O Jardim Passos Manuel. (Cidade do Porto)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Jardim Passos Manuel
Em cima, a entrada para o Jardim Passos Manuel
O Jardim Passos Manuel, situado na rua do mesmo nome, foi inaugurado a 18 de Março de 1908 e demolido em 1938 para a construção do Coliseu do Porto.
Durante trinta anos foi espaço de cultura e divertimento dos portuenses e de todos quantos visitavam a cidade. Dispunha de amplos jardins, com esplanada, uma sala de loto onde hoje se situa o Cinema Passos Manuel, um cinema ao ar livre (os dois outros únicos cinemas ao ar-livre da cidade foram o Cinema do Terço e o Cinema Trindade), uma central eléctrica que fornecia energia ás ruas da zona, um restaurante, quiosque de venda de jornais e revistas, um salão exclusivo para reuniões de negócios, um sala de café-concerto que tinha em permanência orquestra residente e dois sextextos, um clube nocturno, um coreto no jardim onde actuavam bandas filarmónicas e um recreio específico para crianças.










Os Templos Desaparecidos da N.ª S.ª da Ajuda. (Espinho)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não será propriamente uma «Atlântida Portuguesa», mas talvez seja uma informação nova para muitos dos nossos leitores saberem que a actual cidade de Espinho, é algo relativamente recente e que o "Espinho primitivo" jaz actualmente nas águas do Oceano Atlântico.

A história de Ovar e Espinho é apontada por historiadores da região como tendo provável início entre o fim do séc. XVII e princípio do Séc. XVIII.
É dito que inicialmente a população apenas se mantinha na costa nos meses da Safra, regressando ao Furadouro nos meses de Inverno.
Assim foi durante anos, até que algumas famílias decidiram fixar-se definitivamente na zona.
A fixação dessas famílias deve ter sucedido na segunda metade do Séc. XVIII, pois existe um baptismo registado da zona da praia de Espinho do ano de 1771, e um Óbito registado na mesma, no ano de 1774.
Depois de estabelecidas, estas famílias tinham de andar cerca de 2 Km na lama até chegar à capela mais próxima, que era em Anta, para o serviço religioso. Assim viveu a população sem um templo próprio até ao ano de 1807.

Por esta altura vivia na Costa de Espinho uma família da Galiza, constituída por dois irmãos, o Eugénio Nunes e o Marçal Nunes.
Foi precisamente o mais velho, Marçal, que mandou construir, a seu próprio custo, a 1ª capela de Espinho.

A Primeira Capela
A 21 de Março de 1787, Eugénio Nunes enviou uma carta ao Bispo a solicitar a licença para a construção de uma capela com a invocação de Nossa Senhora da Guia. Para tal efeito, Eugénio Nunes estava disposto a oferecer para património da referida capela um poço de água, que era o único existente na costa.
A 4 de Abril de 1807, o Bispo do Porto autorizou a construção da referida capela.O culto nesta capela fez-se até ao ano de 1883, ano em que foi demolida por ser já pequena e por, entretanto, se ter construído outra com maiores dimensões e mais espaço para a população.
Em baixo temos uma imagem da primeira Capela


A Segunda Capela
O primeiro movimento tendente a construção do novo templo deu-se em 1867.
Com efeito neste ano constituiu-se uma comissão de representantes das Companhias de Pesca, composta por António de Pinho Branco Miguel, Manuel André de Lima, Francisco Soares de Araújo, António da Cunha Folha da Conceição e Francisco Fernandes Tato, para decidirem da compra da antiga capela e construção de novo templo.
Nesta altura a Capela de N.ª S.ª da Ajuda já tinha outro dono. Por morte de Eugénio Nunes os bens deste passaram para um espanhol de nome José Rodriguez que não vivia em Espinho, mas tinha um procurador chamado António Matos, que por ordem daquele, vendeu os bens a um negociante portuense, Bento José Pereira, que, por sua vez os vendeu em 24 de Janeiro de 1866 a António dos Santos Serra, do lugar da Igreja da freguesia de Gueifães, do concelho da Maia.

...
As obras iniciaram-se em 1872, mas ficaram paralisadas cerca de 7 anos, por dificuldades financeiras, (tendo-se em 11 de Março de 1879 organizada uma nova comissão, presidida pelo Dr. Rufino Borges de Castro e quase todos os membros da antiga.
As obras ficaram concluídas apenas em 1883, ano em que se procedeu a sua benção. A primeira missa realizou-se no dia 29 de Junho desse mesmo ano.
Da antiga capela de N.ª S.ª da Ajuda, que entretanto tinha sido demolida, passaram para o novo templo as imagens de N.ª S.ª da Ajuda; S. Francisco e Santa Rita.
Presume-se, pela história narrada atrás, que a imagem de N.ª S.ª da Ajuda era a antiga de N.ª S.ª da Guia, continuando na nova Capela o culto de N.ª S.ª da Ajuda.
A 19 de Maio de 1886, por alvará do Cardeal D. Américo à nova Capela de N.ª S.ª da Ajuda foi elevada à categoria de igreja, passando a matriz quando em 1889, Espinho se constituiu em freguesia.
Ora em 1885 chegando aos ouvidos daquela Comissão que o Abade de Anta pensava erigir a uma confraria para se apoderar da Capela, aquela entidade zeladora apressou-se a elaborar um estatuto que, aprovado em Assembleia Geral, criaram a Irmandade de N.ª S.ª da Ajuda.
Esta foi reconhecida oficialmente quando os seus estatutos foram aprovados pelo Governador Civil de Aveiro, Dr. Manuel José Mendes em 30 de Novembro de 1885 e confirmados pelo Bispo do Porto, D. Américo Ferreira dos Santos Silva, em 26 de Janeiro de 1886.
Meio século depois, em 1938, a Irmandade de N.ª S.ª da Ajuda começava a reger-se por «NOVOS Estatutos que ainda vigoram.
Esta segunda capela foi destruída em 1906 pelas invasões do mar.
A Terceira Capela
Espinho - Largo da Ajuda



Destruída a segunda capela em 1906, como já dissemos, a Irmandade de Nossa Senhora da Ajuda mandou construir uma terceira que se inaugurou nesse mesmo ano, no centro do Largo de N.ª S.ª da Ajuda.
Poucos anos depois era também tragada pelas ondas do mar.
A Quarta Capela
A Quarta capela foi edificada no extremo nascente-sul do mesmo local, com frente para a rua do Cruzeiro (hoje Rua 2) que, por sua vez, foi destruída em 1910.
Foi pois a partir desta data, como dissemos, que a imagem de N.ª S.ª da Ajuda ficou instalada definitivamente na Capela de Santa Maria Maior e que hoje é mais conhecida por Capela de N.ª S.ª da Ajuda.

Fonte:
Espinho
Boletim Cultural
Vol. V 1983 N.º 17
Edição da Câmara Municipal

A Antiga Igreja da Lapa. (Cidade do Porto)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Muita gente que já visitou a belíssima Igreja da Lapa, que fascina pelo seu estilo Neoclássico sabe ou ficou a saber muita coisa sobre a mesma, como a singularidade deste templo residir no facto de nele estar guardado o coração de D. Pedro I, Imperador do Brasil que o doou ao povo portuense como prova de afeição e reconhecimento .
No entanto muita gente desconhece totalmente que o secular templo cuja construção começou em finais do séc. XVIII veio substituir outra Igreja já ali existente.
Erguida no monte de Germalde em Janeiro de 1755 a capela inicial era de pequenas dimensões. Nela era guardada a imagem de Nossa Senhora da Lapa e aqui vinham muitos penitentes sendo este o motivo pelo qual passou a chamar-se Capela de Nossa Senhora da Lapa das Confissões.
Capela da Lapa
Capela da Lapa
Colégio e Capela da Lapa ao lado da igreja com o mesmo nome
Colégio e Capela da Lapa. Duas variantes do mesmo cliché
Visita de D. Manuel II ao Porto, em 1908  
Chegada à Igreja da Lapa, onde se encontra guardado o coração que D. Pedro doou ao Porto
Facto interessante e historicamente valioso é que a fachada da antiga Capela AINDA EXISTE actualmente. Esteve muitos anos "escondida" e "esquecida" nas traseiras do actual Templo que a faz parecer minúscula. A nave da antiga Capela encurralada entre as traseiras da Igreja e o Cemitério da Lapa esteve convertida num rudimentar recinto de futebol.
Em cima, vemos a fachada da Capela da Lapa. Em baixo, um espaço vazio, que esteve convertido num tosco "estádio".
Interior da antiga Capela da Lapa. Na esquerda o muro de granito que suporta o morro do Cemitério, na direita a parede das traseiras da "nova" Igreja da Lapa.
Este espaço vazio, também "desapareceu", já após esta publicação, obrigando-nos à sua rectificação. Aqui se ergueu o Centro Funerário e Crematório da Lapa, inaugurado a 17 de Setembro de 2014.
Templo Nossa Senhora da Lapa, visto do Quartel e faltando-lhe ainda uma das torres sineiras.
Em baixo, fachada da Igreja da Lapa como todos a conhecem desde 1863, ano em que finalmente ficou completa.
Porto - Igreja da Lapa

Fotografia do pergaminho do auto da entrega do coração de Dom Pedro IV à cidade do Porto
Vista exterior da igreja da Lapa, tirada do Hospital da Ordem da Lapa, vendo-se pessoas na escadaria da igreja
Vista geral da fachada principal da igreja da Lapa actualmente

Imagens:
- Phot.ª Guedes 
- DGEMN
- AHMP
- Alexandre Silva

A Igreja de Cedofeita. (Cidade do Porto)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Esta Igreja não "desapareceu"... mas sem dúvida se transformou várias vezes ao longo dos séculos, adquirindo o seu aspecto actual só após 1930.
A Igreja de São Martinho de Cedofeita, ou Igreja de Cedofeita, é considerada a igreja mais antiga da cidade do Porto. Não se sabe quando terá sido construída a igreja original, sendo no entanto pacífica a ideia de que será um resquício da povoação sueva, que se localizava em Cedofeita.
Uma das teorias maioritárias entre os historiadores é a de que terá sido erguida pelo rei suevo Reciário em 446. Outros defendem que foi o rei Teodomiro, também suevo, quem a mandou construir, em 1059, tendo sido baptizado nela conjuntamente com o seu filho Ariamiro.
A acreditar nesta última versão da história, o nome de Cedofeita será uma referência à igreja.
Igreja de Cedofeita com o aspecto que possuía em 1861
Conta a lenda que Teodomiro, desesperado porque não encontrava cura para a doença do Ariamiro, recorreu a São Martinho de Tours, enviando a esta cidade, embaixadores com ofertas de prata e ouro em peso igual ao do seu filho. Acabou por ser o bispo de Braga São Martinho de Dume o portador de uma relíquia de S. Martinho de Tours, perante a exposição da qual o filho do Rei foi curado, e todo o povo suevo presente, convertido ao catolicismo.
Esta relíquia está guardada nesta igreja de Cedofeita, juntamente com outras do evangelizador dos suevos, o bispo de Braga e de Dume. Teodomiro ordenou o início da construção de uma nova igreja em honra do referido santo. O templo foi construído com tal celeridade que se terá dito acerca dele Cito Facta, o que significa Feita Cedo, derivando em Cedofeita.
Igreja de Cedofeita.  Calótipo de Frederick  William Flower, 1849-1859
A igreja foi alvo de sucessivas transformações, adquirindo um traço romântico quando foi erguido no mesmo local o Mosteiro de Cedofeita no início do século XII. Em 1742 o prior D. Luis de Sousa Carvalho ordenou várias modificações, dando-lhe o desenho que hoje vemos. Em 1930/40 a Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais reconstruiu-a de forma a eliminar alguns elementos ornamentais colocados ao longo dos tempos. Na imagens de baixo: Pormenor da fachada noroeste da igreja de São Martinho de Cedofeita, com o aspecto que possuía antes das obras de recuperação realizadas pelo Estado Novo. 
Phot.ª Guedes.

Um cliché muito similar
Claustros da Igreja de Cedofeita (demolidos) - Vista exterior
 Claustros da Igreja de Cedofeita (demolidos) - Vista interior
«Egreja de Cedofeita». Outros tempos...
Capela-mor da Igreja de Cedofeita, c.1933
Nas imagens que se seguem, vemos a igreja de S. Martinho de Cedofeita, durante as grandes obras de recuperação decorridas nos anos 30/40 do séc. XX. 


Igreja de S Martinho de Cedofeita - Obras de restauro
Aspecto actual da igreja de Cedofeita


Imagens:
- Arquivo Pitoresco
- Frederick William Flower
- DGEMN
- Phot.ª Guedes 
- Autor desconhecido

A Ponte Velha de Algés.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A fotografias retratam a Ponte Velha sobre a ribeira de Algés, antes desta ter sido encanada por baixo da actual Avenida dos Bombeiros Voluntários.
O edifício com ameias que se vê à direita é o Posto Fiscal.
De acordo com a datação que temos encontrado, respeitante as fotografias que retratam o local, tudo aponta meados de 1900.

A Ponte da Ajuda. (Elvas)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ponte da Ajuda, Ponte de Nossa Senhora da Ajuda ou ainda Ponte de Olivença é uma ponte cujas ruínas se situam em Portugal, sobre o rio Guadiana. Ligava outrora as localidades portuguesas de Elvas e de Olivença, tendo originalmente sido mandada construir por D. Manuel I, em 19 de Dezembro de 1510, no chamado local de Nossa Senhora da Ajuda.

A Ponte fortificada tinha 380 metros de comprimento e 5,5 metros de largura, com dezanove arcos e um torreão de três pisos a meio. Em 1597, alguns dos arcos centrais desabaram, em consequência de fortes cheias que aumentaram significativamente o caudal do rio Guadiana. Mais tarde, em 1641, após vários Invernos rigorosos causando danos à ponte, esta foi reparada por ordem do general D. João da Costa, que mandou substituir dois dos arcos deficientes por pontes levadiças.
Foi parcialmente destruída pelo exército castelhano durante a Guerra da Restauração, em Setembro de 1646, tendo sido reparada após o fim da guerra. Alguns anos mais tarde, em 1709, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, o exército castelhano fez explodir a ponte, destruindo-a mais uma vez parcialmente. A partir dessa altura, a ligação entre Elvas e Olivença passou a ter que ser realizada através de terras espanholas. A ponte permanece em ruínas desde essa data até hoje, não tendo sofrido qualquer restauro.
Em 1967, a ponte da Ajuda foi declarada como monumento de interesse nacional, pelo estado português.

Na cimeira luso-espanhola de 1994, o governo português recusou um empreendimento transfronteiriço de construção de uma nova ponte sobre o rio Guadiana, perto da ponte da Ajuda, chamando a si todos os encargos e responsabilidades de construção dessa futura ponte, evitando assim quaisquer formas de reconhecimento tácito de um traçado de fronteira sobre a linha do Guadiana e qualquer cedência do território de Olivença e correspondente património.
Em 2000, foi inaugurada uma nova ponte, a curta distância da antiga, construída e financiada pelo governo português.

A Ponte Pênsil da Trofa.

A Ponte Pênsil, localizada a Montante da Barca da Trofa, foi inaugurada em 1858. A ponte Pênsil, da responsabilidade da Companhia de Viação do Minho, estava suspensa sobre o rio e apoiava os seus extremos em dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros.
Clique nas imagens para as ampliar


Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934)
Vista da entrada do tabuleiro, com as torres ameadas
Ponte Pênsil da Trofa, demolida em 1935
Pormenor do tabuleiro
Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934)
Demolida em 15 de Janeiro de 1935
Rolls Royce Silver Ghost atravessando a Ponte Pênsil da Trofa, c.1919

Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934)
Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934). Uma maravilha perdida
Entrada do tabuleiro, ladeada por torres...
Bougado - Trofa 
A Ponte Pênsil foi demolida em Janeiro de 1935, por não reunir todas as condições de segurança necessárias e por ser demasiado exígua. No entanto deixou a sua presença bem marcada durante mais de meio século, tornando-se, por via da sua elegância e beleza, um verdadeiro “ex-líbris” da região, assim recordada actualmente tanto por trofenses como por Ribeirenses. Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento, mas por outro lado, muito inferior à sua antecessora em elegância e beleza.

«Belíssima obra em azulejo ainda existente na Trofa»
Clique na imagem para a ampliar

Imagens:
- Alcino Costa
- Autores desconhecidos
- AHMP
- BPI, digitalização
Fontes parciais:
- Câmara Municipal da Trofa
- BNP
Marques, Napoleão Sousa