Fábrica do Cavaquinho. (Vila Nova de Gaia)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


As Fábricas do Cavaquinho têm merecido grande atenção por parte dos estudiosos sendo aceite que se trata de duas unidades, a mais antiga dedicada ao fabrico de faiança e uma segunda, mais moderna, que iniciou e desenvolveu o fabrico da louça de pó de pedra em Portugal, à moda Inglesa. A sua história está porém indissociávelmente ligada embora apareçam peças de faiança com marcas bem distintas das três fábricas: Fábrica do Cavaco, do Monte Cavaco e do Cavaquinho todas em Vila Nova de Gaia e com os mesmos proprietários.

A primeira fábrica foi estabelecida na Quinta de Valle de Amores, em 1768, vulgarmente conhecida do Cavaquinho. A existência desta fábrica tem sido ofuscada pela vizinha criação de uma outra, tendo-se a primeira diluido temporáriamente na segunda que teve maior visibilidade histórica. Esta mereceu aprovação Real de Sua Majestade dada a perfeição da sua louça e exportou bastante para o Brasil, tendo o seu período áureo entre 1793 e 1808.
 
Contudo, a concorrência inglesa e as invasões Francesas, penalizaram-na obrigando-a praticamente paralisar depois de 1808, reabrindo em 1817.
 
Em 1826 vendem apenas para o país o que limitava esta indústria que tentava reorganizar a produção.
Entra na década de trinta mais uma vez em crise e encerra, passando a albergar nas suas instalações outras indústrias.

Casa de José do Telhado.

domingo, 31 de outubro de 2010

 José do Telhado
 O escritor Camilo Castelo Branco esteve preso na Cadeia da Relação do Porto, por ter sido acusado de adultério no seu caso de amor com Ana Plácido, e nessa cadeia conheceu José do Telhado, com o qual conviveu durante algum tempo. No livro Memórias do Cárcere, Camilo apresenta, em traços largos, uma biografia do José do Telhado, mas é preciso lê-la com reservas, porque contém muitas imprecisões. A primeira é apontar como ano do nascimento 1816, quando na realidade foi 1818, como se pode ver na respectiva certidão.
Aos 14 anos, José Teixeira pediu a seu tio, morador no lugar de Sobreira, freguesia de Caíde de Rei, no actual concelho de Lousada, para ir para sua casa aprender com ele o ofício de castrador e tratador de animais. Encontram-se documentos onde o José do Telhado aparece com essa profissão de castrador ou, como então popularmente se dizia, capador. Também exercia, com maior ou menor frequência, a actividade de comprar e vender cavalos.
Cinco anos esteve José Teixeira com seu tio, viúvo, mas que tinha uma filha, Ana Lentina. Aconteceu então o que não será de admirar: os jovens apaixonaram-se. O tio não consentiu no casamento e o rapaz partiu para Lisboa, para a aventura da tropa, talvez em 1836 ou 1837.
Depois de várias revoltas militares onde o José do Telhado se viu obrigado a participar sob o comando de alguns generais, como Schwalback, barão de Setúbal, acabou por casar com a prima, a 3 de Fevereiro de 1845. Já teria falecido o pai dela?

Este casamento leva-nos a algumas considerações:

 Temos registo do nascimento de quatro filhos do casal, nas datas seguintes:
Camilo fala às vezes em quatro filhos, outras em cinco, mas não apresenta nenhuns elementos concretos, nomes ou datas. Pensamos que terão sido só quatro filhos.
Passado pouco mais de um ano após o casamento, começa a Revolução da Maria da Fonte, e o José do Telhado participa activamente nela.

Em cima, uma fotografia já antiga da casa onde José do Telhado viveu imediatamente após o casamento e em baixo, as actuais ruínas da casa onde viveu José do Telhado.
Local onde foi julgado José do Telhado em 1861. Marco de Canaveses
Casa onde foi julgado José do Telhado em 1861 - BPI

 A assinatura original de José do Telhado pode ser vista em baixo...
Fonte parcial:
JOSÉ DO TELHADO
O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS?
VIDA E AVENTURA

José M. Castro Pinto

Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões (S. Pedro do Sul)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

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O Convento de São Cristóvão de Lafões ou Real Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, fica situado num morro sobre a ribeira da Landeira, perto da Gralheira, no concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, Portugal.
A fundação deste convento (calcula-se que em 1123) pelos frades da regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que aderiram logo em seguida à Ordem de São Bernardo ou Beneditinos. A fundação do mosteiro é anterior à fundação de Portugal, embora tenha sido totalmente reconstruído no século XVIII.

Foi o abade João Cirita que, juntando os eremitas que pelas encostas do Vouga viviam isolados, e com o apoio de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, obteve licença para a sua construção.

Alguns historiadores, são da opinião de que, o verdadeiro fundador do mosteiro foi João Peculiar e não João Cirita, mas que, em virtude de João Peculiar ter sido chamado a desempenhar outras funções importantes, ficou o mosteiro, logo no início, sob as ordens de João Cirita, e daí o seu nome estar associado à sua fundação.

Em 1163 o convento adere à ordem dos monjes cistercienses, como aconteceu a quase todos os mosteiros beneditinos.

A sua igreja, depois de ter sofrido dois incêndios, foi reconstruída pela terceira vez em 1704, apresentando um plano octogonal. A igreja foi sagrada em 1761.

Os arquivos deste mosteiro perderam-se no incêndio do seminário de Viseu.

O convento foi lamentavelmente extinto por um decreto publicado pelo regime liberal, em 30 de Maio de 1834, juntamente com todas as ordens religiosas existentes em Portugal.

Vendido em hasta pública, passou por várias mãos e degradou-se progressivamente, até à sua compra em 1982 pelos actuais proprietários.

Actualmente este convento foi transformado em turismo de habitação, tendo para o efeito sido completamente recuperado, mas perdendo um pouco do seu aspecto secular. Encontra-se em vias de classificação pelo IPPAR.

Oliveira de Frades antigamente.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

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Duas vistas gerais. Em cima temos em primeiro plano a Estação do Caminho-de-Ferro, em baixo uma vista a partir do lado nascente.
Em baixo, a antiga Quinta de Torneiros, actualmente pelo que sei, foi pelo menos parcialmente, loteada.
A antiga Feira e a Capela de S. Sebastião.
A antiquissima Ponte de Conhêdo, ainda existente nos nossos dias.
 
Em baixo, o Casal-do-Cruzeiro com a rua Dr. Lino dos Santos em destaque.

Vouzela por volta de 1920.

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 Vouzela, uma vista geral.
O Monte e Ermida da Sra. do Castelo e o Monte Lafão por volta de 1920.

Cemitério de Anreade. (Concelho de Resende)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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Durante séculos os enterramentos eram efectuados dentro das igrejas e só raramente os mortos eram sepultados longe delas e só aquando, grandes mortandades ou no caso de falecidos fora do catolicismo.
O aumento da população e questões de higiene, levaram, a que a partir do séc. XVIII , algumas vozes se levantassem contra as inumações no interior das igrejas. As primeiras tentativas de legislação não deram muito resultado e só no ano de 1835 é que foram criados os primeiros cemitérios públicos portugueses.
Segundo o "Livro de Actas da Junta de Freguesia de Anreade", o cemitério foi construído em 1875.
No dia 11 de Janeiro desse mesmo ano, por ordem expressa do governo de então, a Junta de Freguesia procedeu ao acto de arrematação da obra ao pedreiro Manuel Cardoso Júnior, de Louredo - Miomães, pelo preço de 380 mil réis. Este cemitério só ficaria concluído em 1879.
O primeiro túmulo que nele foi instalado, datado de 1868, foi o túmulo da chamada "Santa de Anreade" que continua lá actualmente. 
Anreade c.1930
O cemitério ainda existe, obviamente, mas sofreu alterações. Foi pavimentado e ampliado, alguns dos seus túmulos mais antigos foram transladados do adro da igreja de Anreade localizada uns metros mais abaixo, mesmo em frente a uma propriedade chamada "Quinta da Assoreira" que dá o nome ao lugar. Antes da existência do cemitério, era no adro desta igreja, bem como no seu interior (chão e paredes) que se procedia ao sepultamento dos defuntos.

Imagens:
- Alexandre Silva (Arquivo pessoal)

Nevão no Porto. (Cidade do Porto).

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Esta fotografia singular (redimensionada e digitalizada de uma original gentilmente cedida) mostra o raro exemplo de um nevão na cidade do Porto, provavelmente na década de 60 do séc. XX.
A fotografia, tirada de uma antiga vivenda situada na rua de St.ª Helena, mostra dados interessantes: Por exemplo, os muros dos jardins, visíveis na parte de baixo da imagem (até vemos os pináculos de alvenaria de granito que limitam a entrada de um portão) hoje em dia estão ocupados por prédios e uma vivenda moderna, com garagem por baixo. A rua cuja entrada é visível na fotografia, perpendicular à de St.ª Helena, trata-se da rua Moreira de Assunção. Paralela a esta ùltima, em segundo plano e por detrás do velho casario, tornando-se impossível de visualizar, existe no entanto a rua do Bonjardim.

O Pinheiro Grande. (Campanhã - Cidade do Porto)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O “Pinheiro Grande”, do qual infelizmente não possuimos qualquer imagem, existiu realmente. Situava-se numa propriedade que pertenceu a António Francisco Nogueira e que actualmente é ocupada em parte por duas artérias que devem o seu nome a essa mítica árvore, são elas a Rua do Pinheiro Grande e a Travessa do Pinheiro Grande

O “Pinheiro Grande” foi derrubado por um violento temporal que assolou a cidade do Porto no dia 11 de Novembro de 1931 e era uma árvore colossal!!! Quando caiu media quatro metros e oitenta de diâmetro e mais de trinta metros de altura, sendo já nessa época uma árvore centenária sobre a qual corriam vozes que teria mais de setecentos anos e era fonte inspiradora de muitas histórias e/ou lendas onde ocupava um lugar de destaque ou mesmo o papel principal. Por exemplo: Durante a segunda invasão Francesa que, sob o comando de Soult, ocorreu em Março de 1809, os soldados do exército napoleónico pretenderam abrir trincheiras no local onde existe hoje a Travessa do Pinheiro Grande, para se defenderem dos ataques que pudessem vir da estrada de Penafiel. Para tal manifestaram a intenção de derrubar a mejestosa árvore, já nessa altura muito estimada e até quase venerada pelos moradores locais. O proprietario das terras ofereceu então dez libras em ouro (uma fortuna na época) aos soldados para os demover. Dias depois o general Soult teve de fugir apressadamente do Porto devido à chegada das tropas anglo-lusas, pelo que não sabemos se o ouro mudou de mãos... mas o facto é que o pinheiro permaneceu intocado e continuou de pé por muitos mais anos.

Por altura da implantação da Républica numa noite de Invernia foi atingido por um raio que lhe amputou uma das hastes mais frondosas, contam as crónicas da época que com a lenha que se produziu da parte caída, se encheram vinte carros de bois...

A Corveta Estephania.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

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Corveta " Estephania"
A Corveta "Estephania" substituiu como navio-escola a Corveta "Sagres". 
Esta bonita embarcação foi desarmada em 1898 e infelizmente naufragou durante a trágica cheia no Douro de 1909.
Cheia no Douro em 1909
Imagens:
- BPI - Editor Arnaldo Soares
- BPI - Editor Alberto Ferreira
- Alvão

Rotunda da Boavista. (Cidade do Porto)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

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O mesmo local, antes e depois de surgir o Brasília
O magnífico edifício antigo que pode ser visto na imagem de cima, foi sacrificado para dar lugar aquele que foi o primeiro centro comercial da Invicta... O "Brasília"!!!
Inaugurado a 09 de Outubro de 1976, o Brasília foi o primeiro "shopping" da Península Ibérica palco de uma sociedade marcada pelo início do consumismo. Resultado da iniciativa do empresário Narciso Ferreira.
Estas fotografias foram tiradas com várias décadas de intervalo, mas do mesmo local... A Praça de Mouzinho de Albuquerque, que ao mesmo tempo faz de rotunda da Boavista.
A Praça da Boavista tinha sido ajardinada em 1906 passando o trânsito automóvel a fazer-se à sua volta.
Praça de Mouzinho de Albuquerque
Vista parcial da Praça Mouzinho de Albuquerque, mais conhecida por Rotunda da Boavista, antes da construção do monumento à Guerra Peninsular, circa 1900.
Esse imponente monumento, por todos bem conhecido, seria construído pela "Cooperativa dos Pedreiros" tendo começado a sua edificação em 1909, mas só viria a ser inaugurado em 1952. 
Está demora esteve ligada ao falecimento prematuro do escultor Alves de Sousa, que tinha apenas 38 anos. 
A obra seria continuada e concluída sob a direcção dos escultores Henrique Moreira e José Sousa Caldas. 
O palacete visível no horizonte da imagem (lado direito), seria derrubado, na década de 70 do séc. XX, para dar lugar ao edifício que alberga o Centro Comercial Brasília..
Praça de Mouzinho de Albuquerque, vendo-se a demolida Remise dos STCP (que deu lugar à Casa da Música) no canto superior esquerdo da imagem e o Palacete que foi demolido para a construção do shopping Brasília  no canto inferior direito da mesma
Praça de Mouzinho de Albuquerque em 1964, vendo-se a demolida Remise dos STCP (que deu lugar à Casa da Música) no canto superior direito da imagem e o Palacete que foi demolido para a construção do shopping Brasília  no centro da mesma, logo abaixo da "rotunda"
 Praça de Mouzinho de Albuquerque e zona envolvente em 1964
Fachada principal do Hospital Militar Regional Nº 1 do Porto, na Avenida da Boavista 
Construção do Hospital Militar Nº 1 do Porto em 1867, na Avenida da Boavista 

Imagens:
- Autores desconhecidos
- AMP
- Editor - Estrela Vermelha 
- Photª Guedes
- Beleza