A barbearia mais antiga da cidade do Porto.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Existem várias, que reivindicam esse título e sem dúvida alguma, é difícil e complexo eleger uma, com 100% de certeza, pois tudo depende de uma variedade de critérios.
No entanto, acreditamos não estarmos muito longe da verdade ao afirmar que o "Salão da Lapa", também conhecido por "Barbearia do Sr. Moreira" (nome do actual proprietário, que nesta casa trabalha, desde a sua aquisição em 1966) é a Barbearia (ou Cabeleireiro de Homens) mais antiga da cidade do Porto.
Salão da Lapa. Fachada frontal
Este estabelecimento comercial, abriu portas em 1865, na Rua da Lapa e foi pertence da mesma família durante 100 anos, tendo ganho em 1965, um louvor da União de Grémios dos Comerciantes do Porto, pelo seu centenário.
100 Anos
A Bem do
Comercio Tripeiro
Centenária Firma
Angelo Ferreira dos Santos
Documento do centenário em 1965
Em 1966 e ao que parece, por falecimento de um dos elementos da família, o estabelecimento foi adquirido por 10 contos de Reis (10.000$00), pelo Sr. José Moreira, um profissional do ofício, pessoa extremamente simpática, que nele labora desde então, apesar de já não estar longe (à data desta publicação), de uns dourados 80 anos de idade.
O interior do Salão. Simplicidade e eficácia

Aditamento e actualização: Dezembro de 2024.

Dia 05/12/2024, no espaço onde existiu por muitos anos uma propriedade agrícola popularmente conhecida por 'Quinta de Salgueiros', local que, embora estivesse reservado para zona verde no PDM, por alteração do mesmo foi recentemente permitido construir mais um gigantesco Hotel, inauguraram (no pouco terreno que sobrou), um parque público, ao qual, por motivos que escapam à nossa percepção puseram o nome de 'Mário Soares'. Na inauguração oficial desse pequeno espaço público, estiveram personalidades como o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo terá aproveitado a oportunidade para ir cortar o seu cabelo ao Salão da Lapa, tendo o privilégio de ser atendido pelo seu proprietário, o sr. José Moreira, actualmente com 86 anos de idade, mas ainda no activo.
O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, muito conhecido pelo seu populismo, aproveitou a inauguração do Parque Urbano da antiga Quinta de Salgueiros, para cortar o cabelo na barbearia, por nós considerada a mais antiga ainda em pleno funcionamento 

Imagens:

- Alexandre Silva
- José Moreira 

Capela de S. José e Santa Teresa e os "Armazéns da Capella". (Porto)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Já aqui falamos em publicações anteriores (clique nos respectivos links para conferir) do desaparecido Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças bem como do, posteriormente edificado e ainda existente,  Bairro das Carmelitas.
Debrucemo-nos agora, um pouco mais em pormenor, sobre o pequeno templo que integrava o Convento, a capela da invocação de S. José e Santa Teresa. 
Quando o Convento foi construído, em 1704, o local chamava-se Campo da Via Sacra ou do Calvário Velho, por ser ali que terminava uma extensa Via Sacra que começava nas imediações da Sé.
O Convento ocupava o local, que serviu para edificar o bairro das Carmelitas, o que levou à sua demolição, quando da urbanização desta zona, por volta de 1904.
Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças  - Foto de Antero Seabra, 1857-1864
Rua das Carmelitas, antes da construção do bairro, estando a igreja dos Clérigos na esquerda
Os "Armazéns da Capella", na sua origem começaram por ocupar o espaço do próprio templo (capela) que tinha a fachada voltada para o Campo do Calvário Velho (Praça de Santa Teresa) onde, nos finais do século XIX, começo do século XX, se fazia a antiga Feira do Pão. 
Nas três primeiras imagens de baixo, vemos a Praça de Santa Teresa com vista parcial do local onde existiu a cerca e a capela do Convento das Carmelitas Descalças, c.1908. Na direita, vemos já os Armazéns da Capella antes de passarem para a esquina de Cândido dos Reis e Carmelitas.
Vista parcial do demolido Convento das Carmelitas Descalças, na direita da imagem, c.1908. Variantes do mesmo cliché
Praça de Santa Teresa. Feira do pão, c.1908
Vista parcial do local, onde existiu o Convento das Carmelitas Descalças, a nascente da Praça de Santa Teresa, actual Guilherme Gomes Fernandes
Armazéns da Capella. Aurélio Paz dos Reis - Visita de João Franco ao Porto
 Fotografia estereoscópica 1907 - APR 6805, AFPCPFMC
Em 1904, quando se tratou de urbanizar todo o quarteirão, a capela foi demolida e os armazéns que a ocupavam transferiram-se para a esquina das ruas das Carmelitas e de Cândido dos Reis, onde permaneceram por muitos anos, até recentemente.
Armazéns da Capella c.1910
Armazéns da Capella em 1916. Ilustração Portuguesa, 31 de Julho de 1916
Rua das Carmelitas  C.1916
 Editor - Le Temps Perdu

Estação da Fonte da Moura. (Porto)

sábado, 18 de abril de 2015

Porto - Fonte da Moura. BPI, Editor - Alberto Ferreira
Estação da "máquina" (já aqui abordada anteriormente) na Fonte da Moura de Cima.
Entre 1878 e 1914, a ligação entre a rotunda da Boavista e Matosinhos era feita pela "máquina", uma pequena locomotiva a vapor que atrelava várias carruagens com passageiros. 
A "máquina" descia a Avenida da Boavista até à Fonte da Moura, onde inflectia à esquerda, seguindo para a Foz pela actual Rua de Correia de Sá.
A Estação da Fonte da Moura, ficava na esquina da Avenida da Boavista com a Rua da Ponte, hoje,  Rua Correia de Sá. 

Memorial da Ermida. (Irivo / Penafiel)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O Memorial da Ermida não desapareceu, antes pelo contrário, é um exemplo da recuperação e preservação do património. Porque o abordamos aqui, então? 
-Devido à sua elevada importância Histórica e porque é um exemplo! Um sobrevivente, que escapou à destruição, pois muitos foram aqueles que desapareceram. Foram desmontados, para se aproveitar a pedra para muros e afins.
Actualmente existem apenas seis exemplares conhecidos deste tipo de construção de monumento funerário. Este assenta sobre uma base pétrea rectangular, na qual foi aberta a cavidade sepulcral que, de acordo com especialistas, era antropomórfica.
Memorial da Ermida. Cliché da Phot.ª Guedes (1900?)
O Memorial da Ermida, é um monumento funerário* do século XIII, constituído por uma base rectangular sobre a qual se desenvolve um arco quebrado, com aresta em toro e decoração em bolame, sendo encimado por uma cornija com friso decorado por motivos fitomórficos de folhas biseladas. No vão do arco está a pedra sepulcral, sem decoração, que, segundo Abílio Miranda, seria antropomórfica. Este túmulo tem sido erradamente atribuído a D. Sousino Alvariz ou associado à lenda de Santa Mafalda, filha do rei D. Sancho I.
Está classificado como Monumento Nacional, pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910.
*Nota: Não está inteiramente esclarecida a função, ou objectivo deste tipo de construção. Deverá relacionar-se com a colocação de túmulos, com a evocação da memória de alguém e /ou com a passagem de cortejos fúnebres.

Clique aqui para ver este monumento actualmente.

Fonte parcial:
- C.M. Penafiel

O edifício mais estreito da cidade do Porto.

sábado, 4 de abril de 2015

Já aqui falamos da desaparecida Travessa do Carmo, publicação que, aconselhamos ser consultada pelos leitores que ainda não tiveram tal oportunidade. Por solicitação dos próprios leitores, vamos abordar agora um item local que não desapareceu. Está bem presente e é considerado o edifício de habitação, mais estreito da cidade do Porto (talvez até do país).
Igrejas dos Carmelitas (esquerda) e Carmo (direita) 
Entre as duas igrejas fica o "edifício mais estreito do Porto"
Clique na imagem para ampliar. Cliché de Alexandre Silva
Entre estas duas igrejas existe a casa mais estreita da cidade do Porto, habitada por muito tempo pelo sacristão e sineiro do Carmo.
Porto - Egrejas do Carmo (BPI)

Imagens:
- Alexandre Silva
- BPI (digitalização)

Ponte velha do Faial. (Ilha da Madeira)

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ponte Velha do Faial
A "Ponte velha do Faial", na Ilha da Madeira, também conhecida como “Ponte das sete bocas”, pelos seus 7 arcos, localiza-se no sítio da Fajã, na freguesia do Faial. 
Originalmente atravessava a Ribeira do Faial e foi construída para unir as duas margens da freguesia, separadas pela ribeira, no início do século XX. 
Seria inaugurada em 1904 e foi, durante muitos anos, a maior ponte, em extensão, da ilha da Madeira, apresentando 130 metros. 
No ano de 1984 um forte temporal assolou a costa norte, levando a que a ponte não resistisse à fúria das águas da ribeira, acabando por desmoronar-se 4 dos seus 7 arcos. A sua reconstrução foi posta de parte, tendo sido construída uma nova ponte em betão, a "Ponte 1 de Julho" a escassos metros. 
O resto da estrutura da ponte permanece como um marco histórico desta freguesia e do concelho, símbolo do que resta de um verdadeiro monumento perdido...

Imagem:
- Autor desconhecido

Duelo entre Afonso Costa e Alexandre de Albuquerque. (Benfica)

quinta-feira, 26 de março de 2015

O duelo entre Afonso Costa e Alexandre de Albuquerque. Joshua Benoliel c. 1910
O Dr. Alexandre de Albuquerque escreveu em «O Liberal» um artigo contra o Dr. Afonso Costa, a título puxou: «Mentira, traição, calúnia, ladroeira». 
Albuquerque acusava Afonso Costa do roubo das cartas, de ser «a vergonha do parlamento, da advocacia, do partido republicano e da pátria». 
Afonso Costa mostrou-se ofendido e desafiou-o para um duelo à espada. 
O duelo não se fez na via pública, como aconteceu com o de Penha e Garcia. Foi em local "escondido" mesmo atrás dos muros da Quinta dos Loureiros, em Benfica, a 06 de Junho de 1910. 
Os jornalistas foram impedidos de assistir, no entanto Joshua Benoliel, fotografo da "Ilustração Portuguesa", subindo para cima do automóvel de um dos duelistas, conseguiu o seu intento.
Afonso Costa ganhou o duelo, ao atingir Alexandre de Albuquerque no peito, o que lhe provocou um corte, sem muita gravidade.
Joshua Benoliel, em cima do automóvel de um dos duelistas, para fotografar
Imagens:
- Joshua Benoliel 
- Ilustração Portuguesa
- AML

Quiosque da Avenida da Liberdade. (Lisboa)

Quiosque da Av. da Liberdade em Lisboa. 1908
A Avenida da Liberdade, em Lisboa, foi construída entre 1879 e 1886, à imagem dos boulevards de Paris. 
A sua criação foi um marco na expansão da cidade para norte, e tornou-se rapidamente uma referência para as classes mais abastadas aí localizarem as suas residências.
Muitos dos edifícios originais da avenida foram sendo substituídos nas últimas décadas por edifícios de escritórios e hotéis. Hoje a avenida ainda contém edifícios muito interessantes do ponto de vista artístico e arquitectónico, sobretudo do século XIX tardio e século XX inicial. 
 Quiosque da Av. da Liberdade em Lisboa. 1917
Actualmente ainda existe o neoclássico Teatro Tivoli, com um quiosque da década de 1920 no exterior, bem com algumas mansões. Muitas das fachadas no estilo arte nova deram lugar a edifícios de betão ocupados por escritórios, hotéis ou complexos comerciais, como já referimos em cima.
Como se faz crer que vivemos num país de "gente rica", apesar da CML nesta data em que escrevemos, ter um Presidente que se proclama "socialista", os automóveis com matrículas anteriores ao ano 2000 passaram a estar proibidos, a partir de 15 de Janeiro de 2015, de circular, entre as 07:00 e as 21:00 dos dias úteis, na Avenida da Liberdade. Uma medida, a nosso entender de pura exclusão social, para mais não referirmos. 

Imagens:
- Arquivo Municipal de Lisboa (AML)

As escadas das Padeiras. (Porto)

quarta-feira, 25 de março de 2015

Escadas das Padeiras
As escadas das Padeiras (Ribeira, Porto) ainda existem, aliás foram recentemente vítimas de restauro. 
As escadas são de granito e têm essa designação porque era mesmo junto delas que atracavam os barcos valboeiros, nos quais as padeiras de Avintes atravessavam o rio Douro, quando vinham ao Porto vender a broa original da sua terra.
Escadas das Padeiras. BPI - Editor - Arnaldo Soares
Ribeira vista do tabuleiro superior da Ponte Luís I. Início do séc. XX. Vemos as escadas das Padeiras
Vista da Ponte Luís I e do Cais da Ribeira, a partir da Praça com o mesmo nome
Ribeira - "Caes da Estiva". BPI - Vista obtida a partir de Vila Nova de Gaia
Padeiras de Avintes, com a sua famosa broa. Emílio Biel c. 1900
As padeiras de Avintes vendiam o seu pão (broa) na Praça de Santa Teresa e se fossem feitas vendas fora desta praça, as padeiras podiam ser multadas.
Praça de St.ª Teresa, actual Praça Guilherme Gomes Fernandes
Praça de St.ª Teresa (Largo da Feira do Pão)

Imagens:
- AMP
- BPI - Editor - Arnaldo Soares
- BPI - Papelaria Borges
- Emílio Biel

Rua do Laranjal / Bairro do Laranjal. (Porto)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Rua do Laranjal, vendo-se a igreja da Trindade, c. 1900. Cliché Alvão
Já anteriormente e mais exactamente, em 10 de Julho de 2012, se falou aqui, do Largo do Laranjal. Abordemos agora, a rua que neste local existiu e que ostentava o mesmo nome. O Bairro do Laranjal durou até 1916, ano em que começou a ser demolido para a abertura da futura Avenida. Com o bairro do Laranjal, e pelo mesmo motivo, também desapareceram os típicos lavadouros, um local muito abundante em água e onde existiam vários tanques que possibilitavam lavar as roupas. Existia até uma rua denominada Rua dos Lavadouros que também se chamou Rua de Santo António dos Lavadouros antes da abertura daquela que veio a ostentar o nome do santo taumaturgo e que é hoje a Rua de 31 de Janeiro.
Largo do Laranjal (Trindade). Cliché Alvão
O «tesouro escondido»
Segundo o doutor Pedro Vitorino, durante as suas crónicas no jornal portuense "A Voz Pública", na década de 20 do séc. XX, existiu um "tesouro escondido" no bairro de Laranjal.
Citamos:
«Procedia-se, então, à demolição do bairro do Laranjal e o assunto tinha plena actualidade - apesar de ter ocorrido oitenta anos antes. Foi o seguinte aí por 1840, sete anos depois do Cerco do Porto, numa casa da Rua do Laranjal, que tinha ligação para a Rua de D. Pedro, que lhe corria paralela, apareceu inesperadamente e de uma forma inusitada um autêntico tesouro. A casa não era um edifício qualquer. Habitava-a o cidadão João da Costa Lima, um ferrenho liberal, que, após o malogro da revolta de 1828 (a Belfastada), emigrou para Inglaterra com muitos outros patriotas. Voltaria anos mais tarde ao torrão natal como um dos cinco mil bravos do Mindelo e integrando o batalhão dos Voluntários da Rainha, para se bater ao lado de D. Pedro IV contra as tropas absolutistas de D. Miguel. E no desempenho dessa e de outras missões mostrou-se de tal modo destemido e valente que foi condecorado com a Ordem da Torre-e- Espada e a medalha de D. Pedro e D. Maria.
A ocupação da referida casa só aconteceu depois de terminado o Cerco. Um tio deste Costa Lima, rico negociante de cabedais, pressentindo o aproximar-se do fim da vida, chamou o sobrinho a quem confiou as rédeas do negócio. Não viveu muito tempo mais o velho negociante que habilitou como seu único herdeiro o sobrinho. Não sentindo grande vocação para a vida comercial, João da Costa Lima tratou de passar o negócio dos cabedais e decidiu-se a viver dos rendimentos na casa que fora do tio e que interiormente apresentava uma invulgar decoração com excelentes pinturas murais da autoria dos mais consagrados pintores da época, nomeadamente dos dois Vieiras, o Portuense e o pai, então conhecidos pelos "artistas da Porta do Olival".
Ora foi na casa de Costa Lima que se deu o estranho mas rendoso acontecimento. Num certo dia, ao romper da manhã, ao fugir de um criado que o perseguia, um gato subiu aos móveis, entrou numa espécie de postigo que dava para o forro e aí esbarrou com um objecto que se quebrou e provocou o estranho ruído da queda no soalho de dezenas e dezenas de moedas em ouro. Um verdadeiro tesouro. Pedro Vitorino escreveu que "a colheita foi farta e rendosa".
Naturalmente que o dono da casa acordou com o barulho que as moedas causavam ao cair sobre as tábuas do soalho. Acordou e não voltou para a cama. Foi pesquisar e o que encontrou deixou-o pasmado mas rico. Devidamente acamadas em panelas de ferro escondidas no forro da casa estavam centenas de peças de ouro. Pelo que se veio a saber, na altura, de antigos ocupantes da casa, chegou-se à conclusão de que o tesouro poderia ter sido escondido durante as invasões francesas e, por morte dos inquilinos, ou por qualquer outra razão, ficara para ali esquecido. O achado foi avaliado em dezoito contos em metal sonante. Uma fortuna, para aquele tempo, que João da Costa Lima utilizou para a construção de outros edifícios na Rua de D. Pedro e na Cancela Velha.»
Igreja da Trindade actualmente


Fontes parciais:
- CMP
- Jornal de Notícias
Imagens:
- Alvão
- Alexandre Silva