegas, tulhas e uma capela. De facto, esta propriedade pertencia ao fidalgo José Joaquim de Abreu e Lemos, de 73 anos, sargento-mor das milícias do julgado de Bem-viver a qual a rea geográfica pertencia a casa na época, que aí habitava na companhia de sua filha, D. Ana Vitória de Vasconcelos e Abreu Lopes da Fonseca Lemos, de 39 anos, já esta estava viúva. A sua filha natural D. Rita de Cássia e a sua neta D. Ana Amélia, de 19 anos, que ainda se encontrava solteira para além de todos os criados e criadas da casa. Tinha ainda outra neta, D. Maria de Melo, de 22 anos, que casara havia um ano com João da Silveira Osório de Vasconcelos e vivia na margem de lá do Douro, na Póvoa ou Quintã de Antemil. 
Este Solar, ficaria para sempre ligado ao nome do salteador José do Telhado, devido ao assalto efectuado pelo mesmo.
A 3 de Janeiro de 1852 faleceu o sargento-mor. O funeral realizou-se no dia 5 para a Capela do Senhor Preso à Coluna, pertença da família, na Igreja Matriz de Paços de Gaiolo.
Todos os fidalgos e autoridades das redondezas tinham acorrido ao funeral e a apresentar condolências à família enlutada, além do muito povo que comparecera, pois era geral a estima pelos fidalgos de Carrapatelo e conhecida a bondade de D. Ana Vitória.
Durante a tarde do dia 7 iam partindo as últimas visitas.

"Tendo atravessado o Tâmega no Barco do Canal [situado em Abragão, concelho de Penafiel], a quadrilha dirigiu-se para o monte do Castelinho, onde passou parte da tarde fingindo que caçava. Dali foi para a corte de Fandinhães, aonde o Fragas lhe enviou comida. Já noite, dirigiu-se a um alto que fica próximo da casa de Carrapatelo, onde José Teixeira destinou os postos de cada um."
In: Campos Monteiro, obra citada. 
Alguns dos assaltantes fizeram a passagem do Canal em pequenos grupos, para não levantarem suspeitas. Levavam com eles duas cadelas (talvez com o intuito de acalmarem os cães da casa) e dois cães. 
José do Telhado tinha com ele o seu cavalo. O comandante dera como senhas: Merda, para avançar, e Mesão Frio, para retirar.
Construção da Barragem do Carrapatelo
 Podemos ainda avistar nesta foto o Solar do Carrapatelo
O Solar, há algum tempo atrás, aparentava um abandono lamentável (terá entretanto tido obras de restauro?)
Como já mencionamos anteriormente em outras publicações, sabemos que manter estes casarões em bom estado, não fica barato, principalmente se os mesmos não estiveram adaptados a algo (como o turismo rural por exemplo) que permita torná-los auto-sustentáveis, no entanto também conhecemos (e na primeira pessoa) casos em que as propriedades e os edifícios foram herdados em boas condições, mas o desmazelo, desinteresse, preguiça crónica e até mesmo a triste e escusada avareza de quem as herdou (não gastar um tostão em preservação, pois não vai haver lucro de recompensa) conduz propriedades e suas casas centenárias a uma condição de ruína quase absoluta, que as tornará muito mais difíceis de recuperar futuramente pelos próximos herdeiros. A meu ver, esta atitude última, é um desrespeito absoluto à memoria dos familiares falecidos que confiaram estes bens aos seus actuais e apenas temporários proprietários.

Popularmente diz-se:
"Uns são úteis quando vivos, outros 
tornam-se úteis, quando o deixam de ser"

Limpa-Chaminés.

domingo, 9 de agosto de 2015

Erradamente considera-se a profissão de Limpa-Chaminés, como uma das mais antigas do mundo. 
Tal não corresponde à realidade, pelo menos no seu total, pois só no tempo da Revolução Industrial, as chaminés foram concebidas com a largura suficiente para poder permitir o acesso a um homem .
Pelos séculos XV e XVI foi implementada a construção de "pescoços-de-cavalo" para que a chaminé pudesse escoar melhor o fumo. 
Com o aumento da população urbana nessa época, também aumentaram o numero de casas com chaminés, o que fez com que esta profissão ficasse muito cobiçada e procurada, apesar de por vezes se encontrar prosas e versos com alusão a escárnio e mal dizer.
Retrato de dois limpa-chaminés do Porto. Cerca de 1900. Phot.ª Guedes
Na Grã-Bretanha, pela época Victoriana, o negócio expandiu-se imenso, havendo necessidade de empregar até crianças, pois estas sendo mais pequenas, caberiam facilmente dentro das chaminés, podendo fazer o trabalho satisfatoriamente. 
Mas o trabalho era sujo e perigoso, e os empregadores destes "meninos trepadores" acabaram por ter bastantes problemas, sendo acusados de exploração e abuso.
Consequentemente, o grito público contra a prática levou a uma pesquisa de um substituto e a invenção de uma escova especial com uma maçaneta de "telescoping" e outras inovações mais subtis que permitiriam uma limpeza feita com melhor acesso, sem arriscar a vidas.
"Muitas vezes parece que o diabo bate à nossa porta, 
mas é simplesmente o limpa-chaminés"
-Christian Friedrich Hebbel
Antigamente dizia-se que encontrar um Limpa-Chaminés no dia do casamento era sinónimo de sorte, assim como dar a mão ou beijar um Limpa-Chaminés. Hoje em dia, esta profissão está em desuso como muitas outras, mas, contudo, continua a existir, sendo este serviço executado por empresas especializadas.

Fonte parcial:
-Wikipédia

Igreja Matriz de São Mamede de Infesta.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A actual igreja de São Mamede de Infesta foi iniciada em 27 de Agosto de 1864, tendo sido concluída em 7 de Setembro de 1866.  Trata-se de uma Igreja neoclássica de planta longitudinal e nave única com torre quadrada ao centro da fachada principal. A fachada actual é revestida a azulejos brancos, com decorações e registos azuis também em azulejo. A igreja actual, existe graças a um grande benemérito, natural desta freguesia, Rodrigo Pereira Felício, Conde de S. Mamede, que doou 12 contos de reis (uma fortuna naquela época) para a sua construção.
A actual Igreja Matriz foi projectada pelo arquitecto portuense Pedro de Oliveira, inspirado na Igreja da Trindade, totalmente contra a vontade daquele a subsidiou, que desejava uma igreja com duas torres à imagem da igreja do Senhor de Matosinhos.
Actual igreja de São Mamede de Infesta, ainda rodeada por campos 
Cliché de autor desconhecido
HISTORIAL DA IGREJA MATRIZ DE SÃO MAMEDE DE INFESTA
(extraído do trabalho monográfico sobre de S. Mamede de Infesta e publicado pela Junta de Freguesia)

Segundo se sabe, a mais antiga, seria uma capela em Moalde, conforme texto de doação de D. Unisco Mendes ao Mosteiro da Vacariça – ” da mesma sorte vos damos em Manualde, duas partes da igreja de S. Mamede “- Livro Preto da Sé de Coimbra.
A continuidade desta igreja é-nos dada por várias citações ao longo dos anos: – Venda, em 1 1 3 1, por D. Chamoa Pais e seu marido, ao Bispo do Porto, parte da igreja de S. Mamede.
– Ordenações Afonsinas ( 1258 ) – Igreja de S. Mamede.
– Em 1320, esta igreja figura com o nome de S. Mamede de Thresoires
– Em 1556, a descrição da sua localização no lugar da Igreja.
– Em 1662, na visitação efectuada em 23 de Abril, consta o seguinte: ” que faça de novo a porta principal que cae e reboque a Igreja e fação o Caminho e passadouro da Laranjeira com sua escada de pedra bem comprido
– Na visitação de 1686, foi dito: “os fregueses farão o acrescentamento em termo de dois anos pois me constou que por razão de serem muitos, não cabem na Igreja “.
Em virtude da pequena dimensão desta igreja, foi mandado construir uma nova no Monte de Nª. Sª. da Conceição, pelos Balios de Leça, sendo consagrada em 22 de Janeiro de 1735 e o adro em 15 de Fevereiro de 1737, passando a chamar-se Igreja Nova.
A antiga igreja foi ficando em ruínas, e pensa-se que a Capela de S. Cristovão, na Quinta do Dourado poderá estar associada (pelo menos no mesmo local ) à velha igreja. À Igreja Nova sucedeu a actual igreja Paroquial de S. Mamede de Infesta, construída no mesmo local da anterior.
A igreja de São Mamede de Infesta, vista do Cruzeiro, que se localizava no actual cruzamento da rua Godinho de Faria com a Av. do Conde. BPI
Conforme referimos no início da publicação, existe um episódio peculiar relacionado com a doação e a inauguração desta igreja. Rodrigo Pereira Felício (Conde de São Mamede) aquando da doação dos 12 contos de reis teria dito que queria uma igreja com duas torres, como a do Senhor de Matosinhos. 
No entanto, o arquitecto Pedro de Oliveira construiu a igreja à imagem da Igreja da Trindade, portanto, com uma torre só. Aquando da inauguração, estando tudo preparado, Bispo, povo, autoridades, esperando apenas pelo Conde de S. Mamede, Rodrigo Pereira Felício, que chegava do Brasil. Quando a carruagem do Conde chegou ao cruzeiro (actual cruzamento da rua Godinho de Faria com a Av. do Conde) e viu a sua igreja só com uma torre, deu meia volta e retornou ao Brasil, sem mais palavras.
Vista geral do Largo da Cruz e da Igreja Matriz de São Mamede de Infesta. Cliché in AMP
A 19 de Fevereiro de 1910, o carro eléctrico chegou a S. Mamede, aproximando ainda mais o lugar do Porto, já então uma grande cidade. Cliché in AMP

Sé do Porto - Obras da década de 30, do século XX.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Já aqui falamos várias vezes, em publicações anteriores (cuja consulta recomendamos aos nossos estimados leitores), de grandes obras realizadas em toda a zona envolvente à Sé do Porto, bem como alterações exteriores no próprio edifício, sendo disso exemplo, a demolição do relógio, existente entre as torres.
Vamos então abordar mais um pouco, as obras que moldaram este edifício durante o século XX, no intuito de lhe devolver o seu aspecto original.
Em 1927, tal como o relógio, foi demolida a casa do sineiro que se localizava entre as duas torres e é visível nas fotografias de baixo.
Casa do sineiro, demolida em 1927. Sé do Porto - Cliché anterior a 1935
Casa do sineiro, demolida em 1927. Sé do Porto - BPI
A Sé com o seu relógio. Foi igualmente demolido em 1927
Vista parcial do Porto, circa 1900. BPI circulado em 1909. Edição - Martins - Lisboa
Sé do Porto em 1910. A nave central antes do restauro 
Retábulos destruídos na década de 30. Phot.ª Guedes
Cerimónias fúnebres do Bispo D. António em 1918, na Sé do Porto
Os altares e decorações em madeira, só seriam retirados nas obras dos anos 30
Sé do Porto. O interior durante o restauro na década de 30 do séc. XX
Um dos objectivos foi retirar-lhe o estilo Barroco, visível nas imagens de cima
Opinião de Bernardo Xavier Coutinho sobre as obras de restauro (extracto)
Aspecto exterior antigo da Rosácea
Sé do Porto
Imagens:
- AHMP
- BPI - Editor - Estrela Vermelha
- BPI - Edição - Martins
- Phot.ª Guedes

Casa n.º 39, na Praça da Rainha D. Amélia. (Porto)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A actual Praça da Rainha D. Amélia, inicialmente teve a designação de Largo da Póvoa.
A palavra Póvoa, deriva do latim "popula" que denomina um pequeno povoado. Na época existia já outra Póvoa, próximo da Rua das Oliveirinhas, que antes se chamou Rua das Oliveiras, "junto à Póvoa de Baixo" e está registado num documento da paróquia de Santo Ildefonso do ano de 1757, a outra era designada por "Póvoa de Cima" para se poderem diferenciar.
Quando foi reconstruida no Largo da Póvoa, a capela de S. Crispim e S. Crispiniano, proveniente do local actualmente ocupado pela Rua Mouzinho da Silveira, a Câmara decidiu mudar o nome ao largo que passou então a chamar-se Largo de S. Crispim. Mais tarde voltaram a alterar a denominação do largo, atribuindo-lhe o nome da rainha D. Amélia de Orleães, esposa do Rei D. Carlos. O largo e posterior praça sofreram alterações, tanto de toponímia quanto urbanísticas. Um local rural, que actualmente está quase no coração da cidade do Porto.
Praça da Rainha Dona Amélia, 39. Séc. XVII e XVIII. Teófilo Rego, 1961
O cliché de cima sublinha a nossa afirmação anterior. Não sendo muito antigo (data de 1961) e com autoria de Teófilo Rego, mostra-nos uma casa rural, com características arquitectónicas típicas dos séculos XVII e XVIII, que ocupava o n.º 39, da Praça da Rainha Dona Amélia. Acreditamos que tenha sido demolida, pois não localizamos o edifício.

Chafariz do Passeio Alegre / Chafariz do Convento de S. Francisco. (Porto)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O chafariz do Passeio Alegre (como é conhecido actualmente) não desapareceu, mas muitos portuenses desconhecem que esta obra de arte, com autoria atribuída a Nicolau Nasoni, se encontra bastante distante do local para o qual foi originalmente projectada.
Chafariz do Passeio Alegre - BPI
O chafariz é um belíssimo monumento em granito, constituído por uma coluna central decorada com motivos vegetalistas e zoomórficos. 
A ladear a coluna existe uma taça com quatro carrancas que jorram água para uma taça inferior em forma de trevo, e que delimita o chafariz.
Chafariz do Convento de S. Francisco. Actualmente está no Passeio Alegre, Foz
Cliché de Guilherme B. Barreiros - 1941
Pode-se ler em diversos sítios, inclusive na Wikipédia, que o local de origem deste chafariz seria a Quinta da Prelada, mas não nos parece que isso seja verdade.
Vista geral da igreja de São Francisco, no Porto, voltada para a rua do Infante D. Henrique
Imagem não datada (1900?) com autoria de Emílio Biel
Este chafariz estava no claustro do antigo Convento de S. Francisco e foi deslocado para o jardim do Passeio Alegre depois daquele edifício ter sido reduzido a escombros, durante a fase final do cerco da cidade (Agosto de 1833), e no seu lugar ter-se erguido o actual Palácio da Bolsa. 
O chafariz foi transferido para o jardim do Passeio Alegre a 3 de Julho de 1869, pela Comissão Administrativa do Salva-vidas, por forma a combater a falta de água durante o estio e satisfazer o aumento populacional desta freguesia piscatória.
Citamos Germano Silva in "Fontes e Chafarizes do Porto" pág.146 e 147:
"...o chafariz que está no Passeio Alegre pertenceu ao extinto mosteiro de S. Francisco que existiu onde está agora o Palácio da Bolsa".

Citando ainda o Dr. Hélder Pacheco in "Porto" da Editorial Presença, pág.198 e 199 :
"No Jardim do Passeio Alegre, admiramos o mais harmonioso e monumental chafariz portuense. É nítida a sua configuração de elemento arquitectónico monástico. De facto pertenceu à cerca do extinto convento de S. Francisco, nos terrenos do qual foi construído o Palácio da Bolsa".
Igrejas do Convento de S. Francisco e dos Terceiros Franciscanos em 1900  
Cliché da Phot.ª Guedes