A "Quinta Amarela" ou "Quinta dos Cepedas". (Cidade do Porto)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Antes de escrever algo mais, gostaria de sublinhar que na cidade do Porto existe pelo menos outro lugar conhecido por "Quinta Amarela".
A "Quinta Amarela" que abordamos aqui situa-se ao longo da Av. dos Combatentes, nas traseiras da Praça de Velasquez, actualmente chamada Dr. Francisco Sá Carneiro.
Não dispondo de muita Bibliografia sobre a mesma posso no entanto afirmar com pouca margem de erro que este local foi a casa dos Cepedas e tem origem no séc. XVIII.
Totalmente ilhada por ruas, foi em tempos uma propriedade rural numa zona então afastada do centro urbano.
Tem estado "separada" do séc. XXI por um muro que envolve toda a propriedade com cerca de 3 metros de altura.
A actual propriedade ainda é enorme, tem um aspecto antigo, com jardins agora ao abandono mas que em tempos idos devem ter sido deslumbrantes. Existem várias casas lá dentro (a dos proprietários e as dos antigos caseiros?), abandonadas e em ruínas desde que me recordo.
Imagem de grande dimensão, clique para ampliar e visualizar pormenores
 
Imagens aéreas em 3D onde podemos observar melhor a casa senhorial ou principal
Ângulos diferentes
A casa principal, um palacete enorme, com papel de parede antiquíssimo, radiadores de parede enormes e trabalhados à mão, salões com enormes lareiras, uma bela escadaria em madeira (ou o que sobra dela), uma garrafeira toda organizada com etiquetas a descrever as colheitas, uma cozinha antiga e imensas divisões. O acesso vertical pode ser feito através de outra escadaria que não a principal. No exterior o terreno tem imensos terraços, recantos, passeios debaixo de videiras (em tempos), grutas e mais algumas casas.
 Casa dos Cepedas na Avenida dos Combatentes, 151  (século XVIII) 
Fotografia de Teofilo Rego em 1961
Aspecto do jardim e da fachada das traseiras da Casa da família Cepeda, na Quinta Amarela
Em baixo, uma das casas secundárias com fachada voltada para a Av. dos Combatentes
Na fotografia abaixo vemos a casa principal, na esquerda da imagem por detrás dos "vidrões", oculta na vegetação
Obs. Enquanto preparava este "post" verifiquei que estão a construir «algo» na propriedade...
edifícios... talvez mais um horrível condomínio-fechado para ricos. Se assim for é uma pena, espero estar totalmente enganado, vamos lá a ver o que dali sai!!!

Aditamento: 07-01-2011

Na data acima citada, recebemos um simpático mail de um leitor nosso, (juntamente com algumas imagens antigas), relacionado com este "post",  que vamos publicar agora na integra:
Passamos a citar:

Ex.mo Sr.

Por ter visualizado o seu blogue, envio-lhe o que lá vão fazer através deste pequeno texto, e também aproveito e envio-lhe fotos do interior da antiga quinta

Melhores cumprimentos

F. F. (omitimos o nome por ética)

(Antiga Quinta dos Cêpedas)

"É um empreendimento de luxo de título reservado, localizado no coração das Antas ocupando um quarteirão, entre as Ruas Agostinho de Campos, Oliveira Martins, Bartolomeu Dias e a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e caracteriza-se pela conservação das fachadas das casas senhoriais existentes e da sua total reconstrução, mantendo a arquitectura e imponência contemporânea do seu tempo, mas com a modernidade exigível para os tempos futuros.
Das muitas particularidades deste empreendimento, é de salientar a altura dos muros de protecção, que se irão manter na altura actual, a gruta e o lago artificial existente, e de toda a área descoberta de cerca de 8000m2 de jardim, com a sua preservação desde os passeios às árvores de grande porte.
Terá uma portaria com uma área de 394m2, do qual está inserida a sala de condomínio, uma central de segurança, uma sala de estar para os seguranças, um arrecadação e um banho.
Dentro da área de lazer terá uma piscina coberta com os respectivos balneários e banho turco.
O empreendimento irá colocar no mercado 27 habitações, das quais 14 serão moradias V2, V3, V4 e V5. Quanto aos apartamentos, que serão 13 de tipologias T1, T2, T2 Duplex, T3, T4 e T4 Duplex.
As habitações T2 terão de 110m2 a 190m2, os T4 entre 251m2 e os 255m2, e o único T1 e T3 terão 84m2 e 196m2 respectivamente.
As Moradias de sua grande maioria V4 terão áreas compreendidas em 248m2 e os 314m2, quanto às únicas moradias V2, V3 e V5 as suas áreas serão de 188m2, 239m2 e 361m2 respectivamente.
Também de salientar que todas as habitações e moradias terão boxes fechadas com áreas compreendidas entre os 35m2 e os 59m2, algumas habitações com jardim e todas as moradias com jardim privativo.
A sua concepção está a cargo da firma Norma e arquitectura de Souto Moura."

Este esclarecimento, (que é claro, não deixa de ser também uma forma de publicidade ao empreendimento), explica o que se passa lá, mas de forma alguma nos mostra a «obra acabada»... passei lá recentemente e vi paredes de alvenaria totalmente derrubadas, na casa cuja fachada dá para a Av. dos Combatente, estando em alguns casos o tijolo a substituir a pedra. Claro que depois de rebocado e pintado não se distingue a olho nu qual o material que as constituem, mas tal desrespeita as construções originais, pois as mesmas passam a réplicas.
Vejo igualmente muito tijolo a integrar as paredes da casa principal (talvez com a intenção de a ampliar), o que também não parece grande sinal... no restauro de casas seculares deve-se respeitar o material de construção original, neste caso o granito.  Mas como o que posso observar é muito pouco e feito à distancia, só resta esperar pelo fim da obra para tirar conclusões, no entanto e baseado em outras recuperações muito mal feitas que apenas visavam o lucro imobiliário a que já assisti, estou algo inquieto. Como já aqui se disse, veremos no final...
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Em cima, fotografia do antigo jardim frontal da casa principal, em baixo imagem das ruínas das traseiras...
Em baixo, vemos parte da propriedade (antes do início das obras)... Vemos igualmente a casa principal, à direita e no canto esquerdo da fotografia notamos os edifícios que circundam a praça Dr. Francisco Sá Carneiro.

Imagens:
- Teófilo Rego
- Bing Maps
- Google
- Autores desconhecidos

A Praça D. Fernando. (Cidade de Lisboa)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Praça D. Fernando em Lisboa. BPI colorido à mão
A Praça Afonso de Albuquerque foi noutros tempos denominada “praça Dom Fernando”, a norte dominada pelo palácio de Belém e a sul pelo “Cais de Belém”. Este cais foi mandado construir no tempo de D. João V e terminado pelo Marquês de Pombal. Nele embarcaram os Jesuítas expulsos em 1759, e o futuro D. João VI, a Família Real, e grande parte da corte numa numerosa esquadra, para o Brasil em 1807, aquando das invasões napoleónicas.
Em 1821, o mesmo cais serviu para o desembarque de D. João VI, o primeiro Rei Constitucional vindo do Brasil.
O palácio de Belém (a partir de 1910), antigo Paço Real, enquadra-se na praça abrangendo todo o lado norte. Anexo ao palácio encontra-se o Museu Nacional dos Coches, antigo picadeiro tornado museu por vontade da Rainha Dona Amélia. No centro encontra-se a estátua em honra do Vice-rei da Índia, que dá o nome à praça. A iniciativa de erigir este monumento deveu-se ao historiador Simão José da Luz Soriano que para esse fim lançou uma subscrição pública e legou 35 contos em testamento. Da autoria do escultor Costa Mota e do arquitecto Silva Pinto, foi inaugurada, no sítio do antigo coreto, em 3 de Outubro de 1902, na presença da Família Real.

Fontes:
- CML
- AML

A Praça de D. Pedro. (Cidade do Porto)

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A Praça de D. Pedro é a agora chamada Praça da Liberdade que se localiza ao fundo da Avenida dos Aliados no centro da Invicta. Na imagem de cima podemos observar o seu aspecto em meados de 1900... O Palacete ao fundo da imagem servia então de Câmara Municipal. 
Este palacete, foi construído por volta de 1717, na parte norte da actual praça da Liberdade, por iniciativa do fidalgo José Monteiro Moreira, marido de D. Josefa Joana Salazar.
Em 1752, funcionou ali durante alguns anos o tribunal da Relação, antes da existência do edifício que veio a ocupar na Cordoaria, onde hoje é o CPF.
Em 1816, a Câmara do Porto, comprou o edifício por 31. 265$960 reis à Real Companhia das Vinhas do Alto Douro, então proprietária do edifício. Fez obras de adaptação e instalou-se na sua nova sede três anos depois, em 21 de Agosto de 1819. 
Seria posteriormente demolido (em 1916) para a abertura da Avenida supra-mencionada.
Praça de D. Pedro e Paços do Concelho
Praça de D. Pedro IV
Praça de D. Pedro IV
Praça de D. Pedro, diferentes ângulos
Pormenores da extinta Praça de D. Pedro
Pormenor da Praça de D. Pedro onde podemos observar, o extinto restaurante «Camanho»; o «Atlier de alfaiate Old England, Duarte & amp; Raymundo»; a «Cervejaria Porto Club» e a «Tabacaria Arnaldo Soares».
Outro pormenor da antiga praça de D. Pedro, destacando-se a estátua equestre de Dom Pedro IV, parte dos antigos Paços do Concelho e casas comerciais.
Ardinas, na Praça de D. Pedro. Emílio Biel c. 1900
Viatura oficial de Mouzinho de Albuquerque, frente aos Paços do Concelho, na Praça de D. Pedro c.1898. Segundo os registos oficiais iria cometer suícidio, 4 anos mais tarde, em 1902, com apenas 42 anos, embora exista também a hipótese de assassinato
Na imagem de baixo, temos uma vista do lado poente da Praça de D. Pedro, actual Praça da Liberdade, no coração da Invicta. Podemos observar o conjunto de edifícios que existiam no local onde actualmente se encontra o Banco de Portugal. Na direita da imagem vemos o edifício que serviu como Paços do Concelho.
Paços do Concelho (demolido em 1916)
Carruagens de Bombeiros na Praça de D. Pedro circa 1900
Proclamação da República em 1910, na Praça de D. Pedro em frente aos Paços do Concelho, numa fotografia tirada das varandas da Casa das Cardosas
Praça de D. Pedro e edifício dos Paços do Concelho 
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A beleza e grandiosidade da praça - BPI colorido à mão

Praça de D. Pedro, BPI
Praça de D. Pedro. Antigos Paços do Concelho, vistos de Poente
Vista parcial da praça de D. Pedro com os Paços do Concelho em demolição em 1916 
Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931). CPF - DGARQ - APR3570
A Praça de D. Pedro (Praça da Liberdade) durante as demolições para abertura da Avenida dos Aliados.
Demolição dos antigos Paços do Concelho do Porto em 1916
Demolições para abertura da Avenida dos Aliados. Cliché de Domingos Alvão
Construção da Companhia de Seguros "A Nacional", na Praça da Liberdade
 e abertura da Av. dos Aliados
Vemos perfeitamente, na direita da imagem, a Igreja da Trindade
Abertura da Avenida dos Aliados, estando a Câmara Municipal 
ainda em construção. BPI da década de 20, do séc XX
Praça da Liberdade, com o novo edifício Camarário já em fase avançada de obra. Apesar dos anos desta fotografia o aspecto geral da mesma, é quase actual 

Imagens:
- Edições Arnaldo Soares
- Phot.ª Guedes
- Emílio Biel
- Alvão
- Aurélio da Paz dos Reis

A "Antiga Marginal" Freixo-Ribeira, o "Caminho da Aguada". (Porto)

O "Caminho da Aguada". Clique para visualizar melhor
Quem actualmente circula na estrada marginal entre a rotunda do Freixo e a Ribeira do Porto dificilmente pensará que num passado não muito remoto, essa bela estrada de asfalto que permite um tráfego diário intenso de todo o tipo de veículos, não era mais que o caminho de terra que podemos observar nas imagens. Vemos, na esquerda da imagem (BPI), o local onde passa a estrada marginal, vinda do Freixo. Obviamente que a mesma não existia, mas existia no seu lugar, o antiquíssimo "Caminho da Aguada". 
A Calçada da Corticeira, e zona das Fontainhas, vistas de Vila Nova de Gaia, por volta de 1860. Onde passa a actual estrada marginal (junto ao rio) era então o Caminho da Aguada Calótipo com autoria atribuída a Frederick William Flower
Porto - Guindais e Corticeira. Cliché Fotográfico, Dimensão 11x8cm.Arquivo Théodore L'Huillier, 1905-1907
O "Caminho da Aguada", próximo da Quinta da China, antes da abertura da estrada marginal
O "Caminho da Aguada", visto de Vila Nova de Gaia
Na imagem de baixo: A Ponte Luís I, numa vista de Montante, com as margens de Gaia e do Porto, que ainda não possuía a marginal. Vemos no seu lugar apenas um caminho, que se denominava por "Caminho da Aguada". Acredita-se que tal nome deriva do facto da escarpa ser muito fértil em nascentes e no tempo de chuva, nomeadamente no Inverno, formarem-se autenticas cascatas, neste local.
Clique nas imagens para as ampliar
O "Caminho da Aguada", diferentes ângulos 
Fonte parcial de imagens:
- Repositório Temático da Universidade do Porto.
- Frederick William Flower

Museu Comercial e Industrial. (Cidade do Porto)


Museu Industrial e Comercial do Porto
O Museu Industrial e Comercial do Porto, criado por decreto de 1883, directamente ligado ao ensino industrial, com a finalidade de adquirir e expor ao público colecções de produtos e matérias-primas, acompanhados de esclarecimentos suficientes acerca da sua origem, nome de fabricante ou comerciante, preço no local da produção, despesas de transporte, mercados de consumo e todas as informações que pudessem dar a ideia do seu valor e aplicação.
Foi inaugurado em 1886 e ficou instalado no Circo Olímpico do Palácio de Cristal, tendo como seu conservador Joaquim de Vasconcelos. Foi, no entanto, extinto em 1899 por estar longe de satisfazer os intuitos para que fora criado, que supunham uma exposição permanente de artigos industriais e matérias-primas correspondentes, constituindo-se como um subsídio ao ensino das escolas industriais.
Contudo, apesar de estar fechado, conservava ainda quase todo o seu espólio em 1914 e, face a isso, foi decretado que os objectos ali existentes passassem para a tutela do Instituto Industrial do Porto, constituindo um Museu na escola mas que pudesse ser igualmente aproveitado por outras escolas. No entanto, tal transferência nunca se efectivou.

Imagens:
- BPI, Editor Arnaldo Soares
- BPI, Edições Estrela Vermelha

Mapas Antigos da Cidade do Porto. (1809 a 1903)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Todos os mapas são imagens de grandes dimensões, clique para ampliar
Porto em 1809
Porto em 1813
(clicar na imagem para aumentar)
Cidade do Porto, dedicada ao Brigadeiro Sir Nicolao Trant, por George Balck (1813)

Porto em 1833
Desenho de W. B. Clarke, impresso J. Henshall. Publicado por Baldwin & Cradock em Londres, 1833

Porto em 1865
Planta do Porto de Perry Vidal, 1865

Porto em 1844
«Planta da cidade do Porto contendo o Palácio de Christal, nova alfandega e diversos melhoramentos posteriores a 1844, por F. Perry Vidal»

Porto em 1903