A Padouro de São Roque da Lameira: Memória de uma Tradição Panificadora

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

No alinhamento edificado da Rua de São Roque da Lameira, contíguo à histórica sede da Associação Recreativa e Cultural "Os Fluminenses", erguia-se o imóvel do n.º 2268, exemplar da arquitectura civil vernacular portuense do século XX. Edificado com aprumadas molduras de granito e uma fachada revestida a azulejaria de padrão em tons verde-esmeralda, o seu rés do chão albergou, durante largos decénios, um estabelecimento da Padouro - União Portuense de Padarias, S.A., instituição fundada na década de 1960 para centralizar a panificação na Invicta. A loja constituía um entreposto de sociabilidade quotidiana na freguesia de Campanhã, célebre pelo pão fresco, doçaria tradicional e biscoitaria a granel.

​O encerramento do estabelecimento antecedeu em largos anos a destruição da sua estrutura física: na sequência da crise financeira e subsequente insolvência da Padouro em 2007, a loja cerrou portas, permanecendo o espaço devoluto e inactivo durante um longo período. Décadas após a cessação da actividade comercial, a vaga de reconversão urbanística e a revalorização imobiliária na zona oriental do Porto ditaram a demolição integral do edifício de pedra e azulejo, cedendo o terreno à edificação de blocos habitacionais contemporâneos em betão armado.

Lacunas de Informação:

​Não existem registos públicos oficiais que precisem o ano exacto em que ocorreu o encerramento definitivo do atendimento ao público no n.º 2268 antes do período de abandono que precedeu a demolição do imóvel

Memória de São Roque: Da Fundação à Demolição d’ “Os Fluminenses”

“Os Fluminenses”

​A Associação Recreativa e Cultural "Os Fluminenses" nasceu a 9 de Novembro de 1965, estabelecendo-se como um ponto de referência para a vida comunitária, desportiva e social da freguesia de Campanhã, no Porto. A sua história ficou gravada no emblemático edifício no n.º 2258 da Rua de São Roque da Lameira, exemplar da arquitectura civil portuense que se destacava pelas guarnições em granito, a fachada revestida a azulejos de padrão e o caraterístico varandim em ferro forjado vermelho. No entanto, acompanhando a transformação urbanística e a pressão imobiliária na zona oriental da cidade, o prédio secular foi demolido para dar lugar a novos edifícios habitacionais em betão. Em registos de directórios da cidade, a instituição surge igualmente associada a uma morada na Praça das Flores, n.º 168.

Fachada frontal 



Lacunas de Informação:

​Não constam (ou pelo menos não possuímos, até à presente data) dados públicos ou oficiais que confirmem o paradeiro actual da colcetividade ou se a mesma mantém actividade regular noutro local após a demolição da sua sede histórica.